<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478</id><updated>2012-01-30T03:37:14.701-03:00</updated><category term='Iolau'/><category term='plágio'/><category term='SIGMA'/><category term='Alceu'/><category term='phi'/><category term='heleno'/><category term='TAU'/><category term='HIPSYLON'/><category term='sumário'/><category term='Alcibíades'/><title type='text'>Espartanos</title><subtitle type='html'>A raposa sabe vários truques. O porco-espinho um único e eficaz.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>113</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4195960833212188023</id><published>2010-01-23T13:08:00.001-03:00</published><updated>2010-01-23T13:13:50.781-03:00</updated><title type='text'>KHI - V</title><content type='html'>Iolau voltou à batalha, deixando Alceu e Alcmeon para trás. Ele atravessou em passos largos o platô de Epípolas chegando à beira do penhasco, foi quando ele observou. Na planície, os navios atenienses ocupavam o porto lá embaixo, deles, dardos e setas atingiam o exército espartano que perseguiam os atenienses de volta às naus. Ele não conseguiu evitar lembrar-se dos troianos perseguindo os argivos de volta a seus barcos em Homero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os troianos, estreitamente unidos, tal como flama ou tormenta, raivando seguiam Heitor Priâmeo, e bramiam e bramavam, sequiosos, seguros de apresar as naus e de matar os Dânaos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como se sua voz se apoiasse nos deuses, cantou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ainda que caiba culpa ao Atreide Agamêmnon, por vilipêndio do grandioso Aquiles, não é lícito desertar da luta. Sane-se o erro! Os bravos são curáveis. Não é belo ver como afrouxais o fervor de vossas forças, vós, o escol dos esquadrões. Eu não censuro gente vil, que se acovarda e escapa da luta. Ardo de ira contra vós, porém, ó tíbios adamados, que estais prestes a cometer um grande mal; que o brio e o honor vos compenetrem. Já estala a magna batalha. Em volta às naves, Heitor fortíssimo, bom de brado de combate, já peleja, rasas as portas, trunco o longo ferrolho”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os soldados todos ouviram, espartanos e atenienses, e a batalha se empertigou ainda mais, foi quando no horizonte quatro navios espartanos apareceram, e não pareceram preocupar os atenienses, estes lutavam ainda com ávida fome pela vitória, contudo, pouco tempo depois, mais onze naus apareceram, com a bandeira coríntia exposta a proa. Atrás dos trirremes coríntios, via-se dezenas de navios persas, reconhecidos a distância pelos atenienses, e sim aí, Iolau percebeu o pavor tomando conta dos guerreiros da Ática. &lt;br /&gt;Estes acuados, passaram a fugir, desesperados, para Plemírio, onde Nicias, por precaução, havia construído um forte bem mais defensável. O forte ficava na saída da baía do Grande Porto, na encosta oposta a ilha de Ortígia, porém pouco distante em um dia de marcha da cidade de Siracusa. As trirremes, no entanto, não conseguiram fugir da esquadra espartana e seus aliados coríntios e persas. Os navios atenienses foram abordados e a luta agora acontecia lá dentro, ouvia-se gritos, em grego e em persa, o som das lâminas se tocando eram trazidas pelo vento para praia, e o mar começou a trazer o sangue para tingir as pedras. Iolau observava tudo da praia, e, quando a Nige ameaçou tomar o lugar de sua filha Hêmera, ele viu a bandeira persa ser erguida no primeiro navio ateniense, alguns instantes depois dois barcos atenienses tornaram-se coríntios e um ganhou a flâmula espartana. E a noite caiu, extinguindo a batalha, mais uma vez. &lt;br /&gt;Os espartanos se recolheram então para dentro dos muros que protegiam a cidade, acampando em Picolo Seno. Iolau sentou realmente exausto, junto a uma parede qualquer, depois procuraria Artemidoro, depois procuraria seus amigos, estava cansado. Foi quando outro guerreiro, coberto de sangue, sentou ao lado dele:&lt;br /&gt;- Que batalha! Que batalha!&lt;br /&gt;Iolau não o reconheceu por causa do cabelo empapado de sangue e terra, o rosto também coberto de pó era rajado por gotas de suor que escorriam e transformavam tudo em lama, porém a voz concedeu-lhe uma pista.&lt;br /&gt;- Lutar ao lado de espartanos é assim mesmo, Alcibíades! Somos verdadeiros guerreiros.&lt;br /&gt;Alcibíades sorriu e, mesmo sujo como ele estava, sua beleza resplandeceu. &lt;br /&gt;- Vamos tomar um banho! Preciso! - e riu alto – E depois preciso gozar! Muito! Vamos Iolau, vinho por minha conta, e mulheres! Preciso das pernas quentes de uma mulher hoje!&lt;br /&gt;Iolau se chocou. &lt;br /&gt;- Estamos em guerra, Alcibíades, não é momento para vinho e muito menos para mulheres! &lt;br /&gt;- Ah, é! Vós tendes uma estação para o amor das mulheres que é oposta a estação da guerra. Então que seja a bela bunda de um soldado! &lt;br /&gt;Falou isso alto, sorrindo para os soldados que estavam cansados ao seu redor. Iolau notou seu olhar vasculhando e procurando algum que ele desejasse. Foi impossível não sorrir condescendente pela animação de Alcibíades, foi quando então, Heleno cruzou o portal. E Iolau notou Alcibíades congelar por um momento. &lt;br /&gt;Heleno estava como todos os outros soldados. Tinha o cabelo sujo de lama e as pernas também. Usava a armadura simples de um soldado espartano, sem o elmo que perdera na batalha. A espada trazia na cintura, atada, e o escudo já estava às costas, preso. Ele reconheceu Iolau sentado e se aproximou.&lt;br /&gt;- Estás bem, Ios?&lt;br /&gt;- Sim, amigo! Estou! Respondeu o outro levantando-se para provar que estava bem. Alcibíades ali ao lado esperava para ser apresentado, mas, mesmo sabendo disto, Iolau manteve-o a parte na conversa.&lt;br /&gt;- Tens notícias de Alceu? Perguntou Heleno.&lt;br /&gt;- Separei-me dele e de Alcmeon lá no campo. Mas eles lutavam junto ao muro quando me afastei. Já devem estar aqui dentro da cidade. &lt;br /&gt;- Sim! Devem! Ele e Alcmeon! Suspirou Heleno.&lt;br /&gt;- Amigo... &lt;br /&gt;- Oi? Interrompeu Alcibíades.&lt;br /&gt;- Lembra-se de Alcibíades, não? – falou Iolau com um sorriso cínico – Ele está agora conosco! Participou com honra da batalha!&lt;br /&gt;Heleno assustou-se ao reconhecer Alcibíades do seu lado. &lt;br /&gt;- Tu também lembras de Heleno, não é, Alcibíades?&lt;br /&gt;Alcibíades sorriu. Iolau ficou em dúvida se este sorria porque o outro o reconhecera ou porque notara o susto de Heleno ao vê-lo ali tão próximo. &lt;br /&gt;Foi quando eles conversavam que Artemidoro atravessou o muro altivo e trazia dos cativos. Alcibíades os reconheceu de imediato. E os nomes escaparam-lhe entre os dentes.&lt;br /&gt;- Nicías! E Demóstenes!&lt;br /&gt;Vinham sem as armas e sem a armadura, nus, traziam as mãos atadas por uma corda grossa de cânhamo. Tinha o rosto baixo, humilhados. Nicías era um velho careca e de barba curta e cerrada, tinha pêlos pelo peito que um dia fora largo e uma barriga já saliente, daquelas de quem abandonara os exercícios de guerra há alguns anos para se dedicar a política. Demóstenes, no entanto, era próximo em idade, mas era um soldado, e tinha o corpo ainda cultivado pelos exercícios. Músculos fortes, barriga estreita e coxas grossas. Contudo ambos parreciam idênticos ali. Com pulsos amarrados eram puxados os dois por entre os soldados espartanos por Artemidoro. Arrancando risos dos soldados.&lt;br /&gt;Artemidoro então caminhou em direção a praça central da cidade. Os soldados, sujos e cansados, não se eximiram de segui-lo. Iolau, Heleno e Alcibíades também não fugiram a esta tarefa. Na ágora, Artemidoro amarrou os dois a uma fonte e subindo numa mureta gritou para todos aqueles que estavam ali ao seu redor.&lt;br /&gt;- Amigos, espartanos, estes são Nicías e Demóstenes! Os generais atenienses! Nossos prisioneiros agora! Festejem esta noite, meus amigos, homens de Esparta! Porque esta noite Atenas foi derrotada! E amanhã, aqueles homens que deixamos amarrados as naus no porto e no forte que estes dois ordenaram construir serão vossos escravos. Festejem a riqueza que Pluto envia a todos vós!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-4195960833212188023?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/4195960833212188023/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=4195960833212188023&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4195960833212188023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4195960833212188023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2010/01/khi-v.html' title='KHI - V'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-2643491501592458662</id><published>2009-12-30T19:27:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:36:02.509-03:00</updated><title type='text'>KHI - IV</title><content type='html'>Os hoplitas atenienses desembarcaram ao norte da Sicília, era verão, àltura de Naxos, uma praia calma, onde seus barcos puderam aportar sem prejuízos, um promotório que se lançava ao mar e permitia a aproximação das naves com tranquilidade, marcharam para o sul, pretendendo sitiar a cidade mais poderosa da ilha, Siracusa. E no caminho, destruíram e saquearam todas as cidades alidadas de Siracusa, poupando aquelas que se disseram alidadas de Atenas. Sabendo do ataque, os líderes da cidade começam rapidamente a construção de um muro para deter a marcha dos soldados da Liga de Delos, porém, os atenienses chegaram a tempo de impedir sua construção fazendo pequenos ataques aos homens que carregavam as pedras ou cavavam o fosso. A contrução do novo muro teve que ser abandonada e os siracusanos se refugiaram dentro da cidade.&lt;br /&gt;Até o primeiro navio espartano aportar na ilha, os atenienses já cercavam a cidade por duas semanas. Este tinha como capitão Hermocrátes, e sua primeira ordem aos soldados foi que estes erguessem barricadas e preparam-se para a chegada de sua marinha, criando um porto protegido, se não um forte. O líder daquela expedição era Gilipo, cujo navio só desembarcou três dias depois que o navio com Iolau, Alcibíades e Artemidoro chegou, nele também estavam Heleno, Alceu e Alcmeon.&lt;br /&gt;Contudo, nestas duas semanas, Nicias, líder do exército ateniense, hesitou em atacar, quando atacou, invadindo as praias do rio Anapo, os espartanos já estavam na ilha. O exército ateniense avançou dando a volta pelo sul de Siracusa, e acompanhando a estrada de Helorine, fizeram um forte ainda na margem sul do rio Ciana, posicionados na primeira ponte, e tomando também a ponte sobre o rio Anapo, quase as portas da cidade. As tropas avançaram com os soldados argivos e mantineus à direita, os atenienses ao centro, e os outros aliados à esquerda, onde o risco de ataque da cavalaria seria maior. E conseguiram se aproximar tanto porque seus agentes duplos divulgaram a informação que eles atacariam pelo norte, pela planície da Catânia, e o exército adversário fora mobilizado então por lá.&lt;br /&gt;Era manhã de céu claro, então, quando os guerreiros de Atenas e seus aliados se lançaram aos muros de Siracusa. No entanto, rapidamente Hêmera escondeu-se entre as nuvens de Zeus, e tudo ficou escuro e raios e trovões começaram a rasgar a abóbada celeste. Iolau percebeu os raios quando a notícia que os atenienses estavam do outro lado da cidade alcançou os generais e o exército partiu em disparada atravessando o planalto.&lt;br /&gt;Apesar do triplo de soldados siracusanos e o exército espartana que agora dirigia-se em peso de encontro com os soldados da Liga de Delos, os atenienses acreditavam que  estavam em vantagem porque não podiam ser atacados por trás, graças a proteção do rio. Do outro lado também arqueiros, arremessadores de dardos e pedras, atacavam os hoplitas do inimigo. Porém, Hermócrates, general espartano, deu armas aos homens pobres de Siracusa, e se afastando do exército espartano principal, se arrastou com eles por trás do exército ateniense, atacando-os. Gritava ele para os seus soldados:&lt;br /&gt;- Travem guerra aberta, homens bons, e sejam persistentes contra os atenieneses! Expulsem-os da Sicília – e rindo – ou impeçam que eles gritem, como meninas, por ajuda!&lt;br /&gt;Os siracusanos avançaram, porém os atenienses também. Avançaram pelo pântano de Lisimeléia, acompanhando o primeiro muro da cidade até alcançarem o platô de Epípolas, acesso para a cidade. No planalto, deparam-se com a cavalaria, com o qual não estavam preparados para lidar. Seus trinta cavaleiros atenienses e mais algumas dezenas de seus aliandos se posicionaram adiante, Nícias e Lâmaco – os líderes de Atenas - seguiam logo atrás, mas encontraram as três centenas de cavaleiros espartanos. A cavalaria espartana então atacou o exército invasor, o empurrando em direção à borda do despenhadeiro, o que os fez fugir, apavorados, dividindo-se em dois: uma parte fugiu em direção a cidade, outra fugiu para o rio Anapo, voltando desesperado para a planície.&lt;br /&gt;A cavalaria siracusana, com ajuda de hoplitas, e neste grupo estavam Iolau, Alceu e Alcmeon, já os esperava as portas da cidade e o atacou, fazendo este regimento entrar em total pânico. Lâmaco, general ateniense, estava entre eles. Gritava tentando estabilizar a formação. Estava descalço, sujo de lama e arrastando sua espada, quase sem forças, tentava manter seus homens numa formação coesa, mas aos poucos seu exército começou a se separar, e o grupo de Iolau o encontrou isolado , em uma trincheira, com poucos soldados.&lt;br /&gt;Alceu, como sempre, fora o primeiro a atacar, atacou com fúria um dos guerreiros atenienses, e abriu seu crânio com o metal de sua espada; Iolau o seguia de perto e sua lâmina cravou-se no olho do outro soldado. Foi neste instante que  Iolau  percebeu que sete soldados se posicionavam para proteger o guerreiro mais velho e logo percebeu que este deveria ser um dos generais, e como ele já conhecia Nicias pessoalmente, aquele diante dele só poderia ser Lâmaco.&lt;br /&gt;Iolau pronunciou o nome dele baixinho quando o reconheceu. Alceu ouviu-lhe e afirmou isso com um olhar. Eles se entenderam ali. Deviam matar todos os soldados, mas capturar Lâmaco vivo. O metal tilintava e o couro dos escudos era forçado em seu limite. Logo o sangue dos sete soldados atenienses banhava o solo, restando apenas Lâmaco de pé, com a espada em riste, parecia ter medo, mas não parecia que pretendia desistir. Foi quando Iolau percebeu que os joelhos dele fraquejaram e ele caiu ao chão, por um instante ele esperou um pedido de misericórdia, mas as palavras pareciam impossiveis de sair da boca do general, foi então que ele percebeu o sangue que as afogava. Somente depois disso, o jovem espartano notou a garganta cortada, e Alcmeon de pé, atrás do general, sorrindo e com a lâmina da espada maculada de rubro. Uma fúria tomou o corpo de Iolau. Ele se aproximou pisando pesado e de pulso fechado, socou o rosto coberto pela espessa barba do outro guerreiro.&lt;br /&gt;- Por Zeus! Que passa?&lt;br /&gt;- Sabeis quem era este que tu acabou de matar, efeminado?&lt;br /&gt;Alcmeon, ainda no chão, onde caíra sentado, olhou para o corpo já inerte e não sabia o que responder.&lt;br /&gt;- Este era o general Lâmaco, de Atenas! Imbecil! Um general ateniense!&lt;br /&gt;E deu as costas, deixando Alcmeon no chão, encontrando depois os olhos de Alceu que pediam clemência para o outro, o que somente irritou ainda mais o jovem de cabelos negros e oleosos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-2643491501592458662?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/2643491501592458662/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=2643491501592458662&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2643491501592458662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2643491501592458662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/12/psi-iv.html' title='KHI - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-5342971465354771305</id><published>2009-12-26T10:09:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:35:49.094-03:00</updated><title type='text'>KHI - III</title><content type='html'>Iolau estava entre os soldados, numa praia italiana, quando Alcibíades saiu do seu lado e tomou a palavra em meio a assembléia.&lt;br /&gt;- Sim, eu sou Alcibíades, filho de Clinias, hóspede do companheiro de armas te todos vocês, Iolau.&lt;br /&gt;Iolau sentiu olhares para cima dele quando antes que o jovem continuasse a falar.&lt;br /&gt;- Peço-lhes abrigo, amigos espartanos, depois que traído fui por minha própria pátria, em troca, ofereço-lhes informações.&lt;br /&gt;Foi quando alguém gritou em meio a assembléia.&lt;br /&gt;- Não confiem nele.&lt;br /&gt;Um burburinho se levantou. Outro grito:&lt;br /&gt;- Traidor da pátria!!!&lt;br /&gt;Foi quando um dos generais, Agamedes, erguendo a mão, fazendo todos silenciarem, tomou a palavra. Iolau o conhecia, das inúmeras noites que servira vinho em reuniões na tenda do seu ex-professor, este inclusive já o tinha apalpado-lhe as nádegas com força, discretamente, com medo de Artemidoro enciumar-se.&lt;br /&gt;- Menino – falou em tom de deboche – primeiro, que informações tereis que nos interesse? Segundo, porque acreditaríamos em ti se os teus compatriotas te tratam como traidor?&lt;br /&gt;- Juro pelo Estige que nunca traí meus compatriotas até pisar nesta terra maldita, general! Porém, se eles assim acreditam, não posso ficar entre eles. O verdadeiro patriota não é o homem que, tendo perdido sua própria terra, não a ataca; mas sim aquele que tenta de todas as formas recuperá-la pelo amor que sente por ela. E vós permitireis que eu volte a minha terra expulsando aqueles democratas que hoje controlam o governo da cidade. Percebo hoje que a democracia é uma reconhecida bobagem, que homens não podem controlar a si mesmo, que quando os fazem não cometem justiças. Sou exemplo vivo disto! Além disso, meu caro general, que tu me chamas de menino, eu mesmo causei muito mal a teus exércitos como inimigo, imagineis então o bem considerável que poderei causar como vosso amigo, já que conheço os planos dos antenienses quando na época apenas supunha os de vocês.&lt;br /&gt;Iolau percebeu que Alcibíades já começava a comover a assembléia, sua petulância ajudava sobretudo aos mais jovens a simpatizarem com ele de imediato, já a beleza atraia os mais velhos a vê-lo com mais simpatia. Agamedes porém ainda não estava convencido:&lt;br /&gt;- Então conte-nos o que tu sabes, menino!&lt;br /&gt;Alcibíades sorriu. E seu rosto se iluminou, pensou Iolau, como se Apolo retirasse os cabelos de sua face. Ele então continuou a falar:&lt;br /&gt;- Foi no inverno que Segesta pediu-nos ajuda para derrubar Siracusa e conquistar a Sicília. Eu passei a sonhar com esta expedição, eu sentava em grupos desenhando o mapa da Sicília e decidindo com meus amigos as melhores formas de abordar a ilha.&lt;br /&gt;- Isso me soa como uma brincadeira de crianças! Repetiu Agamedes, mais para a assembléia, que não deixou de rir, do que para Alcibíades, porém o ateniense continou a falar:&lt;br /&gt;- Por causa de Mantinéia, onde reconciliei os mais importantes estados do Peloponeso, sem grandes riscos e gastos para a minha cidade – ouviu-se um burburinho entre os presentes –, eu ganhei o direito de falar na assembléia ateniense apesar de minha idade. Tornei-me o maior defensor desta expedição, contra Nicias, que desejava manter a paz convosco. Foi fácil, no entanto, anima-los para voltar a batalha. Argumentei inicialmente que desculpa daremos para recuar e que justifica apresentariamos a nossos aliados na Sicília para não ajudá-los? Afirmei que devíamos socorrê-los, por Atena!, pois havíamos dado nossa palavra.&lt;br /&gt;A assembléia estava totalmente em silêncio agora.&lt;br /&gt;- Também afirmei que Atenas, diferente dos outros Estados gregos, era ativa por natureza. Um período de paz tão longo entorpeceria nossa destreza e caráter – os espartanos não se conteram e aplaudiram essas palavras com a qual concordavam grandemente - Uma cidade ativa é rapidamente destruída se forçada à passividade. As pessoas só encontram segurança que garante seus afazeres quando estão em harmonia com seu caráter e com seus hábitos.&lt;br /&gt;Palmas novamente explodiram.&lt;br /&gt;- Vejo que concordeis comigo, porém amigos, Nicias não concordava. Sarcasticamente ele rejeitou meu plano, e disse que a Sicília era forte e rica, e mais poderosa que nossa cidade – vaias agora acompanhavam sua fala – que tinha muito cereal e animais para a cavalaria. E que no inverno ficaríamos aqui nesta península isolados. Que precisaríamos de mais navios, de mais hoplitas, de mais soldados. Eu sabia o que ele queria fazer: queria como comerciante fazer os bolsos de meus compatriotas doerem, e por causa de poucos talentos fugirem a guerra.&lt;br /&gt;Os espartanos agora vaiavam um Nicias não presente. E Iolau percebera os planos retóricos de Alcibíades, igualando-se aos espartanos em valores, agora ele ganhava sua simpatia e transformava seu rival em inimigo tanto dele, quando de espartanos agora incitados em sua honra de guerreiro.&lt;br /&gt;- Porém, no discurso de Nicias – continuou Alcibíades –, ele disse que pensava que com esse plano poderiam vencer, um plano que ele descreveu como muito caro, mas se alguém pensasse diferente ele oferecia seu comando. Nicias pretendia que dado esse plano ser muito caro todos desistiriam, porém os atenienses estavam convencidos que poderiamos vencer. E aprovaram a monção!&lt;br /&gt;Agamedes sorriu ao fim do relato. E perguntou:&lt;br /&gt;- Quantos navios trouxeram os teus, menino?&lt;br /&gt;- 134 navios de guerra, 60 são nossos. 5100 hoplitas, 1500 são atenienses. A cavalaria tem 30 homens. Com mais 30 navios de carga. Respondeu coberto de orgulho, até a assembléia arrebentar em riso.&lt;br /&gt;- Estarás protegido entre nós, menino, mas não por causa dessa informações que tu consideras tão preciosas. Duvido muito que eles sigam o mesmo plano agora que sabem que tu estás entre nós. Estás protegido porque tens um laço de hospitalidade com um de nós, e a Zeus nós todos louvamos! Respondeu Agamedes e, em seguida, ordenou que a assembléia se dispersasse. Alcibíades então desceu o palanque e encontrou Iolau, perguntando, avidamente curioso.&lt;br /&gt;- Por que o exército riu quando contei os números de nosso exército, Iolau? É um exército impressionate!&lt;br /&gt;Iolau conteve um sorriso e falou:&lt;br /&gt;- Agora que lutas ao nosso lado, acho que posso dizer-te. Trazeis 134 trirremes? Trazemos quatrocentas, cem delas espartanas, duzentas persas; vós trazeis 5100 hoplitas, somente espartanos trazemos quatro mil, e não contamos com os sicilianos, siracusanos e coríntios que nos apoiam. Trinta cavaleiros? Temos aqui trezentos! Vós sereis derrotados! Facilmente derrotados!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5342971465354771305?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5342971465354771305/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5342971465354771305&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5342971465354771305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5342971465354771305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/12/psi-iii.html' title='KHI - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-3421562003600841278</id><published>2009-12-13T17:49:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:35:31.877-03:00</updated><title type='text'>KHI - II</title><content type='html'>Foi na costa de Túrio, na Itália, que Iolau reencontrou Alcibíades. Ele subiu ao seu navio implorando para falar com Artemidoro, só com ele dizia se abrir, estava nu, com seu corpo definido a vista de todos, roto e sujo, ele foi jogado de joelhos ao pé de Iolau.&lt;br /&gt;Os soldados então se voltaram para o jovem espartano.&lt;br /&gt;- Iolau, ele implorou por todos os deuses falar com teu general. Disse que contaria tudo o que o fez fugir se fosse para ele. Traz-nos Artemidoro aqui, já!&lt;br /&gt;Iolau, assustado, viu os antigos olhos desafiadores de Alcibíades estarem realmente assustados. Seu cabelo sujo escondia toda a beleza do seu rosto, dando-lhe um aspecto de mendicante. Foi neste momento que Artemidoro saiu do quarto que utilizava na embarcação, provavelmente atraído pelo burburinho.&lt;br /&gt;- Ios, o que se... Pela sagrada Hera! Alcibíades!&lt;br /&gt;Iolau virou-se de súbito, e encontrou o seu antigo professor sinceramente surpreso e notou que ele já avançava para erguer o antigo amante. Iolau, prevendo o pior, interveio.&lt;br /&gt;- Este ateniense deseja vê-lo, senhor!&lt;br /&gt;Artemidoro deteu-se ao ouvir o tom utilizado por Iolau. E tentando demonstrar total desinteresse ordenou que os soldados o levassem para dentro de seus aposentos. A ordem foi imediantamente obedecida e os soldados o arrastaram. O jogaram no chão, no meio do aposento, e ficaram lá parados.&lt;br /&gt;- Saiam! Ordenou, novamente, o professor.&lt;br /&gt;Um deles tentou argumentar.&lt;br /&gt;- Eu mandei que vocês saíssem.&lt;br /&gt;Eles então viraram nos seus calcanhares e saíram.&lt;br /&gt;Iolau continuou onde estava, sabia que a ordem não era a ele. Foi quando Artemidoro voltou-se para dentro do aposento e gritou:&lt;br /&gt;- Olavo! Rápido!&lt;br /&gt;Iolau sentiu um perfume de almíscar invadir a sala quando o eunuco persa entrou na sala. Ele abriu a porta do pequeno aposento, mais íntimo, em que costumava ficar confinado com o professor, e esperou o pedido de Artemidoro.&lt;br /&gt;- Prepara um banho para este homem, rápido! - com uma pequena deferência, Olavo se afastou, e virando-se agora para Iolau – Teu punhal, Ios!&lt;br /&gt;Foi então que Iolau estendeu sua lâmina ao professor que cortou as cordas que prendiam os fortes braços de Alcibíades a suas costas, e prendiam-lhe as pernas.&lt;br /&gt;- Meu jovem amigo, o que aconteceu contigo?&lt;br /&gt;Alcibíades tentou manter uma voz irônica, pretendia não emocionar-se ao falar, porém as primeiras notas revelaram o fingimento do ateniense tanto para Iolau como para Artemidoro, mas os dois não manifestaram nada sobre isso.&lt;br /&gt;- Fu-fui falsamente acusado, Artemidoro! Falsamente! Sabeis que me tornei o mais jovem general de Atenas por causa de minha campanha em Mantinéia, não sabeis?&lt;br /&gt;Artemidoro confirmou com um aceno de cabeça.&lt;br /&gt;- Pois bem... esta expedição para conquistar a Sicília agora era minha primeira tarefa em nome do exército ateniense. Porém, meu antigo amigo, eu fui acusado em Atenas de ofender os deuses. De ofender a cidade. De ofender a democracia.&lt;br /&gt;- Ios, traz-lhe vinho!&lt;br /&gt;Iolau se afastou e colocou vinho e água numa cratera, mas de lá ainda podia ouvir.&lt;br /&gt;- Não sei se sabeis que eu lutei para convencer meus compatriotas a avançar sobre Siracusa e tomar a Sicília, depois a Itália, muitos animaram-se que assim poderíamos chegar até a Ibéria. Lutei muito para isto, e como muitos atenienses me apoiaram, antigos generais, antigos demagogos, ficaram com medo do poder que eu estava construindo. Acusavam-me de querer tornar-me tirano.&lt;br /&gt;Iolau trouxe o vinho e Alcibíades tomou um gole grande, quase esvaziando a taça de cobre, pauperriamente trabalhada, e até amassada em alguns pontos. E depois continuou seu relato.&lt;br /&gt;- Bem, apesar dos discursos de Nicias, meus compatriotas concordaram com meu plano para invadir esta ilha e toma-la para nós. Contudo, a vésperas de nossa partida, todas as estátuas de Hermes foram destruídas em Atenas. Seus rostos e pênis foram arrancados.&lt;br /&gt;- Deuses! Deixou escapar Iolau.&lt;br /&gt;- Sim, meu jovem amigo – continuou Alcibíades, não esquecendo que Iolau estava na sala, e lançando até um sorriso em sua direção, que fez o jovem relembrar o menino que se hospedara em sua casa ao que parecia ter sido milhares de anos antes – tamanho pecado foi cometido e eu fui acusado de ser seu autor. Logo eu? Porque eu ofenderia o deus protetor dos viajantes logo às vésperas da minha primeira campanha a terras tão distantes! Não sou idiota, por Palas Athena!&lt;br /&gt;E respirou fundo, ou suspirou, Iolau não conseguiu reconhecer a diferença.&lt;br /&gt;- Foi oferecido a caçadores de recompensa um talento por minha cabeça, e meu nome... meu nome de minha família... foi amaldiçoado pelos sacerdotes de Elêusis e Delfos!&lt;br /&gt;Ele ameaçou chorar. Um silêncio então se instalou, nenhum dos três estava confortável com a situação e Alcibíades chegou ainda a soluçar uma primeira vez quando Olavo voltou ao recinto e falou em seu grego com forte sotaque persa:&lt;br /&gt;- O banho está pronto, senhor!&lt;br /&gt;Iolau e Artemidoro apoiaram o jovem ateniense que caminhava com dificuldade até a tina de água quente e pétalas de rosas, além de óleo de oliva, que o esperava. Ele entrou e esticou seus músculos na água tépida. Olavo começou a massagear-lhe os músculos e esfregar-lhe a pele, enquanto Artemidoro continuou a perguntar.&lt;br /&gt;- E como, amigo, chegaste até nós aqui? A última notícia que tivemos de tua marinha ela estava na parte sul desta península que costeamos, próxima a Sicília.&lt;br /&gt;- Sim, e é verdade, caro amigo. Os homens que me eram leais combateram, ao meu lado, meus captores quando nós os encontramos no estreito de Messina. Meu navio afundou em Régio, e de lá, fugindo, tentei chegar até tu, meu amigo. Achei que se alguém pudesse me ajudar, me ouvir, seria tu, Artemidoro, e tu, Iolau!&lt;br /&gt;Iolau se surpreendeu com a citação a seu nome. Artemidoro também não deixou de ficar surpreso. E mesmo Olavo que era sempre tão discreto, e quase invisível, não deixou de levantar seus olhos para o jovem de cabelos oleosos.&lt;br /&gt;- Afinal, Iolau, somos hóspedes e amigos, não é?&lt;br /&gt;- Sim! - Respondeu o outro se aproximando e apertando-lhe a mão que agora estava molhada, mas na qual hematomas e sangue coagulado se espalhavam.&lt;br /&gt;- Também – continuou Alcibíades – os procurei porque quero minha vingança, Artemidoro, vou mostrar aqueles atenienses que estou vivo – e seus olhos brilharam com fúria – eu sei todos os planos de batalha para esta ilha. E agora o que eu sei, vós também podeis saber!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-3421562003600841278?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/3421562003600841278/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=3421562003600841278&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3421562003600841278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3421562003600841278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/12/psi-ii.html' title='KHI - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-1591285089751171632</id><published>2009-12-08T19:56:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:35:18.896-03:00</updated><title type='text'>KHI - I</title><content type='html'>- Filho de Ciro, irmão de Artaxerxes, os deuses velam por vós; de outra maneira não teríeis tanta sorte. Disse Artemidoro, apoiado em um joelho, fazendo uma discreta reverência, não o bastante para humilhar um espartano, e menos do que seria necessário para ofender um rei que se considerava um deus, ao qual interessava a eles conseguir a boa vontade.&lt;br /&gt;O tradutor reproduziu as palavras do grego e, então, Artemidoro continuou seu discurso.&lt;br /&gt;-  Estes aqui são nossos generais – falou Artemidoro – Aneristo e Nicolau, descendentes de Espértias e Bulis, nobres de nossa cidade.&lt;br /&gt;Ele esperou o tradutor repetir o que ele dizia, Aneristo e Nicolau também fizeram uma pequena reverência, ao qual foi ascentida somente por um movimento de cabeça do rei.&lt;br /&gt;- Precisamos de vossa ajuda, senhor. Disse Nicolau.&lt;br /&gt;Quando o tradutor falou as palavras, próximo ao rei, este sorriu. Sorriu e falou em seu persa, depois também sorrindo, o tradutor se dirigiu aos gregos:&lt;br /&gt;- Vós, espartanos, tendes muita coragem! Coragem de chegar aqui após todos os crimes que vós cometestes contra nosso povo e implorar por ajuda.&lt;br /&gt;- Xerxes, rei dos persas, não é contra nós que vós deveis ter tanto ódio. Foi contra Atenas que teu país guerreou e teus corajosos guerreiros pereceram.&lt;br /&gt;Mediante o tradutor, Xerxes não sorria mais. Ele bateu no trono de outro, com leões alados esculpidos em suas pernas, o trono ficava a cinco degraus acima do piso, e com uma voz ecoante, gritou:&lt;br /&gt;- Os gregos são todos os gregos!!&lt;br /&gt;Iolau notou que Artemidoro ficou apreensivo. Aneristo e Nicolau, não. O primeiro adiantou-se, então, e falou:&lt;br /&gt;- Senhor rei dos persas, se é o sangue de teus que tu clamas, que nós, nobres de Esparta, possamos dar o nosso em troca daqueles que foi derramado.&lt;br /&gt;Surpreendido, o tradutor demorou a repetir as palavras ao rei. Iolau também se via surpreendido, olhou para Artemidoro de quem estava próximo, e este, apesar de tentar não demonstrar, também fora pego de surpresa. Os olhos do jovem desfilaram pela sala naquele momento, nenhuma mulher estava presente, haviam somente muitos homens, vestidos com o que Iolau considerava excessivo; além de outros que atraíram o olhar do espartano. Tinha os olhos pintados e cabelos muito longos, roupas diáfanas, e jóias nos pulsos, orelhas e pescoço. Na primeira vez que Iolau os viu, imaginou-os mulheres, mas notara-lhe as faltas de carnes, voltou então a olhá-los tentando decifrar quem eram aquelas figuras. Foi quando Aliata, guia da expedição, disse-lhe ao pé do ouvido:&lt;br /&gt;- Na tua língua, vocês os chamam de eunucos, jovem espartano. São monstros deformados pelos deuses. Homens mulheres. Não são confiáveis. Seduzem os homens...&lt;br /&gt;Foi quando Iolau notou um deles o observando. Ele servia vinho atrás de alguns homens recostados em grandes almofadas ricamente bordadas. Tinha cabelos negros que alcançavam-lhe o meio das costas, e usava uma tintura escura em torno dos olhos, o que permitia que seus olhos faíscassem aquele instante. Não usava nada cobrindo o peito liso e com poucos músculos, somente um colar de lápis-lazuli que pendia-lhe até a altura do estômago magro. Usava uma calça de seda azul que estava presa as pernas, amarrada com um fio de outro grosso. No braço esquerdo enrolava-se uma serpente também de ouro e com olhos de ametista.&lt;br /&gt;Incomodado com aqueles olhos incessantes que o seguiam, Iolau silenciosamente deixou a sala. Atravessou a pesada porta de madeira que separava do corredor de pedra e parou diante de um tapete bordado em que um homem de cabelos longos retirava de algo que parecia o inferno uma bela mulher em seu colo. Iolau observava o trabalho quando sentiu uma presença a seu lado e se virou. Era o eunuco.&lt;br /&gt;Com pesado sotaque, ele falou em grego:&lt;br /&gt;- Representa um conto de terras distantes. Uruk, fica em direção ao poente, deves ter passado por lá para chegardes aqui.&lt;br /&gt;Iolau se assustou com os gestos femininos e a voz melosa, deu um passo para trás, com medo de ser capturado por aqueles olhos negros.&lt;br /&gt;- Meu nome é Olavo. E tu?&lt;br /&gt;Gaguejando, ele falou: - I-Iolau!&lt;br /&gt;- Belo nome, um herói, não é?&lt;br /&gt;Iolau não respondeu. Receiava algo, que nem ele mesmo sabia o que era. Porém o jovem eunuco, se aproximava dele. Ele exalava um perfume forte e que Iolau não conhecia. Era doce e atraente. A pele dele, morena, reluzia e parecia macia.&lt;br /&gt;- Acredito que nunca tenhas estado com um eunuco, não é? Disse Olavo com um certo tom insinuante.&lt;br /&gt;- Nunca conheci nenhum de vocês.&lt;br /&gt;Olavo riu, e juntou o cabelo num rabo de cavalo, deixando-o cair novamente. Iolau olhou hipnotizado aqueles fios negros como betume cairem ordenadamente uma após o outro. Eram lisos e reluzentes, reluzentes como os olhos também negros que o cercavam. Foi quando o eunuco virando-se para a tapeçaria na parede comentou.&lt;br /&gt;- Em Uruk dizem que nós fomos condenados pela rainha do inferno a sermos tratados como o lixo, porém esta deusa que ele salva – e apontou para a pintura – disse que isso não poderia ser mudado, porém, nos deu a habilidade de sermos irresistíveis. E, no fim, quando morressemos teríamos um lugar no paraíso com ela. - E riu – Sinceramente, eu não acredito!&lt;br /&gt;- Mas porque tu pareces tanto como uma mulher? Juntou forças Iolau para perguntar.&lt;br /&gt;Olavo riu alto, afetadamente.&lt;br /&gt;- Meu amor, eu nasci assim. E serei sempre assim. Tu nunca te pergunteste porque tem a pele clara ou esses olhos negros como os meus. Tu nasceste assim. Eu nasci assim. Nem homem, nem mulher. Somente assim.&lt;br /&gt;Neste momento, as portas se abriram. Dois outros eunucos saíram apresados. Ao reparar Olavo, um deles se dirigiu a ele, em persa, apressando-o:&lt;br /&gt;- Menino, o que fazes aqui, precisamos de panos limpos. Os gregos cortaram os pulsos na sala do trono.&lt;br /&gt;Iolau não entendeu as palavras, mas o rosto preocupado de Olavo revelou que era algo sério. Ele então virou-se para o jovem espartano e disse:&lt;br /&gt;- Acho que deves voltar aos teus e rápido!&lt;br /&gt;Iolau correu para dentro da sala e encontrou Aneristo e Nicolau ao chão, esvaiam-se em sangue. Artemidoro retomara a fala já que os dois estavam no chão, mortos já, naquele momento.&lt;br /&gt;- Chegamos aqui escapando da morte em Potidéia,  soberano de muitas terras, Sádoco, príncipe da cidade, filho de Odrísio Sitalces, traiu a aliança que fez conosco em troca da cidadania ateniense.  Tua ajuda, em nome do sangue de meus irmãos que aqui jazem, eu sinceramente imploro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-1591285089751171632?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/1591285089751171632/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=1591285089751171632&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1591285089751171632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1591285089751171632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/12/psi-i.html' title='KHI - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4231195165804877735</id><published>2009-12-01T15:16:00.003-03:00</published><updated>2009-12-01T15:34:15.443-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='plágio'/><title type='text'>Plágio de Espartanos</title><content type='html'>Caros amigos e leitores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este blog, cujo o trabalho para escrever me dar um prazer imenso, está sendo plagiado. O trabalho para escrevê-lo é realmente intenso, pois, como historiador, dou-me ao trabalho de fazer toda a pesquisa histórica necessária para construir uma estória digna de uma verdadeira história. Cada fato narrado aqui em Espartanos é historicamente plausível! Os espartanos agem aqui como os documentos históricos comprovam que era sua sociedade durante o século V a.C. Não é uma brincadeira infantil. Como diz Allan Massie, a história não aconteceu assim, mas bem poderia ter acontecido.&lt;br /&gt;Porém, sem respeito a este meu trabalho, este &lt;a href="http://deccosalvatori.wordpress.com/gladiador-%c2%ac%c2%ac/"&gt;blog&lt;/a&gt;, assinado por Decko Salvatori, está copiando meu texto e dizendo que  ele é o verdadeiro autor. Decko ainda comete um maior crime, que ofende profundamente meu trabalho como historiador, ele rebatizou o meu romance como Gladiadores, que são escravos romanos, e não homens livres e espartanos. Sinceramente, ofendeu-me mais que o próprio plágio. Mas mesmo assim, devo alertar a todos, enquanto tomo as providências necessárias para retirar este farsante da rede. Providências essas nas quais vocês também podem me ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste endereço: &lt;a href="http://en.wordpress.com/report-spam/"&gt;http://en.wordpress.com/report-spam/&lt;/a&gt; há um formulário no qual vocês podem denunciar o blog. Agradeceria se vocês se dessem este trabalho. Obrigado!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-4231195165804877735?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/4231195165804877735/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=4231195165804877735&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4231195165804877735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4231195165804877735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/12/plagio-de-espartanos.html' title='Plágio de Espartanos'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-6191246842586107810</id><published>2009-11-25T11:24:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:36:22.160-03:00</updated><title type='text'>PHI - V</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem entender, Alceu observava agora Alcmeon que marchara ao seu lado. Eles chegaram a Tégea onde acamparam próximo o sumidouro do rio Zanovistas, o qual se perdia por entre as pedras de calcário e seguia seu curso por baixo da cidade. O exército espartano defendia Tégea já, e se preparava para atacar as torres de observação em Mitikas que guardavam a passagem pelo vale e o bosque de Pélagos. Foi sem entender que ele ergueu sua espada e não tinha mais Heleno protegendo sua retaguarda e sim Alcmeon ao seu lado, bradando com a força, mas não com tanta destreza a lâmina.&lt;br /&gt;A batalha aconteceu em campos de trigo que haviam sido colhidos alguns meses antes, poucas sementes ainda estalavam sob os pés dos soldados, abandonadas por escravos desatentos. Dos campos era possível ver o monte Alesion a distância, uma escarpa íngrime e de difícil acesso. Àquela altura, os eleanos já marchavam para ajudar seus aliados mantineus, os espartanos sabiam que se estes chegassem e eles não tivessem ainda vencido as torres de Mitikas, a superioridade numérica dos seus inimigos, somado ao ambiente natural que se impunha a eles, o vale e o bosque, seriam um tremendo revés a campanha. Por isso, mesmo sem Alceu entender nada, eles nem chegaram a armar o acampamento. Atacaram as torres.&lt;br /&gt;Eram quatro torres, dispostas lateralmente a distância segura uma das outras. Ocupavam toda extensão do vale, duas ao sopé das montanhas, uma protegendo o vale, outra protegendo a margem do rio. Os carvalhos do bosque ficavam-lhe ao fundo, emoldurando uma paisagem que transpirava perigo. Temendo então isto, Ágis, o jovem rei, enquanto esperava reforços de Esparta comandados por Plestoanax, ordenou que os guerreiros escavassem fossos e erguessem diques, tentando desviar o rumo do rio que sumia tentre pedras, inundando a planície.&lt;br /&gt;A represa foi construida rápidamente, e a água ligeira daquele deus-rio logo encheu o reservatório, contudo, antes que a água fosse liberada e tomasse conta de toda planície, mantineus atacaram os espartanos. Desceram pelas montanhas gritando, sem formação, ouvia-se apenas seus uivos e tilintar das armas de metal chovando-se. Escudos e espadas. Por trás das torres, partiram carros de guerra todos com apenas um cavalo, seus arqueiros foram os primeiros a atacar os espartanos. As flechas ergueram-se para o céu e caíram como uma tempestade sobre o exército espartano, contudo, organizados, com escudos lado a lado, nenhum se feriu, porém, alguns soldados do exército inimigo, aqueles mais corajosos ou tão covardes que se tornam afoitos, aqueles que já alcançavam os espartanos e tinham seu rosto transformado pelos gritos que não conseguiam mas ser ouvidos pelos espartanos, estes foram atingidos pelas setas em suas costas desprotegidas e caíram com suas vidas ceifadas.&lt;br /&gt;Foi quando Ágis gritou do meio do exército e todos, sem exceção, ouviram:&lt;br /&gt;- Espartanos, bons no corpo-a-corpo, lembrai a fibra de homens que sois. Não é desonra morrer lutando pela pátria, salvando nossas esposas, filhos e amantes que esperam nosso retorno em casa. Vexame, espartanos! Agora é hora de morrer ou salvar-se e expulsar da Hélade este mal que ameaça ardê-la.&lt;br /&gt;Os espartanos gritaram com seu ânimo inflamado. Não obstante, não se jogaram sobre as hordes de mantineus que avançavam sobre eles e explodiam em seus escudos, esperaram e o detiveram mantendo-se protegidos acima do dique que haviam construído. Foi quando outros soldados, liderados por Artemidoro, romperam a represa. A água gelada do Zanovistas desceu como uma torrente, ondas avançaram sobre os matineus e seus poucos aliados. Pegos de surpresas, muitos soldados não conseguiram nem se mover, afogaram-se em segundos, outros emergiram uma vez e foram atingidos por arqueiros espartanos que os aguardavam, muitos fugiram, retornaram, corriam de volta as torres, tentando escapar a água, mas o carros vinham em sua direção, foram atropelados pelos cavalos que não conseguiram parar, pisoteados foram encontrados rápido pelas aguas que subiam. Apavorados, os cavalos começaram a derrubar seus condutores, e quando a água os alcançava e tentava submergi-los, esmagavam com seus casos os guerreiros que emergiam da frialdade úmida do Zanovistas.&lt;br /&gt;Em questão de instantes, a vaga alcançou o sopé das quatro torres e começou a crescer, espartanos então a nado, com o escudo preso as costas e a espada entredentes, chegaram ao sopé das torres e quase imediatamente começara a subir nas duas centrais, escalando as pedras que as constituiam. Setas choviam sobre eles, dos vigias das torres atacadas e também das outras que estavam mais distantes, porém estas atingiam normalmente seus escudos, e poucos foram atingidos em suas coxas e braços, porém, mesmo feridos terminaram a escalada e se puseram a lutar com os guerreiros de lá, derrubando-os de seus postos e conquistando as torres. Alceu estava no topo da terceira torre, junto a Alcmeon, quando olhou em volta e viu que o sangue tingia de um suave vermelho a água em torno das torres quando elas foram finalmente tomadas. Pertenciam agora a Esparta.&lt;br /&gt;- Batalha vencida! Arfou Alcmeon.&lt;br /&gt;- Não devias comemorar. Falou Alceu.&lt;br /&gt;- Comemoro cada vitória, Alceu, cada uma. - E puxou-o para si, beijando-lhe a boca com volúpia – cada vitória é única. Um presente que Ares e Nicky nos concedem! Seria uma ofensa a todos os deuses não comemorar cada uma delas.&lt;br /&gt;Alceu sorriu e viu adiante os soldados fechando com cuidado o desvio, devolvendo o rio ao seu lugar, quando virou a esquerda reconheceu Heleno, coberto de sangue, em outra torre, olhando para ele, e aí percebeu que o sangue fluia da ombro do jovem loiro. E uma dor lancinante cortou-lhe o coração. O homem que ele amava esta ferido. Ele agarrou-se a um pedaço de madeira que seriva de parapeito. E gritou:&lt;br /&gt;- Heleno!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-6191246842586107810?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/6191246842586107810/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=6191246842586107810&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6191246842586107810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6191246842586107810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/11/khy-v.html' title='PHI - V'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-653227172742842420</id><published>2009-11-17T21:37:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:36:40.331-03:00</updated><title type='text'>PHI - IV</title><content type='html'>Alceu lembrava que soubera da ameaça a Tégea no final do verão. Para o rei Ágis era a chance de recuperar-se das duas últimas incursões que abalaram sua liderança entre os guerreiros, duas derrotas, em Pilos, quando a guerra recomeçou, e Orcomeno. Tégea era agora sua nova chance. Ágis reuniu um exército de mais de quinze mil homens que marchavam agora contra Mantinéia que pretendia invadir o território da aliada espartana. Os soldados marchavam junto com Alceu acompanhando a margem esquerda do rio Sarandapotamos. Foi no décimo dia de marcha, ao ver-se ladeado por Alcmeon que o jovem guerreiro lembrou da noite do vinho.&lt;br /&gt;Ele lembrou que terminou seu banho sem sentir-se em paz, clamava por Afrodite para que as têmporas parassem de latejar. Vestiu a túnica curta que usava, que cobria-lhe apenas o peito largo, ela terminava junto a sua nádega, rocando-lhe a pele de leve. Pegou então o cinto no qual estava presa a espada leve de hoplita que carregava, presente de seu pai, pendurou no ombro sem cingir-lhe a cintura, e calçou as sandálias de couro liso, mas com cravos de metal que brilhavam timidamente refletindo a lua. Alceu também lembrou que pensou várias vezes em não ir ao encontro de Alcmeon, contudo, quando se viu estava diante da tenda que o soldado ocupava. Ele lembra que exitou, mas como se advinhasse, Alcmeon saiu e sorrindo conviou-o para entrar.&lt;br /&gt;Era uma tenda simples. Feno servindo de cama, coberta com uma túnica. A mesma túnica que o guerreiro usava ali fora. Ele estava nu dentro da tenda que tinha apenas um candeeiro de óleo de oliva queimando lentamente, a armadura jogada em outro ponto refletindo a luz dourada da chama e um coldre de vinho. Foi a primeira coisa que Alcmeon disse quando Alceu entrou.&lt;br /&gt;- O vinho! Vamos ao vinho!&lt;br /&gt;E agachou-se para pegar a bolsa de pele que continha o vinho. Alceu não conseguiu evitar, mas seus olhos se cravaram nas nádegas fortes do outro que ficaram expostas. Quando Alcmeon se levantou, acabou por perceber o que o outro ficara observando, mas não disse nada, somente convidou Alceu para sentar-se na cama com ele. E tomou um gole grande de vinho, passando o coldre para ele. Um tanto nervoso, ao levar o vinho a boca, um pouco derramou no seu rosto e pescoço. Alcmeon riu e falou:&lt;br /&gt;- Esse vinho é muito bom, não pode ser desperdiçado assim.&lt;br /&gt;E sem esperar nenhuma reação do jovem moreno, lambeu-lhe a bochecha em que uma barba rala já teimava em aparecer, uma barba rala e morena. Ele seguiu o vinho que escorrera para o pescoço e terminou na clavícula. E se levantou sorrindo. Alceu foi invadido por uma tempestade de sentimentos. Paralisado, ele não sabia o que fazer. Alcmeon no entanto parecia mais preparado. Tomou o vinho da mão do jovem e bebeu um gole grande, depois ofereceu ao outro que timidamente bebeu. Alcmeon dessa vez beijou a boca do jovem, e Alceu sentiu o gosto do vinho nos lábios e na lingua dele. O guerreiro então novamente colocou o vinho em seus lábios, novamente ofereceu também a Alceu, que desta vez tomou um gole maior.  Notando isso, Alcmeon se ajoelhou diante do outro e derramou vinho sobre o peito, molhando os pêlos morenos do liquido rubro. Alceu repetiu o gesto do outro e sua língua logo tocava os pêlos e a pele agora com gosto de vinho de seu companheiro de pelotão. Alcmeon, enquanto isso, acariciava os cabelos longos do outro, até segurar-lhe com força e, avidamente, buscar sua boca vermelha.&lt;br /&gt;- Quero você!&lt;br /&gt;Alceu não respondeu, apenas permitiu o outro o beijasse. O que ele fez animadamente. Deitando seu corpo por cima do outro. As mãos de Alceu vasculharam a musculatura de Alcmeon facilmente, enquanto ele sentia a excitação do guerreiro a pressionar suas coxa. Alceu então abriu suas pernas, e deixou o músculo teso do guerreiro escorregar para dentro delas, apertando-o depois com suas coxas e arrancando um gemido dentro de sua boca. Puxando então o quadril de Alcmeon, Alceu fez com que ele iniciasse movimentos cadenceados entre suas coxas.&lt;br /&gt;Neste momento, Alcmeon ergueu seu tronco, ergueu o bastante para pode retirar a túnica do outro e exibir-lhe o corpo nu. Alceu ajudou levantando os braços, porém logo depois abraçou novamente o corpo de Alcmeon. E logo começou a beijar-lhe o pescoço, e acabou escapando do peso que o segurava na cama e, aproveitando que ele estava de bruços, deitou sobre seu corpo bronzeado, mordendo a orelha do guerreiro e enfiando as unhas entre os pêlos do peito do guerreiro mais velho. Encaixado na nádega do outro, mordia-lhe o ombro, mas Alcmeon novamente procurou-lhe a boca e, escapando-lhe, deitou-se na cama e puxou o outro para cima de si, encaixando-o entre suas pernas e cravando suas mãos, como garras, nas nádegas douradas pelo sol. E entre dentes, falou:&lt;br /&gt;- Eu quero você!&lt;br /&gt;E com os dedos demonstrou exatamente o que ele queria dizer com aquilo, arrancando um gemido, muito mais de dor que de prazer, do jovem que o beijava o pescoço e mordia-lhe o ombro. Alceu sabia que era isso, provavelmente, o papel que o soldado exigiria dele, dado a diferença de idade dos dois, é o comum. Foi neste momento que Alcmeon, com certa pressa e violência, jogou o outro na cama e se colocou nas costas dele. Sua excitação fazia-lhe o corpo todo latejar e ele não esperou o outro permitir-lhe adentrar suas carnes. Em um movimento, se pôs todo dentro do jovem guerreiro, arrancando do outro um grito profundo e gutural.&lt;br /&gt;Cadencialmente começou a mover-se. Com força, avançava, e Alceu fechava os olhos tentando aguentar, foi quando sentiu os dentes do outro cravarem-se nas suas costas e ele gritou. Alto.&lt;br /&gt;- É assim que eu quero você. Grita vai! Falou Alcmeon entre gemidos e arfante. Alceu não respondem, mas os braços do outro o apertaram e um deles prendeu-lhe a garganta. Meio sufocado, Alceu tentou fugir, debatia-se.&lt;br /&gt;- Você não pode fugir – disse Alcmeon visivelmente excitado – pode até tentar, mas agora tu és meu. Fala que és meu! Vai! - e agora gritando, autoritariamente – Vai!!&lt;br /&gt;Sem ar, Alceu não conseguiu falar. Apenas tentava escapar do outro. Ele ouvia o barulho alto do quadril de Alcmeon espancando suas nádegas.&lt;br /&gt;- Você é meu! Disse Alcmeon e avançando ainda com mais força para dentro dele, e explodindo num gemido alto. E rapidamente se levantando. Alceu esperou algo mais, porém Alcmeon voltou ao vinho, bebeu mais alguns goles, e comentou, como se falasse para si mesmo.&lt;br /&gt;- Achei que precisaria de mais vinho para convencer-te disto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-653227172742842420?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/653227172742842420/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=653227172742842420&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/653227172742842420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/653227172742842420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/11/khi-iv.html' title='PHI - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-2200240848448945033</id><published>2009-11-12T19:09:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:36:54.489-03:00</updated><title type='text'>PHI - III</title><content type='html'>Alceu cavalgava de volta ao acampamento, estava afastado, pensando em Heleno, deixando o seu cavalo seguir a passos lentos enquanto Artemidoro e Ecleu seguiam a frente, num passo mais apressado, Sandro, Heleno e Iolau acompanhavam-nos no mesmo passo. Foi quando Alceu uma voz chamar sua atenção.&lt;br /&gt;- Agora eu poderia dizer que o vinho, na minha tenda, é uma ordem, não é?&lt;br /&gt;O jovem moreno levantou o rosto, olhou nos olhos de Alcmeon, mas não sorriu. Este emparelhou o cavalo com o dele, e continuou a falar:&lt;br /&gt;- Até que poderia! - E riu alto, audível inclusive aos outros jovens cavaleiros que seguiam os generais, fazendo os três olharem para trás – Contudo, eu prefiro que meu convite seja aceito porque tu assim o desejas.&lt;br /&gt;Alceu fitou Alcmeon intrigado, perguntava a si mesmo o que ele queria. Mas encontrava apenas um sorriso misterioso no rosto do, agora, companheiro de pelotão. Olhou adiante, em seguida, e se deparou com o olhar frio de Heleno.&lt;br /&gt;- Heleno não parece gostar de ver-nos conversando. Notou Alcmeon.&lt;br /&gt;- Não é isso. Respondeu Alceu.&lt;br /&gt;- Não? Pareceu no curral dos cavalos, agora, adiante, parece que ele nos fulmina com o olhar. Deve praguejar contra nossas próximas gerações.&lt;br /&gt;- Aconteceu algumas coisas... ele tem seus motivos.&lt;br /&gt;- Tem?&lt;br /&gt;- O pai dele morreu.&lt;br /&gt;- O meu também.&lt;br /&gt;- Mas ele é filho único. Respondeu Alceu contendo um soluço que provavelmente derramaria algumas lágrimas.&lt;br /&gt;Alceu pareceu ver o rosto de Alcmeon se iluminar por um segundo, mas ele logo voltou ao mesmo olhar que o intrigava anteriormente.&lt;br /&gt;- Vós sois companheiros, não?&lt;br /&gt;- Éramos! - e apesar dele tentar conter as palavras saíram – Mas não devemos mais. Ele deve dar prosseguimento a sua linhagem. Sua família...&lt;br /&gt;- Entendo. Tens razão. Agradeceria muitíssimo, Alceu, se viestes dividir o vinho comigo – falou Alcmeon olhando diretamente nos olhos do jovem moreno, mudando rapidamente o assunto – acho que a ti também fará bem.&lt;br /&gt;Alceu não conseguiu conter que seu rosto ficasse rubro, revelando uma certa timidez, o que provocou um sorriso em Alcmeon, e acabou concordando:&lt;br /&gt;- Sim, aparecerei lá.&lt;br /&gt;- Dionísio seja louvado!&lt;br /&gt;Alceu então tentou sorrir, mas nesse momento ouviu Iolau o chamando. Gritava seu nome. Ele se despediu e incitou o cavalo para alcançar o seu amigo, encontrando-o com uma cara irritada.&lt;br /&gt;-  Artemidoro quer que resolvamos alguns problemas.&lt;br /&gt;Notando o tom diferenciado, Alceu perguntou: - Algum problema?&lt;br /&gt;Iolau o olhou um tanto chocado e, em um rompante, falou:&lt;br /&gt;- Que tratavas com Alcmeon?&lt;br /&gt;- E-ele me convidou para um vinho. A nós! Mais cedo...&lt;br /&gt;- Vinho?&lt;br /&gt;- Sim, vinho!&lt;br /&gt;- Tu bens sabe que não confio nele.&lt;br /&gt;- Não há real motivo para isto, há, Ios?&lt;br /&gt;- Apenas minha intuição, Alceu. E ele convidou a nós? Perguntou com desconfiança.&lt;br /&gt;- Sim, eu, tu e Heleno.&lt;br /&gt;- Minha intuição diz para não irmos.&lt;br /&gt;- Mas ele faz parte de nosso pelotão, Iolau! Devemos confiar nele.&lt;br /&gt;- Bem...&lt;br /&gt;Iolau não respondeu. E eles partiram juntos, era necessário cavar um fosso na parte oeste do acampamento, para questão de defesa e de higiene, e a noite caiu logo, pelo menos foi o que Alceu pensou dado o cansaço que sentia ao passar todo o dia devotado àquele trabalho junto a outros guerreiros. Quando a Nige deixou seu manto cair sobre a Hélade, Alceu então se dirigiu ao rio que serpenteava pelo acampamento, um riacho raso e pedregoso, provavelmente resultado do degelo de alguma montanha não muito distante. Um riacho tão pequeno que não tinha nome. Seu corpo pedia o contato com a água. Ele despiu-se da túnica curta que usava rapidamente e, não se esquecendo de saudar o deus daquele rio, entrou na água gelada. Seus músculos retesaram naquele instante que ele mergulhou. Ao sair, seu cabelo negro estava escorrido, ele retirou da frente do seu rosto, e quando abriu os olhos viu Alcmeon o observando nas margens pedregosas do lado de fora.&lt;br /&gt;- Como está a água?&lt;br /&gt;- Gelada como o bafo de Bóreas! E riu.&lt;br /&gt;- Esperava por ti hoje.&lt;br /&gt;- E eu pretendia ir.&lt;br /&gt;- Mas a idéia do banho também é ótima. Disse Alcmeon já se despindo. Ele usava mais roupa que o jovem moreno. Estava de armadura, o couro e o metal marcavam-lhe o corpo forte. Ele então retirou as peças de proteção recebidas de herança de seu avô materno e entrou na água. No entanto, Alceu o observara retirando cada parte da armadura. O peitoral forte, desenhado por pêlos castanhos, que se libertou quando ele retirou a couraça; os braços poderosos e musculosos, cobertos de cicatrizes causadas pelo metal nas pelejas com Ares; a barriga estreita, que não mostrava os músculos, como a barriga dele, porém lisa, e com um fio de pêlos que desciam a partir do peitoral até lançar-se pelo umbigo e o púbis; o pênis grosso no centro do quadril estreito, que mole balançava até alcançar a coxa profundamente definida.&lt;br /&gt;- Realmente, está gelada! - a frase de Alcmeon arrancou Alceu do choque de ver o corpo do outro, ele então continuou a falar – Conheceis Licas, filho de Arquesilau, não Alceu?&lt;br /&gt;- O vencedor olímpico?&lt;br /&gt;- Sim, sim! - e riu – Soubeste o que ele fez quando os eleanos proibiram-nos de participar da última olimpíada?&lt;br /&gt;- Eu soube que fomos proibidos de participar das competições e realizar os sacrifícios. Fomos expulsos dos templos.&lt;br /&gt;- Sim! Os eleanos, malditos aliados dos atenienses, nos acusaram de fazer guerra durante o mês da olimpíada. Queriam multar-nos.&lt;br /&gt;- Foi o próprio Licas que me contou. Como não podíamos participar o fascínora deixou o corredor de Tebas correr com a biga dele. Quando o carro chegou em primeiro lugar, Licas adentrou a pista e depositou ele mesmo a coroa de louros na cabeça do cocheiro, e nos seus cavalos.&lt;br /&gt;Alceu gargalhou alto.&lt;br /&gt;- É! Assim ele dizia quem realmente tinha vencido. Claro, foi açoitado como um escravo e depois expulso da cidade. Mas ele me contou isto rindo alto como tu ris hoje. Para mim, isto nunca aconteceria se não tivéssemos aceitado esta falsa paz em que os atenienses ficam tentando roubar nossos aliados pelas costas. Os eleanos não teriam a empáfia de nos desafiar se não contassem com o apoio ateniense.&lt;br /&gt;- E o pior é que aceitamos esta expulsão do festival de Zeus Olímpio silenciosamente.&lt;br /&gt;- Sim! Parecemos covardes.&lt;br /&gt;- Exatamente! Concordou Alceu esfregando os braços mais uma vez para retirar a terra. Neste momento, Alcmeon se colocou nas costas dele e começou a esfrega-las, o jovem moreno sentia as mãos calejadas pela lida com a espada e o escudo tocando-lhe os músculos das costas.&lt;br /&gt;- Tens poucas cicatrizes.&lt;br /&gt;-  É porque eu tinha alguém muito bom me protegendo os flancos&lt;br /&gt;- Ou foi apenas sorte.&lt;br /&gt;Alcmeon se aproximou mais do corpo de Alceu naquele instante, sua mão enlaçou a cintura dele com suavidade, o jovem guerreiro então olhou para trás e deparou-se com a boca do outro bem próxima a sua, assutado, afastou-se fazendo-o sorrir, enquanto Alceu sentia a face ficar rubra, contudo nada impediu sua excitação ficar visível dentro a água clara.&lt;br /&gt;Alcmeon então sorriu, Alceu sabia que ele estava sentindo-se vitorioso. Tal percepção deixou o guerreiro irritado e também ainda mais excitado, o que também piorou quando ele viu o guerreiro, após um mergulho, começar a caminhar em sua direção. Alceu parou de respirar nos poucos passos que separavam eles dois, no último, ele fechou os olhos ansioso pelo próximo passo do outro, indeciso se queria que ele desse mais algum passo também. Porém Alcmeon nada fez. Quando Alceu abriu os olhos o outro já estava na margem juntando as próprias coisas. E ao ver que o Alceu o fitava, falou:&lt;br /&gt;- Espero-te na minha barraca para o vinho. Bom banho!&lt;br /&gt;Alceu surpreso, mergulhou novamente na água, com as têmporas latejando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-2200240848448945033?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/2200240848448945033/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=2200240848448945033&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2200240848448945033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2200240848448945033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/11/khi-iii.html' title='PHI - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-8207692275823311350</id><published>2009-11-03T12:32:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:37:09.304-03:00</updated><title type='text'>PHI - II</title><content type='html'>Eles conversavam, Alcmeon e Alceu, apoiados na cerca de madeira, Alcmeon já preparava-se para partir, quando observou alguém se aproximando, Alceu notou porque este outro logo sorriu, foi quando o jovem moreno sentiu uma presença atrás de si e virou-se, dando de cara com Heleno com uma expressão irritada.&lt;br /&gt;- Veja quem encontro aqui. Abriu Alcmeon um sorriso.&lt;br /&gt;Heleno não respondeu, olhou com fúria para Alceu, e lançou-lhe ríspidamente estas palavras:&lt;br /&gt;- Artemidoro quer ver os seus ouragos, haverá mudanças. Ordenou-me que trouxesse Lupicínio aqui, o mais rápido possível.&lt;br /&gt;Subiu na cerca e gritou para um soldado que tratava dos cavalos.&lt;br /&gt;- Traz-me o alazão de Artemidoro! - E virando-se para Alceu - Ficarei lá, renderei Lupicínio como ourago por esta noite.&lt;br /&gt;O soldado acenou concordado para Heleno e Alceu o observou descer e olhar desconfiado para Alcmeon que estava do seu lado, o jovem moreno notou que neste instante o soldado se aproximou ainda mais de seu corpo. Heleno baixou os olhos com isso. Alcmeon sorria e finalmente falou:&lt;br /&gt;- Então, Alceu, espero-te na minha tenda hoje a noite. Dividiremos aquele vinho que te prometi. Um bom vinho ateniense, dos melhores, acredite. Até mais Heleno, se o que dizes é verdade é bom eu ir a tenda também como ourago do irmão mais velho de vosso amigo, Iolau, talvez haja mudanças também no meu eunomotai.&lt;br /&gt;E saiu, deixando Alceu para trás com Heleno. Os olhos do jovem loiro chispavam.&lt;br /&gt;- Vinho?&lt;br /&gt;- Ele nos convidou!&lt;br /&gt;- Não pareceu que eu estava envolvido no convite!&lt;br /&gt;- Tu não acreditas que...&lt;br /&gt;- Eu não sei de nada, Alceu, sei que eu te amava. Somente isto eu sei. E também sei que tu não desejas mais minha amizade.&lt;br /&gt;E subiu novamente a cerca, pulando para dentro do pasto. Alceu quis segurar-lhe e dizer que o amava também, mas não conseguiu, apenas retornou a passos lentos de volta a tenda em que Artemidoro reunia-se com o polemarca. Iolau o esperava lá fora.&lt;br /&gt;- Encontraste Alcmeon aqui?&lt;br /&gt;- E meu irmão, Etolo, são ouragos do meu irmão mais velho.&lt;br /&gt;- Sim! Eu soube...&lt;br /&gt;Disse Iolau voltando-se para a tenda, puxou o tecido que fechava a entrada como uma cortina, permitindo a passagem de Alceu.&lt;br /&gt;- Sabes o que mudará tanto no eunomotai?&lt;br /&gt;Iolau riu: - Eles chamaram todos os ouragos. Haverá mudanças provavelmente. Alguns perderão seus lugares, acredito. Será chance para ti e para o Heleno. Sabemos que ele é de confiança, filho de Crátes, tanto que foi ele que Artemidoro ordenou que substituisse Lupicíno enquanto este vinha para cá. Inclusive, só falta ele lá. Entra. Foi permitido que assistamos.&lt;br /&gt;Alceu entrou, seus olhos facilmente se acostumaram com a penumbra que fazia dentro daquela tenda. A luz entrava filtrada pelo algodão tingido que cobria a tenda, então, tudo parecia um pouco azul. Um clima agradavelmente fresco fazia ali dentro. O chão, coberto de tapetes, era de uma fria terra batida, cuja temperatura Alceu conseguia sentir nos seus pés, apesar da fina sandália de couro que usava. O jovem soldado espartano atravessou a antisala e finalmente entrou na sala de reuniões, onde esteve por alguns instantes anteriormente. Em silêncio, posicionou-se junto a porta de entrada. Amintas, seu pai, falava quando entrou, ele parecia concluir um argumento a favor de uma monção:&lt;br /&gt;- Acredito, sim, que seja útil. Muitos dos nossos soldados mostraram bastante talento e coragem, devem ser recompensados. As vagas abertas pelas lâminas inimigas podem ajudar nisto. Isso todos concordam, mas também acho útil, meu caro Agamedes, que alguns sejam remanejados. Nunca concordei que Iolau colocasse o próprio irmão como seu subalterno.&lt;br /&gt;- Foi uma situação de emergência. Falou Iolau, o irmão mais velho.&lt;br /&gt;- Não duvido de tu, meu caro soldado, porém aqui que devemos corrigir os erros. E este erro não deve ser corrigido com outro erro. Etolo não pode ser rebaixado. Deve, provavelmente, ser colocado a disposição de outro eunomotarca. Considero isto justo. Espero que vós também.&lt;br /&gt;Os generais, unânemente, concordaram. Meneando a cabeça ou falando seu apoio as palavras de Amintas. Foi neste momento que o general circulou seus olhos pela audiência e encontrou seu filho com os olhos fixos nele. Tentou não sorrir, mas seu coração lhe traiu e um sorriso explodiu em sua face. Alceu também tentou conter-se, mas não consegiu, o sorriso fugiu-lhe a boca e ele agradeceu aos deuses pelo menos por ter contido o impulso de jogar-se nos braços do seu velho pai, o mais velho naquele grupo de generais.&lt;br /&gt;- Então, Amintas – falou Agamedes – como tu propõe as mudanças?&lt;br /&gt;- Vós devem ser responsáveis por seus próprios pelotões, como sou para com o meu. Manterei Diomar e Aspásio como meus ouragos. Eles merecem. Digam vós o que podem fazer.&lt;br /&gt;- Dion e Sebastião também nunca me deram motivos para desgosto.&lt;br /&gt;- Eu tenho uma forma de resolver o problema, Amintas - disse Clearides – Adelfo, meu ourago, foi ferido gravemente e morreu, preciso de um novo soldado. Porque Etolo não passa a meu ourago, então. Como também assumi este grupo recentemente, não haverá mágoas entre os soldados por eu não usar nenhum deles.&lt;br /&gt;- É um arranjo agradável ao meu ver. Disse Agamedes, buscando a concordância de Amintas com um olhar.&lt;br /&gt;- Também o acho. Continuou Amintas.&lt;br /&gt;- Bem – interrompeu Artemidoro – eu gostaria então de sugerir um novo arranjo se nenhum de vocês se incomodar – e fez uma pausa, esperando alguma manifestação, diante do silêncio, Artemidoro continuou – sei que meu soldado, Lupcínio gostaria de participar de teu grupo, Iolau, é um grande soldado, mas sei que seus afetos e amigos foram colocados a teu serviço. Como sabemos que soldados movidos a amor e amizade são melhores soldados, acredito que seja inteligente deixar-lhe sob teu comando.&lt;br /&gt;Todos concordaram com movimentos positivos.&lt;br /&gt;- Acredito que tu gostarás de um dos meus soldados? Sorriu Iolau.&lt;br /&gt;Entre outro sorriso, Artemidoro respondeu afirmativamente.&lt;br /&gt;- Indico-te então Alcmeon. Sei que ele também ficará feliz em servir a ti. E sorriu, maliciosamente, desta vez.&lt;br /&gt;- Alcmeon?! E gargalhou enquanto Alceu não conseguiu conter um arrepio que tomou conta do seu corpo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-8207692275823311350?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/8207692275823311350/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=8207692275823311350&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8207692275823311350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8207692275823311350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/11/khi-ii.html' title='PHI - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-8694761885389676786</id><published>2009-09-09T13:01:00.000-03:00</published><updated>2009-11-03T13:06:39.195-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sumário'/><title type='text'>PORNÉIA MEMMORABLIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Esta é a estória de um jovem dos Patrícios, a alta classe romana, durante o início do período imperial, que se prostituiu e agora, no fim de sua vida, resolve escrever suas memórias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-8694761885389676786?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/8694761885389676786/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=8694761885389676786&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8694761885389676786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8694761885389676786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/09/porneia-memmorablia.html' title='PORNÉIA MEMMORABLIA'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-5179106924862006221</id><published>2009-09-02T12:45:00.003-03:00</published><updated>2009-11-03T12:57:07.856-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sumário'/><title type='text'>Gaijin</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SvBSy3VS5MI/AAAAAAAABA4/PYANkzid33s/s1600-h/Gaijin1_10022008_191904.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 181px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SvBSy3VS5MI/AAAAAAAABA4/PYANkzid33s/s400/Gaijin1_10022008_191904.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399906987017430210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta estória se passa no Japão, do século XIX, um país fechado a influência ocidental, onde os estranjeiros, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gaijins&lt;/span&gt;, eram vistos com temor e desconfiança. É uma estória de amor ntre um ator de teatro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kabukki&lt;/span&gt;, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;onnagata&lt;/span&gt;, um ator especializado em papéis femininos, e um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gaijin&lt;/span&gt; francês.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5179106924862006221?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5179106924862006221/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5179106924862006221&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5179106924862006221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5179106924862006221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/09/gaijin.html' title='Gaijin'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SvBSy3VS5MI/AAAAAAAABA4/PYANkzid33s/s72-c/Gaijin1_10022008_191904.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-5865473396211234787</id><published>2009-06-21T10:34:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:37:25.269-03:00</updated><title type='text'>PHI - I</title><content type='html'>Alceu marchava, com Heleno não muito distante de si, eram parceiros ainda, lutavam juntos. No entanto não mais amantes. O rapaz moreno, às vezes, percebia o olhar do outro pousado sobre ele, sempre que percebia, tinha vontade de sorrir e dizer que a conversa que tiveram  enquanto Selene não estava no céu, na verdade, não tinha acontecido. Mas Alceu tinha certeza que tinha feito a coisa certa. A família de Heleno precisava continuar. E tudo agora dependia somente dele. Esparta precisava dos frutos de Crátes.  Pensar assim, porém, não fazia o jovem sentir-se menos triste com o que acontecera. Eles então caminhavam, carregando suas armas, as poucas roupas e o resto de alimento que ainda tinham. Atrás de si, vinham então os carros, puxados por mulas, trazendo o material para montar o acampamento adiante, enquanto seus dois tenentes cavalgavam atrás. Alceu podia ver ao longe, Artemidoro, com sua armadura radiante, acompanhado de perto por Iolau, e Ecleu, também acompanhado por seu secretário, além de um dos seus sargentos, Leandro.&lt;br /&gt;Os sargentos andavam espalhados pelo meio da fila de hoplitas. Sandro, o qual Alceu se reportava no seu eunomotai caminhava também junto a ele. Era um rapaz loiro como Heleno, mas de cabelos sempre curtos, os quais ele cortava com o fio de sua espada, dizia que cabelos longos atrapalhavam o esporte. Ele era um grande pugilista. O melhor entre todos naquele pequeno exército. Já desafiara Alceu uma vez, vê-lo ali do lado, naquele instante, fêz o jovem moreno lembrar da força com que o soco daquele gigante de músculos atingiu-lhe o queixo e lançou-lhe ao chão. Lembrou-se então que fora Heleno que o socorrera, seus olhos então novamente buscaram o sorriso tranquilizador do amigo, pensava-lhe já em lembrar-lhe daquela noite de vinho, como todos riram quando ele caiu ao chão, mas ao voltar-se para o jovem loiro este o encarava com um olhar tão consternado que Alceu não conseguiu falar.&lt;br /&gt;Ele continuou então, em silêncio, por quase meio dia marchando. Eles marchavam em direção a Decélia, entrementes, outros regimentos também se dirigiam para lá. Chegaram com dias de viagem, ao chegar se depararam com a planície próxima a cidade fervilhando de soldados espartanos. Eram os outros soldados comandados pelo polemarca, Lissandro.&lt;br /&gt;Um jovem a cavalo, foi quem recebeu os soldados. Artemidoro e  Ecleu cavalgaram rápido para o início da coluna.&lt;br /&gt;- Salve, jovem guerreiro! Disse o paidomonos.&lt;br /&gt;- Salve, pentecontarca! Ares lute ao teu lado.&lt;br /&gt;- E Afrodite do teu! - sorriu Artemidoro – sou Artemidoro, e este é o grande Ecleu de Esparta, daí-nos passagem?&lt;br /&gt;O jovem sorriu disfarçadamente e falou:&lt;br /&gt;- Sois esperados, senhores, na tenda de nosso polemarca.&lt;br /&gt;Artemidoro virou-se para trás. Iolau estava próximo a ele, já. Alceu o vira se aproximar correndo.&lt;br /&gt;- Cela seis cavalos, Ios.  Nossos secretários, - falou se dirigindo a Ecleu que confirmou com a cabeça – dois eunomotarcas, um teu e um meu - Ecleu novamente concordou – , ordena que os outros dois arrumem o acampamento e escolhe dois soldados para nossa proteção. Bons soldados, Iolau!!&lt;br /&gt;Iolau concordou e já olhou para Heleno e também para Alceu, que estavam próximos. Estes correram, saindo da formação, indo ajudar a arrumar os cavalos. Sandro, também ouvindo as ordens, no entanto, gritou chamando o outro sargento de Artemidoro.&lt;br /&gt;Cavalgando, rapidamente, a comitiva chegou a tenda no centro do acampamento. Jovens soldados pegaram os cavalos assim que eles arrearam. Alceu reparou nos jovens, pareciam cansados, mas tinham belos e bem formados corpos. O jovem também reparou na grandiosidade da tenda, octogonal, erguida com hastes poderosas de madeira e corda de qualidade, estava coberta com tecido, não pele, era algodão, tingido de preto e azul, formando painéis quadrados. Entraram na primeira sala, onde se reuniam os quatro capitães, que se encontravam em volta de uma mesa, Alceu não conhecia nenhum deles.&lt;br /&gt;- Sê bem-vindo, Artemidoro! Disse Lissandro quando o professor entrou.&lt;br /&gt;- Agradeço vossa hospitalidade, meu caro general.&lt;br /&gt;- Ecleu, tu também, sede bem-vindo.&lt;br /&gt;Em silêncio, Ecleu fez uma mesura.&lt;br /&gt;- Sentai-vos! E apontou almofadas, onde os outros oito tenentes estavam.&lt;br /&gt;Somente aí Alceu viu os outros pentecontarcas, dos quais ele próprio conhecia quase todos, apesar de nunca tê-los encontrado durante aquela guerra. Eram: Amintas, seu próprio pai; Polinikes, irmão mais velho de Clício; Iolau e Diógenes, o irmão mais velho e o primo de Iolau, seu cunhado. Contudo, não conhecia Clearides, que substituíra Crátes no comando dos eunomatai, um homem moreno, de branços enormes como troncos de árvores e uma barba negra que escondia-lhe o rosto, e Agamedes, um poderoso soldado de cabelos quase ruivos e apenas um olho verde, já que o outro, perfurado pelo metal de uma espada, não existia mais.&lt;br /&gt;- Artemidoro, - falou Lissandro – envia teus homens lá para fora. Aqui não é lugar para eles.&lt;br /&gt;Artemidoro somente olhou para trás. Todos então se retiraram. Heleno e Alceu, ao sair, já prepararam-se para uma surpresa. Foi quando Sandro reepreendeu-lhes:&lt;br /&gt;- Vocês dois se acalmem! Acreditam mesmo que atenieneses vão invadir este acampamento?! Descansem e aproveitem!&lt;br /&gt;Alceu não gostou do que ouviu, porém fingindo concordar disse:&lt;br /&gt;- Então vou dar uma olhada nos cavalos.&lt;br /&gt;- Ótimo! Fazes bem. Garanta que eles tenham recebido água. Principalmente os de Ecleu e Artemidoro.&lt;br /&gt;Alceu então saiu. Seguindo relinchos de cavalos, facilmente encontrou as cavalarias. Uma cerca de madeira feita as pressas separava o pasto em que os animais corriam soltos. Ele parou ali um instante, foi onde Alcmeon o encontrou.&lt;br /&gt;- Olha só quem os deuses tem poupado nestes dias!&lt;br /&gt;Alceu virou-se e quase não o reconheceu. Usava o cabelo curto agora, estava muito mais forte, os músculos dos braços pareciam feitos de aço, e ficavam destacos sob o manto leve que usava. As pernas eram grossas, com pêlos aparentes, os mesmos que continuavam subindo pelo seu umbigo, uma barba curta também emoldurava-lhe o belo rosto. Mas o mais impressionante, para Alceu, era a profunda cicatriz que rasgara-lhe o antebraço esquerdo.&lt;br /&gt;- Foi uma espada ateniense. Abriu-me a carne, achei que perderia o braço. Mas Asclépio foi bom comigo! Nâo ensinam sobre isso na egogé. Que no fim nossa vida depende dos deuses. Que se eles assim desejarem nossa batalha encerrar-se-á covardemente!&lt;br /&gt;- Mas sempre podemos lutar! Argumentou Alceu.&lt;br /&gt;- Sim! Sem um olho, sem dedos, mas como usar um espada e um escudo sem um braço? Mas Asclépio foi bom comigo! Ele deveria ser o deus da guerra, porque ele deixa os guerreiros voltarem a lutar! Quando chegaste ao acampamento, Alceu?&lt;br /&gt;- Algumas horas atrás, Alcmeon, com o destacamento de Artemirodo.&lt;br /&gt;- Junto com... - ele pareceu para Alceu um tanto quanto excitado – seus outros amigos? Todos estão tão bem quanto tu?&lt;br /&gt;- Falas de Iolau e Heleno?&lt;br /&gt;- Sim! Lembro que eram, vocês três, muito amigos.&lt;br /&gt;- Sim! Ainda o somos! E, pelas graças dos deuses, também encontram-se saldáveis como nós dois.&lt;br /&gt;- Brindaremos a isto esta noite. Tenho um excelente vinho que tenho guardado para uma situação especial, e encontrar bons amigos é sempre algo especial, avisa a teus amigos para encontrar-mos depois e dividirmos este vinho. Hoje a noite.&lt;br /&gt;- Avisarei a eles.&lt;br /&gt;- Avise... a Iolau e Heleno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5865473396211234787?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5865473396211234787/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5865473396211234787&amp;isPopup=true' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5865473396211234787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5865473396211234787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/06/khi-i.html' title='PHI - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-3506480769651537035</id><published>2009-06-08T23:59:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:38:43.825-03:00</updated><title type='text'>HYPSILON - VI</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Heleno entrou correndo e ofegante na tenda de Artemidoro naquela tarde. Encontrou-o sentado, com a cabeça enterrada em suas mãos, o rapaz loiro logo percebeu que havia um certo sofrimento rondando os músculos tensos do professor.&lt;br /&gt;- Paidomonos? Artemidoro?&lt;br /&gt;Usando apenas uma túnica negra, que não estava presa nem por um cinto, e caía escondendo o corpo musculoso do espartano, Artemidoro levantou-se surpreso.&lt;br /&gt;- Heleno?&lt;br /&gt;- O que aconteceu com meu pai?&lt;br /&gt;- A carta...&lt;br /&gt;- Aquela carta não dizia nada que me explicasse o que acontecera. Estava lá apenas até a metade, alguma coisa sobre Zacinto, Élide, o que isso tudo quer dizer?&lt;br /&gt;- Meu jovem... - disse o professor com a voz embargada.&lt;br /&gt;- O que quer dizer?! Gritou Heleno.&lt;br /&gt;- As armas e a armadura de seu pai estão aqui, Heleno – disse Artemidoro se aproximando do jovem, segurando-o pelos ombros fortes com suas duas mãos calejadas pelo manejo da espada, Heleno sentiu-lhe a pele áspera em contato com seu braço – esta carta foi encontrada junto as coisas dele. Uma para você, outra para meu irmão, Amintas – Artemidoro olhou por uns intantes nos olhos de Heleno e continuou – Heleno, seu pai morreu!&lt;br /&gt;Ele continuou a falar, dizia algo sobre heroísmo e bravura, sobre servir a sua cidade com honra, sobre quantos inimigos caíram sob o fio da espada de Crátes.&lt;br /&gt;- Como soubeste da notícia? Interrompeu Heleno.&lt;br /&gt;- Cnemo, general sob qual as ordens teu pai obedecia, mandou-me uma nota sabendo que tu estavas aqui. Disse-me ele que lutou ele mesmo para impedir que as armas de teu pai caíssem em mãos atenienses.&lt;br /&gt;Neste momento Artemidoro se afastou, indo há um canto da tenda, abaixou-se e pegou um couraça de bronze, ricamente trabalhada com um grifo esculpido em baixo relevo, também uma espada, numa bainha de couro, e trouxe-as a Heleno.&lt;br /&gt;- O escudo perdeu-se. E esboçou um parco sorriso.&lt;br /&gt;Heleno pegou a couraça primeiro e olhou para ela com saudade. Lembrou de quantas vezes abraçara aquele mesmo frio metal.&lt;br /&gt;- Ele foi atingido por uma seta na garganta. Disse Artemidoro.&lt;br /&gt;Heleno pouco ouviu as palavras, apenas passeava os dedos pela armadura. Foi quando o professor estendeu-lhe a espada, que ele pegou, amarrando rapidamente a tira de couro na cintura, que Artemidoro voltou e foi buscar o elmo de seu pai, também com um grifo estilizado que se projetava de asas abertas sobre a testa, e com a crina de cavalo que alcançava-lhe as costas quando ele o colocava. Próximo de novo a Heleno ele estendeu-o. O jovem pegou-o e com um sorriso colocou-o na cabeça.&lt;br /&gt;- Sempre quis usá-lo.&lt;br /&gt;- Agora é tempo, meu rapaz. Teu pai foi um grande espartano, honra-o!&lt;br /&gt;Heleno respirou fundo e agradeceu, saindo da tenda. Alceu o esperava na entrada. Heleno viu a cara de preocupação do amigo e tentou sorrir-lhe, mas não conseguiu e as lágrimas brotaram. Seus joelhos quase fraquejaram, inclusive, mas o amigo cedeu-lhe o ombro que ele se apoiou. E os dois saíram dali, indo para sua própria cabana, que dividiam, estranhamento um silêncio se pôs sobre todo o acampamento naquela tarde, como se todos soubessem que um grande homem tinha morrido.&lt;br /&gt;- Meu pai... soluçou Heleno, assim que eles entraram na cabana construída com tecidos de algodão e couro e estacas de madeira.&lt;br /&gt;Alceu passou a mão no rosto do amigo, secando-lhe as lágrimas.&lt;br /&gt;- Meu pai, Alceu, meu pai...&lt;br /&gt;- Tu tens que ser forte, Heleno, tua mãe, tua família, precisará de ti.&lt;br /&gt;Heleno respirou fundo, e olhou nos olhos castanhos de seu amigo, que tentava sorrir.&lt;br /&gt;- Tens que estar ao lado deles. Pense em teu avô, Cáris, tua avó, e tua mãe. Tu és o único homem de tua casa agora, Heleno. O único... - Alceu falou com a voz embargada, não conseguindo mais conter-se, acabou levantando-se e se dirigindo a porta.&lt;br /&gt;- Alceu?! - gritou Heleno, fazendo-o parar antes de sair – Que queres tu dizer com isso?&lt;br /&gt;Alceu respirou fundo e virou-se para Heleno com os olhos vermelhos, este levantou-se rápido e esquecendo sua própria dor se preocupou com o amigo.&lt;br /&gt;- Que houve?&lt;br /&gt;- És o único homem de tua família, Heleno. Não tens irmãos ou irmãs.&lt;br /&gt;- Sim, é verdade - confirmou o outro -  apesar que tenho um primo, Pelías, lembra?&lt;br /&gt;- Ou seja, somente tu poderás dar continuidade a tua casa. Agora que teu pai morreu, que nenhum irmão mais pode dar-te. Tua família se extinguirá em ti?&lt;br /&gt;Heleno assustara-se com as palavras de Alceu.&lt;br /&gt;- Ou pior – continuava o jovem de cabelos castanhos – tua família que já foi tão importante para o nosso exército não terá mais um guerreiro, nenhum outro, se tu não casares.&lt;br /&gt;Heleno então percebera onde Alceu queria chegar.&lt;br /&gt;- Alceu...&lt;br /&gt;- Não, Heleno, tu sabes bem o que devemos fazer. A cidade não pode ser privada de bons guerreiros como o sangue de tua família é capaz de gerar. Vosso sangue é como o de Urano jogado a terra que gera gigantes. Não posso...&lt;br /&gt;Desesperado, Heleno gritou: - Não pode o quê, Alceu?!?&lt;br /&gt;- Não posso ser responsável por isto. Não posso! Não aceito teu convite para servirmos juntos no Philolacon, Heleno. Não posso!&lt;br /&gt;Heleno sentiu algo dentro de si partir-se em pedaços.&lt;br /&gt;- Alceu, por Afrodite e todos os deuses de Esparta, não digas isso.&lt;br /&gt;- Heleno, tu bem sabeis que estou certo. A cidade, ela vem primeiro. Estamos aqui nesta guerra por causa dela, não por nós. Não por nossos desejos ou nossa honra, mas pelos desejos dela, pela honra dela. Tu sabes bem que é isto o correto a se fazer.&lt;br /&gt;- Mas não é o que quero...&lt;br /&gt;- Mas é o que vais fazer. Ordenou o jovem.&lt;br /&gt;Alceu então se aproximou e abraçou Heleno mais uma vez e beijou-lhe os lábios quentes.&lt;br /&gt;- Adeus!&lt;br /&gt;E saiu, deixando Heleno atônito, sem saber o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-3506480769651537035?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/3506480769651537035/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=3506480769651537035&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3506480769651537035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3506480769651537035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/06/phi-vi.html' title='HYPSILON - VI'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-5088316042837002730</id><published>2009-05-25T03:07:00.003-03:00</published><updated>2010-01-12T17:39:05.521-03:00</updated><title type='text'>HYPSILON - V</title><content type='html'>Heleno estava sentado com as pernas cruzadas, onde seu escudo descansava, o qual ele usava como mesa para apoiar o papel em que escrevia quando Alceu se aproximou e pousou os braços nos ombros rijos do jovem loiro.&lt;br /&gt;- Que fazes?&lt;br /&gt;- Escrevo para meu pai. Sorriu o outro.&lt;br /&gt;Alceu sorriu em resposta, e falou:&lt;br /&gt;- Que disseste até agora?&lt;br /&gt;Heleno pigarreou e começou a ler:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Salve, Crátes, meu pai.&lt;br /&gt;Rogo que os deuses estejam protegendo a ti.&lt;br /&gt;Pai, já sou um guerreiro! Escrevo-te já observando as longas muralhas de Atenas. Cheguei aqui há uma semana, nenhuma batalha ainda contra estes comerciantes efeminados ainda, mas tenho muito o que te contar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falarás de Ágis e de Epidauro é claro? Interrompeu Alceu.&lt;br /&gt;- Sim, sim, logo adiante.&lt;br /&gt;- Pois então continua. Quero saber o que dizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pai, já estamos novamente na estação da guerra, o sol está alto e os dias longos, contudo meses atrás, quando a primavera irrompeu o frio invernal tornei-me de fato um espartano. Agis, filho de Arquidamo, quando tomou o lugar do pai, morto no campo de batalha, ordenou que nós, o antigo batalhão de Brásidas nos unissemos ao exército, sob seu próprio comando. Ao mesmo tempo, este bando de mercadores atacou nossa aliada, Epidauro, novamente se atrevendo a ferir o Peloponeso. Atacaram a campina da cidade com quatro mil hoplitas, trezentos cavaleiros a bordo de cem trirremes, além destas estavam entre eles cinquenta naus de Quios e Lesbos, as ilhas.&lt;br /&gt;Porém, o ataque deles foi risível, pai! Como o senhor sabe, os atenienses atacam primeiro fazendas e vilas distantes da cidade para depois se voltar as muralhas, contudo, tu bem sabes como os cavaleiros e cavalos daquelas campinas são os mais rápidos de toda Hélade, portanto, quando os marinheiros atacaram a primeira vila, cavaleiros foram enviados a cidade e a Esparta ao mesmo tempo e quando os atenienses chegaram a Epidauro todas as defesas já estavam levantadas e nós a caminho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falas de mim, então? Perguntou  Alceu.&lt;br /&gt;Com um sorriso, Heleno continuou a leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi Alceu, meu amado companheiro, quem recebeu no acampamento o mensageiro de Epidauro e levou a mensagem ao nosso rei, Ágis. Contou-me ele que o rei recebeu o mensageiro demonstrando piedade e logo ao ser colocado a par das notícias ordenou que o exército se colocasse em marcha.&lt;br /&gt;Chegamos rapidamente a cidade e encontramos os epidaurenses evocando Asclépio e Artêmis e atirando pedras do alto das muralhas para esmagar o exército que pretendia entrar. Unimo-nos a eles atacando os atenienses por trás. Foi aí que o rei Ágis demonstrou sua coragem, meu pai. Eu e Alceu fomos destacados para lutar ao seu lado, e observamos tudo, de pé, na biga com ele.&lt;br /&gt;Porém, um grande milagre esteve do nosso lado nesta batalha, devo reconhecer. Assim que chegamos, Zeus, ajuntador de nuvens, fez com que trovões ressoassem, e vimos que os atenienses se apavoraram com essa ajuda celestial, muitos logo passaram a fugir de medo, sem nem termos desembanhado nossas espadas ainda. Em um deles, em fuga, Ágis lançou sua lança que riscou a epiderme do inimigo, ferindo-o até o osso. Um amigo tentou-lhe puxar pelos pulsos, mas o guerreiro bateu as palpebras e o nosso rei disse: 'este nunca mais erguerá uma espada contra um espartano'.&lt;br /&gt;O guerreiro que puxava o outro pelos pulsos então avançou em direção a nós, a morte do amigo encheu-lhe o peito de coragem, pelo jeito, e vendo isto, eu joguei-lhe minha lança que o atingiu na altura do mamilo, cravando-lhe na pele e predendo-o no solo, onde Thanatos veio buscá-lo. Alceu era o nosso auriga e estalou as rédeas para empurrar os cavalos em meio ao exército ateniense, enquanto o nosso exército nos seguia de perto. Apossei-me do arco, naquela situação, e cravei setas nos pescoços desprotegidos de nossos inimigos,  fazendo-os tombarem frouxos. Foi quando Ágis gritou para todos ouvirem, enquanto Alceu fazia o carro de guerra, ricamente decorado com leões de bronze e um trançado de cordas cânhamo nas laterais, correr diante de nossa tropa: 'Espartanos, irmãos, só um que não raciocina não vê que Zeus pai manobra em nosso favor. Os dardos e setas deles vão e juncam o solo, todos, como se fossem jogados a esmo, os nosso como o deste jovem soldado ao meu lado, acertam os espaços livres entre os elmos e couraças. Lutem, irmãos, que os deuses estão de nosso lado'. Nosso exército gritou em uníssono quando o rei terminou suas palavras e trovões ecoaram novamente. Rapidamente os atenienses se puseram em retirada, covardemente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ágis é realmente um grande rei. Disse Alceu.&lt;br /&gt;- O maior. Completou Heleno.&lt;br /&gt;- Que mais dizes a teu pai, Heleno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O rei estava certo, meu pai. Os deuses realmente estão ao nosso lado. Soubemos que no dia seguinte, espalhou-se pela cidade de Atenas uma praga terrível. Os homens, mulheres e crianças que agora vivem todos dentro dos muros da cidade estão caíndo como mortos. Agora que chegamos as portas da cidade vemos que é realmente verdade. Todos os dias corpos são levados para sua morada. Permitimos que os coveiros passem com as pobres vítimas e os levem ao Hades. Por causa dessa peste e de nosso ataque, os atenienses viram que seriam terrivelmente derrotados e decidiram partir. Partiram a noite, pai, com medo. Soubemos aqui que um velho oráculo avisou a cidade. Diz-se que  'uma guerra dórica ocorrerá e com ela virá a praga'. Eles estão convencidos que esta é a guerra, e esta a praga.&lt;br /&gt;Com a batalha facilmente vencida, Ágis reforçou a segurança de algumas cidades de nossa península e se lançou agora contra Atenas. Decidiu que deveria participar do cerco aqui e veio logo porcurar Artemidoro, meu antigo professor, que é muito admirado por ele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escrevi até aqui. Terminou Heleno.&lt;br /&gt;- Do que mais pretende tratar?&lt;br /&gt;- Pensei em dizer após o fracasso ao assalto a Epidauro, os ateninenses ainda tentaram atacar os campos de Trezén, Hálias e Hermíone...&lt;br /&gt;- E não se esqueça das cidades da península de Até. Interrompeu o jovem moreno.&lt;br /&gt;- Não, não esquecerei, Alceu. Sorriu Heleno, voltando-se para escrever mais um pouco, ficando os dois em silêncio, por alguns instantes.&lt;br /&gt;- Ah, e falarás sobre Prásias?&lt;br /&gt;Heleno sorriu e falou: - Acabei de colocá-la no papel.&lt;br /&gt;- Que dizes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A expedição ateniense terminou com o saqueio de Prásias, meu pai. Naquela pobre cidade desguarnecida, onde colocamos os pobres eginetas expulsos de suas terras, a devastação foi imensa e encheu o coração de nossos homens de desejo de vingança, e também forçou a nossa maldita cidade-irmã, Argos, a abandonar sua neutralidade e a incitar uma oposição a nós dentro do próprio Peloponeso, pai. O que o grandioso Menelau diria da cidade do seu irmão hoje, meu pai?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dize somente isto?&lt;br /&gt;- Até agora foi o que eu escrevi.&lt;br /&gt;Respondeu Heleno voltando-se ao papel. Enquanto pensava no que escrever, por alguns instantes, olhou para Alceu que sorria para ele, sentado a uma pequena distância. Seus olhos vasculharam o corpo daquele jovem que se tornara tão importante para ele. Alceu usava apenas um manto, trazia seu escudo as costas, preso por uma tira de couro, o que impedia o manto de mover-se e apertava-o contra o peitoral largo e rijo do seu dono. Ele sentava-se de pernas abertas, apoiando os braços nos joelhos, permitindo a Heleno ver-lhe as mãos calejadas pelo manejo da espada e as pernas com pelos parcos e negros, e também o sexo que mantinha-se em repouso.&lt;br /&gt;Neste instante ele lembrou de algo para escrever e começou a rabiscar palavras no papel intensamente, parava por alguns momentos, mas logo voltava-se pouco tirando os olhos do papel. Algum tempo depois, levanta a cabeça e reencontra Alceu sorrindo.&lt;br /&gt;- Terminei. Sussurra.&lt;br /&gt;- Falas algo mais interessante?&lt;br /&gt;- Resolvi falar de ti.&lt;br /&gt;- De mim?&lt;br /&gt;- Sim, de ti.&lt;br /&gt;- E o que o teu pai gostaria de saber de mim, Heleno? Caçoou Alceu.&lt;br /&gt;Heleno pigarreou novamente e começou a ler sua própria carta para o amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ah, querido pai, lembrei que tenho um assunto para tratar convosco. Sobre meu futuro. Conheces meu companheiro Alceu, não é? Alceu, filho de Amintas, sobrinho de Artemidoro, teus amigos. Pois bem, meu pai, ele é para mim o mais querido entre todos os meus companheiros, como Pátroclo era para Aquiles. O mais querido. E bem, não desejo apartar-me dele quando chegar a hora para casarmos. Sei que sou o único homem a continuar o nome de nossa família, a perpetuar a nossa casa, porém, meu pai, não desejo mas isso para mim. Desejo apenas o amor de Alceu e tenho certeza que ele também deseja o meu, por isso meu pai, quando chegar a hora, pretendo pagar a multa à cidade, a multa por não dar novos filhos à cidade, e peço perdão a vós, tu e mamãe, por não te dar netos, todavia sinto que sigo meu destino rendendo-me a este amor que somente um deus poderia ter inspirado. Eu o amo, meu pai. Tenho-lhe o mais profundo e devotado carinho. Não poderia deixá-lo. Inclusive já fizemos planos. Pretendemos unir-mos quando chegar a hora ao esquadrão Philolacon, o esquadrão dos amantes, e serviríamos assim de perto o rei Ágis, nosso grande rei. Sei que ficarás orgulhoso de minha decisão.&lt;br /&gt;Liberdade para os gregos.&lt;br /&gt;Heleno”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar de ler, o jovem loiro olhou para Alceu que sorria irradiando felicidade.&lt;br /&gt;- Tens certeza disto?&lt;br /&gt;- Tenho! Sorriu o outro em resposta.&lt;br /&gt;Alceu então se ergueu de onde estava e se ajoelhou em frente ao amigo, segurando a carta releu as palavras gravadas ali como se pretendesse decorá-las.&lt;br /&gt;- Achaste que eu estava inventando tudo?&lt;br /&gt;- Não! Nunca! Só quero me lembrar dessas palavras. Para sempre.&lt;br /&gt;Heleno sorriu e viu os olhos de Alceu brilhando. Beijou-lhes então as mãos. E Alceu beijou-lhe a cabeça. Foi quando Heleno levantou a cabeça e viu Iolau se aproximando.&lt;br /&gt;- Ios! Aproxima-te! Temos boas notícias.&lt;br /&gt;Iolau se aproximou cabisbaixo. Heleno percebeu e logo falou:&lt;br /&gt;- Que tens, Ios?&lt;br /&gt;Gaguejando, Iolau respondeu:&lt;br /&gt;- M-más no-notícias, meu amigo.&lt;br /&gt;E estendeu uma carta.&lt;br /&gt;- É do teu pai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5088316042837002730?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5088316042837002730/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5088316042837002730&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5088316042837002730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5088316042837002730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/05/phi-v.html' title='HYPSILON - V'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-6229939693512950968</id><published>2009-05-18T13:47:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:39:25.173-03:00</updated><title type='text'>HYPSILON - IV</title><content type='html'>Heleno não chorou. Espartanos não choram. Mas ele respirou fundo engolindo as lágrimas que mesmo assim teimavam em brotar. Alceu envolveu-lhe num abraço, apoiando seu braço no ombro rijo do jovem loiro, e permitiu-se brincar com os cachos do cabelo dele.&lt;br /&gt;- Sim, eu estava na ilha – disse o moreno – e fui um dos poucos sobreviventes de lá. Daquela estação interminável comendo peixe e bebendo água da parca chuva que nos enviava Zeus.&lt;br /&gt;Heleno levantou-se de súbito, e com o punho em riste, ameaçando-lhe de socos, perguntou:&lt;br /&gt;- O que, em nome dos gêmeos, tu pretendias indo para lá? Sozinho! Por Héstia!!&lt;br /&gt;- Não poderia te colocar naquele risco, Heleno. Não fora convocado, mas meu pai e meus tios, Plínio e Aristides, foram. O que eu deveria fazer, deixar toda minha família partir? E eu queria lutar ao lado deles.&lt;br /&gt;- E perder tua colocação aqui? Abandonar tudo o que nós planejamos?&lt;br /&gt;- Heleno, tu também deseja lutar ao lado do teu pai.&lt;br /&gt;- Tu o conseguiste!&lt;br /&gt;- Sim! E somente por causa dele que sobrevivi. Foi ele que forçou um hilota a trazer-me a nado. Trouxe-me amarrado porque eu não desejava abandoná-los, tu bem sabes.&lt;br /&gt;- Você é um idiota!!&lt;br /&gt;Alceu sorriu, Heleno permanecia com seus olhos baixos, visivelmente irritado. Foi quando sentiu o papel da carta ainda em suas mãos e recomeçou a leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi no verão que decidimos levar o exército, então, à Trácia.  Levamos o mesmo exército com o qual havíamos salvo, no outorno, a cidade de Mégara, cem espartanos, setecentos hilotas armados como hoplitas e mil mercenários contratados no Peloponeso. O ataque dos atenienses a Mégara só aconteceu por causa de nossa derrota em Pilos, por causa de nossa falha marinha, Cléon fora eleito general por causa de nossa ineficiência. Também foram eleitos, Nícias, Nicostrato, Autocles e Tucídides, que apesar de se oporem a política do Cléon, não se opuseram quando o leão resolveu colocar as muralhas de nossa aliada abaixo.&lt;br /&gt;Tudo começou com a queda de Cítera nas mãos de Nícias que deixou o Peloponeso tão desprotegido que tivemos que retirar boa parte dos soldados que protegiam nossos aliados para defender nosso próprio país. Tínhamos que ficar alertas! Por conseguinte, com as defesas enfraquecidas, os atenienses atacaram Mégara.&lt;br /&gt;Acredito que de todas as cidades gregas, os megarenses é quem têm sofrido mais com a guerra. Atenas os ataca com uma imensa regularidade, devastando todo seu território. Os lavradores desistiram há muito de cuidar da terra porque sabiam que logo os atenienses pisariam suas vinhas e ateariam fogo ao centeio. Todo o alimento da cidade, portanto, tem enquanto esta guerra durar que vir por Corinto, escoltado por nós.&lt;br /&gt;A fome cria então monstros tortuosos. Homens honrados tornam-se cães sem virtude. Porque somente um megarense sem virtude pode se aliar a Atenas, já que as duas cidades se odeiam desde os tempos de Homero. Então, foram estes cães que de dentro da cidade mesmo, entraram em contato com Demóstenes e Hipócrates, generais atenienses, e pretendiam trair a cidade permitindo o acesso do exército as muralhas que ligavam Mégara ao porto de Niséia, fechando o contato com Esparta. O plano dos covardes era matar os sentinelas que estavam de turno, e abrir os portões da cidade a noite para que os atenienses a tomassem, os aliados de Atenas usariam então uma marca que os permitiria não serem massacrados pelo exército, enquanto os megarenses seriam assassinados até renderem-se.&lt;br /&gt;Ninguém sabia o que estava acontecendo, à exceção destes  homens que comandavam a cidade. Pulhas traidores, filho! Eles sabiam que seu povo, que odeia a cidade da deusa de olhos glaucos, jamais aceitaria um acordo, então articularam esta terrível trapaça. Porém, um dos conspiradores, tocado por um deus, percebeu o crime que faria contra sua própria casa e contou a verdade a todos e os portões da cidade permaneceram fechados. No entanto, o exército ateninese, com dez mil hoplitas atenienses e mil soldados plateus, se puseram ao sopé de Niséia.&lt;br /&gt;A notícia nos alcançou em Corinto onde organizavamos nosso exército para ir a Trácia. Cem espartanos, setecentos hoplitas hilotas, mil mercenários e duzentos e vinte hoplitas e seiscentos cavaleiros beócios trezentos e oitenta soldados de outras cidades. Encontramos os atenienses ameaçando a cidade, e os atacamos por trás, comprimindo seu exército contra a muralha. Apesar do número maior de inimigos, o ataque foi devastador para as tropas atenienses, pois comprimidos entre o exército espartano e o muro de pedra não tinham como manobrar. O massacre foi imenso, obrigando Demóstenes a se render.&lt;br /&gt;Foi este exército vencedor que levamos à Trácia. E tinha que ser. A estrada para Anfípolis era extremamente perigosa, e a Tessália era-nos extremamente hostil. Aquela planície imensa! Brásidas que teve a idéia de que a maioria de nosso exército fosse de escravos. Os mais fortes e valentes que encontramos, devo admitir, meu filho, porque era perigoso perdermos muitos dos nossos numa viagem tão arriscada. Fui responsável por treiná-los. Eu e Artemidoro. E, sinceramente, surpreendi-me”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um barulho fez os jovens rapazes pararem a leitura e sacarem suas espadas. Voltaram as sombras em que os membros da Kriptéia se movem. Um escravo maltrapilho então passou diante deles. Usava uma túnica suja de lama e rasgada na barra que mal cobria-lhe a nádega, Alceu foi quem avançou e colocando sua espada sobre as costelas do hilota perguntou:&lt;br /&gt;- Por que vagas nessa noite, escravo?&lt;br /&gt;Assustado, o escravo respondeu: - Meu senhor, perdão, mas... - e respirou fundo – mas meu amo...&lt;br /&gt;- Teu amo – disse Heleno aparecendo sobre a luz e apontando a espada para a garganta do escravo – está longe daqui, hilota. Na guerra. Pretendías fugir enquanto ele não está em casa, é isto?&lt;br /&gt;O escravo engoliu seco. Foi quando Alceu cravou-lhe a lâmina no pulmão direito e o escravo caiu sem ar, sujando sua túnica de sangue.&lt;br /&gt;- Um idiota deste – disse retirando a espada da carne – poderia ser um soldado? Sério?!&lt;br /&gt;O escravo suspirou uma última vez e a vida deixou seu corpo sujo. Heleno olhou para seus olhos vítreos e pensou como era fácil retirar a vida de um homem. Foi perdido nesses pensamentos que Alceu o encontrou e o convidou a voltar a ler a carta.&lt;br /&gt;- Que contas mais teu pai?&lt;br /&gt;Heleno continuou a leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O inverno estava no seu auge quando marchamos para Anfípolis. A cidade fica numa curva fechada do rio Estrímon, onde suas defesas estavam localizadas em três pontos diferentes. Havia apenas uma ponte, mas que dava para uma muralha que cercava a cidade toda. Para nossa sorte, a maior parte da população da cidade era formada por árgilos, que veladamente eram hostis a Atenas. Lembro que chegamos a cidade numa noite escura e com neve, aproveitamos a tempestade para nos aproximarmos, era impossível ver algo com os flocos que a filha de Bóreas lançava sobre a cidade, e com poucos soldados surpreendemos os sentinelas.&lt;br /&gt;Quando os árgilos nos viram ao pé das muralhas se rebelaram contra seus governantes atenienses, contudo, antes que nos abrissem as portas da cidade, como confiava Brasidas, eles foram detidos. Porém diante de nosso cerco, quando propomos ao habitantes que eles manteriam suas posses se se rendessem, eles expulsaram os atenienses da cidade, e se aliaram a Esparta.&lt;br /&gt;Nossa vitória repercutiu em Atenas e em todas as cidades da Trácia. Deixando aqueles cães do comércio furiosos! Trataram então de conseguir um responsável e acharam isso no general que deveria estar em Eion, cidade que ficava há algumas horas de Anfípolis, quando a ajuda foi solicitada. O general, chamado Tucídides, no entanto, não estava na cidade e sim em Tasos, um dia e meio de distância. Cléon o acusou de traição e o general foi banido da cidade por vinte anos.&lt;br /&gt;Nas cidades da Trácia, os rebeldes nos enviaram mensageiros pedindo ajuda para expulsar os atenienses de suas cidades. Mircino, Galepson, Scione, Acanto, Torona, Ersine e Mende, e a maior parte das cidades da península de Acte e da Calcídia, todas agora são nossas aliadas. Quando dominamos a Calcídia, Brásidas pediu reforço para suas tropas, contudo pude ver facilmente que a negação dos nossos generais foram apenas motivadas pelo ciúme que sentiam deste homem. Um grande homem devo admitir! Afinal, Brásidas não tem o berço que muitos deles possuem.&lt;br /&gt;Contudo chegamos a Trácia vitoriosos e isso nos de uma vantagem diante dos olhos de homens como Pérdicas, nosso maior objetivo. Aqueles dias, nossos generais assinaram uma trégua, tu bens lembras, porém a guerra continuava soturnamente. Brásidas enviou a mim para discutir com Pérdicas um acordo, porém quando cheguei a Macedônia, dois atenienses estavam já lá, jogados nas almofadas como hospedes: Nicías e Nicerato. Nicías já era um home idoso, de abômen frouxo e cabelos abandonando a cabeça, Nicerato era seu filho mais velho, não negava os traços do pai, e apesar de ateniense, dei-me muito bem com ele. Sabes que isto existe, não é filho? Alguns homens tornariam-se facilmente nossos amigos se tivéssemos nos conhecido em situações diferentes. É o que eu digo de Nicerato. Ele tem quase minha idade, e dois filhos quase da tua. Ficaram em Atenas, também são soldados como tu. Tem minha altura e o corpo parecido com o do teu professor, Artemidoro. Passamos noites agradáveis juntos, apesar de ali sermos de fato inimigos declarados.&lt;br /&gt;Também gostei do velho Nicías. Um homem de riso frouxo, agradável. E que fala sempre em paz. Diz que está cansado da guerra, porque os ossos já lhe doem. A guerra realmente é para aqueles que ainda são jovens. Demonstrou-se também atento, acusou Brásidas de violar a trégua me enviando a ter com Pérdicas, eu os acusei do mesmo e acabamos rindo diante do vinho.&lt;br /&gt;Enquanto eu estava na Macedônia, nossos reis enviaram Ischágoras como novo general do norte. Um imenso erro! Ischágoras é um dos generais que mais presa pelo sangue puro que já conheci e colocá-lo a ter com Brásidas e com um exército formado por escravos. Tolos!! Idiotas!!! Ele trouxe consigo novos soldados, homens jovens e vigorosos, conheci alguns deles, inclusive o primo do teu amigo Iolau, Etolo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heleno parou a leitura por um instante, invadido por memórias desagradáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... e um amigo dele, Alcmeon.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heleno sentiu a garganta seca, e tentou evitar não demonstrar nada, continuando a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando a estação da guerra recomeçou, junto com o calor, Atenas rompeu com o tratado de paz e enviou trinta navios com mil e duzentos hoplitas contra nosso exército. Quando eu soube disso, reuni-me secretamente com Pérdicas que prometeu a nós toda a ajuda que precisássemos e parti rapidamente com minha pequena tropa.&lt;br /&gt;Cléon, cujo nome significa glória, era o general ateniense. Ele nos enganou facilmente assim que chegou a Trácia. Esperávamos o ataque em Scione, o alvo mais óbvio, contudo ele atacou Torona que havíamos deixado desprotegida. Atacou por terra e mar. Pasitelidas não teve como evitar a derrota.&lt;br /&gt;Brásidas então levou as tropas para Anfípolis, para proteger nosso posto mais caro. Ele dividiu a tropa, ficando eu e Clearides comandando cento e cinquenta homens na cidade, enquanto ele e Ischágoras foram para a montanha de Cerdilio, nos arredores da cidade, pois de lá poderiam ver de onde o atenienses chegaria a nós. Seu plano era um ataque fulminante, antes que estes recebessem reforços.&lt;br /&gt;Cléon chegou rápido a cidade, contudo para surpresa de Brásidas, ele trazia consigo o mesmo número de soldados que nós tínhamos, porque Pérdicas a quem me jurara lealdade, agora havia se unido aqueles comerciantes imundos. Contudo, mesmo assim os nossos, atacaram.&lt;br /&gt;O ataque começou quando Brásidas percebeu que batedores inimigos haviam localizado eles no portão trácio, eles tocaram uma corneta e o toque de retirada foi feito com tambores. Ouvíamos tudo da cidade. Contudo, maus soldados, os atenienses demoraram para fazer a manobra e quando fizeram, deixaram seu flanco direito completamente vulnerável, nessa abertura, Brásidas atacou, pegando-os de surpresas. Ouvíamos da cidade os gritos naquele sotaque ático, testemunhas me contaram que os atenienses fugiam apavorados. Metade dos guerreiros fugiram. Cléon também tentou fugir, mas ficou preso a terra por uma lança, cravada nas suas costas. “É preciso uma lança para distinguir os corajosos”, não é, Heleno?&lt;br /&gt;Seiscentos atenienses morreram ao sopé dessas muralhas, apenas sete espartanos, porém tristemente, um deles foi Brásidas, atingido por uma seta, foi retirado vertendo sangue da batalha, porém os médicos não conseguiram salvá-lo. Seu funeral se deu com a pompa necessária, eu comandei todos os preparativos, e ele foi sepultado em local de honra na praça de Anfípolis, e estabelecemos jogos em sua homenagem.&lt;br /&gt;Adeus, meu filho.&lt;br /&gt;Espero outra carta tua.&lt;br /&gt;Liberdade para os gregos.&lt;br /&gt;Crátes”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-6229939693512950968?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/6229939693512950968/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=6229939693512950968&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6229939693512950968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6229939693512950968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/05/phi-iv.html' title='HYPSILON - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-8111178019222564452</id><published>2009-05-15T13:48:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:40:03.142-03:00</updated><title type='text'>HYPSILON - III</title><content type='html'>Era o início de uma noite de fim de outono, o inverno já se anunciava com Bóreas soprando forte, não obstante Heleno chegou a porta da tenda vestindo apenas uma leve túnica. Usava os aneis dourados do cabelo também presos atrás da cabeça por uma fita de couro, e sandálias simples, trazia nas costas, preso, um pequeno escudo redondo, e na cintura pendia sua espada.&lt;br /&gt;Ele olhou em torno, esperava Alceu chegar a qualquer momento para seguirem a sua ronda com o restante do pelotão da Kriptéia. Cabia a eles policiar a cidade. O jovem moreno chegou por trás dele, mas não o surpreendeu.&lt;br /&gt;- Por que demoraste?&lt;br /&gt;- Fui buscar isto para ti.&lt;br /&gt;E retirou de uma pequena bolsa de couro um pequeno rolo de pergaminho e o estendeu para o outro jovem.&lt;br /&gt;- É de teu pai.&lt;br /&gt;Heleno agarrou o pergaminho afoito. Alceu sorriu.&lt;br /&gt;- Mas tu poderá lê-la quando pousarmos esta noite. Temos que partir.&lt;br /&gt;Os olhos de Heleno demonstraram toda sua frustração, mas ele obedeceu o companheiro, e devolveu ao amigo o pequeno rolo, preso por uma fita de couro como a que amarrava seu cabelo, este entendeu e guardou na bolsa que levava a tira-colo.&lt;br /&gt;Foi somente próximo a meia-noite que eles voltaram a pensar na carta. Heleno a abriu rápido e pôs-se a lê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os deuses te saúdem meu filho,&lt;br /&gt;Que tu e tua mãe estejam bem de saúde.&lt;br /&gt;Muito me agrada ver-te cuidando dos meus negócios. Fazes bem, afinal tudo que pertence a mim um dia será teu, filho meu, então deves logo tomar parte de tudo. Mas, confia em teu avô, ele é sábio, e tudo que eu aprendi foi ele que me ensinou.&lt;br /&gt;Por Zeus, fico emocionado em saber que tu lutaste em Metone. Irrita-me não ter estado ao teu lado no teu primeiro cerco, meu filho. Mas haverão outros em que poderei observar teu valor. Tu o mostrarás a todos ainda nesta guerra. Até porque prevejo que ela será bem maior do que esperamos.&lt;br /&gt;Então tu lutaste ao lado de Brásidas, meu filho? Eu o conheci aqui. Ele participou junto comigo da campanha que foi a Trácia tentar conseguir o apoio bem-fazejo do rei Sitalces. Artemidoro, teu antigo professor e meu caríssimo amigo, acompanhou-me e Brásidas também foi destacado para seguir conosco. Brásidas era realmente um soldado corajoso, audacioso e brilhante, um orador inteligente, habilidoso e convincente, e um diplomata perspicaz e respeitado. Por causa disso Arquidamo concedeu-lhe honras e fora designado éforo epônimo, e este ano passa a ser chamado de ano Brásidas, e, sendo assim, apesar de ser um soldado de escalão inferior ao de nossa família foi colocado como comandante da expedição.&lt;br /&gt;Nota-se que falo 'era' não é, filho? Brásidas padeceu nessa expedição. Traidoramente assassinado. Conto-te agora o que se passou. Nosso objetivo com o controle da Trácia era flanquear o império anteniense, mas era impossível chegarmos lá por via marítima exatamente porque os atenienses controlam o mar com sua imensa frota. Por isso fizemos a viagem a pé, cruzando a hostil Tessália, sendo que nosso único ponto seguro era nossa colônia Heracléia, a cidade murada próximo a Termópilas onde nossos homens padeceram pela Grécia. Heracléia tinha se tornado um porto importante e tinha uma frota considerável que era usada, sobremaneira, para proteger-se dos ataques tessálios.&lt;br /&gt;Enquanto eu viajava, soube e tu também deves saber, que um tal de Nícias reuniu sessenta naus e duzentos hoplitas e invadiram nossa querida Melos, a única ilha ainda livre do controle ateniense graças ao sangue espartano de seus habitantes. Muitos morreram ali e meu coração se encheu de penar, por isso, tomei uma decisão importante com Artemidoro e Brásidas, e, somente a tu meu filho, ouso revelar. Pensemos, os navios atenienses estão cercando o Peloponeso todo, sei que Demóstenes e Prócles comandam muitas dos navios que podem atacar as cidades próximas ao mar a qualquer momento, eles também ameaçam a Córcira e a Sicília, de onde vem quase todo nosso trigo, mas quem é o único que pode fazer frente a marinha ateniense? Artarxerxes, o rei persa! Só ele tem o dinheiro e a frota que pode destruir essa marinha que nos causa tantos estragos. Se deixa-los em terra, nós espartanos podemos derrotar aqueles comerciantes vis, mas no mar, não temos chance. Por isso, secretamente, da Trácia, Artemidoro partirá para a Babilônia e tentará um acordo com o rei persa. Sei que isto pode soar quase uma traição para nós gregos, aliar-se com bárbaros, porém a guerra faz estranhos aliados, meu filho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heleno parou a leitura chocado e ergueu os olhos para Alceu que também tinha sua respiração suspensa. Mas recuperando a razão, falou:&lt;br /&gt;- Teu pai tem razão. Temos que derrotar esta corja.&lt;br /&gt;- Mas nos aliando a monstros? Ou não treinamos nossa vida toda para que um dia lutássemos exatamente contra os persas? Agora lutamos ao lado deles contra outros gregos?&lt;br /&gt;- Continua a ler...&lt;br /&gt;Heleno continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sei que deves estar chocado, Heleno, meu amado filho, porém é a decisão correta a tomar. Sobretudo depois do que vimos. Demóstenes, por exemplo, graças a seus navios tomou rapidamente a Etólia, causando imensos prejuízos a nossos aliados, dos quais muitos ainda estão em poder ateniense. Ele avançou sobre a Lócrida e pretendia encontrar-se com Nícias, Hipônico e Eurímedon na Beócia, cercando-nos. Este plano ousado só não funcionou porque os moradores de Egitio armaram uma cilada para os atenienses. Abandonaram a cidade e quando estes a invadiram, eles os atacaram por trás, usando dardos e arcos, uma luta de covarde, sei que é isto que pensas, porém, extremamente útil. Soubemos que cento e vinte dos trezentos soldados caíram por terra. Deveras útil! Os guias messênios e os capitães foram os primeiros que as setas certeiras derrubaram fazendo com que os apavorados hoplitas se espalhasse e se perdessem em um território completamente desconhecido para eles. Sim, meu filho, um homem espartano nunca passaria por tal humilhação!&lt;br /&gt;Derrotado, Demóstenes fugiu para Náupactos e nós decidimos encontra-lo lá. Um pequeno desvio na viagem a Trácia. Liderei três mil homens para esta batalha, além de etólios que se juntaram a nós. Realmente excelentes arqueiros. Contudo, chegando lá, mais navios acarnânios haviam chegado ao porto e decidi que era melhor retornarmos. Precisamos, definitivamente, atacá-los por mar.&lt;br /&gt;Se este exemplo é pouco para te convencer que precisamos do apoio persa, meu filho, pois digo-te outro. Nossa maior derrota, nossa maior humilhação: Pilos e Esfactéria. Bem sabes que estas ilhas nas margens messênias do Peloponeso são bem próximas a Esparta. Quantas vezes não comesse do peixe pescado lá? Então, tu não sabes por acaso o que aconteceu tão perto de casa?&lt;br /&gt;Demosténes planejava criar uma fortaleza no Corifásio, pretendendo de lá incitar os messênios e os hilotas contra nós. Em seis dias a fortaleza fora construída. Nesta época, lembro que o príncipe Ágis fora o único a se preocupar com essa pequena fortaleza, ele confessou-me que sentia o cheiro de problemas no ar, por isso retornou a Esparta preocupado com a proteção da cidade. Como bem sabeis, o príncipe organizou um exército com poucos dos que permaneceram aí, tu lutaste meu filho, por falar nisso? Gostaria de saber. Reuniu também os periokoi que viviam próximo a ilha e mandou que os  nossos navios que estavam na Córcira retornassem, pois o príncipe decidiu atacar-lhes com um ataque tanto por terra quanto por mar. Mas estes navios já haviam sido destruídos pela frota ateniense liderada por Sófocles e Eurímedon.&lt;br /&gt;Restaram-nos quatrocentos e vinte hoplitas na ilha de Esfactéria que lutaram corajosamente contra noventa marinheiros usando escudos de vime que só os fizeram perder tempo, pois três dias depois, Demosténes recebeu o apoio das frotas de Sófocles e Eurímedon que estavam na Córcira perfazendo quarenta navios. E aí que fomos realmente humilhados. Os navios cercaram a ilha, meu filho, e nossos soldados ficaram aprisionados.&lt;br /&gt;Ágis teve que pedir uma trégua ou todos os homens ali seriam assassinados. Prometeu não atacar Pilos se nenhum dos homens em Esfactéria fosse ferido. Muitos disseram que nosso revés não resultou de nosso desejo de poder ou de nossa arrogância, que nós temos os mesmos recursos que Atenas, mas fizemos um erro de cálculo. Eu discordo, meu filho! Perdemos porque eles têm navios melhores.  Tentamos um acordo de paz para salvar nossos homens, mas os termos que aqueles comerciantes tentaram nos impôr eram humilhantes demais. Maldito Cléon! Nossos homens foram obrigados a se render! Espartanos rendidos? Acreditais nisto? Nem eu!&lt;br /&gt;Tu então meu filho ainda discorda desta opção? Acreditas mesmo que sejamos capazes de derrotar Atenas sem uma poderosa frota no mar? Se nenhum amigo teu morreu em Esfactéria responderás que discorda, acredito, mas se pelo menos algum conhecido teu estivesse naquele exército, tu me apoiarás”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heleno parou a leitura com lágrimas nos olhos. Alceu o abraçou. Ele respirou fundo e tentou balbuciar alguma coisa, mas o jovem moreno pediu-lhe silêncio.&lt;br /&gt;- Teu pai é sábio. Ele realmente tem razão.&lt;br /&gt;- Sim! Tem! Principalmente porque tu quase morrestes em Esfactéria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-8111178019222564452?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/8111178019222564452/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=8111178019222564452&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8111178019222564452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8111178019222564452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/05/phi-iii.html' title='HYPSILON - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-6579194948183194421</id><published>2009-05-08T17:31:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:38:13.264-03:00</updated><title type='text'>HYPSILON - II</title><content type='html'>Era noite quando Heleno sentou-se próximo a uma lamparina de azeite de oliva que queimava com sua chama dourada. Ele tinha papel e tinta para escrever uma carta a seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amado pai,&lt;br /&gt;Não sei quando receberás esta carta, mas espero que a recebas bem. Aqui em Esparta tudo anda bem. Os deuses têm protegido nossa cidade. As colheitas foram boas em teus campos, tenho cuidado disto na tua ausência. Ou melhor, tenho ajudado o vovô com isto.&lt;br /&gt;Meu treinamento tem também andado bem. Eu e Alceu estamos ansiosos pela possibilidade de juntar-nos a vós. Mas também aqui estamos lutando. Fomos destacados para o agrupamento que serviu junto a Brásidas em Metone.&lt;br /&gt;Metone foi definitivamente impressionante! Os atenienses atacaram a cidade de surpresa com cem trirremes, aqueles impressionantes navios que eles têm, que traziam quatro mil hoplitas e trezentos cavaleiros. Foi uma batalha principalmente marítima, em que a vantagem é realmente daqueles comerciantes. Facilmente a muralha da cidade foi arrasada e sobrepujada. Admito, fomos vergonhosamente derrotados dentro de nosso país, e Atenas tomou a primeira cidade dentro do Peloponeso.&lt;br /&gt;Contudo, logo Brásidas reuniu sete mil soldados espartanos e se lançou sobre a cidade. E eu e Alceu nos juntamos aos Pares finalmente, em nosso primeiro cerco. Lutamos batalhas memoráveis, pai, que eu não consigo de forma alguma esquecer. Algumas delas inclusive são mais espetaculares para mim.&lt;br /&gt;Uma vez, por exemplo, lembro das palavras de Brásidas antes de entramos em batalha, ele nos exortou dizendo assim: 'Desgraça! Com meus próprios olhos vi algo que jamais supus acontecer: os atenienses investirem suas naus contra nossa terra ancestral. Eles mais pareciam corças tímidas nas brenhas a fugir, presas de lobos, indefesos, errando, sem força para combater. Ó, fina flor dos espartanos! Combatendo, salvareis esta cidade, confio em vós. Vós não renuncieis a Deimos, fazedor de viúvas, que trará muito cedo a derrota destes vís. Não é lícito desertar na luta. Sane-se o erro! Os bravos são incuráveis. Não é belo ver como afrouxais o fervor de vossas forças. Eu não censuro a gente efeminada, como eles, que se acovarda e escapa da luta. Ardo de ira, no entanto, contra vós se cometerem o mesmo mal'.&lt;br /&gt;Lutamos juntos, eu e Alceu, pai, unidos lança a lança, escudo a escudo, adarga a adarga, elmo a elmo. Logo todo o exército ateniense estavam ante nós abrindo caminho como uma torrente que se desloca da coroa do monte.  Contra-atacamos com espadas e lanças de duplo gume. Lancei um dos meus dardos contra um soldado que erguendo seu escudo arrendondado de couro táureo o partiu facilmente.&lt;br /&gt;Minha ira só se duplicou, aproximei-me dele e com o meu próprio dardo partido que recuperei do chão, derrubei-o e o feri por baixo da orelha. Lembro do som naquela hora: reboavam em torno as armas brônzeas. Outro guerreiro então avançou contra mim, atirou-me a lança, mas desvivei dela. E, um terceiro, aproximou-se de mim, mas este eu trespassei o peitoral com minha espada. Naquele momento, encontrei-me com um Heitor raivoso. Ele avançou contra mim, mas Alceu se interpôs ao bote. Com um golpe certeiro, na região do umbigo do guerreiro, Alceu o repeliu. Fazendo cair ao chão. Alceu se aproximou então para dar-lhe o golpe final, mas o covarde correu se afastando o máximo que pode.&lt;br /&gt;A luta se eriçou ali. Com outro dardo derrubei um guerreiro cuja couraça não protegeu-lhe o ventre, e ele caiu, fazendo um som surdo. Alceu derrubou outro que vinha correndo em direção a ele, meu amigo antecipou-se e o atingiu na garganta, atravessando-a sob o queixo o metal de sua espada, fazendo-o cair como uma altaneira árvore diante do fio do machado. Chorando e gritando o nome Ásio, um outro guerreiro atacou Alceu.&lt;br /&gt;Atirou-lhe a lança, porém Alceu evitou-a abrigando-se, agachado, sob o escudo redondo de couro. No entanto, não foi em vão que o guerreiro disparou o dardo pois este acabou por atingir Hipsênor abaixo do diafragma, fazendo seus joelhos fraquejarem. O guerreiro então gritou: 'Ásio, tu não ficaste sem vingança, agora podes te alegrar, porque dei-te um companheiro de jornada até o reino de Hades'.&lt;br /&gt;A luta foi grandiosa, pai. Porém quem mais me impressionou naquela batalha foi Brásidas, filho de Teles, meu antigo comandante na patrulha de controle dos hilotas messênios, a Kriptéia. A mim e a todos nós. Vivaz, eloqüente e inteligente, além de muito valente, o general encantava a todos. Por Ares! Lutávamos ao lado dele com honra, querendo impressioná-lo. Como sabeis, nós já o conhecíamos, eu e Alceu, porém, na guerra, aquele homem, meu pai, demonstrou de que verdadeira fibra era constituído.&lt;br /&gt;Desde que a cidade tinha sido dominada, Brasidas estava ansioso para tomá-la das mãos atenienses. E sua estratégia, pai, foi definitivamente a mais improvável que já vi. Ele ordenou que ocupassemos os campos ao redor da cidade, batalhamos sem trégua por isso, e depois, pedra por pedra, demontamos a muralha, sob ataque de setas intenso, mas protegidos pelos escudos de nossos companheiros. Um Aquiles, meu pai! Um Aquiles!&lt;br /&gt;Sem muralha, foi fácil tomar a cidade e expulsar os atenienses que correram como mulheres para seus navios no porto. Ele os perseguiu e massacrou muitos. Lutei ao lado dele neste intante, perseguindo atenienses. Foi a primeira vez que vi meu comandante sorrir, meu pai, embaixo da barba acobreada que ele mantém, eu vi o brilho de um sorriso. Expulsos os invadores, ele ordenou um sacrificio, agradecendo a Hermes a quem cultua especialmente, ordenou que fossem lançados ao fogo cabras e não dois carneiros como é usual. O banquete foi fausto!&lt;br /&gt;Tentamos lutar bravamente, pai, para orgulhar Esparta. Eu tentei lutar bravamente para tu te orgulhares de mim.&lt;br /&gt;Liberdade para os gregos.&lt;br /&gt;Heleno”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-6579194948183194421?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/6579194948183194421/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=6579194948183194421&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6579194948183194421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6579194948183194421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/05/phi-ii.html' title='HYPSILON - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-3015318571068038565</id><published>2009-04-30T22:43:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:37:50.039-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='phi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heleno'/><title type='text'>HYPSILON - I</title><content type='html'>Era uma tarde quente de primavera. Alceu estava deitado na grama, com a cabeça apoiada nos braços quando Heleno chegou. O jovem loiro admirou por um segundo a beleza do outro quando este percebeu que ele estava ali e ergueu-se, apoiando-se nos antebraços.&lt;br /&gt;- Olá Heleno!&lt;br /&gt;- Recebi uma carta de meu pai. Do campo!&lt;br /&gt;- Que bom! Que ela diz?&lt;br /&gt;- Não li ainda, esperei para lê-la contigo.&lt;br /&gt;- Então começa. E sentou-se cruzando as pernas.&lt;br /&gt;Heleno sentou ao lado dele e desenrolou o pergaminho, desatando o nó que o fechava. Pigarreou e começou a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Salve, meu querido e amado filho.&lt;br /&gt;Que os deuses zelem por ti e por tua mãe.&lt;br /&gt;Como estás? Espero que bem! Como anda o fim do teu treinamento? Deves logo chegar aqui, não é? Espero lutar ao teu lado logo, meu querido. Mas sei que deves estar ansioso por notícias da guerra, estou errado?&lt;br /&gt;Já fazem cento e cinquenta dias que deixei nossa amada Esparta, Heleno, para encontrar nossos aliados. Cento e cinquenta dias que Tebas invadiu Platéia e tudo começou. Megáricos, beócios, locrianos, fócios, coríntios, siracusanos, taranos e vários dórios da Sicília. Nossa infantaria, orgulhe-se, é duas vezes maior que a ateniense. O plano de nosso rei, Arquidamo, era invadir a Ática durante a colheita, segundo ele, e eu concordava, ou os antenienses cederiam, ou, se tivessem coragem de lutar, com certeza, perderiam. Nosso rei conta com a fome. Os soldados acreditam que em dois anos ou no máximo em três retornaremos para casa. Eu, no entanto, duvido disto.&lt;br /&gt;Os atenienses, estes porcos, são povos do mar. E o porto de sua cidade fica dentro das muralhas. Péricles é um grande governante, com certeza. Proteger até o porto com altas muralhas de pedra fazem com que a cidade possa receber suprimentos facilmente. Arquidamo sabe disto. Precisamos descobri um jeito de também derrotá-los por mar.&lt;br /&gt;Cento e cinquenta dias. Platéia. Chegamos lá com dois terços de nossas tropas já preparados para tomar a cidade junto com os tebanos, mas não chegamos a tempo, filho. Quando os plateus souberam que estávamos chegando, eles atacaram os tebanos em desespero e os expulsaram da cidade sob a maior chuva que já vi na minha vida. Capturaram trezentos prisioneiros tebanos e afogaram no rio Asopo os plateus que se aliaram aos nosso. Nauclides foi o primeiro. Porém envergonhou-nos deveras! Homem covarde, chorava como uma menina quando foi levado ao rio. Pedia clemência e piedade. Efeminado! Mas os trezentos tebanos, eles mantiveram vivos, pois o resgate deles poderia valer muito ainda. Soube que eles ainda matém Eurímaco, príncipe de Tebas, preso, porque seu pai ainda não conseguiu pagar todo o resgate. Acho que o rei tebano vai ter que reconstruir toda Platéia antes de rever seu filho...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alceu riu neste instante. Heleno ergueu os olhos para ele, gostava de vê-lo rir.&lt;br /&gt;- Continua vai...&lt;br /&gt;Heleno continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Mas eu faria o mesmo se fosse por ti.&lt;br /&gt;Quando chegamos a Platéia a primeira coisa que Arquidamo fez foi mandar uma embaixada a Atenas. Artemidoro foi designado embaixador. Teu amigo Iolau o acompanhou como parte da escolta. Mas Péricles não desejou nem vê-lo. Quando teu antigo professor e meu grande amigo reencontrou-me pareceu bem abatido. Acho que Artemidoro cansou da guerra. Isso acontece com alguns de nós. Ele me disse estas palavras ao retornar que ainda ecoam nos meus ouvidos. Pareceu-me um oráculo. “O dia de hoje vai ser o início de grande infortúnio para os helenos”. Não duvido.&lt;br /&gt;Quando Artemidoro retornou, meu caro, filho, Arquidamo, nosso sagrado rei, não tinha outra escolha. Teria de agir. Ele então decidiu avançar em direção a Ática, e tomar de assalto a própria cidade de Atenas. A rota melhor era pela costa através de Mégara até Elêusis, depois do monte Aegalius, entrando pelas planícies férteis da Ática. Mas Aquidamo permaneceu por tempo demais no estreito de Corinto,  avançou muito lentamente e, quando passou por Mégara, não pegou o caminho do sul para Atenas, mas seguiu para o norte para sitiar a cidade de Énoe.&lt;br /&gt;Énoe é uma pequena fortaleza ateniense próxima a fronteira beócia. Pequena, porém importante posto, defendido por muralhas de pedra com torres - as mais altas que já vi, meu filho,  - mas não representou ameaça alguma para o nosso exército! Ela não pode interferir nos objetivos de nosso rei de forma alguma. Porém conquistar este posto não foi fácil, e necessitou de um longo cerco, e o abandono de nosso objetivo principal: chegar a Atenas.&lt;br /&gt;Pensando bem, hoje, eu vejo que não havia sentido estratégico em atacar Énoe, acredito que nosso rei fez isto para ganhar tempo e evitar enfrentar Atenas diretamente. Ele esperava incutir medo naqueles covardes comerciantes antes de chegarmos lá para que desistissem de pegar em armas. Ele sempre nos dizia, meu filho: “pensem nas terras deles como um refém; quanto mais bem cultivado, melhor será o refém”, entendes? No entanto, os soldados não estavam gostando deste plano, pois os atenienses tiveram tempo de retirar seu gado e seus bens e leva-los para a cidade, portanto o butim dos ataques foram sempre parcos. Mas as fazendas abandonadas também ardiam mais rápido.&lt;br /&gt;Ficamos em Énoe oitenta dias. Quando as plantações de trigo estavam prontas para a colheita, Arquidamo ordenou que deixassemos o cerco e nos dirigissemos a cidade da deusa de olhos glaucos, Heleno. Devastamos primeiramente a cidade dos mistérios, Elêusis, em seguida, Acarnas. Pisamos sobre vinhedos e colocamos fogo em oliveiras. A terra tremeu sob nossos pés.&lt;br /&gt;Arquidamo continuava tentando evitar, meu filho, o ataque direto a Atenas, por isso dávamos voltas, atacando outras cidades, muitas vezes ele reclamou comigo, como seu conselheiro e amigo, esperando que os atenienses recobrassem a razão e não desejassem confrontar-nos, por isso ele evitava destruir os campos ao redor da cidade. Porém os atenienses só tem fugido. As mulheres e crianças refugiavam-se dentro dos muros da cidade - quantos mais ainda cabem lá? - enquanto o gado, ovelhas e vacas gordas, que nossos soldados tanto ansiavam eram levados para a ilha de Eubéia. Mas eles fugiam contrariados, devo notar, um homem que encontramos num vinhedo pequeno, um mero lavrador, mas de muita coragem pois com apenas um ancinho tentou nos deter, fazendo nossos soldados rirem alto. Lembro de suas palavras, meu filho: “Não abandonarei minha casa e meu templo, minhas relíquias, meus ancestrais, esta terra pertence a minha família!”. Ele gritava entre palavras e nos xingava de bárbaros e de persas! Homem corajoso, morreu corajosamente!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alceu deitou nesse instante, e Heleno deitou apoiando a cabeça no abdômen musculoso do amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Soubemos que desde que destruímos Acarnas, Péricles  passou a ser destratado por um tal de Cléon, um comerciante. Ele o acusava de covardia por não se lançarem contra nós.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu concordo com ele. Riu Alceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ouvi dizer que este Cléon é apenas o dono de um curtume e vendedor de couro. Diz-se que ele é um ladrão e baderneiro, mas com a voz de um leão. Este leão era o único a falar em favor da guerra naquela cidade. Um espião contou-nos que na assembléia este homem grita, usa uma linguagem deveras ofensiva e enquanto fala a seus concidadãos fica andando de um lado para o outro e até tirou a roupa! Mas era o único a dizer que eles deveriam lutar contra nós.&lt;br /&gt;E, pelo jeito, parece que suas criticas funcionaram. Os atenienses, assim que começamos a avançar em direção a sua cidade, já reforçaram suas defesas. Capturamos vários batedores que observam nossos movimentos. E como tu deves bem saber enviaram soldados ao Peloponeso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, isto sabemos muito bem - comentou novamente Alceu – Metone foi completamente destruída, se não fosse por Brásidas, o que teríamos feito?&lt;br /&gt;- Soube que ele partiu para encontrar com o exército?&lt;br /&gt;- Sim, eu soube. Estou ansioso para a nossa vez também.&lt;br /&gt;- Eu também. Continuemos?&lt;br /&gt;- Por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Também para sentir-se mais seguros, os atenienses invadiram a ilha de Egina, que fica na entrada do golfo Sarônico, que se nós tomássemos poderiamos ameaçar o abastecimento da cidade pelo porto. Pena que a tomaram antes de podermos controlá-la, mas não invadiríamos a ilha colonizada por um dos nossos aliados, a Epidauro de bons vinhedos. Mas eles expulsaram toda a população local e colonizaram-na. Os eginetas então, como sua metrópole, tornaram-se logo nosso aliados e, colocados por nós em Tiréia, passaram a vigiar Argos.&lt;br /&gt;Nossa maior preocupação agora é o relacionamento de Péricles com o príncipe Nifodoro, de Aberdera. Este príncipe e seu cunhado, Sitalces, da Trácia, já ajudaram os atenienses a tomar Potidéia, nós precisamos fazer um aliado na Trácia, imediatamente, por isso amanhã parto para a Macedônia, para tentar um acordo com o rei Pérdicas.&lt;br /&gt;Espero que fiques bem meu filho.&lt;br /&gt;Liberdade para os gregos.&lt;br /&gt;Crátes”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-3015318571068038565?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/3015318571068038565/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=3015318571068038565&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3015318571068038565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3015318571068038565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/04/phi-i.html' title='HYPSILON - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-3898968328162253275</id><published>2009-04-24T15:20:00.001-03:00</published><updated>2010-01-12T17:40:31.421-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HIPSYLON'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alcibíades'/><title type='text'>TAU - VI</title><content type='html'>&lt;span class="msgReadTxt"&gt;O dia passara-se em discussões incessantes sobre os pontos do tratado de paz e os atenienses acabaram sendo convidados para pousar no acampamento espartano. Protegidos pelo juramente de hospitalidade feito a Zeus, os soldados e Nícias sentiram-se seguros por pernoitar ali. No entanto, Alcibíades definitivamente não estava interessado em dormir.&lt;br /&gt;Protegido pela noite escura, ele procurou a tenda de Artemidoro. Encontrou-a facilmente e pretendia fazer-se anunciar quando ouviu a discussão lá dentro, e pôs-se a observá-la.&lt;br /&gt;- Ceder Anfípolis a eles? Não acredito nisso, Artemidoro!&lt;br /&gt;- Acalma-te, Ios.&lt;br /&gt;- Como posso?! O túmulo de Brásidas está naquela cidade! Jogamos em honra dele naquela praça. Como podes devolvê-la a estes cães? Lembra de Brásidas, filho de Teles, teu amigo? Aquele que lutou ao teu lado em Metone, e serviu como conselheiro a Cnemus ao teu lado?&lt;br /&gt;- Ironia só combina com as peças de teatro, meu caro.&lt;br /&gt;- Queria apenas saber se esqueceste dele, paidomonos. Se tu esqueceste de como ele foi importante em Pilos, na Trácia, Mégara e Córcira. E como depois ele marchou sobre a Tessália e conquistou Acanto, Estagira, Toroni e Scione para cair somente em Anfípolis, por causa da maldita traição daquele rei maldito – e cuspiu no chão –, Pérdicas.&lt;br /&gt;Irritado, Artemidoro se levantou: - E tu achas que eu não sei disso? Mas pensas realmente que podemos manter esta guerra por mais quantos anos? A guerra corroe a terra que pisamos, Iolau! Este chão era coberto de trigo da última vez que vim a esta cidade, em paz, hoje o que cresce aqui além de corpos ensanguentados?&lt;br /&gt;Ele respirou fundo, tentando se acalmar e continuou:&lt;br /&gt;- Este homem que dorme agora protegido por um juramento é Nícias, um dos comandantes atenienses, juntamente com aquele maldito Nicostrato e Cléon, que recuperaram Mende e sitiaram Scione, forçando Brásidas a atacá-los, mesmo sem apoio de Pérdicas, mas mesmo assim, nós os derrotamos, dando-lhes baixas estupendas, enquanto poucos dos nossos sequer se feriram. A moira de Brásidas, no entanto, não era tão feliz. Os deuses decidiram e, agora, trouxeram o homem que tentou tomar Anfípolis para o pé da minha mesa, que cidade tu supunhas que eu devia oferecer-lhe?&lt;br /&gt;Iolau então se calou. Humilhado visivelmente pelas palavras do professor. Fazendo Alcibíades sorrir. Ele então bateu palmas e entrou, puxando a tenda, e saldando os presentes.&lt;br /&gt;- Nyx proteja a todos. Disse.&lt;br /&gt;Surpreendidos, Artemidoro e Iolau reagiram de formas diversas. Artemidoro demonstrou felicidade, Iolau, irritação, a qual não tentou esconder.&lt;br /&gt;- Pelo jeito o manto da noite protege-te muito bem, não?&lt;br /&gt;- Senta-te, Alcibíades! Que bom que apareceste! Ios, busca-nos vinho! Preciso libar aos deuses por tão...&lt;br /&gt;- Funesto reencontro?&lt;br /&gt;- Iolau! - repreendeu o professor – Como atreve-te a tratar assim um hóspede. Um hóspede que já foi de teu pai. Tens com ele o mais sagrado dos laços.&lt;br /&gt;- Sim, irmão! - disse Alcibíades – Serás sempre amigo em minha casa.&lt;br /&gt;- E tu na minha - disse-lhe Iolau -, se me dão licença, buscar-vos-ei o vinho. E saiu.&lt;br /&gt;- Que te trazes a minha tenda, Alcibíades?&lt;br /&gt;O jovem ateniense sorriu, arrumando a túnica que escondia-lhe o corpo, deixando-o mais visível para o professor, enquanto sentava-se, e  mantendo um ar desinteressado e respondeu:&lt;br /&gt;- Deve-se cumprimentar os amigos, não?&lt;br /&gt;- Sim, deve-se. Sorriu Artemidoro sentando-se numa cadeira de armar, colocada quase de frente ao assento que Alcibíades tomara. Iolau então apareceu a porta e serviu duas taças de vinho.&lt;br /&gt;- Não sentas conosco? Convidou Alcibíades.&lt;br /&gt;- Não posso – respondeu Iolau – tenho que terminar de redigir o documento do tratado para ser assinado amanhã e, uma cópia, levada por vós, atenienses. Preciso retirar-me. Alcibíades – e fez uma mesura -, paidomonos. E outro cumprimento, deixando a sala em seguida.&lt;br /&gt;- Ele tem muito trabalho ainda a fazer - comentou Artemidoro – mas diga-me tu: que andastes a fazer em todos estes anos? Como havia dito tornar-te um belo jovem. Apolo abençoou-te.&lt;br /&gt;- Pois repito – gracejou Alcibíades – foi Hebe que te abençoou. E, por mim, após os anos de treinamento com meu preceptor, Alcibíades, dediquei-me a filosofia com Sófocles e a política com meu pai, Péricles.&lt;br /&gt;- Péricles?&lt;br /&gt;- Sim, eu fui adotado por ele. Seu único herdeiro homem!&lt;br /&gt;- E como está teu pai então? Artemidoro falou isso e lançou um olhar que parecia caçoar de Alcíbiades.&lt;br /&gt;- Faleceu ontem a noite.&lt;br /&gt;Artemidoro não demonstrou surpresa.&lt;br /&gt;- Que o Hades seja-lhe agradável.&lt;br /&gt;- Acredito que meu pai fosse amado o suficiente pelos deuses para usufruir do Campos Elísios, Artemidoro.&lt;br /&gt;- Realmente, ele fora um homem agraciado em vida. Pluto e a boa fortuna era seus companheiros inseparáveis. Mas seria também após Thanatos levá-lo do mundo dos vivos e ele atravessar o rio com o barqueiro?&lt;br /&gt;Alcíbiades não sabia o que responder, mas tentou não demonstrar isso olhando firmemente nos olhos do professor, enquanto este bebia um pouco do vinho. Artemidoro se levantou, usava apenas uma capa cobrindo-lhe o ombro direito que descia até a altura de sua nádega esquerda, todavia, alcançando-lhe a coxa direita, cobria quase toda as costas musculosas do general espartano, estava descalço, Alcíbiades notara que as sandálias estavam desamarradas ao pé da cama e comentou:&lt;br /&gt;- Pelo jeito cheguei no momento que pretendías deitar-se.&lt;br /&gt;- Sim, de fato – respondeu o espartano caminhando até a cama feita de feno e coberta pela pele de um jovem urso – eu pretendia dirigir-me ao meu leito – e sorriu – mas não mudei de idéia.&lt;br /&gt;Deitou-se, então, tranquilamente, e olhava para Alcíbiades o convidando, no entanto, o jovem ateniense fez como que não tivesse entendido e disse:&lt;br /&gt;- Então devo deixar-te.&lt;br /&gt;Artemidoro ergueu-se de súbito.&lt;br /&gt;- Por Afrodite! Não! Ficas!&lt;br /&gt;Alcíbiades sorriu apenas para si, exatamente sem demonstrar nenhuma felicidade por aquele pedido e recusou prontamente o convite.&lt;br /&gt;- Tenho certeza que estás muito cansado, professor. Devo deixar-te. E tentou dirigir-se a porta quando sentiu a mão pesada do espartano no seu ombro.&lt;br /&gt;- Sempre gostei quando chamáva-me professor.&lt;br /&gt;Artemidoro então puxou o ateniense contra si e cheirando seus cabelos, apalpou-lhe o corpo rijo de jovem atleta.&lt;br /&gt;- Tua pele contínua macia como eu me lembrava.&lt;br /&gt;- E tua mão forte como eu me recordava.&lt;br /&gt;Artemidoro então afastou-se e disse-lhe:&lt;br /&gt;- Tornar-te verdadeiramente um belo homem. E encheu novamente a taça de vinho.&lt;br /&gt;Alcíbiades não entendera porque ele se afastou, e com as tempôras em brasa, e o corpo visivelmente excitado, acabou por se aproximar do general. Tocou-lhe o corpo, mas este desvencilhou-se dele e falando sobre o vinho, passou-lhe uma taça.&lt;br /&gt;- O que há, Artemidoro? Não desejas meu corpo?&lt;br /&gt;Artemidoro sorriu e simplesmente respondeu não, deixando Alcíbiades tão chocado que este não conseguiu manter sua mascara teatral de pé e o general percebeu a surpresa nos olhos dele.&lt;br /&gt;- És um belo homem, sem dúvida, Alcíbiades, mas és um homem. Espartanos não amam homens. Amam meninos.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Para que eu amasse um homem eu deveria pagar a multa a cidade porque nunca mais iria gerar um novo espartano e isto não desejo. Terei filhos ao fim desta guerra, por Hera, terei!&lt;br /&gt;- Mas e Iolau?&lt;br /&gt;- Iolau deixou de ser um menino há pouco. E, há pouco, deixei de frequentar-lhe as carnes, como ele deixou de ter com as minhas. Não há mais motivo! A educação dele está completa. É um homem igual a mim. Tenho meninos comigo porque sou professor e faz parte de minha tarefa ensinar-lhes também sobre o amor.  Ao fim de sua aula, eles não têm o porque de estar comigo. Sei bem que Atenas adota este mesmo método, ou não?&lt;br /&gt;Alcíbiades, quase sem voz, respondeu que sim, mas logo, como numa súbita coragem, sua voz emergiu:&lt;br /&gt;- Mas nem todos os homens da cidade amam apenas os meninos. E mesmo aqueles que amam os meninos o fazem para ensinar-lhes algo.&lt;br /&gt;- A lei é a lei. E deve ser cumprida. Se desejas continuar amando homens depois que se torna um, tornar-te um dos guerreiros trezentos que protegem ao nosso rei, não há vergonha nenhuma nisso, a cidade precisa de guerreiros que não tem filhos a quem retornar e que lutam ao lado daquele que ama – e após tomar um gole de vinho, perguntou – como fica um homem que deseja continuar amando homens em Atenas, Alcíbiades?&lt;br /&gt;- Eles... - e respirou fundo – deixam de ser cidadãos. Não tem mais direito a voto, ou participação...&lt;br /&gt;- Porque não geram mais filhos para a cidade. Eu vou deixar o exército ao fim desta guerra e ter meus filhos, chegou o tempo, e tu, bonito como sois, deverias distribuir teu conhecimento com os meninos. Estes, necessitam de ti.&lt;br /&gt;Alcíbiades pensou em argumentar, mas sua mente estava turva, apesar dos argumentos do espartano parecerem claros, a única coisa que ele conseguia entender era que Artemidoro o estava rejeitando. Como ele se atrevia a fazer isto era o único pensamento que se formava com clareza na menta do jovem. A imagem de Sócrates, o único que fizera o mesmo, agora mesclava-se com Artemidoro, e a tenda parecia girar.&lt;br /&gt;- Acho que devo ir.&lt;br /&gt;- Não desejas mesmo ficar? Conversar é sempre um ótimo exercício para a mente. Disse Artemidoro.&lt;br /&gt;- Não! Devo ir!&lt;br /&gt;E diante do consentimento do general, ele deixou a cabana pensando:&lt;br /&gt;- Tu me pagas, espartano!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-3898968328162253275?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/3898968328162253275/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=3898968328162253275&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3898968328162253275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3898968328162253275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/04/hypsilon-vi.html' title='TAU - VI'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-6240851161257645256</id><published>2009-04-20T08:47:00.018-03:00</published><updated>2010-01-23T13:15:19.228-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sumário'/><title type='text'>ESPARTANOS - Sumário</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SgWYgHH1hYI/AAAAAAAAA7Q/hLJVXp8DwLA/s1600-h/logoespartanos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 111px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SgWYgHH1hYI/AAAAAAAAA7Q/hLJVXp8DwLA/s400/logoespartanos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333837011125372290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Espartanos é a estória de quatro meninos que estão aprendendo a se tornar homens. Homens de Esparta. Verdadeiros guerreiros que sempre tem que por de lado sua própria vida, seus amores, seu sangue e até seus corpos em nome da cidade. Acompanhe Espartanos e veja muito sangue, lágrimas, suor e amores durante os graves dias das batalhas da Guerra do Peloponeso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALFA&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2006/11/alfa-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2006/11/alfa-ii.html"&gt; II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2006/11/alfa-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2006/11/alfa-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2006/12/alfa-v.html"&gt;V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2006/12/alfa-vi.html"&gt;VI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BETA&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2006/12/beta-i_07.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2006/12/beta-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a 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onmouseover="ButtonHoverOn(this);" onmouseout="ButtonHoverOff(this);" onmouseup="" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 8);ButtonMouseDown(this);"&gt;&lt;img src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" alt="Link" class="gl_link" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ÉPSILON&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/04/psilon-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/04/epsilon-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/05/psilon-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DZETA&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/05/dzeta-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/05/dzeta-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/05/dzeta-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/06/dzeta-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ETA&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/06/eta-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/07/eta-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/07/eta-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/07/eta-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/07/eta-v.html"&gt;V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/08/eta-vi.html"&gt;VI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;THETA&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/08/theta-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/08/theta-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/08/theta-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2007/09/theta-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a 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href="http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/04/micron-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-v.html"&gt;V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-vi.html"&gt;VI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PI&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/04/pi-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/04/pi-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/05/pi-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/05/pi-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/05/pi-v.html"&gt;V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RO&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/05/sigma-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/05/sigma-ii.html"&gt;II&lt;span style="display: block;" id="formatbar_Buttons"&gt;&lt;span class="on" style="display: block;" id="formatbar_CreateLink" title="Link" onmouseover="ButtonHoverOn(this);" onmouseout="ButtonHoverOff(this);" onmouseup="" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 8);ButtonMouseDown(this);"&gt;&lt;img src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" alt="Link" class="gl_link" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;             &lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/06/sigma-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/07/sigma-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/08/sigma-v.html"&gt;V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SIGMA&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/08/tau-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/09/tau-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/09/tau-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/09/tau-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/10/tau-v.html"&gt;V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/10/tau-vi.html"&gt;VI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAU&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/11/hipsylon-i.html"&gt;I &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/12/hipsilon-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/12/hipsylon-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2008/12/hipsylon-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2009/01/hypsilon-v.html"&gt;V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2009/04/hypsilon-vi.html"&gt;VI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HYPSILON&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2009/04/phi-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2009/05/phi-ii.html"&gt;   II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2009/05/phi-iii.html"&gt;  III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2009/05/phi-iv.html"&gt; IV&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2009/05/phi-v.html"&gt;V&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2009/06/phi-vi.html"&gt;VI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHI&lt;br /&gt;&lt;a href="http://http//pseudea.blogspot.com/2009/06/khi-i.html"&gt;I&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pseudea.blogspot.com/2009/11/khi-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a 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rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/6240851161257645256/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=6240851161257645256&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6240851161257645256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6240851161257645256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/05/espartanos-sumario.html' title='ESPARTANOS - Sumário'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' 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/&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://pseudea.blogspot.com/2009/09/gaijin.html"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 181px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SgWm1c9bv6I/AAAAAAAAA7g/Xu7FR6MpZOY/s400/Gaijin1_10022008_191904.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333852770927361954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://pseudea.blogspot.com/2009/09/porneia-memmorablia.html"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 137px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SgWzr67jwmI/AAAAAAAAA7o/mA08cMjxaJk/s400/logoporneia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333866900825031266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5545559657191138393?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5545559657191138393/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5545559657191138393&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5545559657191138393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5545559657191138393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/02/sumario.html' title='Sumário'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SgWh4rSdpKI/AAAAAAAAA7Y/j2GU7wK_jY4/s72-c/logoespartanos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-2343040669806273299</id><published>2009-01-15T17:43:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:41:14.986-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HIPSYLON'/><title type='text'>TAU - V</title><content type='html'>Alcibíades somente riu. Um sorriso despreocupado estampava o rosto dele. Ele ajeitou um cacho do cabelo que teimava-lhe em cair na testa, enquanto respondia:&lt;br /&gt;- Eu não sabia que tínhamos um relacionamento.&lt;br /&gt;E novamente sorriu. Como uma criança que fala uma verdade óbvia. Heleno parecia transtornado.&lt;br /&gt;- Por Hera, eu te amava!&lt;br /&gt;Alcibíades novamente sorriu.&lt;br /&gt;- Desculpe! – olhou rapidamente para Alceu – Não obstante, você pode ficar feliz, pois eu me lembro de você. Só o fato de eu me lembrar de você já é algo notável, - isso ele falou olhando para Aristófanes, como se pedisse-lhe uma confirmação, que foi dada pelo amigo com um aceno de cabeça - a grande maioria não merece nem que eu me lembre. Apesar que eu me lembro muito mais por causa do Artemidoro. Que homem é esse! – e tentou espiar por uma fresta da tenda – Ele não parece ter mudado nada!&lt;br /&gt;Heleno parecia sem chão, naquele momento. Alcibíades percebeu e, sadicamente, se divertia com isso. Pensava o quão bonitinho aquilo parecia ser. Ele tinha ficado apaixonado por ele. Puxou pela memória se lembrava das cartas que ele havia escrito.&lt;br /&gt;- Ah, lembro que você escrevera-me algumas cartas.&lt;br /&gt;- Algumas? Escrevi-te por um ano inteiro. Disse um Heleno nervoso.&lt;br /&gt;- Heleno? - disse Alceu, atrás dele – Ajuda-me a trazer algo para o general. Ele pediu frutas, leite e mel. Traze queijo também. E vinho, contudo é cedo para vinho muito forte, acho q temos que misturar com duas partes de água.&lt;br /&gt;Heleno acentiu com a cabeça, corando de vergonha. Afastou-se e Alceu passou por Alcibíades olhando-o com uma cara de antipatia. Os dois saíram e quando estavam longe o bastante para não ouvirem o comentário, Aristófanes falou:&lt;br /&gt;- Divina Afrodite! Mais um coração destruído por Alcibíades Cliníade. Deve ser alguma espécie de dom.&lt;br /&gt;Alcibíades sorriu. Mas só pensava em voltar para dentro da tenda para poder observar mais de perto o general espartano, mas sem a presença dos jovens espartanos era arriscado para a tarefa que eles se propunham ali, comentara isso com Aristófanes que, rindo, disse:&lt;br /&gt;- Se dependesse desse soldadinho aí nossa embaixada de paz teria fracassado!!&lt;br /&gt;- Não cabe nada a ele. Remoeu Alcibíades.&lt;br /&gt;- E quem é esse Artemidoro?&lt;br /&gt;- Um homem de verdade, meu amigo, como só os espartanos sabem ser.&lt;br /&gt;- Bem, o rapaz loiro que você esnobou também é um espartano.&lt;br /&gt;- Mas não é um homem, tu disseste bem, é apenas um rapaz, um rapazinho. E eu não sou para rapazinhos!&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, Alceu e Heleno retornaram. Alceu falou:&lt;br /&gt;- Vós deveis entrar conosco agora.&lt;br /&gt;Aristófanes acentiu com a cabeça, e os quatro entraram juntos. O primeiro impulso de Alcibíades no entanto era ter invadido a tenda, mas ele foi calmo, não podia demonstrar o seu desejo, ele aprendera a fazer isso: nunca demonstrar seu verdadeiro desejo por um homem. Encontraram então Iolau escrevendo o que Nicias e Artemidoro discutiram e concordavam, Xenofonte observava os dois, de longe.&lt;br /&gt;- Bem, nossos hoplitas, – argumentava Artemidoro – aqueles capturados em Pilos. Eles terão que ser libertados, imediatamente!&lt;br /&gt;- É um pedido razoável, senhor – dizia Nícias -, mas para ser justo para Atenas também, gostaríamos de ter de volta Decélia e Anfípolis.&lt;br /&gt;- És um gozador, Nícias, as duas cidades? Mesmo?&lt;br /&gt;Nícias sorriu com o canto da boca.&lt;br /&gt;- Eu tinha que tentar.&lt;br /&gt;E os dois gargalharam juntos. Até o professor voltar-se a Iolau e dizer:&lt;br /&gt;- Anota: os atenienses libertam os nossos capturados em Pilos, todos eles; e nós dar-vos-emos... Anfípolis. Satisfeito?&lt;br /&gt;Nícias acentiu. Artemidoro sorriu.&lt;br /&gt;- Bom, rapazes, traze-nos o vinho e coloca aqui. A boca já está seca. Sirvam nosso convidado primeiro. Depois a guarda dele. Sejam educados.&lt;br /&gt;Alceu e Heleno serviram queijo, vinho e pão para Nicías que apenas molhou os lábios no copo de vinho, mas retirou um pedaço grande de queijo. Da sua guarda, no entanto, estes aceitaram apenas pão. Alceu sorria enquanto os servia, menos quando aproximou-se de Alcibíades, este notou a diferença e ficou curioso. Mais curioso ainda porque não lembrava daquele homem moreno e forte que agora estava diante dele. Ele definitivamente se interessou. E quando pegou o pão da mão do jovem soldado, tentou tocar-lhe, fazendo Alceu fugir de seu toque com rapidez e o olhar de Heleno atacá-lo rapidamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-2343040669806273299?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/2343040669806273299/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=2343040669806273299&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2343040669806273299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2343040669806273299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2009/01/hypsilon-v.html' title='TAU - V'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-6963444676981743100</id><published>2008-12-19T20:28:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:41:50.818-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HIPSYLON'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alcibíades'/><title type='text'>TAU - IV</title><content type='html'>- Precisamos de paz! Paz! Gritou Nicias apavorado.&lt;br /&gt;- Calma, homem! Disse alguém.&lt;br /&gt;- Zeus, ajuntador de nuvens! Não me peça calma! Essa frota era imensa! Custou uma fortuna. Eu mesmo montei uma tirreme e mandei com esta frota. Tu também, ó Címon. É um prejuízo incalculável a cidade. Peste dentro dos muros, exército imenso nos nossos calcanhares, frota destruída. Senhores, a quem queremos enganar? Nós estamos sendo derrotados.&lt;br /&gt;- E que tu desejas? Que nos rendamos?&lt;br /&gt;- Existem outras formas, Cleon, de darmos um fim a esta guerra sem que nenhum dos nossos filhos morra pela lâmina ou que nossas mulheres morram pela doença. Começo a concordar com o menino Aristófanes nas peças que ele escreve.&lt;br /&gt;- Tira tuas opiniões políticas das peças do teatro, Nicias?&lt;br /&gt;- Não, Cleon, as tiro da boa consciência que os deuses me enviam todas as noites quando deito na meu leito. E se todos concordam, eu gostaria de negociar um tratado de paz com Esparta. Enviar uma embaixada a cidade. Resolver isto como homens inteligentes!&lt;br /&gt;- Inteligentes ou covardes? Disse o outro num tom mais agressivo.&lt;br /&gt;- Calma, senhores, – interveio Alcibíades – votem! Como fazem os bons atenienses.&lt;br /&gt;Címon então coordenou a votação. E entre os treze votos presente. Sete foram a favor do tratado e paz, seis foram contra. Címon então se levantou e falou:&lt;br /&gt;- Amanhã então organizaremos uma diligência. Tu a liderará, Nicias, já que a idéia foi tua. Tu, Alcibíades, tivesses um tutor espartano, não foi?&lt;br /&gt;- Sim, meu caro Címon, um antigo amigo de minha família.&lt;br /&gt;- Irás então com ele. Organiza tu a escolta. Os outros estão dispensados.&lt;br /&gt;Todos então levantaram-se para sair. Nicias então se aproximou do anfitrião e disse-lhe:&lt;br /&gt;- Organiza essa escolta para a primeira hora do dia, rapaz.&lt;br /&gt;- Sim, meu senhor. Para a primeira hora do dia.&lt;br /&gt;Quando Nicias se virou para sair, Alcibíades chamou seu escravo, deu-lhe ordem para que convocasse seus amigos, Xenofonte e Aristófanes, eles participariam da diligência com ele, também convocou mais quinze soldados, todos jovens como ele, que lutavam no mesmo grupo dele. Pela manhã, na primeira hora, todos estavam diante da vila em que Nicias vivia. Este saiu montado num cavalo branco. Com um escravo trazendo um estandarte com a imagem de Irene, a paz, diante dele.&lt;br /&gt;Ao sair da cidade, o grupo foi recebido com armas em punho por alguns soldados espartanos. Porém, diante do estandarte, todos afastaram-se dando passagem para que o grupo se aproximasse da tenda dos generais. Foi lá que Nicias desceu de seu cavalo ricamente paramentado com lâminas de cobre, e sentou-se em uma mesa esperando o general com quem deveria discutir uma proposta de paz, Alcebíades, Xenofonte e Aristófanes entraram com ele na sala, preparados para qualquer eventualidade.&lt;br /&gt;Demorou um pouco e logo três soldados dos quais apenas um Alcibíades reconheceu entraram na sala. Era Iolau, e este se surpreendeu ao ver Alcebíades ali. Foi pouco depois deles entrarem que  Artemidoro entrou na sala. Este Alcibíades reconheceu de imediato e a lembrança do fogo que este homem o despertava fez-lhe a têmpora latejar.&lt;br /&gt;- Alcibíades? Falou, quebrando o protocolo, Artemidoro.&lt;br /&gt;- Sim, senhor! Sou eu!&lt;br /&gt;- Como cresceste, rapazinho! És um homem agora!!&lt;br /&gt;Os soldados espartanos se olhavam surpresos. Xenofonte, Aristófanes e Nicias também.&lt;br /&gt;- Tu, ao contrário, parece que és amante de Hebe. Continuas jovem como no dia que te conheci.&lt;br /&gt;- Gracejas um velho soldado, menino! Usa esses elogios para tuas conquistas amorosas que devem ser muitas.&lt;br /&gt;Aristófanes não conteve um riso. Alcibíades acabou rindo também.&lt;br /&gt;- Pois bem, que trazes vós, homens de tanto valor, aqui?&lt;br /&gt;Nicias tomou a palavra.&lt;br /&gt;- Artemidoro, não é?&lt;br /&gt;- Sim, meu senhor!&lt;br /&gt;- Sou Nicias, filho de Niceráto.&lt;br /&gt;- O mineiro de prata do Láurio. Somos bem informados por aqui.&lt;br /&gt;- Sim, meu senhor, sou eu. Venho aqui oferecer ao vosso rei um tratado de paz. Desejamos o fim dessa guerra.&lt;br /&gt;- Que coincidência! - disse Artemidoro - Logo após sua frota cair em desgraça em Siracusa e seu exército ser derrotado em Délio. Por que será? E sorriu para Alcibíades, checando-lhe as carnes, fazendo-o imaginar que o general estava lembrando das noites que o teve na sua cama.&lt;br /&gt;- Qual a vossa proposta, ateniense?&lt;br /&gt;- Um tratado! Paz! Por cinquenta anos! Se os deuses permitirem.&lt;br /&gt;- Quem será declarado vitorioso?&lt;br /&gt;- Ninguém, meu senhor, porém nós que estamos oferecendo o tratado, e vós que tem a honra de negar-nos sua generosidade. Disse Nicias fingindo uma submissão que quase convenceu Alcibíades.&lt;br /&gt;- Que vocês acham, rapazes? - riu Artemidoro – Iolau? Alceu? Heleno?&lt;br /&gt;Nessa hora Alcibíades tomou um susto. Percebera que aqueles solados diante dele eram seus companheiros de aventuras na ilha de Melos anos atrás. Sobretudo, reconheceu Heleno com seus cabelos loiros e uma penugem de barba que começava a definir-lhe o queixo másculo. Surpreendeu-se de como aquele menino longelíneo tornara-se um belo homem. Forte. De ombros largos e braços poderosos. Suas coxas, vistas sobre o saiote de couro de sua armadura, eram dignas de qualquer escultura de Fídias que adornavam Atenas. Alcibíades se perdera observando aquele corpo que um dia foi dele, até que encontrou seus olhos, que também o observavam. Foi quando ele sentiu uma cotovelada. Era Aristófanes.&lt;br /&gt;- O loiro não para de te olhar. Desde que entramos.&lt;br /&gt;Alcibíades sorriu. Sorriu para Heleno inclusive, que sem jeito, desviou o olhar. Artemidoro e Nicias continuavam a conversar.&lt;br /&gt;- Coloquemos tudo então em papel - disse Artemidoro – Iolau, traze tua pena!&lt;br /&gt;- Sim, senhor! Respondeu e saiu.&lt;br /&gt;- Ele escreve?&lt;br /&gt;- É meu soldado e secretário!&lt;br /&gt;- Mas todos os meninos espartanos aprendem a ler e a escrever. Comentou Alcibíades.&lt;br /&gt;- Sim! É verdade! Todos. Riu Artemidoro para Alcibíades.&lt;br /&gt;Nicias, no entanto, não gostou.&lt;br /&gt;- Alcibíades, Aristófanes, aguardem lá fora.&lt;br /&gt;Percebendo a situação, Artemidoro falou:&lt;br /&gt;- Heleno, deixe-nos também.&lt;br /&gt;Os três saíram e pararam na porta da tenda. Foi Aristófanes o primeiro a falar:&lt;br /&gt;- Você viu, não é? Só quem fica lá é o Xenofonte que ele sabe ficar em silêncio.&lt;br /&gt;Porém a atenção de Alcibíades estava em Heleno.&lt;br /&gt;- Heleno, não é? Como vai?&lt;br /&gt;- Bem! Respondeu rispidamente.&lt;br /&gt;- Faz tempo que não nos vemos.&lt;br /&gt;- Vocês se conhecem? Perguntou Aristófanes.&lt;br /&gt;- Lembra da temporada que passei em Melos, logo após chegar do Egito, pois bem, conheci Heleno e Artemidoro lá, junto com meu preceptor.&lt;br /&gt;Heleno continuava em silêncio.&lt;br /&gt;- Divertimos muito naquele inverno, não foi?&lt;br /&gt;Naquele instante Iolau chegou, passando por eles. Assustou-se em vê-los lá fora, conversando, mas entrou rápido sem dizer nada. Já Heleno respirou fundo, como se tentasse se tranquilizar, mas com um olhar transtornado, virou-se para Alcibíades e perguntou, no exato momento em que Alceu saía da tenda.&lt;br /&gt;- Eu te escrevi inúmeras cartas que nunca tiveram resposta, Alcibíades, por quê? Por que eu não mereci nem que tu disseste que não desejava mais me ver? Por quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-6963444676981743100?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/6963444676981743100/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=6963444676981743100&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6963444676981743100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6963444676981743100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/12/hipsylon-iv.html' title='TAU - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-5367291861084427309</id><published>2008-12-12T08:33:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:42:15.906-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HIPSYLON'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alcibíades'/><title type='text'>TAU - III</title><content type='html'>O cabelo negro de Alcibíades estava empado de suar, sangue e lama quando ele entrou na cidade naquela noite. Dois anos de guerra já haviam se passado, desde que a peste egípcia tinha aparecido entre os atenienses, muitos escapavam da lâmina fria e morriam na cama devido a febre. Alcibíades, como muitos, temia isso, por isso seus banhos eram constantes e, naquela hora, em que o mensageiro chegou para contar-lhe as notícias, um escravo despejava água limpa sobre sua cabeça para que ele lavasse o cabelo tão sujo. O mensageiro, um escravo de Péricles, entrou afobado.&lt;br /&gt;- Fala, homem!&lt;br /&gt;- Meu senhor, Péricles, meu amo, caiu doente vítima da peste.&lt;br /&gt;Alcibíades saltou.&lt;br /&gt;- Não podeis estar falando sério! - E puxou o escravo pela capa para junto de si. Mas logo lembrou que ele vinha de uma casa contaminada e empurrou-o para longe de si – Diga-me! Diga-me que não é verdade o que dizes!&lt;br /&gt;- Temo que não, senhor! Minha senhora, Aspásia, pediu no entanto que não venha vê-lo. Mas, mandou-me trazer-lhe isto.&lt;br /&gt;E mostrou uma folha de papiro com o selo de Péricles. Alcibíades ordenou que o escravo pegasse a carta, este a pegou e levou-a a um defumador, depois abriu-lhe o selo com uma vela e então entregou o papel, em que Alcibíades reconhecera a letra de seu ultimo amante. Dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu, Péricles, descendente dos Alcmeônidas, estratego-arconte da grandiosa cidade de Atenas, te saúdo, meu querido amado. Zeus zele por ti. Morrerei em breve. Antes dos deuses e de minha mulher darem-me um filho para continuar meu legado, por isso, em meu testamento, garanto além de uma vida tranqüila para Aspásia, que tu sejas meu sucessor. A partir de hoje, que tu não sejas, mas conhecido como Alcíbiades, filho de Clínias, teu pai falecido, mas como Alcíbiades, filho de Péricles.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele terminou a leitura dessas parcas palavras, os seus olhos estavam marejados. Logo abaixo, no entanto, uma tinta fresca se via ainda. Era a letra de Aspásia em linhas mal traçadas e nervosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meu querido Alcibíades, caso desejes vir a nossa casa. Não venha! Tanathos ronda nossa casa a espera que meu marido desapegue-se de sua vida. Como vês, sois agora filho dele, e meu também. Por isso, como mãe, te imploro. Protege tua saúde, por Hera grandiosa!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele então virou-se para o mensageiro:&lt;br /&gt;- Quem mais sabe sobre isto?&lt;br /&gt;- A senhora ordenou-me que viesse primeiro a vós, senhor. Disse-me também que se necessário eu ficasse a vosso serviço.&lt;br /&gt;- Pois bem, será. Vai a casa de Címon. Avisa-o e diga-lhe que Alcíbiades, filho de Péricles, deseja uma reunião com os estrategos.&lt;br /&gt;O escravo fez uma mesura e saiu.&lt;br /&gt;- Xanto, traze-me uma roupa digna para os estrategos.&lt;br /&gt;O escravo saiu e rapidamente trouxe um manto negro que cobriu o ombro esquerdo e sobre o direito estava abotoado com um broche dourado. Alcibíades então se penteou no espelho de prata polida que o escravo segurava, deixando o cabelo úmido, solto. Alguma horas depois, Címon acompanhado de mais doze homens chegou a porta de sua casa.&lt;br /&gt;- Salve, Címon.&lt;br /&gt;Címon entrou nervoso.&lt;br /&gt;- Como assim, “Alcibíades, filho de Péricles”? Por Herácles! A não ser que teu pai tenha mudado de nome...&lt;br /&gt;Alcibíades apenas estendeu a carta que recebera num gesto afetado. Címon leu-a.&lt;br /&gt;- Certo! Ele te nomeou herdeiro dele. Adotou-te como filho – e falou baixinho, quase que só para si – tua bunda deve mesmo ser deliciosa – e depois continuou no tom inicial – que direitos pensa tu que tens para convocar uma reunião dos estrategos?&lt;br /&gt;- Nenhum, meus caros! Não acho que porque meu pai é o arconte deste congregação eu teria algumas regalias, não vivemos numa monarquia onde os cargos passam de pai para filho; mas... - e fez uma pausa - achei que vossas mercês gostariam de reunir-se hoje ainda para discutir o que fazer. Afinal não é qualquer um que morre hoje.&lt;br /&gt;- E porque a mim tu incluíste nessa reunião?&lt;br /&gt;- Porque meu pai...&lt;br /&gt;- Ele não era teu pai. Irrompeu irritado Címon.&lt;br /&gt;- Porque meu pai – repetiu Alcibíades – te honrava como um homem igual a ele. Mesmo quando o Senado decidiu que vosso conselho apenas servia para criar confusão entre nossos exércitos e favorecer o exército espartano, ele fazia questão de ouvir-te. Por isso, inclusive, como a cidade não pode ficar sem estratego eu sugiro que votemos agora mesmo em Címon para arconte.&lt;br /&gt;Alcibíades viu a cara de surpreso que Címon demonstrou. Címon era um homem forte. Corpulento, cultuava uma barriga saliente, uma barba espessa e uma calvície avançada, mas tinha um aura de homem forte que lhe fazia atraente. Os estrategos votaram rápido e acatando a sugestão de Alcibíades como se vinda do próprio Péricles, elegeram Címon como seu líder.&lt;br /&gt;- Então, qual será nosso próximo passo, Címon? Perguntou ironicamente Alcibíades.&lt;br /&gt;- Nossa frota já chegou em Siracusa?&lt;br /&gt;- Já cercaram a cidade, senhor. Disse um dos presentes.&lt;br /&gt;- Não devíamos ter-lhe mandado para tão longe.&lt;br /&gt;- Precisamos de comida, Címon, foi uma boa idéia sim atacar os campos de trigo da Sicília. Tomando Siracusa conseguiremos o pão para podermos proteger a cidade. Repetiu outro presente.&lt;br /&gt;- Sim, sim, o que está feito, está feito.&lt;br /&gt;Nesse instante, no entanto, outro mensageiro vindo da casa de Péricles chegou. Alcibíades o recebeu e foi ele que transmitiu a notícia.&lt;br /&gt;- Fomos estraçalhados em Siracusa.&lt;br /&gt;Todos se assustaram.&lt;br /&gt;- Os espartanos se aliaram aos persas! - disse Alcibíades sem acreditar nas próprias palavras – A frota dos navios de Ciro, o jovem, cercou os nossos quando eles se preparavam para atacar Siracusa, nenhum dos navios sobreviveu ao ataque. Não há mais uma tirreme!&lt;br /&gt;- “Até hoje o céu nos favoreceu. Desde quando fomos sitiados, a guerra, graças aos deuses, nos tem sido favorável. Agora, entretanto, o vidente, pastor das aves, que perscuta com os ouvidos e de espírito, sem recorrer ao fogo, augúrios com rigoroso saber, este mestre exímio do segredo das aves declara que conselhos noturnos planejam severo ataque aqueu a esta cidade”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5367291861084427309?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5367291861084427309/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5367291861084427309&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5367291861084427309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5367291861084427309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/12/hipsylon-iii.html' title='TAU - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-3251602690218467955</id><published>2008-12-05T12:23:00.004-03:00</published><updated>2010-01-12T17:42:31.358-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HIPSYLON'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alcibíades'/><title type='text'>TAU - II</title><content type='html'>- Os mesmo indivíduos – continuava Péricles – cuidam das questões famíliares e da cidade, e a outros, aqueles que se dedicam a seus ofícios, não falta também o conhecimento suficiente dos assuntos públicos. Somos os únicos que entendemos, disse-me um jovem amigo uma vez, que quem não compartilha dos assuntos da cidade não é indiferente, é um inútil.&lt;br /&gt;Alcibíades sorriu ao ver-se citado pelo homem que admirava. Ele continuava com um tom de voz que se elevava gradualmente.&lt;br /&gt;- E nós julgamos as questões públicas, ou, pelo menos, as estudamos convenientemente, não por pensarmos que as palavras prejudicam a ação, mas sim que é mais nocivo não ensinar primeiro pela discussão, antes de chegar o tempo de atuar. Diferentemente destes outros, em que a ignorância traz coragem e o cálculo acarreta hesitação, temos por norma ousar o máximo, mas refletir profundamente sobre a empresa que votamos. Com razão, se podem julgar como os mais corajosos os que conhecem com toda clareza os riscos e os prazeres, e por causa deles, não se alheiam ao perigo. Também na generosidade somos o oposto da maioria. Não é por recebermos benefícios dos amigos – disse ele sorrindo em direção a Alcibíades -, mas por lhes fazermos bens que os conservamos. O benfeitor é um amigo que está mais empenhado em conservar o favor em débito, do que sua benevolência para com aquele a quem o concedeu. O agraciado, por sua vez, mostra-se mais cordato porque sabe que pagará o favor, não por gentileza, mas para saldar uma dívida. Nós, no entanto, atenienses, somos os únicos que ajudamos alguém, não tanto com a mira nas vantagens, mas na confiança própria de homens livres.&lt;br /&gt;Palmas novamente ecoavam pela praça. Emocionados, os atenienses gritavam.&lt;br /&gt;- Homens atenienses, em resumo, direi que esta cidade é a escola da Hélade. E cada um de nós, em particular, se mostra mais apto para as mais variadas atividades. É a própria força da cidade que, em virtude destas qualidades que possuímos, bem se demonstra. Sozinha dentre as que existem, é posta à prova e mostra-se superior à fama que possuí, e é a única que, quando invadida, não causa irritação ao inimigo pelo caráter dos que o derrotam, nem censura aos que ficam submetidos, por serem governados por homens indignos. Grandes são as provas do nosso poderio!&lt;br /&gt;Neste momento, acompanhando a exaltação da multidão, Péricles também demonstrava o quanto estava emocionado na forma que sua voz vibrava. Ele seguia:&lt;br /&gt;- Seremos pois admirados pelos presentes e pelas gerações futuras; não carecemos de um Homero, nem de ninguém que deleite-nos com versos cuja ficção arbitrária virá a ser desmentida pela História! A História mostrará que forçamos todo mar e toda a terra a ser permeável a nossa audácia e erigimos em toda a parte padrões eternos de vitória. É por uma cidade assim que estes homens que honramos agora pereceram nobremente em combate e os que ficaram é natural que queiram sofrer por causa dela.&lt;br /&gt;Um urro contínuo se mantinha agora. Porém a voz de Péricles se sobressaía a qualquer outro ruído e ele continuava:&lt;br /&gt;- Eis a razão porque me alongue ao falar da nossa cidade, explicando que o nosso combate não é por motivos iguais a aqueles que  farejam a nossa porta. Faço, publicamente, como prova do elogio daqueles que falo agora. Proclamaram-se aqueles que falaram antes de mim as suas mais excelsas qualidades. Os feitos destes homens e outros assim é que adornaram a nossa cidade de qualidades que aqui celebrei, e não seria em muitos dos helenos que a fama estaria na proporção das ações. Entendo eu que o fim que acabaram de ter esses homens apenas reafirmam a sua virtude varonil. E é justo que, para compensar outras fraquezas afinal somos aqui todos meros mortais, se exalte o seu denodo a lutar pela pátria contra os inimigos. Apagando o mal com o bem, maior foi o seu préstimo em comum do que o prejuízo que alguns deles possam ter causado na sua vida particular.&lt;br /&gt;Após uma respiração curta, onde ele pareceu se acalmar, ele continuou:&lt;br /&gt;- Nenhum destes se deixou amolecer pela riqueza, preferindo continuar a gozá-la, nem recuou ante o perigo, na esperança de evitar a pobreza. Considerável que a vingança sobre os seus adversários era mais desejável que a opulência, e entenderam que isso se sobrepunha ao risco. Por isso, deliberaram castigar assim os inimigos e abandonar tudo o mais, confiando à esperança a incerteza da vitória, mas, na ação, perante a realidade já iminente, seguros de si mesmos. E, no próprio combate, entenderam que era mais belo lutar e sofrer do que salvarem-se, entregando-se. Assim, evitaram a vergonha da fama que lhes adviria, aguentaram o seu posto com o seus corpos, e partiram desta vida no breve instante da transe decisivo, nas culminâncias das expectativa, mais da glória do que do temor. Oremos por eles!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-3251602690218467955?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/3251602690218467955/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=3251602690218467955&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3251602690218467955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3251602690218467955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/12/hipsilon-ii.html' title='TAU - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-9207332725066202555</id><published>2008-11-30T13:07:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:34:59.484-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HIPSYLON'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alcibíades'/><title type='text'>TAU - I</title><content type='html'>A peste tomara conta de Atenas. Cercada pelos adoradores de Ares, a cidade da deusa de olhos azuis rendera-se a peste. Muitos morriam, fora dos muros, nas batalhas; e dentro dos muros por causa das doenças. Naquele dia, mesmo com o cheiro acre da doença pairando sobre o ar, os atenienses se reuniram na ágora para homenagear seus mortos. Pois nenhum homem deve ser privado de seus ritos. Alcibíades chegara acompanhado de Xenofonte e Aristófanes, armados, exatamente no momento em que Péricles subia ao palanque para falar.&lt;br /&gt;Por trás de sua barba morena e volumosa, uma voz poderosa ecoou. Alcibíades então lembrou que este homem era chamado de novo Zeus. Ele falou:&lt;br /&gt;- Em primeiro lugar, começarei pelos nossos maiores. É justo e conveniente, de fato, conferir-lhes a honra de recordá-los. Esta terra, que pisamos hoje, pertenceu sempre a nós, atenienses, que geração após geração repassamos aos nossos filhos e netos, matendo-a livre, graças ao valor deste sangue que nos une.&lt;br /&gt;Palmas e gritos ecoaram. Péricles respirou e falou:&lt;br /&gt;- Dignos de elogio são esses que partem, mas ainda mais a geração que os precedeu. Foi ela que, ampliando a herança recebida, adquiriu o império que dispomos, e nos relegou não sem grande esforço. Porém, a maior parte do seu poder fomos nós que lha acrescentamos e que preparamos a cidade para tudo, tanto para a guerra quanto para a  paz.&lt;br /&gt;- Olímpico! Olímpico! Gritava a multidão.&lt;br /&gt;Péricles calmamente pediu que os mais exaltados silenciassem com um gesto. Ele então continuou seu discurso:&lt;br /&gt;- Bem, quanto a seus feitos bélicos, pelos quais se adquiriu cada uma de nossas possessões, ou ao modo como nós, ou nossos pais e avós repelimos energicamente a invasão bárbara, ou destruímos a casa de Príamo, como este tema é bem conhecido, não vou alongar-me sobre ele. Passarei adiante. Indicarei, porém, primeiro que tudo, qual a prática que nos levou a este poder, e com que regime e que normas se produziram tamanhos resultados, e depois procederei ao seu elogio; entendo que, nas atuais circunstâncias, não será descabido fazê-lo, pois é util que todos nós os escutemos, cidadãos, mas também que minha voz ecoe nos ouvidos desses estrangeiros que dormem nas nossas portas.&lt;br /&gt;Novas palmas foram escutadas. Soldados também bateram suas lanças contra seus escudos, agitando ainda mais a multidão naquela tarde.&lt;br /&gt;- O regime que nossa cidade segue não inveja as leis dos nosso vizinhos, pois temos mais o que ser imitado, do que o que imitar. O seu nome é democracia, pelo fato da direção do Estado não se limitar a poucos, como a oligarquia, ou a um único, como a monarquia, mas se estender à maioria. Em relação às questões particulares, há igualdade perante a lei. Quanto ao status, à medida em que cada um é conceituado, não se lhe dá preferência nas honras públicas pela sua classe, mas pelo seu mérito; nem tão pouco o afastam pela sua pobreza, devido à obscuridade da sua categoria, se for cazpa de fazer algum bem à cidade ele terá seu lugar entre os bons!&lt;br /&gt;Caminhando pelo palanque, movendo-se com calma, Péricles continuou:&lt;br /&gt;-  Administramos livremente os assuntos da comunidade, bem como o que toca a mesquinha e recíproca observação da vida dos homens, sem estarmos encolerizados com o próximo por este fazer algo ao seu bel-prazer e sem lhe lançar censuras ao rosto que não são um castigo, mas que chegam sim a importunar. Mas ao passo que vivemos nossas vidas sem causar incômodo, na nossa vida pública, receamos fazer transgressões, pois damos ouvidos aos que se conservam no poder e às leis, especialmente, àquelas que foram estabelecidas para o socorro dos oprimidos e às que, mesmo sem serem escritas, causam em que as transgredir uma vergonha que todos reconhecem.&lt;br /&gt;Alguns olhos nesse instante se puseram sobre Alcibíades, ele sabia o que aquilo queria dizer. Sua vida lascíva, sua pouca idade e empunhando armas, sua língua frouxa, como dizia seu pai, tudo isso incomodava demais os atenienses. Menos o próprio Péricles. Este, nos ultimos anos praticamente o adotara. Frequentava-lhe a casa e a cama, e eles dois dividiam a graciosa companhia de Aspásia, esposa do governador ateniense, que cheia de dons, encantava o jovem rapaz.&lt;br /&gt;Péricles continuava:&lt;br /&gt;- Além disso, nós, grandiosos atenienses, pusemos à disposição do espírito muitas possibilidades de repousarmos das fadigas. Temos competições e sacrifícios tradicionais pelo ano afora, belas casas particulares, cujo encanto próprio expulsa dia a dia os aborrecimentos. Devido à grandeza da cidade, podemos encontrar em Atenas produtos de todos os cantos do planeta, tecidos da China, pimenta da Índia, incenso da Arábia,  cavalos da Ásia, tinta da Fenícia, papel do Egito, e acontece que desfrutamos dos bens locais com não menos familiaridade que aqueles dos outros países. Quão abençoados nós somos!&lt;br /&gt;Um sorriso se colocou na face daquele poderoso homem quando ele disse aquilo. Seu braço esquerdo então se ergueu e apontando para a muralha que cercava a cidade ele falou:&lt;br /&gt;- Distinguimo-nos dos nosso adversários no que respeita os assuntos bélicos no seguinte: nossa cidade sempre esteve aberta, e não há ocasião alguma que um estrangeiro fosse proíbido de entrar em Atenas. Nunca cerceemos seja quem for a oportunidade de aprender ou de ver um espetáculo, cuja observação acabaria por ser útil a algum inimigo, sobretudo na situação que nos encontramos. Sim! Eles sabem onde se encontram nossas fontes de água e quanto tempo elas podem durar. Sim! Eles sabem, porque já estiveram dentro de nossa cidade, convivendo com nossos filhos e muitas vezes dentro de nossas casas, o quanto de ração podemos guardar. Porém, nós, atenienses, não confiamos mais nos preparativos e nas ciladas do que na coragem que brota em cada um dos nossos corações durante a refrega.&lt;br /&gt;Novamente os soldados bateram suas lanças contra os escudos, um urro acompanhou a batida ritmada. Péricles, no entanto, continuava calmo:&lt;br /&gt;- E, na educação, estes outros desde a juventude praticam exercicios penosos procurando alcançar a força viril e fazer crescer dentro de seus corações a coragem; nós, porém, que levamos uma vida pacata e sem constrangimento, não corremos com menos ardor ao encontro de Fobos e Deimos. Eis uma prova deste fato: os espartanos sozinhos não fazem uma expedição ao nosso território, e sim, somente com todos os seus aliados, se puseram a tamanha ousadia; ao passo que nós, sem dificuldade, invadimos o território de várias outras cidades e em terra alheia vencemos a maior parte das vezes aqueles que defendem seu próprio país. E jamais um inimigo se deparou com nossas forças reunidas, por estar uma parte delas empregada na marinha e outra em terra, sempre enviadas em empresas múltiplas. Exatamente como hoje, que nosso exército defende a cidade e nossa marinha ataca a Sicília.&lt;br /&gt;Ele respirou um instante, e novamente se pôs a falar, porém com mais vigor. Notava-se seu punho fechado com força, retesando todos os músculos do braço, Alcibíades reconheceu aquele gesto, o vira várias vezes travar os músculos assim enquanto gozava dentro de suas carnes.&lt;br /&gt;-  Mas, se acaso se defrontam com uma de suas parcelas e superam alguns dos nossos, logo se vangloriam dizendo que coloaram-nos todos em fuga; e se somos nós que o vencemos, afirmam que foram derrotados pela totalidade de nossas forças. Que todos, que totalidade, se não estávamos todos lá? Se, pois, com mais desprendimento do que esforço, com mais hábito do que forçados pela lei, quisermo-nos expor ao perigo, sucede que não padecemos das dores que estão por vir  antecipadamente, todavia, quando chega a ocasião em que a coragem se faz necessária não nos mostramos menos corajosos que aqueles que vivem em contínuo estado de alerta. Por isso, e por muitos outros aspectos, que Atenas é uma cidade digna de admiração, meus caros.&lt;br /&gt;Novas palmas, gritos, urros, e lanças chocando-se contra escudos foram ouvidos, todos de uma única vez fazendo um barulho ensurdecedor que Alcibíades tinha certeza que poderia ser ouvido do acampamento espartano.&lt;br /&gt;- Amamos o belo com simplicidade e prezamos a cultura sem moleza. Servimo-nos dos dons de Pluto mais como meio de trabalho do que como objeto de presunção, e a pobreza não é tida por vergonha, muito mais vergonhoso é não a evitar, trabalhando.&lt;br /&gt;Novos gritos explodiram. Desta vez de um grupo bem mais pobre que se concentrava num canto da praça, muitos conhecidos das tavernas por Alcibíades, o que o fez não conter um leve sorriso e pensar como àquele homem sabia agradar todas as multidões. Era por isso que aquele menino que desprezava Eros com tanto afinco estava rendido pelo menino-deus. Pela primeira vez, Alcibíades se vira apaixonado. Encontrara um homem, símile a um deus, que o desafiava e conseguia vencê-lo. Conheceram-se no ginásio e Péricles nem notou a presença de Alcibíades, o que obviamente atiçou o rapaz, e, aos poucos, conforme conhecia o estadista, percebera que este era o homem por quem esperara tanto tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-9207332725066202555?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/9207332725066202555/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=9207332725066202555&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/9207332725066202555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/9207332725066202555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/11/hipsylon-i.html' title='TAU - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4901320654879073279</id><published>2008-10-20T16:26:00.003-03:00</published><updated>2010-01-12T17:43:32.755-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TAU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Iolau'/><title type='text'>SIGMA - VI</title><content type='html'>A Babilônia não era nada menos do que Aliata tinha contado. Iolau ficou impressionado com o tamanho das muralhas que cerceavam a cidade, parecia que a própria cidade era uma imensa torre. Não era possível alcançar nenhuma das portas se não se subisse uma imensa plataforma cercada de água por todos os lados. A Mesopotâmia era uma terra alagada, uma terra úmida cujo pé afundava em lama, que impressionantemente beirava o deserto.&lt;br /&gt;Eles atravessaram o deserto montados em camelos. Trocaram seus cavalos negros e fortes na última cidade da Judéia, após o mar da Galiléia. Durante dias cruzaram o deserto de oásis em oásis, até verem um mar verde se aproximando. A Mesopotâmia, cuja capital, a Babilônia, ficava no seu centro-sul, era uma terra em que as dunas do deserto se lançavam sobre, mas as dunas, domadas pelo rio Eufrates, tornavam-se lama em suas águas nervosas. Este rio, atravessaram numa ponte rija, feita de madeira, e seguiram por alguns dias ainda até encontrar Babel.&lt;br /&gt;As portas da cidade eram protegidas por dois imensos leões alados com a cabeça de seu rei, Aliata disse-lhes que aquele na verdade era o grande rei babilônico, Nabucodonosor, porém hoje os persas que herdaram a capital diziam que era Ciro, o jovem, seu rei-deus.&lt;br /&gt;- O rei deles é um deus? Assustou-se Iolau.&lt;br /&gt;Aliata sorriu: - Eles acreditam, mas cá entre nós, não passa de um homem que adora a bunda de um belo jovem. E piscou para Iolau. Este se assustou e olhou para Artemidoro apreensivo. Artemidoro olhou-o seriamente, e Iolau entendeu o motivo porque fora trazido junto com seu professor para os confins daquele país de bárbaros. Temeroso, no entanto, ascentiu o próprio destino, repetindo para si mesmo:&lt;br /&gt;- Sou um guerreiro espartano!&lt;br /&gt;Eles atravessaram a porta e desceram dos camelos, deixando-os presos numa estalagem, foram então direto ao palácio do rei, no centro da cidade. Iolau estranhou os homens que se encontravam na rua e beijavam-se nos lábios, não com carinho, mas com respeito. Aliata notou  o estranhamento do jovem e novamente explicou:&lt;br /&gt;- É assim que eles se cumprimentam aqui. Se são iguais, entre si, beijam-se nos lábios. Se um é um pouco inferior, beija aquele que lhe é superior na face; se é muito inferior, o beija nas mãos.&lt;br /&gt;Iolau também percebeu escravos mais brancos do que os morenos persas. E levantou os olhos curiosos para Aliata que novamente o explicou de bom grado: - São hebreus!&lt;br /&gt;E foi um destes que os recebeu na escadaria que levava a porta do palácio. Era uma menina jovem, de cabelos castanhos trançados em volta da cabeça, tinha cílios longos e um olhar feliz e matreiro. Falou num persa ininteligível para Iolau, que Aliata respondeu, virando-se para eles e pedindo que o seguissem. Subiram então a longa escadaria que terminou em frente a uma colunata esguia, coberta de ladrilhos de lapis-lazuli, cujo capitel era a cabeça de carneiros opostas que sustentavam um teto alto, de pedra tingida de um dourado ofuscante.&lt;br /&gt;Seguindo a jovem escrava, acompanharam um corredor de piso e paredes negras como a noite, Iolau conseguia ver seu reflexo cansado e sujo nas paredes, viraram neste corredor na primeira entrada a esquerda e deram num quarto, antes de abrir a porta a menina falou e Aliata concentiu, ela abriu e eles entraram, foi quando ele disse-lhes:&lt;br /&gt;- O rei nos receberá a noite.&lt;br /&gt;Nenhum dos espartanos manifestou nenhuma palavra, mas Artemidoro era o único que não parecia surpreso. Iolau o olhou atônito e  ele foi obrigado a falar-lhe:&lt;br /&gt;- Tu esperas que um rei que se considera um deus receba viajantes maltrapilhos como nós?&lt;br /&gt;Aliata sorriu enquanto puxava a cortina e mostrava aos gregos um imenso banho. Um piscina de água quente cercada por uma colunata coberta com cobre, entre eles e a piscina, duas mulheres nuas, brancas como leite arrumavam uma mesa com frutas, Iolau distinguiu uvas e tâmaras rapidamente.&lt;br /&gt;- Aliata, - disse Artemidoro – diga a estas escravas que se seu rei quer fazer as honras devidas a um hóspede que ele também nos ofereça meninos.&lt;br /&gt;Aliata sorriu e disse em persa a uma das escravas, que riu entre dedos e saiu apressada, não demorou muito e chegaram cinco meninos trazendo vinho, morenos e imberbes, com poucos músculos, mas com nádegas carnudas e coxas roliças. Artemidoro sorriu satisfeito. Ele estava na água, já havia lavado o corpo da poeira da estrada na água quente e ergueu sua taça, um menino de olhos negros como piche, de cabelo da mesma cor preso no alto da cabeça em um pequeno rabo de cavalo, se aproximou. O menino encheu sua taça de vinho puro, sem água como os gregos estavam acostumados, Artemidoro bebeu tudo em um gole e puxou o menino para as almofadas que estavam junto as colunas, este mal teve tempo de guardar jarra de vinho que trazia e logo já tinha o membro rijo do professor entre suas carnes. Os outros soldados riram, diziam a Iolau que Artemidoro não perdia tempo, mas eles logo beberam o vinho, e enebriados agarram também seus meninos, inclusive alguns meninos tendo que satisfazer dois ou três soldados ao mesmo tempo. Aliata agarrou uma das escravas que sorriu satisfeita e gemia fervorosamente enquanto abria as pernas para o fenício. A outra escrava, no entanto, ficou servindo Iolau que, distante, observava a cena.&lt;br /&gt;Ele tomou algumas taças de vinho, não acostumado com a forma que os persas bebiam, logo começou a ver-se embriagado. A escrava tentou conversar com ele, no entanto, o persa dela não lhe soava com nada que parecesse uma língua humana, até que ela disse, apontando para si mesma:&lt;br /&gt;- Sara!&lt;br /&gt;Ele repetiu o gesto: - Iolau!&lt;br /&gt;Ela repetiu o nome dele como se mastigasse e sorriu. Pegou então a mão dele e colocou em sua vagina, Iolau ruborizou e ela sorriu satisfeita, principalmente quando viu que aquele menino de músculos definidos tinha ficado excitado apenas com um toque. Ela o deitou sobre as almofadas em q ele se sentava, e montou sobre ele, Iolau gemeu alto como se um prazer imenso tivesse tomado conta do seu corpo. Sara sorriu e, como se montasse um potente garanhão, fez com que o menino explodisse dentro dela, fazendo-o gritar alto.&lt;br /&gt;Quando ela se levantou, e Iolau conseguiu novamente respirar, o riso de seus camaradas tomou conta daquele banho persa.&lt;br /&gt;- Artemidoro, senhor, este aí dará muitos filhos a Esparta. Disse um dos soldados.&lt;br /&gt;Todos riram concordando. Artemidoro sorriu para Iolau com aprovação e voltou a concentrar-se nas nadegas morenas que se ofereciam para ele ali. Iolau então voltou para dentro da piscina quente, esperando que o vapor o ajudasse a recobrar as forças, pois já anoitecia e eles teriam que ver o rei dali a poucas horas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-4901320654879073279?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/4901320654879073279/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=4901320654879073279&amp;isPopup=true' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4901320654879073279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4901320654879073279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/10/tau-vi.html' title='SIGMA - VI'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4541220412090963314</id><published>2008-10-05T14:36:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:43:55.234-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TAU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Iolau'/><title type='text'>SIGMA - V</title><content type='html'>Iolau ficara abalado com as palavras de temor que Artemidoro deixou-se pronunciar. Naquela noite, ele não conseguira dormir. Artemidoro fora convocado para uma reunião, era tarde, Iolau o viu chegar.&lt;br /&gt;- Não dormes?&lt;br /&gt;- Não consegui.&lt;br /&gt;- Melhor, prepara-te, partiremos em horas.&lt;br /&gt;- Vamos a Atenas? Já?&lt;br /&gt;- Não! Não voltaremos a Esparta, nem iremos a Atenas. Temos uma outra missão.&lt;br /&gt;- Para onde iremos? Perguntou, temeroso e ansioso.&lt;br /&gt;- A Pérsia.&lt;br /&gt;Aquelas poucas letras causaram-lhe arrepios na alma.&lt;br /&gt;- Que faremos numa terra de bárbaros?&lt;br /&gt;- A guerra, meu menino, faz estranhos aliados.&lt;br /&gt;Em poucas horas, fugidos como bandidos, Artemidoro, Iolau e mais dez soldados partiram para o mar. Em poucos dias de marcha encontraram um navio coríntio os esperando. Com a bandeira baixa, como se fugissem, após oferecer um sacrificio a Possêidon, Anfitrite e Tritão e consultar o oráculo de Proteus, eles ergueram as velas, e partiram rumo ao nascer do sol. Semanas se levaram para atravessarem o Egeu, e chegarem a cidade de Tiro, na Fenícia.&lt;br /&gt;Chegando na cidade, Iolau percebeu que todos estavam vestidos. Comentou com Artemidoro, e este disse-lhe que não existe vergonha maior para um bárbaro do que mostrar-se nu. Iolau riu sem nenhum pudor, e reclamou quando recebeu as roupas fenícias para vestir. Uma túnica longa, aberta no peito, atada por cordões de cânhamo, que cobria-lhe os braços com mangas bordadas ricamente e desciam até cobrir suas sandálias.&lt;br /&gt;- Isto é um vestido! Reclamou.&lt;br /&gt;- Devemos passar despercebidos, Ios, não devemos demonstrar que somos gregos.&lt;br /&gt;Todos vestiram-se. Esconderam as armas sobre as túnicas, e passaram ao centro da cidade. Um guia os esperava. Chamava-se Aliata, era um moreno de olhos negros e cabelos curtos, alto, tinha um corpo magro, como se não praticasse exercícios com frequência ou que a fome o tivesse atacado. Eram ambos. Usava dois brincos prateados na orelha esquerda, e um outro cravado na narina direita. Aliata era filho de um grego e uma mulher fenícia, seu pai era de uma das cidades gregas na Ásia, Mitilene, ele contou num grego cheio de sotaque.&lt;br /&gt;- Salve, homens! Já consegui vossos cavalos. Temos que partir logo se queremos chegar ao deserto rápido. Lá os trocaremos por camelos. Estes são melhores para chegar a Babilônia. Disse o fenício assim que os viu.&lt;br /&gt;- Mas não vamos a Pérsia? Questionou Iolau.&lt;br /&gt;- Persepólis é a capital do reino, mas a Babilônia é a cidade onde o rei-deus vive. E é com ele que vós desejais tratar, não é?&lt;br /&gt;A cavalo, os espartanos atravessaram campos e mais campos de dourado trigo. Iolau estava fascinado, olhava para o horizonte e só via montanhas muito distantes. Era uma terra plana e parecia tão fértil e tão fácil de cultivar. Não haviam pedras como era o chão de Esparta e de quase toda Hélade, era tudo macio, terra fofa, onde aqueles homens vestidos dos pés a cabeça plantavam.&lt;br /&gt;Afastando-se do mar, em alguns dias de viagem, no entanto a terra ressecou. Pastores surgiram e Aliata informou que eles estavam atravessando a Judéia.&lt;br /&gt;- Homens perigosos, estes, irrascíveis! - avisou – Crêem num só deus, ao qual são proibidos de dizer o nome. Também cortam o próprio pau. Loucos, eu digo! Loucos!&lt;br /&gt;- Como este país é seco! Comentou Iolau que cavalgava junto ao guia. Perguntando sobre tudo de estranho que via.&lt;br /&gt;- Realmente, – comentou Aliata – acho que foi um grego que disse que é impossível um homem reunir as condições necessárias à felicidade da mesma maneira que nenhum país possui todos os bens de que necessita. Se conta com uns, está sempre privado de outros; o melhor será o que possuir maior número deles. Aqui falta água sim, mas a terra é boa e trazendo água de longe como estes homens aprendem a fazer, há um grande rio logo adiante, o Jordão, e um mar também, chamam de Galiléia, é fácil conseguir transformar este deserto em um jardim.&lt;br /&gt;- Mas disseste que há um mar adiante – perguntou Iolau – precisaremos de barcos?&lt;br /&gt;- Há pescadores lá! Facilmente conseguiremos algum para que nos atravesse.&lt;br /&gt;- Quantos dias?&lt;br /&gt;Aliata não conseguiu evitar o sorriso.&lt;br /&gt;- Apenas algumas horas, menino. Não é um grande oceano.&lt;br /&gt;- E a Babilônia? Como é?&lt;br /&gt;Aliata sorriu e falou:&lt;br /&gt;-  A Babilônia é a cidade mais importante da Assíria. Ali os reis daquele país, antes de ser tomado pela Pérsia, haviam fixado residência. Fica numa grande planície em forma de quadrado, deve ter uns cento e vinte estádios de cada lado. É magnífica!&lt;br /&gt;Iolau parecia estupefato!&lt;br /&gt;- Em volta da cidade há um fosso largo e profundo, cheio de água, adiante se ergue uma muralha feita de tijolos cozidos. Os tijolos foram feitos da própria terra retirada do fosso e, à guisa de cimento, utilizaram betume quente e também caniços entrelaçados. No alto e nas bordas da muralha existem torres de um único andar, cem portas de bronze maciço completam o monumento.&lt;br /&gt;Iolau assustava-se com a descrição. Nunca imaginara uma cidade assim.&lt;br /&gt;- O Eufrates corta a cidade pelo meio. O rio é grande, profundo e rápido, vem da longígua Armêniae desemboca no mar Eritreu. As casas são de três a quatro andares e as ruas retas e cortadas por outras que vão ter ao rio. Frente a estas últimas abriram-se no muro que corre ao longo do rio, pequenas portas, por onde se desce até as margens. Há tantas portas quantas ruas transversais.&lt;br /&gt;- Existem muralhas também dentro da cidade?&lt;br /&gt;- Sim, o muro exterior serve de defesa; mas o interior não é menos resistente, porém mais estreito. A parte central dos dois quarteirões é digna de nota: no primeiro encontra-se o palácio do rei, cujo recinto vasto se acha bem fortificado; no outro, o templo consagrado a Marduk, o grande deus da cidade, cujas portas de bronze são belíssimas. É um quadrado com dois estádios de largura, no meio do qual se ergue uma torre maciça de um estádio de comprimento por outro de largura. Sobre essa torre eleva-se outra, e sobre essa segunda, outra ainda, e assim por diante até completar oito. Do lado de fora construiu-se uma escada em caracol, que dá acesso às oito torres. Essa escada é provida de postos de parada, com cadeiras para descanso dos que sobem. Na última torre encontra-se uma grande capela, e nesta um amplo e bem guarnecido leito, tendo ao lado uma mesa de ouro. Não se vêem estátuas. Ninguém ali passa a noite, a menos que seja alguma filha da terra, eleita pela divindade, como dizem os caldeus, sacerdotes dessa divindade. Na parte inferior do templo de Babilônia há outra capela, onde se vê uma grande estátua de ouro representando Marduk sentado. Ao lado, uma grande mesa de ouro. O trono e o escabelo são do mesmo metal. Tudo isso, segundo informações dos caldeus, pesa oitocentos talentos de ouro. Vê-se também, fora da capela, um altar de ouro, e ao lado desse, outro de grandes dimensões, onde se sacrifica o gado adulto, pois no de ouro só é permitido sacrificar cordeiros ainda não desmamados. Os caldeus queimam também no grande altar, todos os anos, por ocasião das festas em honra do deus, mil talentos de incenso. Havia ainda naquele templo, no recinto sagrado, uma estátua de ouro maciço de doze côvados de altura.&lt;br /&gt;Quando o guia terminou de contar isto, Artemidoro se aproximou e falou, com um sorriso no rosto:&lt;br /&gt;- Eu disse que com esta guerra verias coisas que nunca imaginaste antes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-4541220412090963314?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/4541220412090963314/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=4541220412090963314&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4541220412090963314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4541220412090963314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/10/tau-v.html' title='SIGMA - V'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4212434035890338743</id><published>2008-09-28T16:45:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:44:19.214-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TAU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Iolau'/><title type='text'>SIGMA - IV</title><content type='html'>Iolau marchou com o exército espartano, eles deixaram Tanagra para trás quando as oliveiras começaram a se encher de frutos e o carvalho a cobrir-se com suas folhas cor de bronze para se preparar para o inverno. Atravessaram Mégara orgulhosos, pretendia atravessar Geranéia e o istmo, acompanhavam a praia de pedras, para chegar ao Peloponeso, porém antes de chegar a cidade um mensageiro beócio encontrou o acampamento.&lt;br /&gt;- Os atenienses, espartanos! Os atenieneses!&lt;br /&gt;- Respira, homem! Amparou um general.&lt;br /&gt;- Eles atacaram minha cidade. A Beócia caiu em Oenofita! Mironides era o general deles. Eles tomaram Tanagra também. As muralhas caíram. Foram ao chão. Cada pedra agora faz parte da própria muralha de Atenas, meus amigos, eles roubaram-nos as pedras!&lt;br /&gt;Todos estavam surpresos. Iolau sabia porquê: ninguém esperava que os atenienses voltariam a atacar uma cidade que já os havia derrotado. Não havia honra nisso. Nenhuma! Uma guerra só se vence uma vez. E eles voltaram.&lt;br /&gt;O beócio continuava quase sem respirar:&lt;br /&gt;- Fócis também caiu. Os fócios não agüentaram uma noite de cerco. A Lócria também não existe mais: cem dos seus homens mais ricos foram levados como reféns. Não há mais na cidade uma alma com fibra para levantar-se. Quando Lócris caiu, o eginetas, homens de ilhas, não pensaram nem em levantar as portas da cidade. Renderam-se também! Espartanos, lacedemônios, homens, vocês são nossa última esperança!&lt;br /&gt;Artemidoro não escondia sua revolta. Apertava a lança, quase fazendo-a partir-se, um dos guerreiros gritou então que eles deveriam montar uma assembléia, ali, naquele instante, e todos sentaram sobre seus escudos, foi quando Iolau fazendo o papel de arauto disse:&lt;br /&gt;- Aquele que deseja falar, que tome a palavra.&lt;br /&gt;Artemidoro foi o primeiro a erguer-se, e assembléia o ouviu em silêncio.&lt;br /&gt;- Espartanos! Irmãos! Não há mais o que fazer fora da Ática, cada cidade que nós libertamos, dias depois, aqueles malditos retomam-as de volta. Sair, voltar para a casa não é mais uma possibilidade que temos, só há uma coisa a fazer, e todos nós sabemos qual é. Atenas é poderosa por mar, mas por terra nós somos seu grande temor. Então façamos isso, irmãos, ataquemos, não o exército ateniense acampado em algum lugar. Ataquemos Atenas! Que as muralhas deles caíam aos nossos pés!&lt;br /&gt;Ele terminou de falar e um grito de aprovação tomou conta de todos os presentes, inclusive o jovem Iolau, que mesmo excitado percebeu uma sombra de preocupação nos olhos de Artemidoro. Quando todos silenciaram e se prepararam para marchar de novo, agora para Esparta apenas para reabastecer seus suprimentos e ir diretamente para o coração da Ática e desta guerra: Atenas, ele se aproximou do paidomonos e falou:&lt;br /&gt;- Que te preocupa, Artemidoro?&lt;br /&gt;- Tu me conheces bem, não é Ios?&lt;br /&gt;Iolau sorriu, Artemidoro também.&lt;br /&gt;- Agora a guerra começará de fato, meu menino. Nada do que vistes até hoje será comparado com o que estamos prestes a começar. E não confunda esta minha preocupação com medo, não temo os atenienses, mas não sou um dos amantes de Ares. Prefiro Palas! A guerra sábia, não a batalha.&lt;br /&gt;- Mas Ares que nos transforma em heróis.&lt;br /&gt;- Sim! Porque os heróis são os que morrem jovens, e Ares tem predileção por meninos tal como eu. Palas prefere homens feitos e sábios.&lt;br /&gt;- Aquiles morreu jovem!&lt;br /&gt;- Mas Odisseu voltou para casa. - e como se repetisse só para si - “Filho de Laertes, de linhagem divina, Odisseu, rico em ardis, contente, abandona a luta como todos, antes que o Cronide se irrite contigo”.&lt;br /&gt;- Falas como um covarde que pretende fugir.&lt;br /&gt;- Não sou um destes efeminados. Não temo Thanatos, a morte fria, filha da noite trevosa. Não temo os ferimentos da batalha.  Não temo! Fobos não me governa. Mas não os desejo, e não acho que nenhum homem sábio deveria desejá-los. - e novamente falando mais para si mesmo do que para os ouvidos de Iolau - “Não me abandone jamais a assembléia dos deuses, não veja eu nunca em minha cidade o formigueiro das tropas hostis, não veja eu casas arder em chamas”.&lt;br /&gt;- E citas as mulheres de Ésquilo? Pois tenho uma citação para ti também, meu professor. Da mesma peça, e do monstro Etéocles que o poeta nos faz odiar: “Modera-te, portanto. Não te excedas em manifestações de temor”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-4212434035890338743?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/4212434035890338743/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=4212434035890338743&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4212434035890338743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4212434035890338743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/09/tau-iv.html' title='SIGMA - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-8135614365568734124</id><published>2008-09-10T07:50:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:44:28.731-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TAU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Iolau'/><title type='text'>SIGMA - III</title><content type='html'>Na tenda de Artemidoro, em Tanagra,  Iolau vestia sua armadura e lembrava da conversa que teve com seu professor semanas antes.&lt;br /&gt;- Micenas caiu, meu menino. Muitos dos habitantes de nossa cidade irmã fugiram, os que ficaram são agora escravos dos atenienses, precisamos sim fazer algo.&lt;br /&gt;- É hora de pegarmos em armas?&lt;br /&gt;- Até mesmo Corinto já abandonou Atenas.&lt;br /&gt;- Eles foram traídos, não é?&lt;br /&gt;- Realmente! Corinto sofreu graves reveses enquanto nós esperamos aqui sentados.  E enquanto esperamos os atenienses começaram a construir longas muralhas para o mar, ligando Phalerum ao porto do Pireu. Os foceus mandaram mensageiros ontem mesmo pedindo ajuda, disseram-nos que a Boécia, Citínia e Erínia já os apoiaram. Eles estão formando um exército, mas a casa de Dóris não faz nada.&lt;br /&gt;- Por que Nicomedes e Pleistoanax não agem, Artemidoro? Nossos reis temem o quê?&lt;br /&gt;- A casa de Dóris é a dinastia mais antiga dos Lacedemonios, Ios,  eles fizeram tratados tão antigos que nem meus pais eram nascidos ainda. Eles não podem romper esses tratados. Os filhos de Cleombroto e Pausânias não podem simplesmente esquecer o que seus pais e seus avós fizeram antes deles.&lt;br /&gt;Iolau lembrou que Artemidoro ficou muito nervoso naquele instante e socou a mesa, derrubando o vinho que estava na taça.&lt;br /&gt;- Por Ares! Nós temos o melhor exército de toda a Hélade. Derrotaríamos eles facilmente. Os grandes antenienses! Estes só são grandiosos no mar. Na terra, nós somos os melhores, veja Termópilas, somente trezentos de nós seguramos todo o exército do rei-deus.&lt;br /&gt;Iolau também lembrou que meses depois, o tratado que impedia que Esparta se envolvesse em qualquer batalha contra a cidade de Argos acabou. Argos era aliada de Atenas e, sendo assim, Esparta não podia enfrentar Atenas porque indiretamente estaria enfrentando Argos. Com o fim do tratado, Esparta se armou. Os coríntios foram os primeiros a mandarem mensageiros aos lacedemonios decididos a juntar-se a eles contra sua antiga aliada, que logo organizaram uma infantaria com quinze mil homens e marcharam contra Atenas, juntando-se aos dez mil aliados.&lt;br /&gt;Artemidoro fora convocado meses depois que os primeiros guerreiros saíram de Esparta. E levou Iolau consigo, como seu escanção e seu pajem. Eles encontraram o exército em Tanagra, onde os foceus estavam tentando tomar a cidade. Muitos navios destes gregos foram a pique quando enfrentaram a marinha ateniense no Golgo de Crissaean, o que fez com que todos percebessem que o caminho por terra até Atenas era o mais seguro, por isso, Tanagra era importante, já que aquela altura, Atenas já dominava Mégara e Pegae, sendo impossível cruzar Geranéia.&lt;br /&gt;Os espartanos então consideraram que seria mais seguro permanecer na Beócia e somente em março avançar até Atenas. Ao saber disso, Artemidoro novamente se revoltou, chegou a tenda, ainda em Esparta, onde Iolau o esperava, berrando:&lt;br /&gt;- Eles querem esperar mais? Esperar que os atenienses terminem a muralha em torno da cidade, deve ser! Do que adianta as informações que eu levo a eles, tu viste, não viste Ios? Nas cartas que tu mesmo decifrastes? Eles tem quatorze mil homens nos esperando. Devíamos atacar agora! Aproveitar enquanto eles discutem e brigam pelo poder naquela tola democracia deles.&lt;br /&gt;- Muitos não são a favor da democracia por lá... não é?&lt;br /&gt;- Sim, meu querido, muitos homens desejam se tornarem reis naquela cidade já que nenhum o é por sangue. Deveríamos aproveitar estas convulsões internas e atacar.&lt;br /&gt;Porém os esbravejamentos de Artemidoro não serviram de nada. Apenas em março os espartanos atacaram. Somente em março ele pode também se juntar as tropas e tomar Tanagra.  A batalha foi dura. Os antenienses utilizaram a cavalaria tessália que atacaram os espartanos diretamente, homens a pé, contra carros e cavalos é uma desvantagem enorme.&lt;br /&gt;Iolau viu tudo. Apesar dos seus parcos dezenove anos, ele lutou ao lado de Artemidoro durante toda a batalha. Sua espada e seu coração rapidamente cobriram-se de sangue tessálio e ateniense, enquanto sua pele e se escudo provaram o gosto do metal inimigo. Foi inclusive no dia seguinte que a lança de um tessálio rasgou-lhe a coxa que ele encontrou Alcibíades na batalha.&lt;br /&gt;Coberto de sangue, irreconhecível, Alcibíades gritou:&lt;br /&gt;- Diz quem sois tu, que não gosto de abater gente sem nome.&lt;br /&gt;Iolau riu, e gritou de volta:&lt;br /&gt;- Quem pensas que és, tessálio ou ateniense, um dos heróis de Homero? Que deus te protege para creres que não sentirás tu o fio de minha espada?&lt;br /&gt;- Eu sou Alcibíades, filho de Clínias.&lt;br /&gt;- Por Zeus hospitaleiro! Disse Iolau.&lt;br /&gt;Alcibíades se surpreendeu pela reação do jovem soldado que ele não reconhecia.&lt;br /&gt;- Eu sou Iolau, filho de Ícaro. Tu já foste hóspede do meu pai.&lt;br /&gt;Surpreso, Alcibíades deixou cair seu braço que sustentava a lamina pesada. E começou a rir e a falar:&lt;br /&gt;- “De fato considero que és – e desde muito – um hóspede paterno. Certa vez, no palácio, por vinte dias, o divo Euneu acolheu o imáculo Belefronte. Deram-se, um ao outro, regalos de amizade: Euneu um cinturão de púrpura refúlgida; Belefronte uma taça de ouro puro duplamente lapidada; quando parti, deixei-a em casa. De Tideu, não lembro. Era uma criança quando me deixou e, em Tebas, com o exército acaio veio a perecer”.&lt;br /&gt;Reconhecendo a passagem de Homero, Iolau a completou:&lt;br /&gt;- “Em Argos, para mim, serás hóspede e amigo; se um dia eu for à Lícia, tu me hospedarás. Evitemos, portanto, cruzar nossas lanças, ainda que seja em campo de batalha. Muitos bravos troianos e aliados há para abater, os que um deus me ofereça e aqueles que eu persiga; podendo, muitos aqueus terás para matar. Troquemos, pois, as armas; saibam todos do orgulho nosso do penhor paterno”.&lt;br /&gt;E como Diomedes e Glauco, Alcibíades e Iolau trocaram as armas. Espadas, escudo e couraça, ali mesmo, em meio ao campo de batalha, e partiram cada um para um lado oposto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-8135614365568734124?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/8135614365568734124/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=8135614365568734124&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8135614365568734124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8135614365568734124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/09/tau-iii.html' title='SIGMA - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-6235434070292187408</id><published>2008-09-06T14:44:00.003-03:00</published><updated>2010-01-12T17:44:36.701-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TAU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Iolau'/><title type='text'>SIGMA - II</title><content type='html'>Esparta chorava suas crianças ainda quando os hilotas messênios se revoltaram contra seus captores ancestrais aproveitando-se da confusão que a cidade se tornara. Iolau, Heleno e Alceu souberam que os escravos estavam atacando quando retornavam do funeral de Nikke, cuja vida também fora ceifada pelo terremoto. A parede do seu quarto caiu sobre ela, enquanto ela bordava junto com duas escravas da casa, causando apenas a ela graves e dolorosos ferimentos que lhe foram fatais.&lt;br /&gt;A revolta tomou a cidade, os homens armaram-se para conter os sublevados, mas os meninos ainda eram jovens para participarem da guerra, porém não eram jovens o suficiente para protegerem as mulheres de suas famílias em suas casas enquanto os homens saíam para uma guerra dentro  da própria cidade. Foi por esta situação que Iolau reencontrou Gogo, após anos.&lt;br /&gt;Ao entrar na casa, ela não o reconhecera. Trazendo seu filho a barra de sua saia, não percebeu quem era aquele jovem rapaz, alto e portando armadura que vigiava a porta da vila. Iolau notou isso. Ele, no entanto, a reconheceu facilmente. Os olhos sedutores só estavam um pouco mais apagados e o quadril ondulante um pouco mais largo, mas o colo e as insinuantes coxas continuavam as mesmas. O jovem rapaz aquietou o fogo que tentou penetrar-lhe as vestes saindo da porta da propriedade indo até o extremo oposto para checar se não estavam em perigo, contudo, a noite, quando ela veio trazer-lhe uma quente sopa de lentilhas, foi mais dificil de conter as lembranças.&lt;br /&gt;- Estás mudado, Ios.&lt;br /&gt;- Cresci um pouco. Respondeu ele, visivelmente encabulado.&lt;br /&gt;Ela sorriu um sorriso escondido e estendeu-lhe a tigela com a sopa.&lt;br /&gt;- Come antes que esfrie.&lt;br /&gt;Ele pegou a sopa e já ia beber na própria tigela quando ela lhe ofereceu uma colher.&lt;br /&gt;- Soldados usam isso, não é?&lt;br /&gt;Ele sorriu: - Só em casa.&lt;br /&gt;Ela olhou o céu. A noite estava silenciosa.&lt;br /&gt;- Que silêncio! Nem parece que estamos numa guerra.&lt;br /&gt;- Esta é uma guerra de escravos fugidos, e escravos não tem honra nenhuma para lutar como nós, é uma guerra nas sombras. Eles atacam e fogem. Respondeu Iolau.&lt;br /&gt;Gogo ascentiu e comentou.&lt;br /&gt;- Você fala como se tivesse uma grande experiência na guerra.&lt;br /&gt;Iolau sorriu, sem graça, mas respondeu:&lt;br /&gt;- Não tenho a minha. Mas aprendi com as dos outros.&lt;br /&gt;Ele então tomou um pouco de sopa e depois continuou:&lt;br /&gt;- Então teremos um novo soldado na família em breve.&lt;br /&gt;- Sim! - ela sorriu – ano que vem ele já deixará minha casa.&lt;br /&gt;- Qual o nome do menino?&lt;br /&gt;- Eu gostaria de ter-lhe dado o nome do pai – ela olhou para baixo naquele instante, com um pudor estranho – mas tive que chamá-lo de Diógenes.&lt;br /&gt;Iolau não entendeu o que ela quis dizer com aquilo, afinal o nome do seu primo era Diógenes, e ele era o pai da criança, ou não era? Um deus talvez a tivesse engravidado? Iolau tentou manter sua confusão interna pelas palavras de Gogo em segredo, contudo sua face o traiu.&lt;br /&gt;- Vejo que não entendes, não é?&lt;br /&gt;- Desculpe! Não! Mas não devo me meter nestes assuntos de vossa casa.&lt;br /&gt;- Não! Não deve - e após um curto momento de silêncio, ela disse, virando-se para o interior – devo entrar!&lt;br /&gt;- Obrigado por trazer a sopa.&lt;br /&gt;Enquanto se afastava, Gogo dizia que fora um prazer. Mas ao chegar na porta, ela parou um pouco, como se pensasse se entrava ou não, falou então dirigindo-se a Iolau.&lt;br /&gt;- Sabe o nome que eu gostaria de ter colocado em meu filho?&lt;br /&gt;Iolau voltou-se para ela intrigado, ela continuou.&lt;br /&gt;- Ele deveria ter se chamado Iolau.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-6235434070292187408?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/6235434070292187408/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=6235434070292187408&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6235434070292187408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/6235434070292187408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/09/tau-ii.html' title='SIGMA - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-3999127484028772183</id><published>2008-08-31T13:43:00.003-03:00</published><updated>2010-01-12T17:33:02.639-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='TAU'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Iolau'/><title type='text'>SIGMA - I</title><content type='html'>A terra tremeu. Possêidon estava furioso naquela tarde com o todo o Peloponeso. Naquela tarde calma, calma demais, de outrono, os hilotas colhiam o trigo quando de repente o chão sob eles começou a mover-se. Os escravos do palácio gritaram:&lt;br /&gt;- Grande deus dos mares profundos!&lt;br /&gt;- Movedor de terras!&lt;br /&gt;- Senhor do Helicon e Egéia!&lt;br /&gt;Naquele dia, Iolau deixara-se ficar entre os lençois da cama de Artemidoro. Seu antigo professor, e agora amante, também estava deitado sobre os lençois se recuperando do gozo, quando toda a tenda sacudiu. Os dois saltaram rápido, vestiram o manto que largaram ao sopé do móvel, e saíram. Quando a terra que tornara-se movediça como o mar se estabilizou, um clamor invadiu o acampamento.&lt;br /&gt;- O ginásio! O ginásio!&lt;br /&gt;Gritavam de todos os lados.&lt;br /&gt;- Mortes! Mortes! Passou gritando desesperado um jovem paidós, ensanguentado.&lt;br /&gt;Artemidoro correu, Iolau no seu encalço. Os alunos dele deveriam estar praticando no ginásio naquela tarde. Iolau lembrava da agenda do professor: prática de esgrima. Os meninos lutavam sozinhos, era comum, vigiados apenas pelo pelotão de Irenais. Naquela tarde, o pelotão, Iolau tremeu um instante, seria o liderado por Heleno que estava lá?&lt;br /&gt;Contudo, antes que seu cérebro checasse as anotações mentais que ele fazia todo dia, eles se depararam com a maior atrocidade que o secretário já tinha visto. O prédio desabara. Pedaços de pedra partiram-se e caíram sobre os jovens alunos do paidomonos. Iolau tremia diante da cena.&lt;br /&gt;- Que fizemos a Possêidon? Repetiu para si.&lt;br /&gt;E correu para dentro das ruínas. Heleno só poderia estar lá. Ele pensava. Era o grupo dele que estava lá, ele tinha certeza. Seu coração apertara-se dentro do peito robusto que o treinamente o tinha dado. Iolau era um menino diferente agora, tornara-se um jovem de músculos torneados, contudo não parecia forte. Era ágil, esguio, mas dentro dele uma força de leão estava guardada. Ele sabia disso agora. O contato com Artemidoro fez-lhe perceber isso, ele inclusive sabia que o professor o tinha escolhido para sua cama exatamente por isso. Por ele, apesar de mais novo, ser-lhe um igual.&lt;br /&gt;Tudo isso atravessava a mente dele ao mesmo tempo que ele erguia pedras e encontrava meninos com o crânio ou o tórax esmagado, estes os sortudos, porque outros com membros decepados gemiam de dor enquanto Thánatos levava os outros com suas asas de bronze. Foi quando ele ergueu a parte de uma coluna e sobre ela o abdomên destruído de Tales, o líder do segundo pelotão do paidomonos que Iolau servia.&lt;br /&gt;Um suspiro de alívio tomou conta do coração de Iolau, pois ao vê-lo sua mente encontrou a informação que o pavor não permitia. O pelotão de Heleno estava treinando naquela tarde, em uma campina distante do centro de treinamento. Eles treinavam montaria e como conduzir carros de guerra. Neste instante, no entanto, os olhos frios de um quase morto capturaram os olhos do jovem moreno que conjecturava. Tales sussurrou:&lt;br /&gt;- Iolau?&lt;br /&gt;- Sim, amigo, sou eu! Acalma-te os médicos logo chegarão.&lt;br /&gt;- Não poderei esperá-los, meu caro. Disse num sussurro abreviado.&lt;br /&gt;- Não diga...&lt;br /&gt;- Não tenho muito tempo – interrompeu o jovem cujo baço era o único órgão que permanecera inteiro – faz-me um favor?&lt;br /&gt;- Tudo o que desejares! Disse, ajoelhando-se ao lado dele.&lt;br /&gt;- Diga a Alceu que eu realmente desejava tornar-me um dos trezentos com ele.&lt;br /&gt;Iolau se assustou.&lt;br /&gt;- Promete-me?&lt;br /&gt;- Sim, amigo, prometo!&lt;br /&gt;E, naquela hora, o horroroso irmão de Hipnos, filho da noite trevosa e do inferno profundo o levou do mundo dos vivos. Naquela noite, em Esparta, vinte mil vidas se perderam graças ao rancor de um deus e boa parte da flor da mocidade espartana estava entre eles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-3999127484028772183?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/3999127484028772183/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=3999127484028772183&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3999127484028772183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3999127484028772183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/08/tau-i.html' title='SIGMA - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-8566960346655004526</id><published>2008-08-26T01:49:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:45:59.566-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alceu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SIGMA'/><title type='text'>RO - V</title><content type='html'>Era noite no acampamento espartano, Alceu e Heleno estavam sentados a porta de sua tenda. Heleno olhava as muralhas da cidade adiante, Iolau, próximo a fogueira, era incitado a cantar pelos outros soldados que tocavam cítara acompanhando, os versos chegavam a Alceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cantarei a esplêndida Afrodite,&lt;br /&gt;de ouro e beleza coroada,&lt;br /&gt;cuja as cidades muradas de Chipre todas cultuam&lt;br /&gt;Lá, na ilha, a respiração úmida&lt;br /&gt;do vento ocidental sopra&lt;br /&gt;sobre as ondas do mar de espuma macia,&lt;br /&gt;onde as Horas, de ouro enfaixadas,&lt;br /&gt;deram-lhe as boas-vindas cheias de prazer.&lt;br /&gt;Vestiram-na com roupas celestiais:&lt;br /&gt;em sua cabeça uma coroa fina&lt;br /&gt;e nela perfuraram as orelhas&lt;br /&gt;com brincos do ouro precioso,&lt;br /&gt;e decoraram-na com as colares dourados&lt;br /&gt;sobre seu pescoço macio&lt;br /&gt;e seus busto branco cor de neve,&lt;br /&gt;as jóias elas mesmas sempre usam&lt;br /&gt;quando vão a casa de seu pai&lt;br /&gt;para juntar-se às danças encantadoras dos deuses.&lt;br /&gt;Trouxeram-na então perante todos os deuses,&lt;br /&gt;que lhe deram boas-vindas quando a viram,&lt;br /&gt;dando lhe suas mãos.&lt;br /&gt;Cada um deles então implorou&lt;br /&gt;para conduzi-la a seu leito como sua esposa,&lt;br /&gt;apaixonados pela beleza da Citeréia&lt;br /&gt;coroada de violetas.&lt;br /&gt;Ó doce vitoriosa, deusa de olhar timido!&lt;br /&gt;Concede-me a vitória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alceu sentiu vontade de chorar ao sentir a voz suave de Iolau tocar-lhe a face, teria chorado se não fosse um espartano. E espartanos não sabem chorar.&lt;br /&gt;- Iolau continua cantando muito bem.&lt;br /&gt;Heleno parecia não ouvir.&lt;br /&gt;- Heleno? Chamou Alceu, foi necessário que ele se repetisse inclusive: - Heleno?!&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;- No que pensas tão seriamente?&lt;br /&gt;- Nada, nada! Respondeu Heleno olhando para o solo rochoso sobre o qual estava sentado.&lt;br /&gt;Alceu olhou para o companheiro e fixou seu olhar nos muros da cidade. Respirou fundo e falou:&lt;br /&gt;- Eu o vi hoje.&lt;br /&gt;- Viu? Quem?&lt;br /&gt;- Aquele que tu procuras entre os sentinelas atenienses que nos vigiam da muralha. Alcebíades.&lt;br /&gt;- Q-quem disse que eu procuro por Alcebíades?&lt;br /&gt;- Teus olhos! Disse Alceu repousando a mão sobre o ombro do amigo. Heleno não respondia nada.&lt;br /&gt;Novos versos de Iolau se aproximaram. Mais tristes que os primeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ares, grandioso pela força,&lt;br /&gt;ó guerreiro de elmo dourado,&lt;br /&gt;valente no coração,&lt;br /&gt;protetor e salvador das cidades,&lt;br /&gt;senhor do bronze, forte do braço, nu&lt;br /&gt;poderoso com a lança, defensor do Olimpo&lt;br /&gt;pai da vitória amante da guerra, aliado de Themis,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alceu e Heleno continuavam-se olhando nos olhos. Alceu esperava que Heleno dissesse que ele estava louco, que ele não tinha motivos para ficar procurando por Alcebíades naquela muralha, mas o jovem loiro continuou calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regulador severo do rebelde,&lt;br /&gt;líder dos homens íntegros,&lt;br /&gt;rei portador do cetro dos homens&lt;br /&gt;que giram sua esfera impetuosa&lt;br /&gt;entre os planetas em seus cursos séptuplos&lt;br /&gt;com o Éter ardente que o leva nunca&lt;br /&gt;acima do terceiro firmamento do céu;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu ainda o desejas? Perguntou Alceu apesar daquelas palavras saírem de seu peito rasgando a garganta e quase levando parte de seu coração junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouça-me, ajudante dos homens,&lt;br /&gt;doador de ânimo a juventude!&lt;br /&gt;Verta abaixo de um raio amável sobre minha vida,&lt;br /&gt;e dê-me a força da guerra,&lt;br /&gt;para que eu possa conduzir minha vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heleno continuo apenas olhando para as pedras no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastando a covardia amarga de minha cabeça&lt;br /&gt;e a esmagar abaixo dos impulsos enganadores de minha alma.&lt;br /&gt;Contenha igualmente a fúria afiada de meu coração&lt;br /&gt;que me provoca para esquecer as sagradas leis do sangue.&lt;br /&gt;Abençoa-me, dá-me o arrojo&lt;br /&gt;para sempre habitar dentro das leis inofensivas da paz,&lt;br /&gt;evitando a altercação e o ódio&lt;br /&gt;e os campos violentos da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música parou. A tristeza tomou conta de todos que estavam ali. Os soldados acabaram por se erguer e recolher-se a suas tendas. Alceu ainda esperava uma resposta de Heleno, mas ele ficou ali, calado. Mesmo quando Alceu cansou de esperar e entrou, adormecendo um sono agitado, ao acordar ele descobriu que Heleno nem tinha se levantado do lugar que ele o deixara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-8566960346655004526?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/8566960346655004526/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=8566960346655004526&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8566960346655004526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8566960346655004526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/08/sigma-v.html' title='RO - V'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-5824934071184918032</id><published>2008-07-30T03:22:00.005-03:00</published><updated>2010-01-12T17:45:48.919-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alceu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SIGMA'/><title type='text'>RO - IV</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_AyKr-Pi9azE/SJAKWQbX2gI/AAAAAAAAAbE/qI8DR5x-jYk/s1600-h/Prieto6_copia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_AyKr-Pi9azE/SJAKWQbX2gI/AAAAAAAAAbE/qI8DR5x-jYk/s400/Prieto6_copia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228690544860322306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Éris, a discórdia, e Enyo, a carnificina, são as únicas deusas que acompanham Ares à batalha; os demais deuses tranquilos descansam no amável Olimpo, enquanto os homens culpam Zeus, o ajuntador de nuvens, por não permitir logo um fim a guerra. Implorava-se: “Que se escolha um vencedor”. Enquanto isto não acontecia, perdurava a manhã e crescia o dia, os dardos cruzavam o céu e guerreiros iam tombando. Mesmo à hora no qual o lenheiro larga o machado, e prepara-se para comer sobre a espessa sombra da árvore que ele logo colocará ao chão, os valorosos espartanos rompiam as falanges atenienses, incitando uns aos outros ao longo das linhas. O jovem Alceu abate um ateniense chamado Bienor com seu dardo, que vinha num carro de guerra guiado por Oileu, este último então salta do carro e o enfrenta, contudo, apanhando uma outra lança, Alceu faz com que o elmo de seu inimigo ceda, e o golpe vara o crânio e os miolos se tornam a sangrenta pastagem de abutres que por lá esperam.&lt;br /&gt;Alceu não tem tempo de retirar-lhe os espólios, logo arremete dispondo-se a arrancar a armadura de Iso e Ânfito, dois irmãos, filhos de um poderoso democrata da Ática. Fincou Alceu sua lança no mamilo de um, de um só golpe de espada, à orelha, abateu outro. Sem armas já, tomou a de seus inimigos e como um leão que ataca os filhotes de uma corça e a mãe, apesar de próxima, não pode fazer nada a não ser fugir mata a dentro, os atenientes começaram a recuar fugindo aos espartanos.&lt;br /&gt;A Pisandro e Hipóloco, filhos de Antímaco, um rico comerciante ateniense, Alceu atacou enquanto eles fugiam numa biga. Segurou as rédeas dos cavalos, intentando sofrea-los, mas Pisandro atiçou-os, Alceu porém investiu contra o carro, pulando dentro dele, empurrou logo os dois irmãos que caíram de joelhos, implorando:&lt;br /&gt;- Ó filho de Esparta, valoroso homem! Capturai-nos com vida! Um resgate valioso de ouro, bronze e ferro. Isso e muito mais. Nosso pai há de te acumular se nos poupares a vida. Manda uma mensagem ao palácio de Antímaco e bem verás.&lt;br /&gt;Enojado, Alceu respondeu:&lt;br /&gt;- Sois homens ou o quê, ateniense? Vossa cidade se levantou contra a minha. E vós sois filhos de tua cidade. Agora os filhos pagarão pela injúria paterna.&lt;br /&gt;Usando a lança, Pisandro caiu de imediato ao chão, com as costas no pó. Ao lado, com a espada, Hipóloco caiu com a cabeça degolada, que como pedra pôs-se a rolar.&lt;br /&gt;Do chão subia o pó que as patas dos cavalos levantavam, o ferro batia-se. Alceu matando sempre, gritava para seus companheiros não descansarem, e como o fogo voraz que destrói as árvores de um bosque espesso, o jovem moreno rolava cabeças de atenienses em fuga e poderosos corcéis e carros sem aurigas corriam campina a fora, deixando inúmeras atenienses viúvas.&lt;br /&gt;Naquele instante, Alceu se deparou com Alcebíades na batalha. O belo jovem, que parecia o próprio Ares dentro daquela armadura, também parecia protegido pelo próprio Zeus, projéteis e lâminas deslizavam em torno dele sem o ferir. Ele protegia seus compatriotas enquanto estes tentavam voltar a segurança dos muros da cidade, Alceu os perseguia, urrando, com as mãos ensaguentadas. Tombavam uns de bruços, outros de costas, sob a lança furiosa do jovem espartano. Quando este, no entanto, estava quase chegando aos pés da muralha, um trovão impiedoso rompeu o silêncio daquele céu de fim de tarde. O toque de recolher foi imediatamente imposto, e os espartanos então baixaram as armas.&lt;br /&gt;Mais tarde, Iolau explicou o motivo:&lt;br /&gt;- Ora, Zeus!&lt;br /&gt;- Sim, o trovão foi Zeus dizendo que deveríamos parar. Repetiu Iolau.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5824934071184918032?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5824934071184918032/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5824934071184918032&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5824934071184918032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5824934071184918032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/07/sigma-iv.html' title='RO - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_AyKr-Pi9azE/SJAKWQbX2gI/AAAAAAAAAbE/qI8DR5x-jYk/s72-c/Prieto6_copia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-7338333342689002757</id><published>2008-06-19T20:05:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:45:20.364-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alceu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SIGMA'/><title type='text'>RO - III</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SFrosyKBUII/AAAAAAAAATM/9FtxIz5Ans0/s1600-h/adonis.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SFrosyKBUII/AAAAAAAAATM/9FtxIz5Ans0/s400/adonis.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213735374710460546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era noite. Alceu e Heleno dividiam o mesmo prato de ração. Sentavam-se próximos a uma fogueira e conversavam baixo sobre o dia cansativo, Heleno se questionava quanto tempo aquela guerra iria perdurar. Alceu concordava com ele, avisando que provavelmente muito, mas na verdade, o jovem de cabelos morenos tinha sua atenção voltada para um oficial que os observava de longe. Este se aproximou, e logo retirou o capacete, estendendo a mão, alegremente, para cumprimentá-los.&lt;br /&gt;- Alceu! Heleno! Que bom revê-los!&lt;br /&gt;Ao vê-lo, Heleno silenciou, e apesar de perceber isso, Alceu respondeu ao cumprimento caloroso.&lt;br /&gt;- Boa noite, Alcmeon, quantas batalhas hoje não?&lt;br /&gt;- Sim! Muitas! Soube do sucesso de vosso grupo! Chegou a meus ouvidos as façanhas que vós fizestes hoje.&lt;br /&gt;- Do nosso grupo?! - riu Alceu – Mentes! Tenho certeza que ouvisses apenas falar no grande filho de Crátes, e de nenhum outro mais.&lt;br /&gt;- Não digas bobagens, Alceu. Relou-lhe Heleno.&lt;br /&gt;- Ora – riu o moreno – todos nós sabemos que tua fama é maior que tua habilidade, amigo.&lt;br /&gt;Heleno não conseguiu conter um sorriso diante da piada do menino. Alcmeon, no entanto, continuou:&lt;br /&gt;- Bem, eu ouvi sim falar de Heleno. Por isso vim aqui, inclusive, queria vê-los, sabia que encontraria os dois juntos. Como foi a viagem até aqui?&lt;br /&gt;- Por Zeus hospitaleiro, agora que lembrei – falou alto Alceu – senta-te homem e deixa que eu te sirva um pouco da sopa que tomamos.&lt;br /&gt;- Não é necessário, Alceu, - negou-se o oficial – a sopa pelo menos não. Mas aceito o convite para sentar convosco.&lt;br /&gt;Heleno sentou com os olhos baixos, olhava para o prato e evitava falar, mas Alceu continuava a conversar animado com Alcmeon.&lt;br /&gt;- Que sabes da guerra que nós ainda não, Alcmeon?&lt;br /&gt;Alcmeon sorriu e falou: - Pouca coisa, meu caro, os vossos generais são bem... falantes, digamos...&lt;br /&gt;- Mas então como tu, amigo, entende esta guerra que travamos?&lt;br /&gt;- Pergunta dificil! E que pode levar um espartano a ser acusado de traição. Mas eu me detenho aos fatos, Atenas está enfraquecida: cercados como estão, sem Mégara como aliada, com grandiosas derrotas para nossos aliados no Egito, em Siracusa, em Platéia e em Tanagra.&lt;br /&gt;- Desta batalha tu participaste não foi?&lt;br /&gt;- Sim, meu caro. Tanagra foi meu batismo neste exército.&lt;br /&gt;- E como esta foi?&lt;br /&gt;- Bem, Tanagra foi dois anos depois do terremoto que matou nossas saudosas crianças.&lt;br /&gt;- Sim, lembro-me bem dele. Nós ajudamos no resgate das crianças, não foi, Heleno?&lt;br /&gt;Heleno apenas confirmou com a cabeça.&lt;br /&gt;- Pois é – continuou Alcmeon – eu lembro de vós, principalmente quando os messênios se revoltaram contra nós e lutamos juntos para evitar que eles retomassem a terra que nossos antepassados conquistaram para nós.&lt;br /&gt;- Torpes! Aproveitaram-se da dor que sentíamos quando enterrávamos irmãos.&lt;br /&gt;- Tua irmã morreu no mesmo terremoto, não foi, Alceu?&lt;br /&gt;- Sim, sim, uma dor imensa para minha família. Perder Nikke para os deuses ínferos ainda não foi algo que aceitamos muito bem.&lt;br /&gt;- Meu coração se entristece com tua dor.&lt;br /&gt;- Agradeço. Mas conte-me, esqueçamos a dor de uma morte desonrosa, como foi a batalha?&lt;br /&gt;- Aconteceu em Egina, uma ilha ao norte de Atenas, a maior do mar Egeu. Eles pretendiam tomar a ilha para abastecer seus navios e proteger a cidade  caso a cercassemos como hoje. Nossos espiões descobriram o plano antes que eles pudessem cercar a ilha com uma muralha como esta. Temíamos que com ajuda de Argos e Corínto, que eram aliadas destes demônios enclausurados àquela época, eles mudassem-se todos para a ilha pois os argivos são guerreiros terríveis, como já repetia Homero, e os corintos tem navios tão poderosos quanto os atenienses.&lt;br /&gt;- Eu soube disto... - comentou Alceu.&lt;br /&gt;- Pois bem... nós interceptamos os argivos e os coríntios antes que estes pudessem ajudar os antenienses, e depois atacamos apenas os atenienses. Dividimos as forças deles, atacando um de cada vez, para enfraquecê-los.&lt;br /&gt;- De qual batalha tu participaste, Alcmeon?&lt;br /&gt;- De Tanagra, na própria ilha de Egina, contra estes fascínoras que agora se escondem atrás de muros. Lá eles eram liderados por Nícias, sinceramente, um grande general, lutava com vontade entre seus soldados e tinha uma grandiosa visão de como proceder na batalha. Admito, para um ateniense, ele era um grande soldado. Outro grande soldado da batalha lá, era um menino, da idade de vocês eu acredito, chamava-se Alcebíades, ele realmente se destacou lá.&lt;br /&gt;- Quem?! Alcebíades! - Gritou Heleno, e ergueu-se olhando para as muralhas, falando como quem se dá conta de algo que não havia pensado ainda, bem baixinho, mas o bastante para Alceu ouvir – ele está ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem: Adônis (escultor desconhecido) - século V - Museu de Louvre&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-7338333342689002757?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/7338333342689002757/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=7338333342689002757&amp;isPopup=true' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/7338333342689002757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/7338333342689002757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/06/sigma-iii.html' title='RO - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SFrosyKBUII/AAAAAAAAATM/9FtxIz5Ans0/s72-c/adonis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-3854626584838519175</id><published>2008-05-30T00:50:00.003-03:00</published><updated>2010-01-12T17:32:19.529-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alceu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SIGMA'/><title type='text'>RO - II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SD96MtZ52SI/AAAAAAAAAS0/VdHwQCrkolw/s1600-h/eneida2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SD96MtZ52SI/AAAAAAAAAS0/VdHwQCrkolw/s400/eneida2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206014053028845858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A guerra não é algo saudável de lembrar. Tanto sangue. A sensação de perfurar um músculo ou de atingir um coração. Alceu descobriu na sua primeira batalha que a espada vibra ao encontrar um coração, como se o último batimento cardíaco ecoasse por seu braço. Seu regimento, liderado por Artemidoro, fora selecionado para atacar um grupo de mercadores que tentava se aproximar das muralhas para abastecer a cidade. Eles vinham protegidos pelo exército dos aliados atenienses, ele não sabiam bem se eleusinos ou beócios, somete atacaram. Era um regimento pequeno contra um pequeno exéricto que tentava passar despercebido, numericamente eles estavam equilibrados, contudo, Artemidoro comandava espartanos.&lt;br /&gt;Alceu, ao lado de Heleno, ouviu apenas um assobio imitando o piar de uma coruja. Foi quando todos os guerreiros espartanos caíram sob os mercadores como uma tempestade enviada por Zeus.&lt;br /&gt;- Sem prisioneiros! Gritou Artemidoro.&lt;br /&gt;A espada de Alceu então logo se tornou pesada sobre a pele de seu inimigo. Coberto de sangue, o jovem foi batizado. Lutava lado a lado com Heleno, protegendo as costas deste, enquanto ele também o protegia. Atacavam, caminhavam e pensavam em uníssono. Compensando as falhas do outro, antes que este percebesse que as havia cometido. Em um momento, inclusive, seus olhos se encontraram, e Alceu sentiu que tudo que passara fora por um motivo: ele devia estar ali, naquele instante, ao lado de Heleno, pois este precisava do seu escudo, e ele precisava da espada dele.&lt;br /&gt;Enquanto Alceu devaneava sobre isso, aqueles olhos azuis se fixaram atrás dele, em um único movimento, o menino loiro puxou-o pela nuca e colocando seu escudo de pede de cabra diante das costas no menino moreno evitou que um dardo o ferisse, este explodiu na égide, fazendo todo o corpo de Heleno vibrar. Alceu logo pôs-se de pé, de costas para seu salvador, ergueu a própria espada, com a mão direita, e o escudo preso no ante-braço esquerdo. Ele fixou seu olhar em outro guerreiro. Um homem de pouco mais de trinta anos, de pele massenta e cabelos negros curtos, que logo largou sua espada em direção a ele. O jovem moreno protegeu-se com o escudo, empurrando a espada para a esquerda, e girando o pulso, abriu o ventre do homem, fazendo-o cair, gemendo de dor. Heleno, atrás dele, lutava com o outro que lançara o dardo em Alceu, acabara de colocar-lhe de joelhos e este implorava por misericórdia, mas sem pensar duas vezes o jovem loiro apenas puxou-lhe os cabelos e separou a cabeça do pescoço entre a quarta e quinta vértebra, fazendo-o escorregar inerte ao chão.&lt;br /&gt;Logo adiante, Alceu observou Iolau. Altivo, ele derrubara dois homens ao mesmo tempo. Um ele ferira na clavícula, fazendo jorrar sangue, enquanto o outro havia sido atingido pela borda do escudo na têmpora, indo ao chão, zonzo. Naquele instante, Iolau varou-lhe o figado e o baço com a própria lança que o guerreiro carregava, com força o bastante para prendê-lo ao chão. Um terceiro guerreiro logo se seguiu, girando a espada para que ela o ferisse, mas Iolau se abaixou, aproveitando em seguida para projetar sua lâmina na altura do rim do soldado. Vendo-o se mover, Alceu lembrou dos versos que Clício gostava de recitar: Homero, cantando a peleja de Glauco e Diomedes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;“Palas Atena, agora, em Diomedes,&lt;br /&gt;filho de Tideu incute audácia e  ardor,&lt;br /&gt;para que assim a todos os aqueus se sobressaia&lt;br /&gt;e a Clio possa contar-lhe a bravura.&lt;br /&gt;Inflama no escudo e no elmo o fogo vívido,&lt;br /&gt;que como a estrela do outono lampeja,&lt;br /&gt;depois de banhar-se no Oceno.&lt;br /&gt;Na cabeça e nos ombros&lt;br /&gt;Atena acende-lhe a mesma aura de fogo,&lt;br /&gt;então o impele para onde o combate mais se acirra”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-3854626584838519175?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/3854626584838519175/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=3854626584838519175&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3854626584838519175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3854626584838519175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/05/sigma-ii.html' title='RO - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SD96MtZ52SI/AAAAAAAAAS0/VdHwQCrkolw/s72-c/eneida2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4357404082092894560</id><published>2008-05-22T13:20:00.002-03:00</published><updated>2010-01-12T17:31:45.862-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alceu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='SIGMA'/><title type='text'>RO  - I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SDWf-9Z52RI/AAAAAAAAASs/FINcLPkE94s/s1600-h/GRH08036.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SDWf-9Z52RI/AAAAAAAAASs/FINcLPkE94s/s400/GRH08036.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203240848480393490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Ide, jovens de Esparta, cidade de homens corajosos, filhos de pais e cidadãos livres, com a mão esquerda brandam o vosso escudo, e agitem a vossa lança, sem temer pelas vossas vidas, pois isso não é tradição em Esparta. Mantenham-se firmes na linha de frente e não temam o número de inimigos. A escuridão da morte deverá ser tão bem recebida quanto a luz do sol.&lt;br /&gt;Essas palavras ecoaram nos ouvidos de Alceu durante toda a marcha de Esparta ao sopé do muro que protegia Atenas. Tirteu convocara os jovens espartanos a lutar junto aos seus, pois a guerra contra a cidade de Palas que explodira a mais de uma olímpiada atrás só se estendia. Agora, com vinte e cinco anos, os últimos gastos na preparação para esta guerra que lhe rendeu cicatrizes que cobriam seu peito largo e robusto, além do braço esquerdo, grosso como um galho de uma frondosa árvore. Já no seu rosto, Hélios havia impresso as marcas do elmo de metal que protegia seu crânio, da mesma forma que em suas coxas, marcadas também pelo couro e pelo fio da espada.&lt;br /&gt;Ele chegara no acampamento, visando reforçar as fileiras espartanas na frente de batalha, com a noite rompendo. Assim que chegou, ele e Heleno despejaram as coisas que traziam nas costas no chão. Ele se espreguiçou e ouviu uma voz forte e grossa em suas costas dizer:&lt;br /&gt;- Que bom que chegaram!&lt;br /&gt;Alceu se virou e encontrou um homem magro, mas forte. Usava uma couraça de bronze que esculpia poderosamente seu torso, o qual estava coberta com uma capa curta. Seu sexo estava coberto por um saiote de couro grosso, feito em tiras com belas encrustações de bronze em forma de serpentes enroladas sobre si mesmas, essas tiras permitiam um movimento mais tranquilo para as coxas, garantindo a proteção necessária. Nas pernas, usava uma sandália até metade de sua panturrilha que prendia uma caneleria de bronze que protegia-lhe a parte dianteira da perna. E seu cabelo, negro e oleoso, escapava-lhe do elmo que trazia escondendo-lhe o rosto, porém, mesmo assim, Heleno o reconheceu.&lt;br /&gt;- Ios?! Como estás mudado!&lt;br /&gt;- Iolau?! Questionou, surpreso, Alceu.&lt;br /&gt;- Sim, amigo, – disse retirando o elmo e sorrindo, o que iluminou seu rosto – sou eu!&lt;br /&gt;- Muito diferente! Muito mesmo! Repetiu, feliz, Heleno.&lt;br /&gt;- Parece... - conteve por prudência Alceu, afinal Iolau era-lhe um oficial superior.&lt;br /&gt;- Pareço um guerreiro espartano, Alceu? Sim! Foi no que me tornei – sorriu Iolau – Cinco anos de guerra fazem isto a qualquer menino – falou enquanto levantava os braços, e depois se virando, colocando a mão no ombro dos amigos – Reservei uma cabana para vós próxima a minha. Sigam-me.&lt;br /&gt;Alceu e Heleno pegaram novamente suas coisas, armas, armaduras, roupas e um pouco de alimento, e seguiram Iolau, continuando a conversa:&lt;br /&gt;- E como tem sido estes anos, Ios?&lt;br /&gt;- Guerra, meus caros, guerra! Mas vós ainda continuardes na escola, então, contem-me o que se passou em Esparta desde que eu vim para este cerco, juntamente com Artemidoro.&lt;br /&gt;Alceu e Heleno se olharam felizes e sorriram.&lt;br /&gt;- Ah, sobre vocês estarem juntos não precisa me contar. Tuas cartas, Heleno, já me contaram tudo. O que quero saber é sobre as planícies do Europtas, continuam verdes como me lembro?&lt;br /&gt;- Sim – respondeu Alceu – verdes como tu te lembras.&lt;br /&gt;E riram os três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem: Hoplita Correndo - Afresco - 530 a.C. - Museu Arqueológico de Atenas &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-4357404082092894560?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/4357404082092894560/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=4357404082092894560&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4357404082092894560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4357404082092894560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/05/sigma-i.html' title='RO  - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SDWf-9Z52RI/AAAAAAAAASs/FINcLPkE94s/s72-c/GRH08036.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-145702473125649092</id><published>2008-05-14T13:18:00.000-03:00</published><updated>2008-05-14T13:31:18.997-03:00</updated><title type='text'>PI - V</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SCsSilcYfqI/AAAAAAAAASc/IwoX_3LJga0/s1600-h/banque_1.jpe"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SCsSilcYfqI/AAAAAAAAASc/IwoX_3LJga0/s400/banque_1.jpe" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200270580105379490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era a última noite daquele recesso de inverno, Heleno e Alceu estavam na casa de Iolau. Em torno do fogo, os homens da casa se reúniam para beber vinho e conversar sobre política. Etolo era o único ausente dos filhos de Ícaro, que muito idoso apenas sentava-se observando, nem bebia, nem falava, apenas observava sorrindo de vez em quando. Iolau, o irmão mais velho, que falava naquele instante:&lt;br /&gt;- Tenho certeza, pelo sangue que corre em minhas veias, que não entraremos em guerra contra Atenas. Seria errôneo. Pecado até. Afinal descumpriríamos o nosso tratado com Argos.&lt;br /&gt;- Crês mesmo nisso? Perguntou Halmo, o segundo filho de Ícaro.&lt;br /&gt;- Claro! Somos espartanos e guerreiros, mas do que adianta habilidade se ofendermos os deuses?&lt;br /&gt;- Do que adianta tanta presteza se não defendemos nossas posições? Respondeu Iolau, o caçula, de forma tão ríspida que surpreendeu a todos os presentes.&lt;br /&gt;Iolau, o velho, respondeu rindo:&lt;br /&gt;- Que sabes sobre isto, moleque?&lt;br /&gt;- Sei o que vejo ser discutido diante dos meus olhos pelos generais de nossa cidade. Esparta vai entrar em guerra sim, não há tratado que proteja Atenas agora que eles se aliaram a Siracusa e nossos espiões dizem que eles estão tentando se favorecer com um tratado com Mégara. Eles estão nos cercando. Ou fazemos algo agora, ou nunca mais faremos...&lt;br /&gt;Todos estavam assustados com o tom usado pelo menino ainda magrelo.&lt;br /&gt;- Os generais são alarmistas – tentou acalmar os ânimos Ícaro, o terceiro filho que tinha o mesmo nome do pai – porque não podemos permitir o poder de Atenas sobre a Ática, enquanto nos contentamos com o Peloponeso?&lt;br /&gt;- Por que tu imaginas, meu irmão, que Atenas se contentará com a Ática? Aqueles homens, se é que podemos chamá-los assim, tem mais ambição sobre seus ossos do que carne. A eles nunca interessará apenas uma parte da Hélade, a eles só a interessa completa.&lt;br /&gt;- Um império? Questionou Halmo.&lt;br /&gt;- Sim! - respondeu o caçula - Como eles aprenderam com os persas.&lt;br /&gt;- Mas eles não se gabam de sua democracia? – perguntou Ícaro, o terceiro varão – Ela permite isso?&lt;br /&gt;- Tudo é perdoado quando o teu deus é Pluto! Respondeu Alceu, citando uma frase que seu pai sempre repetia.&lt;br /&gt;- Calais, traz mais vinho – gritou Halmo para o escravo que os servia – Então eles macularão o regime que tanto idolatram apenas para enriquecer mais? Criminosos!&lt;br /&gt;- E passarão por cima de nós, se permitirmos. Falou o caçula Iolau.&lt;br /&gt;Mais vinho foi servido. Heleno encheu sua taça e tomou tudo em um gole só e, em seguida, ergueu-se dizendo:&lt;br /&gt;- Chega o meu momento de partir.&lt;br /&gt;- Acompanho-te, Heleno. Falou Alceu.&lt;br /&gt;- Tenham uma boa noite, amigos - falou Iolau, acompanhando-os até a saída – que Hécate e Hermes vos protejam até as soleiras de tuas portas.&lt;br /&gt;O jovens rapazes se abraçaram e Heleno e Alceu seguiram seu caminho. Heleno estava rubro pelo vinho, Alceu havia bebido menos, mas Heleno estava tomando coragem e sabia que Dionísio poderia ajudar-lhe a dizer as coisas que estavam presas em sua garganta.&lt;br /&gt;- Alceu?&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;- Meu pai tem perguntado muito de você.&lt;br /&gt;- Mesmo? Por quê?&lt;br /&gt;- Ele diz que devemos sempre ficar juntos. Que sua amizade é um bem precioso que eu devia manter.&lt;br /&gt;Envergonhado, Alceu baixou a cabeça e manteve-se em silêncio.&lt;br /&gt;- Ele diz que como nossos pais foram amigos, nós também deveríamos ser. Ele diz... que só tu és digno de mim.&lt;br /&gt;Com a face ruborizada, Alceu falou: - E o que isso quer dizer?&lt;br /&gt;Heleno parou diante dele. O menino loiro usava apenas um manto curto, bordado nas laterais com desenhos geométricos, cor de açafrão, que deixavam-lhe os braços fortes livres, mas cobria até metade de sua barriga, revalando apenas o umbigo, os músculos do abdômen que descem até a seus loiros pêlos pubianos e claro suas poderosas pernas. Ele levantou o rosto de Alceu que era um ínfimo mais baixo que Heleno, este usava um manto mais comprido, que cobria-lhe os braços também e chegava quase a esconder seu sexo, apenas ele e suas coxas com ralos pêlos morenos estavam visíveis. Heleno então levantou-lhe a cabeça, segurando pelo queixo, olhou profundamente nos olhos castanhos de Alceu, que brilhavam pela expectativa.&lt;br /&gt;- Acho que quer dizer...&lt;br /&gt;Heleno sussurrou enquanto aproximava seus lábios dos macios lábios de Alceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem: O Banquete (Ânfora de figuras vermelhas) - século III a.C. - Museus do Louvre&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-145702473125649092?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/145702473125649092/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=145702473125649092&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/145702473125649092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/145702473125649092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/05/pi-v.html' title='PI - V'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SCsSilcYfqI/AAAAAAAAASc/IwoX_3LJga0/s72-c/banque_1.jpe' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-2510574282210060699</id><published>2008-05-08T15:17:00.000-03:00</published><updated>2008-05-08T15:26:49.061-03:00</updated><title type='text'>PI - IV</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SCNEebNXF7I/AAAAAAAAASU/Mb2lGQ15BhU/s1600-h/gregos3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SCNEebNXF7I/AAAAAAAAASU/Mb2lGQ15BhU/s400/gregos3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198073684406245298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã do dia seguinte, Heleno acordou na sua cama de peles, enrolado, sentindo um frio que subia-lhe pelos pés, com seu pai Crátes o chamando.&lt;br /&gt;- Acorda, menino! - era como se ele sorrisse pelas palavras – Tu prometeste uma luta com teu pai. Estou esperando.&lt;br /&gt;Ele se levantou e um escravo já o esperava com água quente para lavar-lhe os pés e o rosto. O escravo o untou com óleo e nu, apesar do frio, Heleno encontrou o pai no jardim da casa.&lt;br /&gt;- Que bom! Já está pronto!&lt;br /&gt;- Chamaste e atendi, general. Forçou Heleno um sorriso.&lt;br /&gt;Crátes sorriu de volta, e retirou sua túnica. Seu corpo talhado por anos de exercício ficaram a mostra. Ombros largos coroavam um peitoral rijo, que se destacava do tórax, como se a pele fosse apenas um papiro fino que cobria pedras, na cintura estreita mal cabiam-lhe os músculos do abdômen que saltava aos olhos e agora lustravam-se com o óleo de oliva que ele espalhava pela pele. O pêlos negros que decoravam-lhe o peito e desciam pela barriga apenas destacavam a masculinidade daquele homem próximo aos deuses As pernas eram toras macias e ao mesmo tempo rijas que tinham que ser poderosas para sustentar aquele corpo grandioso. Os braços, os últimos a receberem o óleo, eram fortes e também recobertos pelo mesmo papiro fino que quando ele retesava o músculo parecia que poderiam rasgar a qualquer momento.&lt;br /&gt;Eles se prepararam. Cada um ficou apoiado em um joelho diante do outro. Logo travaram-se num embate. Os braços de Heleno seguravam a cintura do pai e tentava movê-lo. Crátes tentava abrir-lhe o abraço. O óleo evitava o atrito. Os braços escorregavam um na pele do outro. Os músculos das costas de Heleno ficavam cada vez mais visíveis conforme ele tentava erguer o pai, suas nádegas travaram quando ele finalmente levantou o grande Crátes do chão e o empurrou, fazendo-o cair de costas. Crátes gemeu e sorriu, no chão, envolveu o filho com as coxas, que menor e ágil, escorregou por entre elas aproveitando-se do óleo. E acabou colocando o joelho sobre a garganta do pai.&lt;br /&gt;- Acho que estou morto - riu alto o pai – muito bem, realmente um soldado.&lt;br /&gt;E levantou-se. Heleno já se colocara na posição inicial. Crátes se caminhou para ela de novo e no caminho perguntou:&lt;br /&gt;- Tens treinado muito?&lt;br /&gt;- Sempre, pai, com Alceu.&lt;br /&gt;Crátes pensou um pouco e falou:&lt;br /&gt;- Que pensas deste, Alceu, filho?&lt;br /&gt;- Ele é um bom amigo, pai.&lt;br /&gt;- Sabes que o pai dele fora meu amigo também, não é?&lt;br /&gt;- Sim, meu pai.&lt;br /&gt;E recomeçaram a luta. Desta vez, Crátes atacou diretamente os braços do menino, que sem poder mover-se, encaixou suas pernas lisas e lustrosas agora na cintura do pai, apertando as coxas por sobre o rim do general, apesar da dor que o pai demonstrava por sua expressão, ele não largou os braços do menino, com calma, deitou-lhe ao chão e com um braço tentou apertar-lhe a garganta, contudo, quanto mais presão fazia, mais o menino apertava-lhe a cintura com as pernas. Mas logo, ele fraquejou.&lt;br /&gt;- 1 a 1. Riu Crátes.&lt;br /&gt;- Pai?&lt;br /&gt;- Sim! Tu nunca contaste-me como era a tua amizade com o pai de Alceu.&lt;br /&gt;Crátes então ajoelhou-se de novo. Heleno fez o mesmo, mas desta vez o pai o guiou para ele ajoelhar-se de costas para ele.&lt;br /&gt;- Tentas fugir, certo?&lt;br /&gt;Heleno concordou.&lt;br /&gt;- Filho, eu e Amintas éramos muito próximos. Eu o amei profundamente. Mas ele resolveu casar e meu pai também exigiu isto de mim. Nossos pais exigiram, devo dizer. Nossas famílias nunca pagaram a multa por não dar novos filhos a Esparta, por isso, mantivemos a tradição.  Aprendi muito com Amintas, assim como tu tem aprendido com Alceu, isto é o melhor de amar os amigos: tornamo-nos mais corajosos perante eles.&lt;br /&gt;Heleno imaginou por um instante que seu pai achava que ele e Alceu eram companheiros, ele quis negar, mas um pensamento rasgou-lhe a mente: “Por que não ser?”. Mas agora ele estava com Tales, inclusive na noite anterior eles tiveram uma conversa enquanto voltavam do encontro com os jovens da Kriptéia. Toda a conversa voltou em instantes a memória de Heleno:&lt;br /&gt;- Não achas muito cedo para escolher teu philolacon?&lt;br /&gt;- Muitos os conhecem durantes os Irenais...&lt;br /&gt;- Ainda assim acho cedo.&lt;br /&gt;- Cedo? Bem, eu achava que o tinha encontrado em Clício...&lt;br /&gt;- Como é? Clício?!&lt;br /&gt;- Sim. Éramos amantes.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Sim. Ali éramos jovens demais.&lt;br /&gt;- Pelos deuses!! Muito... mas muito jovens... como vocês... como você pode?&lt;br /&gt;- Do mesmo jeito que você e Alcebíades podiam ou você já era um Irenai ano passado?&lt;br /&gt;- Tu sabias?&lt;br /&gt;- Claro que sabia! Todos sabiam! Ou tu achas que não foi muita coincidência ele começar a cavalgar conosco de uma hora para outra? Eros não respeita as leis de Esparta, Heleno, acalma-te. Mas, para ti, achas que o único problema de Tales sejam seus dezesseis anos?&lt;br /&gt;- Não. Só não o acho digno de ti.&lt;br /&gt;Antes ele havia dito que não o achava digno por causa de uma antipatia gratuita, mas com as palavras de seu pai, essa antipatia começou a tomar uma forma diferente. Seria ciúme?&lt;br /&gt;Crátes continuou:&lt;br /&gt;- Acho que seria bem proveitoso para ti ficar sempre perto de Alceu.&lt;br /&gt;- Proveitoso! Repetiu Heleno enquanto seu pai o jogava novamente por terra, fazendo suas costas explodirem contra o chão duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem: Prato de figuras vermelhas - século III a.C. - Museu de Atenas&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-2510574282210060699?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/2510574282210060699/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=2510574282210060699&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2510574282210060699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2510574282210060699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/05/pi-iv.html' title='PI - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SCNEebNXF7I/AAAAAAAAASU/Mb2lGQ15BhU/s72-c/gregos3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-1662969896088468824</id><published>2008-05-05T00:15:00.000-03:00</published><updated>2008-05-05T00:57:56.084-03:00</updated><title type='text'>PI - III</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SB596xu2laI/AAAAAAAAARs/wdRL10EhkIE/s1600-h/escravos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SB596xu2laI/AAAAAAAAARs/wdRL10EhkIE/s400/escravos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196729468767868322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Bem sabeis que trabalhamos em grupos pequenos, não é?&lt;br /&gt;- Duplas! Respondeu Alceu, ansioso.&lt;br /&gt;- Exatamente! - sorriu Alcmeon, do alto de seus 21 anos, através de seus olhos castanhos que faiscavam – Portanto, tu irás com Etolo – e apontou para Alceu – e tu, comigo, filho de Crátes.&lt;br /&gt;Heleno gaguejou tentando declinar da oferta, percebendo segundas intenções no olhar do jovem, mas Alcmeon não deu-lhe outra opção, se ele gostaria de ver a caça aos escravos e participar mesmo sendo apenas um Irenai precisava aceitar. E assim o fez.&lt;br /&gt;- Dêem-lhes um espada para cada um deles – ordem cumprida rapidamente – e espero que vós sabeis usá-las – continuou Alcmeon –, pois até os escravos em Esparta são guerreiros natos.&lt;br /&gt;Eles se dividiram e em duplas partiram para diversos pontos da cidade. Heleno percebeu que Etolo levara Alceu para o ponto mais alto da cidade, enquanto Alcmeon, entre sombras o levava para um bosque de carvalhos a leste da cidade, consagrado a Zeus. Assustado, Heleno respondeu:&lt;br /&gt;- Podemos atacar um escravo aqui?&lt;br /&gt;- Não! - e com um sorriso que cada vez mais assustava Heleno – Mas se esperarmos aqui, evitaremos que algum escravo fuja e proteja-se aqui.&lt;br /&gt;- Então não os caçaremos?&lt;br /&gt;- Isto é serviço para soldados, não para futuros generais, como eu e tu, filho de Crátes – pela primeira vez, Heleno notou que o epiteto que Alcmeon utilizava para referir-se a ele não era usado em tom de escárnio e sim com um carinho surpreendente – sabes, Heleno, nós, que somos de uma estirpe superior, filhos de grandes generais, deveríamos sempre ficar juntos, acho, seria útil para nós.&lt;br /&gt;Falando isso, Alcmeon se aproximava de Heleno. Chegou perto o bastante para retirar um cacho do cabelo loiro do menino e prender-lhe atrás da orelha, voltando e acariciando um rosto assustado que observava, mas não entendia, o que se passava.&lt;br /&gt;- Acho que os bons philolacons são aqueles que são parecidos, desde a própria linhagem...&lt;br /&gt;Somente quando Heleno ouviu o rapaz falar sobre os philolacons que ele percebeu as verdadeiras intenções que se passavam por trás daqueles olhos castanhos. Mas, enquanto pensava nisso, apenas sentiu lábios quentes e úmidos, tocarem os seus, e logo uma língua ávida tentar penetrar na sua boca. Heleno empurrou Alcmeon que, sendo mais forte, enlaçou-o e não permitiu que ele se afastasse. Heleno sentia sua excitação rocando-lhe nas suas coxas.&lt;br /&gt;- Tua boca é doce como eu imaginei.&lt;br /&gt;- Solta-me.&lt;br /&gt;Alcmeon sorriu e realmente afrouxou os braços que prendiam o menino, mas não o largou, apenas, rapidamente, levantou-lhe a túnica e  engoliu o membro ainda mole do adolescente que rapidamente reagiu.  A cabeça de Heleno foi invadida por uma tortura infernal: ele desejava aquele toque, aquele prazer, mais do que tudo naquele ano; mas não queria que Alcmeon fosse o responsável por dar-lhe aquele prazer. A razão dizia-lhe: “não, desvencia-te deste biltre efeminado”, mas seu corpo não reagia e ele se deixava ficar até explodir num gozo que surpreendeu até mesmo o experiente jovem que não conseguiu reter todo o prazer que jorrava do menino loiro.&lt;br /&gt;Alcmeon levantou-se exibindo um sorriso satisfeito, enquanto limpava o rosto na túnica que usava. Heleno, no entanto, estava envergonhado. Recompôs-se o mais rápido que pode. E como uma corça assustada, se afastou de Alcmeon, e não fugiu correndo, porque o prazer foi-lhe tão intenso que suas pernas agora tremiam. Tentou gaguejar algum protesto, mas as palavras também fugiam dele, como o ar de seus pulmões.&lt;br /&gt;- Não te envergonhes – disse Alcmeon -, isto é completamente normal entre os homens. Todos o fazem, antes de casar, e os philolacons, que não se casam, continuam fazendo sempre. Como percebo que tu gostaste, podeis sempre que quiser...&lt;br /&gt;- Eu sei que os homens fazem esta espécie de coisa – respondeu Heleno, ao reunir todas as suas forças -, não sou uma criança idiota. E também tu não foste-me o primeiro a sugar-me.&lt;br /&gt;- Não?! - gritou Alcmeon com sincero ciúme – E quem se atreveu a tanto? Foi aquele Iolau, não foi?&lt;br /&gt;- Não, não foi o Ios. E não te interessa com quem foi de fato, mas mesmo que eu dissesse, provavelmente tu não o conheces. Ele não é espartano.&lt;br /&gt;Alcmeon parecia ultrajado e humilhado.&lt;br /&gt;- Por Hades! Um escravo, por acaso?&lt;br /&gt;Imaginara logo ele com asco, que um escravo teria tido a coragem de tocar no corpo de um menino livre. E além do mais, que tivesse tido a coragem de tocar o corpo de Heleno, daquele que lhe pertencia. Heleno não precisou aprender a ler mentes para perceber que era isso que Alcmeon estava pensando.&lt;br /&gt;- Não, eu não me deitaria com um hilota. Ora. Nem um escravo, nem um perieco, sei que seria degradante para qualquer espartano se envolver com agricultores, mercadores ou escravos.&lt;br /&gt;- Então...&lt;br /&gt;- Realmente insistes, não é? Aconteceu em Melos, inverno passado.&lt;br /&gt;Alcmeon estava possesso e avançou sobre Heleno, já retirando sua espada e apontando para Heleno.&lt;br /&gt;- Como te atreves a trair-me?&lt;br /&gt;- Trair-te?&lt;br /&gt;- Eu te amo e esperei por ti todos estes anos. Como tu...&lt;br /&gt;- Tu o quê? Assustou-se Heleno, saltando para longe e também erguendo em riste sua espada.&lt;br /&gt;Alcmeon sorriu. Desta vez um sorriso meio enlouquecido. Um sorriso extremamente assustador para Heleno, que brandiu sua espada, e falou:&lt;br /&gt;- Afasta-te, homem!&lt;br /&gt;Mas ele deu dois passos a frente. Heleno só pode então girar sua espada pelo lado direito do corpo e fazê-la cair pesada sobre Alcmeon, que, no entanto, facilmente, lançou sua espada atingindo a de Heleno lateralmente e afastando-a de si. O menino loiro, porém, rapidamente se recompôs e atacou novamente, ataques curtos, que era sempre rechaçados por Alcmeon, mas não sem cansar o rapaz.&lt;br /&gt;Contudo, ouviram um grande assobio, seguido de um alvoroço. Escravos, três, corriam em direção ao bosque sagrado. Alcmeon os viu e, por um instante seus olhos acalmaram-se, ele olhou para Heleno e falou:&lt;br /&gt;- Não terminamos! E saiu em direção aos fujões.&lt;br /&gt;Heleno o observou dali. Atônito.&lt;br /&gt;- Onde pensam que vão? Berrou para os escravos, que paralisados , tremiam diante do jovem.&lt;br /&gt;Alcmeon deu apenas alguns passos e trespassou um dos escravos entre duas costelas, na posição que sua espada avançou no corpo do hilota, Heleno sabia que o pulmão e o coração haviam sido perfurados mortalmente. Os dois escravos restantes correram na direção oposta e foram surpreendidos por mais alguns jovens, entre eles estava Alceu. Etolo foi o primeiro a avançar e rindo segurou o escravo pelos cabelos, que caiu de joelhos, implorando pela própria vida.&lt;br /&gt;- Isto meus amigos – disse o irmão de Iolau – é algo que um espartano nunca fará – e se posicionou atrás do escravo, continuando a falar – implorar pela própria vida e poupar a vida de um inimigo!&lt;br /&gt;E cortou o pescoço do escravo profundo o suficiente para sua cabeça se desligar de seu corpo, mas ainda ficar presa, caindo o corpo para a esquerda e a cabeça totalmente para trás. O outro escravo, cercado, tremia. Sabia que não podia pedir por clemência. Restava-lhe implorar para os deuses, ele caiu por terra, entre lágrimas, recitando uma oração a Hélios, pois de dia os escravos não poderiam ser assassinados.&lt;br /&gt;- Ó luz do sol, ergue-se! Implorava.&lt;br /&gt;- Onde está o filho de Crátes? Perguntou um dos jovens.&lt;br /&gt;- Sim! Traz o filho do general... permite que ele desfeche o último golpe. Disse outro.&lt;br /&gt;- Por que ele? Nós que o caçamos. Protestou Etolo.&lt;br /&gt;- Porque não custa nada ficar amigo dos poderosos. Sussurrou um deles.&lt;br /&gt;- Teu amigo ficou no bosque, rapaz – disse Alcmeon para Alceu – traz ele aqui.&lt;br /&gt;Alceu acatou a ordem imediatamente. Excitado pela perseguição e pelo sangue que vira escorrer pela primeira vez de forma não acidental. Ele encontrou Heleno no mesmo lugar que Alcmeon o deixou.&lt;br /&gt;- Vem! Vem! Permitiram que tu mates o último escravo.&lt;br /&gt;- Eu? Falou com uma voz tremida o menino.&lt;br /&gt;- Sim! Sim! Vem! E puxou Heleno.&lt;br /&gt;Alcmeon sorriu ao ver Heleno e este percebeu os reais motivos do chefe daquela patrulha ao permitir tal honra. Heleno lia nos olhos dele: “Se tu ficares comigo, terás estas regalias”. E logo ele estava diante do escravo.&lt;br /&gt;Este ergueu a cabeça e quando viu os aneis dourados embaçados por seus olhos cheios de lágrimas, agarrou os joelhos do menino e gritou:&lt;br /&gt;- Deus bem-aventurado, vieste tu mesmo salvar-me.&lt;br /&gt;Todos riam.&lt;br /&gt;- Deus? - riu Etolo alto – Só se for Ganimedes, que só serve como tu: à mesa e à cama de Zeus!&lt;br /&gt;E todos riram juntos.&lt;br /&gt;- Vai, filho de nosso general! - incitou Etolo – Termina logo com isto.&lt;br /&gt;Heleno então ergueu a própria espada, unindo as duas mãos trouxe-a até a sua testa, mirando a ponta na nuca do escravo, e com um golpe único cravou-a. Logo os braços que seguravam suas coxas afrouxaram e o escravo escorreu até o chão.&lt;br /&gt;Os jovens logo se afastaram e se esconderam às sombras. Permanecendo apenas Alcmeon e Etolo, mais a frente, o esperando. Alceu falava excitado:&lt;br /&gt;- Incrível! Por Ares! Quero entrar para a Kriptéia também!&lt;br /&gt;Heleno olhou para Alcmeon, que sorriu-lhe e falou:&lt;br /&gt;- Eu te procuro, menino.&lt;br /&gt;Heleno arrepiou-se com aquela promessa. Uma ânsia de vômito também rondou-lhe a boca. Mas teve que disfarçar quando Alceu perguntou-lhe:&lt;br /&gt;- Ênio poderosa!! Como foi a sensação de matar, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem: Os Escravos (escultura em bronze) - Séc. XV - Museu de Roma&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-1662969896088468824?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/1662969896088468824/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=1662969896088468824&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1662969896088468824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1662969896088468824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/05/pi-iii.html' title='PI - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SB596xu2laI/AAAAAAAAARs/wdRL10EhkIE/s72-c/escravos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-2902475950220282746</id><published>2008-04-30T13:57:00.000-03:00</published><updated>2008-05-05T00:59:18.231-03:00</updated><title type='text'>PI - II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SB5-uRu2lbI/AAAAAAAAAR0/UtyhLv-dCQk/s1600-h/athena_1.jpe"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SB5-uRu2lbI/AAAAAAAAAR0/UtyhLv-dCQk/s400/athena_1.jpe" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196730353531131314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era uma noite fria em Esparta. Heleno estava na casa de seu avô Cáris, já muito idoso, e que participava do conselho de anciões da cidade. Sua mãe, Mnia, o tratava com o mesmo carinho de sempre, trazendo-lhe o jantar, próximo a lareira. Cáris reclamava:&lt;br /&gt;- Mimas demais este menino, Mnia.&lt;br /&gt;- Meu sogro, permite-me somente esta alegria, por favor. Ela implorava.&lt;br /&gt;Cáris balançava a cabeça negativamente, mas sabia que aquele menino era a única alegria daquela esposa devotada que o filho tinha trazido a sua casa. Crátes somente aparecia em sua casa quando Heleno estava lá. E por isso, pensava o velho, que ela o tratava tão bem. O menino trazia para a casa o pai. A quem Mnia amava de uma forma que nenhuma outra mulher espartana amava o marido. Ele notava, porque sabia que mesmo sua mulher, de quem ganhara quatro filhos e duas filhas, nunca demonstrara tanta paixão por ele, e quando seus anos de cazerna finalmente acabaram e ele pode recostar a cabeça na cama de seu quarto por mais vezes, ela apenas havia se resignado com a sua presença.&lt;br /&gt;Foi naquela noite que Crátes chegou.&lt;br /&gt;- Ninguém recebe um soldado que chega da batalha. Bradou.&lt;br /&gt;Heleno saltou feliz e correu para abraçar o pai. Logo sua mãe também estava ao lado dele. Heleno notou-lhe esbaforida, como se tivesse corrido do quarto feminino para encontrar-lhe na porta da sala. Crátes apenas beijou-lhe a testa e sentou. Escravos chegaram para tirar-lhe as sandálias e lavar-lhe os pés, mas Mnia dispensou-os e fez a tarefa ela mesma, mesmo o soldado pouco olhando para a própria esposa. Ele fitava Heleno.&lt;br /&gt;- Diz, meu filho, como foi este ano de Irenai.&lt;br /&gt;- Ó, meu pai – disse ele feliz – aprendi muito.&lt;br /&gt;- Pois quero ver. Amanhã lutaremos, quero ver o que tu aprendeste com aquele calhorda do Téssalo. Ele é melhor professor que o Artemidoro?&lt;br /&gt;- Que pergunta é esta, filho, a fazer a um jovem? - repreendeu Cáris – Queres que o garoto fale mal do próprio general?&lt;br /&gt;Crátes, com um sorriso, respondeu:&lt;br /&gt;- Ó meu venerado pai, diz-me, se o único general dele não sou eu? Este solado aqui – e bateu carinhosamente no peito largo do filho – deve responder sinceramente a tudo o que seu general perguntar, ou não?&lt;br /&gt;Cáris sorriu. Heleno, vermelho, gaguejou para responder:&lt;br /&gt;- Aprendi muito com Artermidoro, senhor, mas Téssalo me fez um soldado, antes eu era só um menino.&lt;br /&gt;Crátes riu alto.&lt;br /&gt;- Muito bem! Muito bem! Uma resposta diplomática. Aprendeste isto com quem, hein menino? Menino, não, que agora é um soldado! Que dizes pai – e virou-se para o idoso Cáris – vês um soldado dentro de tua casa já?&lt;br /&gt;- O melhor de todos. Sorriu o velho.&lt;br /&gt;E Heleno também sorriu, orgulhoso de si.&lt;br /&gt;Nesta hora, um escravo chegou a porta.&lt;br /&gt;- Meu senhor – e esperou que Cáris consentisse que ele falasse – o menino Alceu está lá fora com um belo carro e chama o menino Heleno para um passeio.&lt;br /&gt;Heleno olhou para o avô e depois para o pai, esperando um consentimento. Crátes foi quem respondeu:&lt;br /&gt;- Vá, meu jovem! Mas volte cedo, amanhã pela manhã quero ver o que este soldado já sabe fazer.&lt;br /&gt;Heleno agradeceu, e saiu, pegando seu manto de pele de urso que prendeu sobre a túnica de lã que vestia. Prendeu apenas nos largos ombros com uma fivela simples de bronze, e pegou dois pequenos pães.&lt;br /&gt;- Não demorarei.&lt;br /&gt;E saiu.&lt;br /&gt;Na porta de casa, encontrou Alceu. Alceu vestia uma bela túnica de lã tingida de azul, presa com um cinto de couro trançado, sobre ela um manto de pele de coelho, e trazia a cabeça cingida por uma fita que prendia seus cachos castanhos, e como ele, Alceu calçava sandálias de tiras que alcançavam-lhe o joelho que estava forradas com pele por dentro. Heleno surpreendeu-se com a beleza do amigo, pela primeira vez, sobre a luz da lua lembrou das histórias de Órion e por um instante pensou que se Ártemis visse seu amigo também poderia se apaixonar. Mas, no instante após, a imagem de Alcebíades atravessou-lhe as têmporas e ele passou a questionar-se: tu não amas o menino, como podes achar Alceu bonito?&lt;br /&gt;No entanto, Alceu interrompeu-lhe os pensamentos:&lt;br /&gt;- Gostou do carro?&lt;br /&gt;Heleno nem tinha reparado no carro de madeira com lugar para quatro pessoas no cocho. O cocho era todo trabalhado, com centauros esculpidos e armados, cujas armas estavam todas recobertas com uma fina camada de cobre que brilhavam ao luar.&lt;br /&gt;- Pertence ao meu cunhado, Diógenes.&lt;br /&gt;- E ele te deixou usar?&lt;br /&gt;- Ele nem sabe que eu peguei.&lt;br /&gt;E riu gargalhadas soltas. E continuou a falar.&lt;br /&gt;- Cratino, um escravo de minha casa, disse que hoje a Kriptéia vai agir. Queres tentar vê-los?&lt;br /&gt;Heleno se animou:&lt;br /&gt;- Claro que quero. Ora, que pergunta! Iolau já retornou do acampamento?&lt;br /&gt;- Claro, não o vês aqui comigo? - ironizou Alceu – Tu achas que roubei este carro e este cavalo da casa de quem? - e continuou falando, enquanto Heleno subia no carro – Minha irmã estava lá, com o marido, e contou-me que ele não retornara ainda. Parece que ele tem que ficar lá, até Artemidoro também retornar.&lt;br /&gt;Heleno apenas gemeu confirmando.&lt;br /&gt;- Vamos então, não posso demorar-me muito ou Diógenes lançará pragas sobre mim que nem os deuses olímpicos imaginaram para os Titãs.&lt;br /&gt;- Será que conseguiremos encontrar os soldados da Kriptéia? Questionou Heleno.&lt;br /&gt;- Temos que achar somente um. Quem sabe o convencemos a deixar-nos participar.&lt;br /&gt;E chicoteou o cavalo, fazendo-o disparar em direção a praça central da cidade. O vento frio roçou a rosto do menino loiro e as coxas roliças que eram-lhe as únicas partes desprotegidas. Eles rodaram a cidade, até encontrar um dos jovens da Kriptéia, ao lado de uma fonte.&lt;br /&gt;- Oi. Disse Alceu.&lt;br /&gt;O jovem respondeu apenas com um aceno de cabeça.&lt;br /&gt;- Eh... - gaguejou o menino – eu soube que é hoje que vós pretendeis caçar alguns escravos?&lt;br /&gt;O jovem se exaltou:&lt;br /&gt;- Por todas as putas de Corinto! Como sabeis disto?&lt;br /&gt;- Um escravo de minha casa disse-me.&lt;br /&gt;- Nêmessis vingadora! Por isso não vejo nenhum escravo pelas ruas dessa cidade desde que a noite caiu. Eles nos esperam.&lt;br /&gt;E assobiou alto. Dois outros soldados logo apareceram. Já de espada em punho.&lt;br /&gt;- Nico, esse menino falou-me que o escravo dele contou sobre nós.&lt;br /&gt;- Como é? Assustou-se o outro.&lt;br /&gt;- Sim! - completou Alceu – Ele me alertou que hoje vós atacareis alguns escravos.&lt;br /&gt;- Pelo Tártaro! Como os escravos podem ter descoberto o dia? Juro, por Ênio, que eu esfolo o maldito linguarudo que falou demais.&lt;br /&gt;- Queríamos participar... sussurrou Alceu.&lt;br /&gt;- Vós?! Riram todos os soldados.&lt;br /&gt;- Vós sois apenas meninos. Disse o terceiro, calado até então.&lt;br /&gt;Neste instante mais dois soldados da Kriptéia chegaram. Heleno logo os reconheceu. Eram Alcmeon, antigo secretário de Artemidoro, e Etolo, irmão de Iolau.&lt;br /&gt;- Que acontece aqui? Perguntou Alcmeon, com autoridade.&lt;br /&gt;- Senhor – falou o primeiro soldado com a deferência que se tem a alguém de uma patente superior, o que fez Heleno imaginar que Alcmeon seria o líder do pelotão – estes meninos disseram-nos que os escravos sabem de nosso plano para hoje a noite.&lt;br /&gt;- Como é? Quem se atreveria a ...&lt;br /&gt;Heleno notou naquele instante como Etolo o olhava estranho. Um olhar de inveja e ódio. Lembrou quando ele e Iolau foram arrastados por ele até a cabanda do paidomonos acusados de experimentarem as coxas um do outro. Voltou a realidade ao ouvir uma gargalhada de um dos soldados.&lt;br /&gt;- É! Eles queriam ir conosco.&lt;br /&gt;- Mesmo? - olhou com deboche, Alcmeon, e fingindo não conhecê-los, continuou a questionar: - E vocês quem são?&lt;br /&gt;- Eu sou Alceu, filho de Amintas, e este...&lt;br /&gt;- Deixe que seu amigo se apresente por ele mesmo. Falou rispidamente Alcmeon.&lt;br /&gt;- Bem... eu sou Heleno, filho de Crátes.&lt;br /&gt;- O famoso filho do general, rapazes - riu Alcmeon – ah, se ele é tão famoso, podemos sim permitir que ele nos acompanhe, não é?&lt;br /&gt;Os outros riram ironicamente também.&lt;br /&gt;- Não é necessário. Disse Heleno, cutucando o amigo para eles irem embora.&lt;br /&gt;- A não ser que o filho do grande Crátes tenha medo. Debochou Alcmeon.&lt;br /&gt;Alceu tomando as dores do amigo, respondeu:&lt;br /&gt;- Não! Ele não tem! Nós não temos! Podemos participar?&lt;br /&gt;- Claro! Sorriu Alcmeon, com um sorriso malicioso no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem: O Carro de Atena (Ânfora de Figuras Vermelhas) - Séc. IV a.C. - Museu de Londres&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-2902475950220282746?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/2902475950220282746/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=2902475950220282746&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2902475950220282746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2902475950220282746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/04/pi-ii.html' title='PI - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SB5-uRu2lbI/AAAAAAAAAR0/UtyhLv-dCQk/s72-c/athena_1.jpe' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-730960042214685652</id><published>2008-04-27T13:27:00.000-03:00</published><updated>2008-05-05T01:02:24.059-03:00</updated><title type='text'>PI - I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SB6Gnxu2lcI/AAAAAAAAAR8/c64XfI8AoLk/s1600-h/arte1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SB6Gnxu2lcI/AAAAAAAAAR8/c64XfI8AoLk/s400/arte1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196739037955003842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Naqueles dias, Heleno andava distante. Assim que retornara da ilha de Melos, o menino de cachos dourados não conseguia esquecer as noites que passara dentro do corpo de Alcebíades, e aquilo, quando ele recostava sua cabeça na cama de feno que agora dividia com Alceu, despertava-o com febres, que ele aprendera logo a remediar solitariamente. Fugia muitas vezes de sua tenda, escondendo-se no bosque próximo a despejar seu prazer imaginando ter novamente ajoelhado diante dele a boca sedenta do menino ateniense.&lt;br /&gt;O amor surgira no coração de Heleno, sem dúvida, Imeros o havia possuído, nem ele tinha mais dúvidas, e por causa disso ele escrevera durante duas estações dúzias e dúzias de cartas amorosas para o menino que o ensinara os prazeres da carne, no entanto, nenhuma carta do espartano foi respondida. Ele insistira, a primavera e o verão foram-lhe gastos entre papéis e tinta vermelha, letras desenhadas com esforço, e mesmo assim, as cartas que transbordavam amor e contavam como ele sentia-lhe falta nunca receberam nenhuma resposta.  Aos poucos, o amor foi arrefecendo, pois o amor só cresce se é correspondido, não obstante, no outro inverno, o coração de Heleno se encheu de esperança achando que Alcebíades retornaria a Esparta, contudo, o menino teve que contentar-se com novas férias passadas na cidade guerreira, sem o seu amor de um ano atrás.&lt;br /&gt;O frio piorava a saudade. Pois fora exatamente sob aquelas noites frias que Alcebíades fugia do quarto do professor e arrancava Heleno de seu quarto, levando-o para os jardins, só para sugar-lhe e ouvi-lo gemer em sua boca. Mas naquelas noites de inverno, Heleno tinha apenas suas cobertas, travesseiros e lençóis a tocar-lhe o corpo e a acordarem encharcados de suar e do fruto de seus sonhos. As festas de Afrodite também não ajudavam. E em Esparta, no inverno, a estátua da deusa do amor era despida de seus trajes femininos, como usava em toda Hélade, seus vestidos, brincos, pulseiras, anéis e maquiagem, e ganhava a roupa das meninas atenienses. Um peplo curto, expondo-lhe as coxas, ombreiras de soldado, junto de uma couraça que prendia-lhe o peito, um barrete sobre a cabeça e uma lança na mão. Os atenienses chamava-na de Afrodite Amazona, os espartanos apenas de guerreira.&lt;br /&gt;A Afrodite guerreira lembrava que até mesmo as mulheres de Esparta pegariam em armas se a cidade estivesse desprotegida. E que também somente as mulheres de Esparta, guerreiras, geravam homens verdadeiros, homens guerreiros. Naquele ano, Nikke, irmã de Alceu, participara da cerimônia que trocava as roupas da deusa na praça. Ela trouxe-lhe a lança. Tinha doze anos já. Tinha cachos morenos como o do irmão que desciam até suas costas, mas naquele dia uma fita fenícia prendia-os no alto de sua cabeça, evitando que caíssem sobre seu rosto. Também estava armada. Usava o peplo curto, couraça e um carcá de flechas no ombro esquerdo, junto com o arco. Heleno surpreendeu-se da menina ter aprendido arco-e-flecha. Comentou com Alceu que estava do lado, e o irmão, orgulhoso, afirmou:&lt;br /&gt;- E ela é melhor do que eu!&lt;br /&gt;Ele sorriu. Mas não se concentrou mais nisso. Porque a deusa do amor parecia sorrir-lhe. Sorria com o mesmo sorriso de Alcebíades. Ou era isso ou ele estava definitivamente louco. E ele lutava, aquela altura, para libertar-se do poder que o menino ainda tinha sobre ele.&lt;br /&gt;- Que tens, Heleno? Não pareces apreciar a cerimônia!&lt;br /&gt;- Nada, Alceu, nada!&lt;br /&gt;Ele se irritava por ser tão claro. Por que Alceu tinha que notar que ele estava sentindo falta do menino ateniense? Ele detestava Alceu por ter se tornado tão íntimo, mas também dava graças a Zeus por perceber que tinha um amigo que realmente preocupava-se com ele. Iolau, apesar de ser-lhe um amigo sincero, ocupara-se sobremaneira com as tarefas que Artemidoro ordenava-lhe, há muito os dois não podiam mais conversar, o que também era bom, para Heleno, afinal ele não conseguiria admitir que sua tristeza resumia-se a um calor que queimava-lhe o corpo simplesmente ao pensar em Alcebíades. Ele nunca teria coragem de admitir isso. Mas, ora, fazia já um ano! Quantas olímpiadas seriam necessárias se passar para que ele esquecesse aquele menino? Pois até o menino loiro já, no seu íntimo, se convecera que o ateniense nem se lembraria dele se eles cruzassem o mesmo caminho, eventualmente. Heleno se odiava. E via Afrodite zombar mais dele, porque ele sabia que amava Alcebíades tanto quanto se odiava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem: Afrodite Espartana - Século III a.C. - Museu de Berlim&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-730960042214685652?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/730960042214685652/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=730960042214685652&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/730960042214685652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/730960042214685652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/04/pi-i.html' title='PI - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/SB6Gnxu2lcI/AAAAAAAAAR8/c64XfI8AoLk/s72-c/arte1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4130642952841668575</id><published>2008-04-21T21:03:00.000-03:00</published><updated>2008-04-21T21:04:31.147-03:00</updated><title type='text'>OMICRÓN - VI</title><content type='html'>- Pela ordem dos divãs, então, foi tu, ó honorável arconte que nesta deliciosa noite de inverno seguiu-se após o nosso querido palhaço?&lt;br /&gt;- Sim! – respondeu Agaton -  Fui eu que fiz o discurso após ele. Mas para mim, pareceu, que todos eles não elogiavam o deus, mas felicitavam os bens que o deus causava, e com isto nenhum dos nossos amigos havia falado da natureza de Eros, como eu achava necessário. Ninguém havia dito como Eros era o mais belo, mais jovem e mais feliz, mais corajoso e forte e mais delicado deus. - E tomou um pouco de vinho, molhando a garganta e acentuando a carga dramática do que pretendia falar - Sobre a beleza todos concordam de imediato, pois o feio não se firma no amor. Agora afirmo que ele é o mais jovem porque o amor não poderia ter nascido antes das guerras que os deuses fizeram contra si, porque onde há amor, não há guerra. Ele deve ter nascido apenas após Hera tentar tomar o trono do seu marido, ou isto não teria acontecido. Outro motivo que faz-me acreditar que Eros é jovem, é porque o amor sempre ronda os mais jovens, pois “o semelhante sempre do semelhante se aproxima”, não é assim o ditado?&lt;br /&gt;Alcebíades apenas confirmou com um aceno de cabeça, olhando em volta rapidamente e demorando-se nos olhos negros e profundos de Socrátes que olhava através dele para Agaton. Que continuava a falar:&lt;br /&gt;- Digo-lhe o mais feliz, porque a felicidade ele nos distribui quando amamos, é o mais corajoso e forte porque até os mais corajosos e fortes como Ares e Herácles já caíram diante dele, Ares apaixonado por Afrodite e Herácles por Ônfale; já o considero leve porque... - e fez uma leve pausa - lembram que Hesíodo diz que Atee é tão delicada que caminha sobre as cabeças dos homens? Pois se Eros caminha apenas nos corações, ele deve ser ainda mais delicado que a deusa do erro.&lt;br /&gt;- Bravo! -  comemorou Alcebíades – Tu deves ter vencido o concurso que vocês propuseram, então. Que disseste mais, caro poeta?&lt;br /&gt;- Falei das virtudes do amor, caro menino, que ele não comete nem sofre injustiças, nem contra um deus, nem contra um homem; que ele não cede à força, pois a violência não o toca; e que todo homem de bom grado serve em tudo ao deus.&lt;br /&gt;- E aí nós o aplaudimos. Disse Aristodemo.&lt;br /&gt;- Com efeito, e deviam repetir as palmas. Disse Alcebíades já explodindo em palmas, erguendo-se, e quase derrubando a taça de vinho que ele bebia, mas logo virou-se para o professor que estava do lado dele e continuou:&lt;br /&gt;- Mas ainda faltava teu discurso, não é?&lt;br /&gt;- Sim! - respondeu altaneiro Sócrates – Comecei dizendo, que na minha opinião, fazer um elogio devia se tratar de falar a verdade sobre o objeto que elogiamos, não falar apenas das coisas belas.&lt;br /&gt;- Irônico como sempre tu és! Repetiu Alcebíades.&lt;br /&gt;- Mas – ignorando o comentário de Alcebíades, ele continuou – acabei por contar uma estória que ouvi de uma estrangeira que conheci numa destas viagens que fiz. Chamava-se Diotima, mas não me peça para dizer em que cidade tal mulher vive, mas ela contou-me esta estória e eu repeti aqui.&lt;br /&gt;- Que estória? Perguntou Alcebíades sarcasticamente interessado.&lt;br /&gt;- Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses em comemoração, e entre eles se encontrava Limos, a pobreza, filha de Ares e Éris, a discórdia. A deusa, sempre faminta, comeu até fartar-se, mas quando todos terminaram seus pratos, ela ainda voltou a mesa para comer as sobras. O filho de Métis, a prudência, Porus, a hábil necessidade que impõe ao homem a esperteza para poder sobreviver, vendo-a escondeu um pedaço de comida e esperou a deusa limpar todos os pratos. Quando esta encerrou sua refeição, ele mostrou que ainda havia comida, e a deusa ávida implorou que ele lhe desse o pedaço, astucioso, Porus exigiu que ela entregasse seu corpo à ele, que ele então daria-lhe a comida que restara. Faminta, novamente, Limos consentiu, e naquela noite Eros, o amor, foi gerado. Filho da Pobreza e da Necessidade e a condição dos pais, este belo deus que vocês falam, herdou: primeiramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos. Aquela senhora ainda me explicou que o amor não é imortal e, no mesmo dia, ora ele germina e vive, quando enriquece pelas maquinações paternas; ora ele morre, ressecado, pelas necessidades maternas.&lt;br /&gt;Alcebíades naquela instante estava paralisado, não tinha palavras para comentar nada do que Sócrates tinha dito tão absorto que ele estava, envolvido pela voz do mestre.&lt;br /&gt;- Diotima, aquela sábia mulher, ainda me perguntou: ama o amante a beleza do ser amado, ou ama o próprio ser amado? Respondi-lhe que o amante ama ter seu amado consigo – e Sócrates sorriu para Agaton – e tendo ele seu amado consigo, o amante será feliz.&lt;br /&gt;- E sendo feliz tudo basta. Encerrou Agaton.&lt;br /&gt;- E agora, Alcebíades, pretende fazer teu discurso?  Perguntou Sócrates.&lt;br /&gt;- Não, por Posseidon! - respondeu Alcebíades – Depois de tudo que foi dito aqui neste salão, nada mais eu poderia falar sobre o amor que não tivesse sido tão bem dito, ou por ti, grandioso Sócrates, ou por qualquer um outro que divide estes divãs conosco e bebe o delicioso vinho de Agaton. Todavia – sorriu maliciosamente o menino bêbado – faça-mo-lo o seguinte. Farei outro discurso, e se eu disser algo inverídico, por favor, me interrompes imediatamente, ó Sócrates, pois de minha vontade nada falsearei. Pois aqui todos sabem que como nas crianças, no vinho só há verdade.&lt;br /&gt;Risadas foram ouvidas.&lt;br /&gt;- Farei um elogio a tu, Sócrates| -  e falando para os outros presentes, diante de olhos incrédulos e assustados, sobretudo do homenageado, ele continuou - Louvar Sócrates, senhores, é o que tentarei. Ele certamente pensará talvez que eu pretendo expô-lo ao ridículo, mas falarei apenas a verdade, como tu mesmo, professor, disseste que deveria ser um elogio. Afirmo eu então que é ele muito semelhante a esses silenos que os artistas representam com um pifre ou uma flauta. Ele é o próprio sátiro Mársias, ou duvidas, caro professor? És como o sátiro esfolado vivo por Apolo!&lt;br /&gt;E tomou um gole de vinho.&lt;br /&gt;- Discordas de mim? Pois se não admitires, apresentarei testemunhas. Elas estão todas aqui. Primeiro tocas flauta, não? - Sócrates balançou a cabeça negativamente, Alcebíades no entanto o negava veementemente – Sim! Tocas sim! E uma muito mais maravilhosa que o sátiro. Este, pelo menos, era através de um instrumento de madeira que, com seu sopro, encantava os homens com suas melodias. Tu porém nem precisas disto, sem instrumentos, com simples palavras, fazes o mesmo. Nós, quando algum outro ouvimos, mesmo que seja um perfeito orador, não nos interessamos! Quando porém é a ti que alguém ouve, ou mesmo palavras tuas referidas por outro, ficamos aturdidos e somos empolgados. Eu contar-lhes-ei, caros amigos, sob juramento, o que é que eu sofri sob o efeito dos discursos deste homem, e sofro ainda agora.&lt;br /&gt;Ele tomou mais vinho, e tentou erguer-se, como quem falava a uma tribuna, mas desequilibrou-se e tornou a sentar.&lt;br /&gt;- Quando escuto este homem bate-me o coração, e as lágrimas, as lágrimas, que me molham a face. Nem Péricles, o grande, consegue nada semelhante. Somente quando tu falas que minha alma fica perturbada, pois ela me força a colocar-me como um escravo teu, teu e de tuas palavras. Falo no presente, meu Mársias, porque ainda agora tenho certeza, que se começares a falar, eu não resistiria e experimentaria os mesmo sentimentos. Por isso agora, eu fujo de ti, das conversas e dos encontros, como se me afastasse das sirenas, eu cerro os ouvidos a fim de não ficar sentado lá e aos seus pés envelhecer.&lt;br /&gt;Lágrimas desciam pelo rosto de Alcebíades, Xenofonte e Aristófanes levantaram-se tentando encerrar aquela cena lamentável, mas ele não se deixou ser retirado dali.&lt;br /&gt;- Eu, Alcebíades, filho de Clínias, só senti diante deste homem, somente diante dele, o que ninguém imaginaria haver em mim: amor! Diante dele eu enrubesço, ora, eu?! Safo-me então de sua presença e fujo, e quando o vejo, envergonho-me, pelo que um dia eu admiti. E muitas vezes, sem dúvida, com grande prazer o veria não existir entre os homens; entretanto se tal coisa ocorresse, por outro lado, sei que muito maior seria a minha dor, de modo que não sei o que fazer.&lt;br /&gt;Ele bebeu mais vinho. Xenofonte novamente tentou impedir-lhe. Novamente foi refutado. Todos os convivas já demonstravam o quanto sentiam-se mal por aquela cena, mas Alcebíades não estava disposto a parar.&lt;br /&gt;- De seus flauteios, então, tais foram as reações que eu e muitos outros tivemos, sátiro, mas ainda duvideis de mim, não é? Vós que aqui dividem o vinho comigo também duvidam? Pois ficai sabendo o que ninguém conhece. Estais vendo como Sócrates amorosamente se comporta com os belos jovens – apontando para Agaton e depois com um gesto esnobe para Aristodemo e Arístofanes – está sempre ao redor deles. No entanto, caríssimos, sabei que ele não tem a mínima consideração com quem é belo, antes os despreza como ninguém poderia imaginar! Também despreza aqueles que são ricos ou os que têm qualquer título de honra, pois para ele todos esses bens de nada valem, e que nós nada somos, por isso ele prefere passar sua vida ironizando e brincando com os homens.&lt;br /&gt;Um soluço o interrompeu. Ele, no entanto, continuou, chocando cada vez mais a sua platéia:&lt;br /&gt;- Uma vez, julgando eu que ele estava interessado em minha beleza, o que para mim era um maravilhoso lance da fortuna, afinal após aquiescer a Sócrates, eu aprender tudo a que ele sabia! E como eu sou o mais belo desta cidade, achei que seria fácil seduzi-lo! Com tais idéias em meu espírito, eu procurei a oportunidade perfeita, tentei encontrá-lo a sós, mas era dificil não vê-lo sem um acompanhante, não obstante, certa vez, finalmente, tivemos um instante apenas nosso. É preciso, com efeito, dizer-vos toda a verdade, portanto – e ele fez uma pausa dramática - prestai atenção, e se eu estou mentindo, Sócrates, prova!&lt;br /&gt;Disse estas últimas palavras quase gritando.&lt;br /&gt;- Pois encontrei-me, amigos, a sós com ele, e pensava que logo ele iria tratar comigo como um amante trataria o bem-amado, e me rejubilava. Mas não, nada disso absolutamente aconteceu! Ao contrário,  naquele dia, ele retirou-se e foi-se embora. Depois disso, convidei-o a fazer ginástica comigo, tentava estar sempre perto dele, como se houvesse então de conseguir algo. Exercitou-se ele comigo e comigo lutou muitas vezes sem que ninguém nos presenciasse. E o que aconteceu? Nada! Nada adiantava!&lt;br /&gt;Alcebíades jogou sua taça de vinho no chão. Com raiva, amassando o metal trabalhado.&lt;br /&gt;- Como por nenhum desses caminhos eu tivesse resultado, decidi que devia ser mais enérgico. Ele não podia dispensar-me mesmo quando eu já tivesse meus lábios em seu membro, quem faria isso? Digam-me! Quem me recusaria? Convidei-o então a jantar comigo! Exatamente como um amante armando cilada ao bem-amado. E nem nisso também ele me atendeu logo, demorou a aceitar meu convite, mas com o tempo, por causa de minha insistência, acabou por acentir. Quando porém veio, à primeira vez a minha casa, depois do jantar queria logo partir. Eu então, envergonhado, larguei-o! Não consegui fazer nada que o deixasse nas minhas mãos, mas eu estava decidido e então repeti a cilada, e depois que ele já havia jantado, eu me pus a conversar com ele noite adentro, ininterruptamente, e quando quis partir, observando-lhe que era tarde, obriguei-o a ficar. Este sátiro descansou então no leito vizinho ao meu. Sozinhos estávamos.&lt;br /&gt;Alcebíades respirou fundo.&lt;br /&gt;- Bem, até esse ponto do meu discurso ficaria bem fazê-lo a quem quer que seja. No entanto o que a partir daqui se segue, vós não me teríeis ouvido dizer se eu não estivesse embriagado.&lt;br /&gt;- Então páras, Alcebíades, por favor. Disse Aristófanes.&lt;br /&gt;- Não! Diante de um discurso tão magnífico quanto o de Sócrates sobre o amor, ele precisa de um tão grandioso quanto sobre aqueles que o amam. Não sejamos, injustos! E todos aqui hão de me perdoar. Não dizem que quem já foi picado por uma víbora é compreendido e desculpado em tudo que ousou fazer e dizer sob o efeito da dor? Eu então, mordido por algo mais doloroso e peçonhento, e no ponto mais doloroso em que se passa ser mordido, em minh'alma, em meu jovem coração, haveis todos aqui de desculpar-me do que então faço e do que agora digo!&lt;br /&gt;E virando-se aos escravos que o observavam curiosos:&lt;br /&gt;- Os domésticos que apliquem aos seus ouvidos portas bem espessas.&lt;br /&gt;E, novamente, voltando-se a sua plateia.&lt;br /&gt;- Então, meus caros, a lâmpada se apagara e os meus escravos estavam fora. Decidi que devia dizer-lhe francamente o que eu pensava. E assim o interpelei: perguntei se ele sabia qual decisão acabara de tomar e disse que ele parecia ser um amante digno de mim, mas eu percebia que ele se mostrava hesitante em declarar-se. Falei-lhe que era estupidez continuar com aquele jogo, até porque nada me seria mais proveitoso do que trocar meus favores pelo grandioso conhecimento que ele possuía.&lt;br /&gt;Ele então virou-se para Sócrates e, com asco, perguntou:&lt;br /&gt;- Aí, sátiro, lembra do que me dissesses? Eu lembro com as palavras exatas. Palavras recheadas com a ironia que te é habitual. Disseste-me assim: “Caro Alcebíades, se  é verdade o que dizes sobre mim, se há em mim algo que te possas tornar-te um homem melhor, realmente verias em mim uma irresistível beleza, todavia seria uma beleza completamente diferente da formosura que há em ti. A minha beleza tu desejarias para ti, e tentarias trocar beleza por beleza, porém a beleza que tu queres me oferecer é a beleza externa, irreal, transitória, apenas aparência; a verdadeira beleza é aquela que eu teria em mim, a inteligência, o conhecimento, a sabedoria. Agora, pergunto-me, quem sairia então em vantagem se eu trocasse a minha beleza pela tua? Para mim, acredito, apenas tu terias lucro nesta transação, seria como trocar ouro por cobre.” Esqueci-me de alguma palavra?&lt;br /&gt;Lágrimas rolavam sobre o rosto de Alcebíades. Ninguém mais tentava impedi-lo de continuar, eles achavam que o melhor a fazer era deixá-lo dizer logo tudo e acabar logo com aquilo.&lt;br /&gt;- Aquelas palavras foram como setas cravados no meu peito, mas mesmo assim eu me ergui de meu leito e deitei-me com este ser verdadeiramente divino e admirável durante a noite toda. Nem também isto, Sócrates, direis que estou falseando! Ora, não obstante hercúleos esforços meus, mesmo assim, este homem desprezou minha juventude, ludibriou-a, insultou-a e justamente naquilo que eu, Alcebíades, filho de Clínias, achava que era alguma coisa, ó juízes, sim, vós agora são os juízes de Sócrates, pois juro eu pelas deusas e pelos deuses, que o perseguidor daqueles que cometem perjúrio, Pálemon, me castigue se eu minto agora, quando me levantei do leito nada extraordinário aconteceu entre nós, foi como se eu tivesse dormindo com meu pai ou com um irmão mais velho. Nunca vi um homem com tamanho auto-controle! E com isso eu sabia que não tinha mais como atraí-lo.&lt;br /&gt;Um riso nervoso tomou o rosto de Alcebíades.&lt;br /&gt;- Ora, não adiantaria eu atraí-lo através do dinheiro do meu pai. Por que a isto ele é mais invulnerável que Ájax ao ferro, e a única coisa que eu imaginava que poderia prendê-lo a mim, ei-lo que me havia escapado, enquanto eu me via escravizado por ele. Eis aí, caríssimos, o que em Sócrates eu louvo, ao mesmo tempo que é aquilo que mais o recrimino, afinal quantos insultos ele me fez. E não só comigo: mas com Cármides, o filho de Glauco; com Eutidemo, filho de Díocles, e com muitíssimos outros, os quais ele engana fazendo-se de amoroso, enquanto é antes na posição de bem-amado que ele mesmo fica, em vez de amante. Ele gosta de ser admirado. Amado, perseguido, idolatrado. E é nisso que te previno, ó Agaton, para não te deixares enganar por este homem – falou com o dedo em riste, em direção a Sócrates - e, por nossas experiências ensinado, te preservares e não fazeres como o bobo do provérbio, que “só depois de sofrer, aprende”.&lt;br /&gt;Quando ele finalmente se calou, risos explodiram. Risos nervosos pela sua franqueza e pelo teor das coisas que o filho de Clínias havia revelado, mas risos também porque todos notaram como ele ainda estava apaixonado pelo professor.&lt;br /&gt;Sócrates então retrucou:&lt;br /&gt;- Tu me pareces, Alcibíades, estar em teu domínio. Esses jogos de amor que pareces ter aprendido com a própria Afrodite. Pois de outro modo não te porias, assim tão destramente fazendo rodeios para dissimular o motivo por que falaste. Elogiar-me? Vimos aqui perfeitamente como que falando tão lentamente deixaste para o fim, para distrair-nos com tantas palavras do seu verdadeiro objetivo: me indispor com Agaton. Pois tu, no teu ciúme doentio achas que eu devo amar-te e a nenhum outro, mas a mim tu não enganaste! Ao contrário, esse teu drama de sátiros e de silenos ficou transparente.&lt;br /&gt;Agaton sorriu para Sócrates, sorriu também para Alcebíades e falou com uma voz calma, como se nada tivesse acontecido ali, naquela noite:&lt;br /&gt;- De fato, ó Sócrates, é muito provável que estejas dizendo a verdade. E a prova é a maneira como justamente ele se sentou aqui no meio, entre eu e tu, para nos afastar um do outro.&lt;br /&gt;- Muito bem, então, - disse Sócrates - reclina-te aqui, bem junto a mim.&lt;br /&gt;Agaton levantou-se e bateu palmas, chamando os escravos de volta a sala. E ao sentar, sentou-se novamente junto a Sócrates.&lt;br /&gt;- Ó Zeus, que tratamento recebo ainda desse homem! - falou Alcebíades - Acha ele que em tudo tento levar a melhor. Mas pelo menos, extraordinária criatura, permite que entre nós se acomode Agaton.&lt;br /&gt;E afastou-se cedendo espaço para que Agaton senta-se.&lt;br /&gt;- Impossível! - tornou-lhe Sócrates - Pois se tu me elogiaste, devo eu por minha vez elogiar o que está à minha direita. Ora, se Agaton sentar entre nós, não irá ele por acaso fazer-me um novo elogio, antes de, pelo contrário, ser por mim elogiado? Não era este o nosso jogo. Deixa, divino amigo, e não invejes ao jovem o meu elogio, pois é grande o meu desejo de elogiá-lo.&lt;br /&gt;- Evoé! - exclamou Agaton - Alcebíades, ficarei aqui mesmo, assim meu amado far-me-á um belo elogio. Não é para qualquer um receber um elogio promulgado diretamente pela boca de Sócrates.&lt;br /&gt;Alcebíades então, explosivamente, se irritou.&lt;br /&gt;- Pois não ficarei para ouví-lo.&lt;br /&gt;- Será uma pena – disse Agaton – Sandro, leve o menino até a saída então.&lt;br /&gt;Alcebíades levantou-se e cambaleante dirigiu-se a porta. Xenofonte o encontrou no meio do salão, Aristófanes também. Juntos os meninos o levaram embora. Deixando a casa de Agaton para trás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-4130642952841668575?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/4130642952841668575/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=4130642952841668575&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4130642952841668575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4130642952841668575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-vi.html' title='OMICRÓN - VI'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-5325845233617725360</id><published>2008-04-16T21:17:00.000-03:00</published><updated>2008-04-16T21:41:18.823-03:00</updated><title type='text'>OMICRÓN - V</title><content type='html'>Era noite na casa de Agaton, ele, com amigos, comemorava o primeiro prêmio que uma peça sua havia ganho nos festivais anuais de Atenas. Nas festas em honra a Dionísio sempre haviam concursos teatrais e naquele último ele havia sido escolhido pelos quinhentos juízes, dentre os três concorrentes e havia recebido sua coroa de heras, idêntica a que Baco usa em sua própria cabeça graças a uma tragédia denominada Télefo, sobre o rei mísio que se aliara aos troianos após Ulisses salvar-lhe a vida.  Ele recebia Pausânias, o médico Eríximaco, e os jovens Aristófanes, Aristodemo e Fedro, além de seu amante, Sócrates. Eles conversavam, comiam e bebiam quando se ouviu uma voz no pátio, era Alcebíades, bastante embriagado, gritando alto:&lt;br /&gt;- Onde está Agaton? Quero coroá-lo! Onde ele está?&lt;br /&gt;Uma flautista o trouxe. Vinha ruborizado pelo vinho, tonto, tropeçava nas próprias pernas. Era apoiado por Xenofonte e usava uma coroa de heras, violetas e fitas em profusão, mas quando entrou na sala, ajeitou o corpo, ficando ereto, e exclamou:&lt;br /&gt;- Senhores! Salve! Sou um homem em completa embriaguez, recebei-me como companheiro de bebida, ou devo partir, tendo apenas coroado Agaton? Pois eu, na verdade, ontem mesmo não fui capaz de vir cumprimentá-lo por tão grandioso feito, mas agora eis-me aqui, com estas fitas sobre a cabeça, a fim de passá-las para o mais sábio e o mais belo, se assim devo dizer. Contudo, se porventura ireis zombar de mim, de minha embriaguez,  ora, eu sei que estou dizendo a verdade. Mas diga-me: devo entrar ou não? Bebereis comigo ou não?&lt;br /&gt;Agaton, surpreso e envergonhado, não sabia o que fazer, mas como Alcibíades era o filho de um dos grandes homens da cidade, mantenedor de tirremes, e como muitos que estavam naquele festim também o conheciam, ele o convidou a entrar e sentar-se. Ele, conduzido pelo amigo, retirando as fitas de sua própria cabeça, sentou-se ao pé do homenageado, entre ele e Sócrates que recostava-se no mesmo divã que o anfitrião. Sócrates, no entanto, se afastara de modo que Alcebíades pudesse se acomodar e o jovem menino logo virou-se abraçou Agaton e o coroou.&lt;br /&gt;Disse então o anfitrião para o escravo que estava parado ao lado:&lt;br /&gt;- Vai Sandro, tira as sandálias de Alcebíades a fim de que ele seja o terceiro aqui comigo.&lt;br /&gt;- Perfeitamente - tornou Alcebíades, estendendo as pernas para que o escravo desatasse suas sandálias e lavasse seus pés - mas quem é este nosso terceiro companheiro de bebida?&lt;br /&gt;E quando se volta finalmente se depara com Sócrates e, mal o viu recua em sobressalto, exclamando:&lt;br /&gt;- Por Herácles! Sócrates? Lavado? De cabelos cortados? Roupas e sandálias novas? És mesmo, Socrátes? Se és, porque estás espreitando-me? Aparecendo de súbito assim como é teu costume, onde menos se espera que haverias de estar? E agora, a que vieste? E ainda por que foi que aqui te recostaste? Logo junto dos mais belos? Por que não foi junto de Aristófanes, ou de qualquer outro que seja ou pretenda ser engraçado, que maquinaste te deitar?&lt;br /&gt;E Sócrates:&lt;br /&gt;- Agaton, me defenda! Que o amor deste homem é-me um problema. Desde que este se apaixonou por mim, com efeito, não mais posso dirigir nem o olhar, nem a palavra, a nenhum belo jovem, pois este, enciumado e invejoso, faz coisas extraordinárias! Insulta-me e mal retém suas mãos da violência. Ou me proteges ou reconcilia-nos.&lt;br /&gt;- Não! - disse Alcebíades - entre mim e ti não há reconciliação. Mas pelo que disseste depois eu te castigarei; agora porém, Agaton passa-me umas das tuas fitas, a fim de que eu cinja também esta admirável cabeça, e ele não me censure depois, dizendo que  eu a ti coroei, mas a ele, que vence em argumentos todos os homens, não fiz o mesmo.&lt;br /&gt;E logo Alcebíades toma algumas fitas, coroa Sócrates e recosta-se. Dizendo em seguida:&lt;br /&gt;- Bem, senhores! Vós me pareceis em plena sobriedade. Coisa que não se deve permitir. Eu me elejo então como chefe da bebedeira até que vós tiverdes suficientemente bebido. Eia, Agaton, que  tragam logo, se houver aí, alguma grande taça. Algo grande.&lt;br /&gt;E riu, debochadamente, olhando por entre fitas que ainda pendiam de sua testa. Logo um escravo trouxe uma grande taça e depois de enchê-la, primeiro ele mesmo bebeu, depois mandou Sócrates entornar, ao mesmo tempo que dizia:&lt;br /&gt;- Para Sócrates, senhores, meu ardil não é nada: quanto se lhe mandar, tanto ele beberá, sem que por isso jamais se embriague.&lt;br /&gt;Mas então Erixímaco exclamou:&lt;br /&gt;- Que é então que fazemos, Alcebíades?! Iremos apenas beber, como os que têm sede? Não dizemos nada, nem cantamos de taça à mão?!&lt;br /&gt;Alcebíades então exclamou, entre risos:&lt;br /&gt;- Excelente filho de um excelente e sapientíssimo pai, salve!&lt;br /&gt;- Também tu, salve! - respondeu-lhe Erixímaco - mas que devemos fazer?&lt;br /&gt;- O que ordenares! É preciso com efeito te obedecer: pois um homem que é médico vale muitos outros; ordena então o que queres, que nós, teus humildes servos e admiradores, cumpriremos sem pensar duas vezes. E ergueu novamente a taça em direção a Erixímaco de forma teatral.&lt;br /&gt;- Ouve então. - disse o médico - Entre nós, antes de chegares, decidimos que cada um devia proferir um discurso sobre o amor, o mais belo que pudesse. Ora, quase todos nós já falamos: Fedro foi o primeiro. À direita dele, que estava Pausânias, este falou; a direita de Pausânias estava Aristofánes...&lt;br /&gt;- Mas como eu estava tendo um dos meus acessos de riso costumeiros, - interrompeu Aristofánes - foi o próprio doutor quem falou, falei apenas depois dele.&lt;br /&gt;- Isso! Mas logo depois tu mesmo falaste, e muito bem. Em seguida falaram Agaton e Socrátes. Resta tu, o gracioso Aristodemo e o belo Xenofonte que trouxeste contigo.&lt;br /&gt;- Mas, Erixímaco! - tornou-lhe Alcibíades a falar enquanto agitava a taça para que o escravo colocasse mais vinho - um homem embriagado proferir um discurso em confronto com os que estão com sua razão, é de se esperar que não seja de igual para igual. Mas... - pensou ele um pouco - o que disseram os outros: podem resumir-se?&lt;br /&gt;Fedro foi o primeiro a repetir-se.&lt;br /&gt;- Para mim, Eros é o deus mais antigo, o mais honrado e o mais poderoso para a aquisição da virtude e da felicidade entre os homens, tanto na vida como após a morte.&lt;br /&gt;- Imagino que nosso querido Socrátes aqui, Fedro, tenha repensado a nota que tu recebeste em retórica então. Riu Alcebíades, junto com os outros mais jovens na sala.&lt;br /&gt;- No meu entender – disse já Pausânias, superando os risos – o amor não é um só. Existe a Afrodite Pandemos e a Afrodite Urânia. A Afrodite Pandemos é realmente mais popular e é a ele que os homens vulgares amam. É ela que os leva primeiramente ao leito das mulheres, e quando eles amam é mais o corpo que a alma. E parece até que este amor é mais desprovido de inteligência, quase como de animais, pois tem em mira apenas efetuar o ato.&lt;br /&gt;Ele virou então a taça que passava de mãos em mãos e continuou falando:&lt;br /&gt;- Já a Afrodite Urânia, a qual venero, é mais elevada, e não participa das mulheres, apenas dos homens, é a Afrodite mais velha, mais sábia, filha do Uranos, o céu, quando Cronos cortou-lhe os bagos fora e estes caíram ao mar, espumando e desta espuma, na ilha de Cítera, a grandiosa deusa nasceu. Esta que todos deveríamos desejar.&lt;br /&gt;- Mas já vi muitas pessoas a denegrir esta Afrodite Urânia, Pausânias. Comentou Alcebíades, entre mais taças de vinho.&lt;br /&gt;- Se o ato não for feito com moderação, meu caro, toda a censura se torna justa. Mas a maior crítica que se faz a minha deusa, Alcebíades, é entre os bárbaros, por causa de suas tiranias, que consideram este amor algo feio, como consideram a filosofia e o ginásio, porque seus governantes não gostam que surjam entre seus governados grandes idéias e nem grandes amizades.&lt;br /&gt;- A partir daí falei eu! – continuou Eríximaco – Eu concordei que o amor é duplo também, mas eu falei a partir da medicina. Então, afirmei que o amor é aquilo que une os elementos hostis dentro do corpo, harmonizando aquilo que é diferente, aquilo que discorda entre si e consigo mesmo concorda, como dizia Heráclito. O seco e o úmido, o triste e o feliz, o claro e o escuro. Esses opostos que formam nosso corpo e nossa alma.&lt;br /&gt;Em seguida, eu, recuperado, fiz meu discurso orquestral – gracejou Aristófanes – sobre Eros, o deus mais poderoso e que deveria ter os maiores templos de toda a Hélade, pois ele é, com efeito, o deus mais amigo dos homens, aquele que nos cura dos maiores males que prejudicam a felicidade do gênero humano: a solidão. - falou imitando o tom com que os atores repetiam notas graves e mais sérias durante as encenações de teatro - Mas acho que Eros tem pouco a ver com o amor: Zeus que é o responsável por estas almas gêmeas que se procuram tão avidamente sobre a Terra. Contei-lhes uma estória, Alcebíades: anteriormente o gênero humano era composto apenas por três grupos: os masculinos, os femininos e os andróginos. Os masculinos eram formados por dois seres do sexo masculino; os femininos, por dois do sexo feminino e os andróginos eram formados por um ser do sexo masculino e outro feminino. Um dia, este seres, tomados de soberba, pois consideravam-se perfeitos, resolveram invadir o Olimpo, Zeus então em sua fúria, os partiu em dois. Os masculinos em dois homens, os femininos em duas mulheres e os andróginos em homens e mulheres. Estas duas metades separadas, continuam procurando-se mutuamente, tentando unir-se, amando-se mesmo a distância.&lt;br /&gt;- Uma bela história, querido amigo, ouviste de tua avó? E gargalhou Alcebíades, junto com o próprio Aristófanes que entre risos, comentava:&lt;br /&gt;- Num é que foi ela mesma que me contou isso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5325845233617725360?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5325845233617725360/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5325845233617725360&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5325845233617725360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5325845233617725360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-v.html' title='OMICRÓN - V'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-2573972584316846892</id><published>2008-04-13T10:45:00.000-03:00</published><updated>2008-04-13T10:47:01.870-03:00</updated><title type='text'>OMICRÓN - IV</title><content type='html'>Dentro das muralhas sagradas de Atenas haviam três bairros mais frequentados por Alcebíades: a acrópole, o Pireu e o Cerâmico. Na acrópole, ou cidade alta, ele ia sempre com seu pai ou amigos para a academia, onde tinha aulas; para o ginásio, onde junto com os outros meninos exercitava-se e exibia-se para suas futuras conquistas; para ouvir as reuniões da assembléia, em que treinava o que aprendia em suas aulas; ou apenas para jogar conversa fora na praça da ágora, no centro da acrópole, onde uma feira se instalava todos os dias. No Pireu, a zona portuária, haviam tavernas e prostíbulos caros onde, a noite, os poderosos homens da cidade chegavam para divertir-se, bebiam vinho e entregavam-se aos prazeres que somente Afrodite Pandemos podia proporcionar. Alcebíades, apesar dos seus dezesseis anos, gastava parte da fortuna do seu pai lá com os proxenetas que exploravam suas escravas e escravos no difícil ofícil que a Citeréia os condenou. Era naqueles prostíbulos que escravos trazidos de todo o mundo mostravam sua beleza cara e exótica: ruivos gálios e celtas, morenas fenícias , egípcias e mesopotâmicas, loiros germanos, citas e trácios, negras núbias e hindus. Além de, claro, os eunucos persas, que exibidos como presas, eram prêmio consagrado a apenas quem podia pagar em dobro. Mas, Alcebíades, juntamente com seus amigos, também costumavam jogar-se pelas ruas do Cerâmico. O bairro mais pobre de Atenas. Onde de um lado moravam os mortos, no cemitério da cidade, e no outro aqueles que sobreviviam do seu próprio trabalho, sem nenhum escravo, ou quase nenhum, que os ajudasse, aqueles atenienses não tinham nem tempo para frequentar à academia ou à assembléia, mas lá também servia-se um bom vinho e também haviam bons prostíbulos, porém estes apenas com mulheres e homens da Hélade, e a grande maioria de Atenas mesmo. Alcebíades não se importava. Vinho de boa qualidade e uma boa prostituta no seu colo serviam, não importava se do Pireu ou se do Cerâmico; seus amigos concordavam com ele e o seguiam; na verdade, uma horda de meninos seguiam e imitavam os gestos e ações de Alcebíades e, por isso, não era incomum agora ver-se meninos das boas famílias de Atenas nos bordéis baratos do Cerâmico, como Xenofonte um dia estava a falar, já vermelho de vinho:&lt;br /&gt;- Desde que começamos a frequentar tua casa, Adamas, vês como este lugar começou a ficar lotado?&lt;br /&gt;Adamas rindo respondeu, enquanto enchia-lhes as taças:&lt;br /&gt;- Agradeço a Afrodite todos os dias, desde então, jovem. Todos os filhos das boas famílias de Atenas agora sentam nos meus bancos de madeira, acho que terei que forrá-las com seda da Pérsia, agora.&lt;br /&gt;- Fazes bem – soluçou Xenofonte – meu traseiro bem que reclama disto que tu chama de cadeiras. Mas, homem, deixa-me falar – enquanto isso Alcebíades e Aristófanes riam, do outro lado da mesa – tu bem que podias dar-nos um desconto no vinho, ora. Trouxemo-te lucro! Por Dionísio!&lt;br /&gt;Adamas olhou desconfiado, Xenofonte continuou, olhando para os amigos:&lt;br /&gt;- Apesar que eles também vem aqui porque por cinco óbulos eles conseguem fuder qualquer uma das vadias dele, não é?&lt;br /&gt;- Ora, amigo, é barato mesmo! Riu Alcebíades.&lt;br /&gt;- Mas hoje eu quero uma que me chupe! Gritou Xenofonte.&lt;br /&gt;Alcebíades explodiu a rir. &lt;br /&gt;- Meu senhor – comentou Adamas no ouvido de Xenofonte – se queres uma boa chupada, eu acho melhor escolheres um dos meus escravos. Eles são bem melhores.&lt;br /&gt;- Pois me traga o melhor deles. Quero! Agora!&lt;br /&gt;- Daíra, mulher – gritou ele para dentro da casa – manda-me Cosme aqui.&lt;br /&gt;- E que seja bonito, homem, por Hécate. Gritou Xenofonte.&lt;br /&gt;Logo um rapaz por volta de 25 anos se aproximou, tímido. Era forte, de ombros largos e barriga estreita, forte como quem se alimenta pouco e trabalha de sol a sol na terra, tinha a pele curtida, os cabelos formando pequenos cachos morenos, as coxas grossas e nádegas redondas que mal se escondiam sobre a túnica rota e suja que usava. Assim que ele se aproximou, antes que Xenofonte pudesse dizer algo, Alcebíades se levantou e segurou-o pelo braço grosso, dizendo:&lt;br /&gt;- Este é meu!&lt;br /&gt;E saiu, puxando o escravo e tomando a jarra de vinho que o taberneiro ainda segurava. Caminhava em direção ao quarto quando ouviu Xenofonte dizer:&lt;br /&gt;- Que está esperando homem, traz-me mais vinho e um escravo, que hoje quero gozar na boca de um dos teus.&lt;br /&gt;Alcebíades andava meio zonzo, mas conseguiu com facilidade chegar a um quarto. A facilidade de quem já conhecia o caminho. O quarto não era nada mais do que uma alcova de paredes de barro batido, e chão na mesma situação, uma pequena janela deixava o ar da noite entrar e lamparinas de azeite de oliva iluminavam o ambiente, meio úmido. À porta, uma cortina de lã.&lt;br /&gt;- Ainda arrombo o cu daquele Adamas com um pênis de Príapo, como pode oferecer um novato a outro que não eu? Chegaste quando aqui?&lt;br /&gt;Quase sussurando o Cosme respondeu:&lt;br /&gt;- Cheguei de Mileto ainda esta tarde, meu senhor.&lt;br /&gt;Alcebíades olhou-o nos olhos, apesar de ser um pouco mais baixo que o escravo. E enroscou seus dedos por entre os cabelos do escravo. Olhando-o, bebeu um gole longo de vinho e perguntou:&lt;br /&gt;- Queres vinho?&lt;br /&gt;O escravo não respondeu.&lt;br /&gt;- Fiz-te uma pergunta.&lt;br /&gt;- Não podemos beber.&lt;br /&gt;- Não perguntei se tu podes beber, perguntei se queres.&lt;br /&gt;- Gosto muito de vinho.&lt;br /&gt;- Então, bebes.&lt;br /&gt;E, afastou seu manto, a única coisa que usava, e derramou sobre sua barriga e membro, já em riste, uma boa quantidade de vinho. O escravo logo entendeu e ajoelhou-se, começando a lamber todo o vinho que escorria pela barriga, membro, virilha e coxas do jovem ateniense e quando Alcebíades segurou-lhe os cabelos, ele abriu a boca e engoliu todo o menino que estava diante dele. Alcebíades gemeu alto na boca de Cosme, até puxar-lhe seus cabelos e jogá-lo na cama feita por um grande tecido de lã recheado com feno e penetrá-lo rapida e profundamente despejando todo seu prazer no ventre do rapaz. Ele logo levantou-se e jogou um óbulo para o Cosme que jazia ainda deitado, tentando recuperar-se da violência com que fora surpreendido. Ao ouvir a moeda tilintar, Cosme caiu de joelhos agradecendo a generosidade do menino. Evocava os deuses que abencoassem-no e Alcebíades sorriu:&lt;br /&gt;- Só não conte ao seu patrão, sei o quanto ele é avarento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-2573972584316846892?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/2573972584316846892/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=2573972584316846892&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2573972584316846892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2573972584316846892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-iv.html' title='OMICRÓN - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-2609787474218172035</id><published>2008-04-10T19:14:00.000-03:00</published><updated>2008-04-10T19:15:03.771-03:00</updated><title type='text'>OMICRÓN - III</title><content type='html'>Lisías subiu lentamente ao palanque. Lá em cima, pediu que lhes trouxessem água, com a qual molhou apenas os lábios e começou.&lt;br /&gt;- Desejas que eu não fale, Androgeu?&lt;br /&gt;Androgeu respondeu apenas com uma reverência enquanto esperava ao lado de Temístocles.&lt;br /&gt;- Bem, o povo de Atenas permitiu que eu falasse. Caros, irmãos de armas, ó cidadãos desta grandiosas cidade, estou aqui para acusar Temístocles, filho de Neócles, de tê-los traído. E não, como meu antecessor, dizendo que esta acusação venha de um exilado ciumento, e não propondo que o bom Temístocles tenha apenas ajudado pobres viajantes oferecendo-lhes abrigo. Bons atenienses, homens de armas, pobres viajantes não recompensam seus anfitriões com ouro, ou recompensam? Aqueles que trazem ouro podem perfeitamente hospedar-se nas melhores  hospedarias de Olímpia durante a festa de Zeus. Vós bem sabeis disto. Então, se aqueles pobres persas estavam a míngua sem água, porque meus caros, com tanto ouro que traziam, não compraram em qualquer cidade desta Hélade que os deuses observam o que lhes faltava, por que vieram dar justamente em nosso porto?&lt;br /&gt;Ele respirou e aí continuou:&lt;br /&gt;- Caros atenienses, vós bem sabeis que não existe este bom Temístocles que Androgeu tão bem pintou com as palavras que as Musas, “que falam verdades por meio de mentiras”, lhes sopraram. Eu, no entanto, falarei com as palavras que a boa Diké me sopra e que assim se cumpra. Este homem não é nada mais do que um sedento de glória e amante das coisas grandiosas, ambicioso! Lembrem-se de Maratona, quando combatíamos bárbaros – estes mesmos com o qual ele se alía – se ele não fez questão de ver seu nome eternizado. Nós que apenas pensávamos em vencer a guerra para vivermos nossa paz tão sagrada, ele incitava todos a continuar na guerra. Para quê meus irmãos? Pergunto-vos para quê? Para que a Fama contasse com suas mil bocas as façanhas que ele realizava. Isto eu, justo como sou, não nego, este homem que está diante de vós tem a coragem de um herói, se ele estivesse em Tróia, os aliados argivos teriam perdido aquela batalha célebre. Porém vale a pena ceifar os filhos da Ática apenas para obter a eternidade para seu nome?&lt;br /&gt;E agora Lísias bebeu água. Enquanto ele bebia, Alcebíades observou a multidão e notou-a silenciosa. Mesmo aqueles que aplaudiram Androgeu agora silenciavam diante das palavras do acusador.&lt;br /&gt;- Meu antecessor, no entanto, para afirmar como Temístocles era um grande homem contou que ele sozinho construiu uma frota de tantos navios, não foi? - e fez uma pausa, continuando em seguida – Pois até onde eu saiba, Temístocles apenas apossou-se da prata das minas do monte Laurio, que pertenciam a todos nós da cidade, e aplicou para estes fins. Ele não equipou nenhuma tirreme de próprio bolso, apenas, como um bom administrador da cidade, usou o dinheiro público para o seu devido fim. Isso o torna bom? Não! Ser bom é fazer algo além de sua obrigação. Fazer aquilo que é devido é apenas correto. Com seu próprio dinheiro, como qualquer habitante de Atenas sabe, ele gasta ostentando em, por exemplo, numerosos sacríficios aos deuses, ao qual, diz ele, ele pede em nome da cidade, mas como nós saberemos se ao limar um belo bezerro, este homem não deseja apenas suas vitórias. Pois como Fílides está de prova, este homem não ajuda nenhum dos seus irmãos de armas se não ganhar algo em troca. Ah, fora as mil vezes, que vimos ele subornar pessoas para garantir seu próprio poder, ou ninguém lembra como estranhamente Epicides abandonou o pleito quando concorria com ele para o cargo de arconte da cidade e logo pode exibir cavalos potentosos por nossas ruas? Este homem, ó atenienses, é vil. Lembram quando o enviamos, já arconte, como embaixador a Esparta de poderosos guerreiros, lembram como ele pretendia trocar a cidade que agora diz amar pelas coxas de um menino esparciata? Antífates era o nome do garoto! Ou vós lembreis ou a água de Atenas vem diretamente do Lethe!&lt;br /&gt;A platéia estava estasiada com o poder das palavras de Lisias e Alcebíades comentou:&lt;br /&gt;- Amanhã teremos nova eleição para arconte.&lt;br /&gt;- Descabido, – continuou o orador – e ainda falam de poemas? Eu te cito outros, caro Androgeu. “Se você prefere dar a Pausanias, a Jantipo e a Leutíquidas a elasticidade seus elogios, eu os prefiro dar a Arístides, o melhor homem do que jamais nasceu na sagrada Atenas: porque ele odeia a Temístocles, o mentiroso, injusto e traiçoeiro, que ganhando o sórdido dinheiro em Iáliso, o país de sua mãe, não quis aqui ser apenas um convidado; e por três talentos, começou nosso padecer, retornando a injustiça e a perseguição, enquanto a outro dá a morte como prêmio. Agora no Istmo, espero eu a morte deste desonesto,  que seja decisão dos sábios de nosso pais, para que o avarento Temístocles não veja um novo dia raiar”. Depois disto, não tenho mais o que falar: peço apenas a todos que declarem infame tanto este homem quanto toda sua descendência, que o expulsem da cidade e impeçam que seus filhos tomem seu lugar, por este ter traído Atenas pelo ouro da Pérsia. Obrigado!&lt;br /&gt;Quando Lísias terminou de falar, Alcebíades levantou-se, já caminhando para a saída. Arístófantes tentou impedi-lo perguntando:&lt;br /&gt;- Não verás a votação?&lt;br /&gt;- Para quê? Androgeu foi derrotado! Não há nada mais para ver. Almoçamos juntos?&lt;br /&gt;- Ah – suspirou Aristófanes – já que dizes. Comemos carneiro lá no porto? Descobri uma taverna ótima perto do Pireu.&lt;br /&gt;- Então apresente-a a nós. Sei que tu sempre encontra bons lugares para se comer e beber.&lt;br /&gt;- E tu para se fuder! Riu o menino de cabelo curto.&lt;br /&gt;- Cada um com sua habilidade. Disse secamente Xenofonte, causando gargalhadas nos outros meninos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-2609787474218172035?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/2609787474218172035/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=2609787474218172035&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2609787474218172035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2609787474218172035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-iii.html' title='OMICRÓN - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-1398884334638529700</id><published>2008-04-06T13:22:00.001-03:00</published><updated>2008-04-06T13:23:25.882-03:00</updated><title type='text'>OMICRÓN - II</title><content type='html'>Naquela manhã, o arauto avisara que haveria uma reunião na Assembléia e que todos os cidadãos deveriam comparecer. Também foi avisada a pauta da reunião: o julgamente de Temístocles, filho de Neócles, acusado de traição. Gritando pelas ruas de Atenas:&lt;br /&gt;- Sendo Timóteo o presidente, Himeneu seu secretário, e Lísias e Androgeu os oradores, realizar-se-á uma assembléia nesta manhã quando Hélio alcançar a terça parte do céu, com a finalidade de deliberar sobre a acusação de traição de Temístocles, filho de Néocles, e a pena a ser aplicada a este hgomem.&lt;br /&gt;Logo cedo, então, Clínias acompanhado de seu filho, Alcebíades, se encaminharam para a reunião que dar-se-ia na Pnix. Alcebíades ficava muito entusiasmado nos dias de reunião do tribunal ou da Eclésia, corria e apressava o pai para chegarem e encontrarem bons lugares, mesmo sendo seu pai um respeitado cidadão e como tal poder exigir um bom lugar para asssitir aos oradores, mas Alcebíades queria encontrar um bom lugar no qual pudesse ver e ouvir bem o orador, mas também a platéia, pois ambos interessavam a ele. Ele gostava de prestar atenção na reação do público que assistia e votava. Logo, ele aprendera, que medindo as reações do povo era rapidamente possível saber que veredicto a assembléia tomaria. Ele se divertia com essas previsões. Naquele dia ele gostaria de saber, se conseguiria advinhar o destino que o povo de Atenas daria ao grande herói da batalha de Salamina.&lt;br /&gt;A Pnix ficava na acrópole, a parte mais alta da cidade, ficava em um monte a esquerda da ágora, aonde anteriormente a cidade se reunia, no entanto, como a praça tornara-se rapidamente um mercado com barracas, animais e produtos a venda por todos os lugares, foi construído um anfi-teatro no topo do monte, no qual, agora, eram realizadas as assembléias. Foi na ágora que Alcebíades encontrou seus amigos da Academia. Aristófanes e Xenofonte.&lt;br /&gt;Aristófanes tinha a mesma altura de Alcebíades. Era forte dos exercícios no ginásio, com músculos desenvolvidos e um peito largo. Usava o cabelo escuro, quase negro, curto, com cachos formando ondas, que emolduravam um rosto quase sempre sorridente dono de um nariz grande e poderoso. Já Xenofonte era o mais alto dos três, apesar da diferença não ser tão grande. Também não tão forte, seu corpo era mais alongado e muito mais definido que o de Aristófanes. Tinha os cabelos volumosos, lisos e loiros que alcançavam seu queixo, desenhando um rosto bonito que parecia de uma criança, apesar de seus dezesseis anos completos. Tinha o nariz pequeno e os olhos curiosos, mas era tímido o bastante para evitar perguntar. Aristófanes era muito mais falador.&lt;br /&gt;- Já sabes qual será o resultado do julgamento, amigo? Riu Aristófanes.&lt;br /&gt;- Saberei assim que os oradores começarem a falar.&lt;br /&gt;- Explica-me tua técnica para prever o fim das assembléias, Alcebíades? Perguntou Xenofonte.&lt;br /&gt;- Simples, meu caro – disse ele apoiando-se no ombro dos dois amigos, enquanto empurrava-os em direção a Pnix – quando um orador estar a contar coisas que o povo não quer ouvir ou discorda, nossos compatriotas contorcem o rosto, riem, xingam, gritam para que ele pare, se um ou dois fazem isto, não significa muito, mas se muitos dos nossos queridos atenienses assim reagem, é porque o caríssimo que está lá, no púlpito, com aquela taça de água, não pagou um bom sofista para ensinar-lhe as belas palavras.&lt;br /&gt;- Pelo menos, não um como o nosso. Interrompeu Aristófanes.&lt;br /&gt;Contendo um sorriso, Alcebíades continuou:&lt;br /&gt;- Não, não como Socrátes! Mas, continuando, eu então fico observando nossos queridíssimos compatriotas a ouvir aquele tolo lá em cima a tagarelar, quando o presidente da sessão pede que votem, todos já demonstraram o que pretendem fazer. E, assim, eu sei como os embates hão de terminar.&lt;br /&gt;- E além de impressionar meninos da roça, como Xenofonte, qual a utilidade disto, meu caro Alcebíades? Chacotou Aristófanes.&lt;br /&gt;- Bem, não que impressionar meninos como Xenofonte não seja uma utilidade em si – gargalhou o ateniense – mas um dia, eu não poderei subir naquele púlpito?&lt;br /&gt;- E ser um dos idiotas que gorjeiam para a multidão.&lt;br /&gt;Gargalhando, Alcebíades repetiu as palavras do amigo:&lt;br /&gt;- Sim, e ser um dos idiotas, que como rouxinóis, gorjeitam para a multidão.&lt;br /&gt;Dizendo isto, os meninos atenienses chegaram aos ultimos degraus que levavam ao Pnix, seus sorrisos de meninos foram reprovados logo pelo primeiro cidadão que cruzou com eles. E eles logo se prostraram num lugar em que tanto pudessem observar os dois oradores que falariam hoje, um em favor de Temístocles, outro um acusador, e também que pudessem ver a reação da assembléia ali constituída. Chegaram cedo, mas não demorou muito para que outros subissem e logo atrás mais alguns manchados pela corda. Fazendo com que Aristófanes gritasse, escondido para que ninguém o reconhecesse:&lt;br /&gt;- Hoje ninguém te paga nada, ouviu, Euboro?&lt;br /&gt;Ou:&lt;br /&gt;- Glauco, que fazias até uma hora destas lá embaixo? Louco, uma hora destas tu não encontrarás prostitutas na ágora, deixa-as descansar, homem!&lt;br /&gt;Gargalhadas eram ouvidas quando as palavras de Aristófanes alcançavam todos os membros da reunião. Ele se entusiasmava quando isto acontecia, e ficava de olhos firmes procurando outro conhecido para lançar-lhes calúnias aos ouvidos da Fama. Até que o presidente da Assembléia chegou. Este logo saudou os deuses, e deu ínicio a sessão.&lt;br /&gt;- Caros irmãos atenienses, como todos vós sabeis, este homem aqui – e apontou para Temístocles sentado ao fundo – foi acusado por alguns de vós de ter traído a pátria. Para este crime, poucos castigos são possíveis: lançá-lo a morte no Báratro é a mais clemente. Por isso, irmãos, tende Diké em vossos corações e sejam justos para que um homem inocente não seja executado e as Erínias punam toda nossa cidade pelo crime de executá-lo.&lt;br /&gt;Falando isto, sentou-se e aí o arauto levantou:&lt;br /&gt;- Alguém agora quer tomar a palavra?&lt;br /&gt;Ninguém se manifestou, não porque ninguém quisesse falar, mas porque todos sabiam que quem deveria falar eram os dois oradores que forma incubidos da missão naquela manhã. Androgeu foi o primeiro a levantar-se, caminhou até o púlpito e pigarreou.&lt;br /&gt;- Homens de Atenas, eu não tenho muito a lhes dizer. Apenas que este homem é inocente. Este é meu argumento mais forte para convencê-los.&lt;br /&gt;- Começou mal. Comentou Xenofonte.&lt;br /&gt;- Primeiro quero lembrar-lhes de quem estamos falando, ó homens de Atenas. Temístocles, filho de Neócles, fora o líder e defensor de nossa democracia por anos a fio, muitos de vós nunca gastaram um centavo de vossos bolsos para poder salvar a pátria, mas este homem sozinho criou uma frota de cento e oitenta navios e a liderou contra os famigerados persas destruindo-os em Salamina. Esqueçeram disto?&lt;br /&gt;Alcebíades continuava a observar o público, em silêncio. Observava olhares atônicos, mas também uma boa parcela que começava a olhar torto para Androgeu que mantinha uma postura ereta e firme diante do púlpito.&lt;br /&gt;- Esqueceram vós de que este homem salvou nossa cidade, nossos filhos e nossas mulheres da escravidão persa. Ou tu, ó homem ateniense, acreditais que sem ele viveríamos a liberdade que tanto presamos hoje? Não, meus caros, não. Sem ele, teríamos hoje sobre nós o jugo da mão do rei da Pérsia, aquele que senta-se sobre ouro e homens. Vós, ó atenienses, vós mesmos já reconheceram isto. Foram vós que o chamaram de herói. Que o dedicaram poemas tão bem escritos como se o próprio Homero tivesse erguido-se de seu túmulo para cantar para este que agora vocês tratam como um traidor. “A deusa da noite o deu voz e o um bom conselho e a noite também o deu vitória”, não foram vossos poetas que cantaram sobre ele? Envergonho-me de vocês, agora, ó atenienses. Que falta de gratidão com tal homem! Que falta de honra! O que os deuses pensam sobre nós agora? Aqui, acusando, propondo a morte de um homem que lutou por nossas vidas.&lt;br /&gt;Vivas foram ouvidos. Palmas também. Aqui e acolá. Alcebíades contava nos dedos. Xenofonte e Aristófanes olhavam também para a platéia, para o orador e para Alcebíades.&lt;br /&gt;- Ele fala com justiça. Comentou baixinho Xenofonte.&lt;br /&gt;- Mas nem sempre a justiça vence a batalha. Respondeu Alcebíades, sem perder uma expressão do povo.&lt;br /&gt;- Homens de Atenas, eu vos peço: tende juízo! Encerrem este julgamento por aqui. Silenciem aquele que ainda vem até aqui, beber desta água, e falar a vós. Não tem cabimento expormos um herói a uma vergonha desta. Ele que desde pequeno seus mestres avisavam que    havia de se tornar um grande homem. Ó atenienses, lembrem-se, lembrem-se de como este homem trabalhou vivamente para erguer nossas muralhas, de como se dedicou aos negócios públicos por nós, e por causa disso o colocamos sentado na cadeira de primeiro cidadão da cidade e, é claro, que isto atraiu o ódio e a inveja de muitos: não foi por isso que vós atenienses expulsaram Arístides de perto de vós? Não será por acaso ele que a distância, graças aos aliados que ainda tem na cidade, acusou este grandioso homem ainda por ciúmes porque Estesileu o preteriu em favor de Temístocles? Homem, tu que estás longe desta cidade, esquece esta rusga, não percebes que mal tu fazes? A ele e a todos nós? A cidade!! É a cidade quem sofre.&lt;br /&gt;Palmas novamente explodiram. Alcebíades teve que comentar.&lt;br /&gt;- Agora ele acertou no ponto. Se continuar assim, ele conquista a platéia.&lt;br /&gt;- Mas ele derrota Lisias? Comentou Aristófanes.&lt;br /&gt;- E agora, ó atenienses, vós o acusam de ser traídor só porque ele permitiu que persas aportassem no nosso porto sem água: preferiam vós que ele esquecesse as boas leis de Zeus Xénos, o hospitaleiro, e tratasse mal aqueles que viajam. Por Hermes! Caros amigos, irmãos de armas, tu bem sabes que ele não é traidor, por isto, encerro-me aqui. Não há mais nada a dizer.&lt;br /&gt;E novas palmas explodiram. Androgeu era ovacionado.&lt;br /&gt;- Falou realmente muito bem! Comentou Aristófanes.&lt;br /&gt;- Sim! Mas ele terá que enfrentar Lisías e, isso, definitivamente não é fácil. Comentou Alcebíades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-1398884334638529700?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/1398884334638529700/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=1398884334638529700&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1398884334638529700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1398884334638529700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/04/micron-ii.html' title='OMICRÓN - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-1179616648839067641</id><published>2008-04-02T01:25:00.000-03:00</published><updated>2008-04-02T01:33:06.552-03:00</updated><title type='text'>OMICRÓN - I</title><content type='html'>Atenas ficava na Ática, uma grande planície verdejante que agora estava tomada pelo dourado trigo, a cidade, com seus grandiosos muros ficava no litoral oeste da planície, com a ilha de Egina e de Salamina não muito distantes de seu olhar, e ao mesmo tempo que tinha em seus agricultores a base de sua economia se lançava ao mar corajosamente pelo seu porto, o Pireu, cujo caminho Péricles havia cercado também com muros. Atenas então era uma cidade de marinheiros e de agricultores. E também era uma cidade de democrátas. Em Atenas, os cidadãos – todos os homens acima de 30 anos, apresentados a Eclésia, a Assembléia dos Mais Velhos, como nascidos de pai e mãe atenienses – se reuniam na Pnix para votar os destinos da cidade. E era na Pnix que marinheiros e agricultores mais discordavam dos planos em relação a cidade. Os marinheiros, apoiados pelos comerciantes e artesãos, e a maioria do povo que vivia dentro dos muros citadinos, sonhavam com um império ateniense em que eles controlassem além da Ática, cujas cidades pagavam tributo a Atenas desde antes da guerra contra os persas, e também a Beócia, a Eubéia, a Tessália, a Acaia, a Argólida, a Fócida, a Calcídia, a Trácia e muitas ilhas, na Europa, como as Cyclades, Salamina, Eubéia, Tasos, Cefalônia e Jacinto; e na Ásia, como Lesbos, Rodes, Samos, Quios, além de Tróia, a Mísia, a Lídia e a Cária, no continente, cujas cidades passaram a pagar os tributos aos atenienses após a criação da Liga de Delos; estes marinheiros queriam mais: achavam que também a Arcádia, Lacônia, Messênia, Élida e as ilhas de Melos, Cítera e Ítaca, alíados de Esparta, e a Etólia, Lócrida e a Arcânia, além das ilhas de Leucas e Córcira, aliadas da cidade de Molossos, deveriam ser dominadas pela cidade da deusa de olhos glaucos e também dever-lhes impostos por eles terem se sacrificado para destruir o exército de Ciro e Xerxes, os reis bárbaros de toda a Ásia. A Hélade lhes devia isso. Acreditavam eles, apenas, que os mais fortes, corajosos e inteligentes deveriam naturalmente governar os mais fracos, covardes e lerdos, e os atenienses, sobretudo os seus marinheiros, acreditavam que era este o seu destino, liderar um império.&lt;br /&gt;Estes marinheiros, democrátas, ou demagogos como os agricultores preferiam chamar-lhes, para este último grupo seria a causa do fim da prosperidade de Atenas. Para eles, chamados de oligarcas pelos grandes oradores do regime, os atenienses deveriam se voltar para sua terra, se preocupar em fazê-la produzir. “Só plantar e colher é um trabalho que agrada os deuses”, repetiam. No entanto, algumas famílias de proprietários de terra, como a família de Alcebíades, mesmo extraíndo sua riqueza da terra como os oligarcas faziam, estes preferiam a democracia, nela, acreditavam, era mais fácil que um dos seus chegasse ao poder – graças a seus méritos – do que se esperassem a boa fortuna ser soprada sobre eles por algum deus bemfazejo. Por isso, mesmo com apenas dezesseis anos, Alcebíades cercado por seus amigos, sempre costumou freqüentar as reuniões da Assembléia. Ele observava tudo atento, descobrindo as técnicas dos oradores, descobrindo as formas como a platéia reagia a cada um dos exercícios retóricos que seu professor ensinava-lhe nas aulas na Academia que ele passara a freqüentar. Sim, os anos com seu pedagogo espartano terminaram; agora, naquela idade, ele estava apto para freqüentar as aulas dos filósofos na Academia. Um de seus professores chamava-se Sócrates, era o que mais o impressionava com a sabedoria com que falava. Uma sabedoria útil pensava ele.&lt;br /&gt;Sócrates tinha quase trinta anos, normalmente usava andrajos e estava sempre descalço, pouco cuidava da própria aparência, deixando sempre sua barba enlinhada como um novelo de lã, era alto e tinha o corpo de alguém que havia crescido treinando no ginásio, mas que agora dedicava-se a outras tarefas, julgavam-no feio pela cidade, Alcebíades discordava. Ele havia nascido em Atenas, era um cidadão, apesar de raramente freqüentar a Pnix ou participar das festas religiosas da cidade, mas falava tão bem sobre como vencer na democracia que um dos colegas de Alcebíades, Aristófanes, dizia que ele poderia vencer qualquer causa na Assembléia ou no Tribunal, não importando se ele estivesse pelejando do lado da justiça ou contra ele, tal era o poder das palavras que saíam de sua boca.&lt;br /&gt;- Acreditas mesmo que ele conseguiria vencer mesmo estando do lado da injustiça? Perguntava Alcebíades nos círculos que sempre se formavam em torno dele nos intervalos entre as aulas da Academia.&lt;br /&gt;- Claro, meu amigo – dizia sorrindo Aristófanes – se tu não percebes, parece que nosso grande professor tem a capacidade de nos ensinar tanto um raciocínio justo, para vencermos as causas justas, como um raciocínio injusto, para derrotar o raciocínio justo caso nos apetecer. É um grande homem! E disparava a gargalhar, junto com os outros meninos que cercavam-os.&lt;br /&gt;Xenofonte, outro aluno da Academia, era a voz sóbria naquele momento apesar de seus anos adolescentes, como todos os outros:&lt;br /&gt;- Não que isso seja uma coisa certa a fazer - falou entre os dentes e continuou - “como é terrível conhecer quando o conhecimento não favorece quem o possuí”.&lt;br /&gt;- Tu e teus versos, caríssimo Xenofonte, certo não é – comentou Alcebíades entre risos – mas que é útil, convenhamos, isto é!!&lt;br /&gt;- Principalmente para ti, Alcebíades – caçou Aristófanes – quem sabe um dia, assim, tu podes convencer teus credores que não deves nada a eles.&lt;br /&gt;Alcebíades riu do gracejo do amigo. Mas respondeu:&lt;br /&gt;- Se um dia precisar destes artifícios, não me envergonharei em usá-los – e riu alto, enquanto Xenofonte repetia para si mesmo, baixinho, um verso de Sófocles: “nenhum inimigo é pior do que um mal conselho” – mas, por enquanto, eu pago hoje o vinho no novo bordel que abriu na cidade baixa.&lt;br /&gt;- Ah, dizem que as putas são de primeira qualidade. Disseram-me que até uma egípcia eles têm lá. Contou um outro aluno.&lt;br /&gt;- Nunca fodi uma egípcia. Riu Alcebíades.&lt;br /&gt;- Também eles têm aqueles eunucos persas.&lt;br /&gt;- Eunucos?! Gritou Aristófanes.&lt;br /&gt;- Definitivamente, temos que ir lá hoje. Riu Alcebíades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-1179616648839067641?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/1179616648839067641/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=1179616648839067641&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1179616648839067641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1179616648839067641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/04/omicrn-i.html' title='OMICRÓN - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-1170632440222783765</id><published>2008-03-31T00:45:00.001-03:00</published><updated>2008-03-31T01:31:22.751-03:00</updated><title type='text'>XI - IV</title><content type='html'>Naquela noite, Artemidoro levantou-se e buscou Iolau junto a porta. O menino tremia. Ele sabia que devia fazer aquilo, apesar de não querer, ele se lembrava das mãos grossas e rudes do primo puxando seus quadris contra si e da dor que sentiu ao sentir seu ventre ser perfurado. Pelo menos era assim que ele descrevia a sensação. Quando Artemidoro esticou sua mão para tocar a pele macia do menino, primeiro no ombro e depois levemente no rosto, Iolau não conseguiu evitar afastar-se um pouco. Artemidoro percebeu:&lt;br /&gt;- Tu me temes, não é?&lt;br /&gt;Iolau não respondeu. Não sabia se devia.&lt;br /&gt;- O que temes tanto, Iolau? Os meninos de tua idade que trago aqui normalmente pulam sobre mim. Mas tu tens medo... medo de quê?&lt;br /&gt;Iolau apenas baixou os olhos. Ele deveria contar a forma como seu primo o havia tratado? Que ele temia que o professor agisse da mesma forma? Que ele temia que qualquer um agisse daquela forma? Por que com ele todos agiam daquela forma? Os homens em Esparta costumavam sempre sorrir maliciosos quando o menino moreno passava. Riam, olhavam-no de forma torpe, o que antes ele achava que era escárnio, mas depois do primo, no qual ele viu o mesmo olhar, ele descobriu que aquilo se chamava desejo. Mas era certo, o professor nunca o olhara daquela mesma maneira.&lt;br /&gt;- Diz-me Ios, é assim que teus amigos te chamam, não é? - diante de uma confirmação com um movimento de cabeça, o professor continuou – Diz-me, Ios, que temes?&lt;br /&gt;- Que me machuques.&lt;br /&gt;- Machucar-te? Meu ratinho, nunca faria isso contigo. Tens minha palavra de espartano!&lt;br /&gt;E segurou firmemente, mas com carinho, o menino pelo ombro. Naquele instante, Iolau fechou os olhos e apenas sentiu os lábios quentes do professor tocarem os seus e os braços fortes dele envolverem seu corpo magro. Artemidoro apenas sussurrou:&lt;br /&gt;- Desata minha túnica.&lt;br /&gt;Iolau obedeceu e desprendeu o linho ricamente bordado que estava preso por um broche apenas no ombro direito que caiu aos pés dos dois. Iolau não usava nada e as mãos do professor logo vasculharam seu corpo, e o menino logo estranhou que elas não o puxavam com a sofreguidão que seu primo antes havia feito, elas dedilhavam seus músculos da mesma forma que ele tocava a lira.&lt;br /&gt;- Tens um corpo lindo. Sussurrou novamente o paidomonos.&lt;br /&gt;Iolau ruborizou. Lembrou dos outros meninos que treinavam com ele. Tão mais fortes, com músculos salientes e ombros largos como os de Artemidoro. Artemidoro sim tinha um corpo lindo, e Iolau não conseguiu conter o comentário que escapou-lhe entre os dentes.&lt;br /&gt;- Não, general, tu que tens.&lt;br /&gt;Artemidoro sorriu com a resposta. Gostou do envolvimento do menino. E não deixou de demonstrar.&lt;br /&gt;- Achas? Que bom!&lt;br /&gt;E puxou-o para ir com ele para a cama de peles. Deitou-o com cuidado, o que novamente Iolau estranhou, e estranhou mais ainda quando ele deitou-se de bruços exibindo as pequenas nádegas, brancas, macias e redondas, e sentiu o professor apenas acaricia-las delicadamente, depois beija-las com suavidade, deixando a leve plumagem que as cobria arrepiada para depois subir beijando-lhe a coluna até tocar-lhe a nuca e aí virar o menino para sorver-lhe ainda mais os lábios. Iolau imaginava que o professor o possuiria rápido e brutalmente, no entanto, o paidomonos era cuidadoso e delicado, carinhoso e amoroso, o que aos poucos fez com que Iolau relaxasse e quando os dedos do professor começaram a procurar-lhe novamente às nádegas, ele não conseguiu domar o calor que subiu-lhe pelas ancas.&lt;br /&gt;Ele se surpreendia. Não sabia que um homem poderia ser tão carinhoso com ele. Ninguém antes o fora, além de Heleno claro, todos os chacotavam, atacavam-no com blasfêmias e injúrias, quando não tentaram e conseguiram o agredir fisicamente. Seu pai, muito idoso, nunca o tratara com carinho; os irmãos passavam mais tempo junto ao exército do que em sua casa; Iolau só recebera carinho da tia, Alyssa, que o criou. O único outro homem que o tocara, Diomedes, havia sido um brutamontes digno dos Citas que povoam as planícies além da Pérsia. Agora, no entanto, Artemidoro mostrava-se amoroso como somente Gogo havia sido antes com ele. E com aquele carinho, o fogo que queimava-lhe as ancas logo começou a latejar em suas têmporas e aí Iolau se transformou e começou a repetir em Artemidoro tudo que o professor havia feito-lhe até então. As mãos, a boca, a língua forçando a pele e os músculos, Artemidoro passou apenas a guiá-lo. Dizia o que fazer, onde e como. Até que o menino o pôs de costas. Passava suas mãos pelas costas largas e musculosas do professor até descer e apertar-lhe as nádegas com força e desejo. Em riste, Iolau esfregava seu membro entre elas, até ouvir o professor dizer:&lt;br /&gt;- Possui-me!&lt;br /&gt;E Iolau, sem pensar muito, fez como Gogo lhe ensinou e penetrou-o devagar e lentamente. Parando quando ele gemia mais alto, até por-se todo dentro dele. Artemidoro deu-lhe mais algumas dicas, ajudou com alguns movimentos, mas a partir dali Iolau continuou sozinho graças ao que aprendeu com a esposa do primo. Artemidoro suava e arfava, enquanto o menino demonstrando uma resistência invejável continuava vibrando dentro dele até que o paidomonos explodiu em gemidos incontroláveis, sendo, pouco depois, seguido pelo irenai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-1170632440222783765?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/1170632440222783765/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=1170632440222783765&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1170632440222783765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1170632440222783765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/03/xi-iv.html' title='XI - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-5134735802338547856</id><published>2008-03-23T13:01:00.001-03:00</published><updated>2008-03-23T13:36:29.224-03:00</updated><title type='text'>XI - III</title><content type='html'>A vida de Iolau sobre a proteção de Artemidoro não era muito diferenta da vida dos outros meninos que viviam na Egogé. Ele continuava a fazer suas refeições na cazerna, e as aulas para torná-lo um guerreiro espartano também se intensificaram como ocorreu com os outros meninos que deixavam a Paidia para se tornar um Irenai. Mas, na tenda de Artemidoro, na qual o menino agora passava metade do seu dia, Iolau podia se alimentar melhor e dormir numa cama de qualidade bem superior ao monte de feno que estava acostumado. Pequenas regalias para seu novo status.&lt;br /&gt;O trabalho do menino moreno era de organizar as aulas do professor, e também supervisionar os outros Irenais que estavam responsáveis por vigiar os meninos. Em outras palavras, os eunomotai de Tales e Heleno reportavam-se primeiro a ele, aquando de sua tarefa de participar do treinamento dos paidós, depois ao paidomonos. Isso, claro, causou ciúmes entre muitos dos meninos, e comentários maledicentes logo pipocavam quando ele passava, apesar da reprovação dos líderes de tropa, Tales e Heleno. Mas Iolau não era tolo, e sabia o que diziam dele.&lt;br /&gt;- Deve passar a noite com as entranhas ocupadas.&lt;br /&gt;- Disseram-me que ele faz o tipo do professor. Ele prefere esses meninos que só lembram eunucos persas.&lt;br /&gt;- Também ouvi coisa parecida. Ele os despede quando se tornam verdadeiros espartanos.&lt;br /&gt;- Então com este será amor eterno.&lt;br /&gt;E as gargalhadas corriam soltas. Iolau se indignava. Heleno mais ainda. Defendia a honra do amigo e aplicava chicotadas nos zombeteiros, não raro, acontecendo do mesmo menino ser açoitado mais de uma vez. Tales também adotou a mesma prática, e quando um dos meninos perguntou-lhe porquê, sem titubiar, respondeu:&lt;br /&gt;- Ele é meu e teu superior. Quando ele perguntar minha opinião, a darei com toda sinceridade que meu coração é capaz, mas até lá, devo-lhe respeito! E tu também!&lt;br /&gt;No entanto, os meninos não estavam mentindo. Com excessão das agressões pessoas a Iolau, as quais os chefes de pelotão reprovavam a chicotadas, não havia nada de mal ou reprovável na verdade que eles diziam. Para qualquer um espartano, menos, com certeza, para o próprio Iolau. Afinal, ele nunca havia sido possuído pelo professor, e não pretendia, não porque Artemidoro não fosse um homem atraente, tal valoroso guerreiro seria bem quisto na cama de qualquer homem ou mulher de toda a Hélade, quiçá de todo o mundo; mas aexperiência pregressa de Iolau não o fizera agradar-se do "amor recomendável", como ele ouvira Alcebíades, um vez, ainda em Melos, comentar que era chamado o amor entre homens pelos filósofos atenienses. Na verdade, inclusive, suas carnes se encharcavam com sangue muito mais quando ele pensava nas coxas delicadas de Gogo do que nos poderosos braços do paidomonos. Contudo, aos poucos, ele percebeu que isso era o esperado dele.&lt;br /&gt;Ele percebeu isto em uma noite. Artemidoro recebia dois generais de uma cidade próxima a Esparta, Argos. Discutiam o tratado de não-agressão que as duas cidades tinham entre si há quase oitenta anos.&lt;br /&gt;- Bem sabes, Cleontes, que Esparta não pode fazer nada contra esta impáfia de Atenas por causa de nosso tratado, não é?&lt;br /&gt;- Claro - e esvaziou sua taça de vinho - claro que sei, caríssimo Artemidoro. Atacar Atenas, nossa aliada, é atacar-nos quase que diretamente. Vós, espartanos, não podeis fazer tal blasfêmia perante os deuses...&lt;br /&gt;- Com certeza saíriam derrotados! Completou o outro estrangeiro.&lt;br /&gt;- Realmente, Leandro, não se começa uma guerra irritando os deuses.&lt;br /&gt;- Nem se começa, nem se termina, Ulisses está aí para provar - disse Cleontes - contudo, meu vinho, este sim, terminou.&lt;br /&gt;Eles riram e Artemidoro chamou por Iolau. E este rápido apareceu.&lt;br /&gt;- Serve-nos vinho?&lt;br /&gt;Iolau ascentiu e pegou a jarra de vinho q estava sobre um aparador e levou até eles, despejando primeiro no copo dos convidados e quando virou-se para servir o anfitrião assustou-se com a mão grande e calejada de Cleontes segurando-lhe a nádega com vontade.&lt;br /&gt;- Estes meninos de Esparta são os melhores. Que bunda! Que bunda!&lt;br /&gt;Iolau ficou vermelho e assustado deixou cair a jarra que estilhaçou no chão, ele então correu para o quarto com lágrimas nos olhos. O professor o encontrou lá em seguida.&lt;br /&gt;- Desculpa-me senhor.&lt;br /&gt;- Não precisas, menino. Argivos são rudes mesmo, mas ele pediu-te desculpas. Não obstante, Iolau quero dizer-te uma coisa. És um menino bonito e tornar-te-ás um belo varão, com certeza, por isso deves saber lidar com o assédio de homens a ti. Principalmente, tu deverás saber, quando necessário, seduzí-los. Sabes que sois um excelente candidato a arauto ou embaixador, não é? - ele respirou fundo - E para estas funções, talvez, tu necessites algum dia agradar àlgum rei estrangeiro para conseguires vantagens para a cidade. Às vezes, as guerras são decididas não no campo de batalha, mas na cama de reis, rainhas, príncipes e princesas, então, para seres um grande espartano, tu deves saber lutar em qualquer um desses flancos.&lt;br /&gt;Artemidoro disse isso, e sem esperar réplica, saiu. Deixou lá Iolau atônito, sem voz e sem ar, com o rosto molhado pelas lágrimas que haviam cessado. Com isso, quando aquela noite avançou, e o professor já se encontrava em sua cama, estirado, Iolau apareceu a porta do seu quarto, abriu-lhe a cortina e ao ouvir a indagação do que fazia ali do professor, ele respondeu:&lt;br /&gt;- Professor, ensina-me a ser um grande guerreiro espartano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5134735802338547856?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5134735802338547856/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5134735802338547856&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5134735802338547856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5134735802338547856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/03/xi-iii.html' title='XI - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-8091238181226870093</id><published>2008-03-09T11:55:00.000-03:00</published><updated>2008-03-09T12:33:30.883-03:00</updated><title type='text'>XI - II</title><content type='html'>Iolau chegou a tenda do professor trazendo pouca coisa. Poucas roupas, como era normal para um menino espartano daquela idade. Juntou-as rapidamente na tenda que divida com Heleno e passou correndo pela cazerna para avisar aos amigos o que tinha acontecido. Toda a sissítia comemorou. Mãos apertaram as suas, tapinhas às costas, alguns holhares invejosos enquanto Heleno, fazendo questão, disse a todos na mesa.&lt;br /&gt;- Mas tenho que ir, amigo, o professor ordenou-me pressa. Disse Iolau.&lt;br /&gt;- Vai, Ios! Corre! Atende o professor! Disse Heleno.&lt;br /&gt;- Boa sorte! Desejou um distraído Alceu.&lt;br /&gt;- É mesmo, boa sorte! Completou Tales que estava junto a eles na mesa.&lt;br /&gt;Na tenda, um escravo mostrou os aposentos do menino. Uma cama simples, cercada por paredes de tecido de dois côvados e meio de altura e um pequeno baú de couro em que o escravo guardou as coisas do menino. Guardou, levantou-se e perguntou:&lt;br /&gt;- Mais alguma coisa, senhor?&lt;br /&gt;- Senhor? Surpreendeu-se, Iolau.&lt;br /&gt;- Sim - interrompeu Artemidoro - tu vais coordenar o trabalho dos escravos, uma de tuas tarefas, além de acessorar-me, é claro. Então eles chamar-te-ão, sim, de senhor.&lt;br /&gt;- Entendo, professor.&lt;br /&gt;- Chamar-me-ás de general, diante dos outros - falou Artemidoro sério, enquanto ordenava com um olhar que o escravo deixasse o local, e estando sozinho com o menino, virou-se e disse-lhe - mas quando ficarmos sozinhos prefiro Artemidoro. Até porque agora não sou mais teu professor. Agora acompanha-me.&lt;br /&gt;E saiu, com Iolau seguindo-lhe. Sentou-se numa cadeira dobrável, com assento de tecido e estirou uma prancehta e um estilete para o menino. Que parou, de pé, estendendo a mão.&lt;br /&gt;- Escreve uma carta! Dito-te.&lt;br /&gt;Iolau aguçou os ouvidos. Artemdiro então começou a falar.&lt;br /&gt;- Caríssimos homens de Esparta, ó grandes varões, vós bem sabeis o que Atenas tem feito nestes últimos anos em que estamos de mãos atadas pelo tratado que fizemos com nossa cidade irmã, Argos. Quando ela aliou-se a bela cidade de Agamêmnom, não permitiu que nós pudessemos levantar as mãos sobre ela, porque assim, levantaríamos também a mão contra nossos irmãos argivos. Enquanto isso, a cidade dos agricultores da Ática rouba os tesouros que as cidades juntam para se proteger contra a Pérsia para reforçar suas próprias muralhas ou para embelezar sua acrópole. Maldito seja Péricles! Aquele homem rouba da boca de meninos famintos para deitar-se com concubinas aos olhos da cidade! Agora, ele, este maldito, que finge ser um bom homem para a cidade, apenas porque fala bem e engana todo o povo tolo daquela cidade fraca, demagogo chamam-no seus próprios concidadãos, junto com um outro chamado Efialtes, um rico fazendeiro que doa tirremes para a cidade como quem ora pela vida de seu primeiro filho varão, diminuíram os poderes do aéropago. Retiraram os poderes dos sábios idosos que viram tantas batalhas, para roubar para si tudo. Os atenienses que gabam-se tanto de suas democracia, hoje vive nas mãos de um único e assustador homem. Caros homens de Esparta, ó companheiros de armas, este homem é-nos perigoso. Logo seus olhos de cobiça se lançará sobre as planícies do Eurotas. E como um lobo ele rapinará nossas mulheres e crianças, pergunto agora, meus caros, permitiremos isto?&lt;br /&gt;E Artemidoro terminou de falar. Iolau esperou mais algumas coisa, mas ele apenas completou.&lt;br /&gt;- Fecha a carta e a lacra. Envia por um escravo para que seja lida ainda hoje na praça do mercado.&lt;br /&gt;E levantou-se, deixando o a sala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-8091238181226870093?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/8091238181226870093/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=8091238181226870093&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8091238181226870093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/8091238181226870093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/03/xi-ii.html' title='XI - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-2033347793051719834</id><published>2008-03-05T19:36:00.000-03:00</published><updated>2008-03-05T20:12:35.504-03:00</updated><title type='text'>XI - I</title><content type='html'>A primavera na Hélade é o ínicio de um ano novo. Novos meninos chegam a Egogè. Além disso, os antigos Paidós começam suas aulas como Irenais; aqueles que deixam os Irenais, partem para as suas ações na Ephebia; e os que deixam a Ephebia tornam-se definitivamente Espartanos, passando então a frequentar o exército e a ter direitos políticos. É uma grande época de mudanças.&lt;br /&gt;Naquela primavera também mudaria o assistente pessoal de Artemidoro. O seu, o jovem irenai chamado Alcmeon, deixara o posto para fazer parte da Kriptéia - uma espécie de polícia que vigiava os escravos - e este cargo, extremamente visado e bem quisto pelas famílias esparciatas, incidava que o escolhido, além do talento para a guerra, tinha um inteligência que deveria ser treinada para o cargo de arauto, isto é, servir direatamente o rei tal qual Hermes servia diretamente a Zeus.&lt;br /&gt;A escolha dependia unicamente do paidomonos, mas Alcmeon se interessava muito por este cargo para não tentar interferir na escolha. Ele se interessava porque o futuro assistente do professor deveria devotar todo seu dia para atender as necessidades de Artemidoro. Deveria, por exemplo, coordenar os escravos do professor, organizar sua documentação e dos alunos e, muitas vezes, receber visitantes que o professor tinha e com isso teria que viver com ele.&lt;br /&gt;Alcmeon então queria colocar alguém nesta posição, colocá-lo ali para poder tirá-lo do meio do caminho dele próprio. E para isso o irenai usou as informações que ele havia aprendido após dividir a cama com Artemidoro por cinco anos. O guerreiro espartano atraía-se especialmente pelos meninos mais delicados, como o mpróprio Alcmeon fora um dia, e o grande inimigo que ele queira se livrar era exatamente assim, então seria fácil prendê-lo aquela prisão que ninguém, em são consciência, iria querer escapar. Bastava colocar os olhos do professor sobre o menino. Ato feito, ação realizada!&lt;br /&gt;Ao retornar do recesso de inverno, Artemidoro logo convocou seu novo assistente. Durante o almoço ele mandou um irenai até a cazerna ára buscá-lo. O irenai obedeceu rapidamente e trouxe Iolau diante do professor.&lt;br /&gt;- Que desejas de mim, paidomonos?&lt;br /&gt;Artemidoro levantou-se, deu uma volta analisando o corpo magro que prometia um dia tornar-se forte.&lt;br /&gt;- Lês e escreves bem, não é Iolau?&lt;br /&gt;- Sim, professor.&lt;br /&gt;- E cantas acompanhado da lira, não?&lt;br /&gt;- Exatamente!&lt;br /&gt;Perguntava o professor sem deixar de observar a bunda pequena, mas roliça, as coxas magras, mas fortes, os braços definidios, mas lânguidos e compridos.&lt;br /&gt;- Então, serves. Junta tuas coisas e trazes para cá. Tu serás a partir de hoje meu novo assistente.&lt;br /&gt;Iolau se surpreendeu. Não esperava, nem sabia como reagir.&lt;br /&gt;- O que foi, garoto? Vai logo! E volta rápido!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-2033347793051719834?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/2033347793051719834/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=2033347793051719834&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2033347793051719834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2033347793051719834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/03/xi-i.html' title='XI - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-3113994365280846455</id><published>2008-02-27T20:28:00.000-03:00</published><updated>2008-02-27T20:38:56.665-03:00</updated><title type='text'>NY - IV</title><content type='html'>Apesar de Tales e Alceu se encontrarem apenas nas refeições e a noite, ao fim dos treinamentos, todos os meninos da sissítia perceberam o relacionamento dos dois. O que despertou inúmeros falatórios baseados ou na inveja, ou no ciúme. Haviam críticas de ser cedo demais, haviam comentários de que começando tão cedo o vício poderia tomar-lhes conta, no lugar da virtude que um relacionamento entre homens costumava despertar. Mas Alceu e Tales não ligavam para isso. Ignoravam os comentários. No entanto, apenas uma desaprovação realmente incomodava Alceu: aquela feita por Heleno.&lt;br /&gt;Tão íntimos quanto eles estava, Alceu revelou sua história com Tales.&lt;br /&gt;- Não achas muito cedo para escolher teu philolacon?&lt;br /&gt;- Muitos os conhecem durantes os Irenais...&lt;br /&gt;- Ainda assim acho cedo.&lt;br /&gt;- Cedo? Bem, eu achava que o tinha encontrado em Clício...&lt;br /&gt;- Como é? Clício?!&lt;br /&gt;- Sim. Éramos amantes.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Sim. Ali éramos jovens demais.&lt;br /&gt;- Pelos deuses!! Muito... mas muito jovens... como vocês... como você pode?&lt;br /&gt;- Do mesmo jeito que você e Alcebíades podiam - respondeu Alceu, ironicamente - ou você já era um Irenai ano passado?&lt;br /&gt;Heleno gelou: - Tu sabias?&lt;br /&gt;- Claro que sabia! Todos sabiam! Ou tu achas que não foi muita coincidência ele começar a cavalgar conosco de uma hora para outra?&lt;br /&gt;Heleno ruborizou.&lt;br /&gt;- Eros não respeita as leis de Esparta, Heleno, acalma-te. Mas, para ti, achas que o único problema de Tales sejam seus dezesseis anos?&lt;br /&gt;Sem pensar muito Heleno respondeu:&lt;br /&gt;- Não. Só não o acho digno de ti.&lt;br /&gt;E novamente ruborizou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-3113994365280846455?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/3113994365280846455/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=3113994365280846455&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3113994365280846455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/3113994365280846455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/02/ny.html' title='NY - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-2882062760854115415</id><published>2008-02-18T19:21:00.000-03:00</published><updated>2008-02-18T20:11:47.214-03:00</updated><title type='text'>NY - III</title><content type='html'>O treinamento dos Irenais era bem menos puxado que o treino dos jovens Paidós, contudo, algém do seu próprio treino, os jovens também eram responsáveis por supervisionar o treino das crianças, e no caso dos Irenais Pinheiros, ele deveriam supervisionar os treinos dos alunos de Artemidoro. Por isso, apesar de serem da mesma sissítia e sentar-se à mesma mesa, o grupo estava dividio em dois, um que treinava pela manhã com Téssalo e lidava com os meninos Paidós a tarde, liderado por Heleno, com doze jovens, e outro que treinava a tarde, e lidava com os Paidós pela manhã, liderado por Tales, com mais doze jovens. Eles se encontravam apenas a mesa para as refeições em comum.&lt;br /&gt;Era quando Alceu encontrava Tales até descobrir-lhe o hábito de nadar todas as manhãs. A patir de então, Alceu passou a acordar mais cedo, para vê-lo sair e chegar, nu, com aquele corpo sem pêlos molhado pela água do sinuoso Eurotas. E, aos poucos, começou a cumprimentá-lo, demonstrando claramente estar ali para vê-lo, o que, para grande prazer de Alceu, era sempre percebido com um enorme sorriso de satisfação que, um dia, veio acrescido de um convite:&lt;br /&gt;- Por que tu não vens ao Eurotas comigo, Alceu?&lt;br /&gt;Surpreendido, mas feliz, o jovem aceitou o convite e juntos se encaminharam para as planícies que margeiam o rio que corta Esparta.&lt;br /&gt;- Todo dia tu vais ao rio, não é?&lt;br /&gt;- Sim... e... todo dia tu me observas sair e chegar, não é?&lt;br /&gt;- Sim - respondeu Alceu com um sorriso.&lt;br /&gt;Tales também sorriu, dentes alvos emoldurados por lábios rosados. Ele estava nu, como costumava sempre ir nadar. Alceu usarava um manto que cobria seu ombro e peito. Logo chegaram às margens do rio, cercado por touceiras de verdejantes pastagens, salpicadas de pedras que Tales gostava de deitar-se, estendendo seu corpo as carícias de Hélios, o sol, nos dias de folga, raros, que possuíam. Porém aquele não era um dia de folga, logo o sol iria raiar, puxado pelos dourados cavalos de Hélios, e as aulas recomeçariam, mas Alceu não estava preocupado com isso, se interessava apenas nos lábios rosados daquele menino moreno que coroavam as palavras doces que ele dizia.&lt;br /&gt;Tales jogou-se na água. E Alceu retirou seu manto, estendendo-o sobre uma pedra e, em seguida, lançou-se nas correntezas do rio, tentando alcançar o menino que nadava adiante. Nadaram por longos instantes e apenas quando Hêmera recolheu o manto de sua mãe, a noite, e Eos, com seus dedos róseos, abriu as portas das cavalariças para seu irmão guiar o carro solar, trocaram novas palavras. Alceu já havia desistido de algo vir a acontecer quando ouviu Tales chamando-o, sentado junto a pedra que o jovem rapaz havia estendido seu manto.&lt;br /&gt;Alceu saiu então da água. Observava a água escorrendo pela própria barriga, entre gomos, e quando ergueu a cabeça, notou que Tales fazia o mesmo. Este então falou:&lt;br /&gt;- A água fria enrijece os músculos.&lt;br /&gt;- Mesmo? Perguntou Alceu, realmente curioso.&lt;br /&gt;- É sim. Vê. E contraiu o biceps, fazendo o poderoso músculo enrijecer mais do que o normal, enquanto puxava a mão de Alceu para apertar-lhe o braço.&lt;br /&gt;Alceu assim o fez. Aproximando seu corpo nu do menino e sua boca daquela com alvos dente que ele mostrava num belo sorriso. Um sorriso de quase inocência, de quem sabe o que está fazendo, mas não tem a menor experiência. Enquanto Alceu sorria com uma malícia que alcançava-lhe os olhos. Olhos de quem sabe o caminho. Olhos que aprisionam. E assim o fizeram com Tales, que antes que pudesse pensar em fugir, coisa que ele não queria fazer, não conseguiria, pois logo sua boca foi invadida pela língua de Alceu que pressionava seu corpo contra o jovem, empurrando-o contra a pedra. Virgem, Tales não sabia o que fazer, apesar do desejo não precisar de nenhuma ciência. E seu desejo era firme e viril, mas mesmo assim foi Alceu que teve guiar-lhe, encaixando-o entre as póprias pernas e colocando as mãos do menino em sua bunda. Ele então mostrou o caminho e a partir daí Tales começou a deixar fluir suas vontades. Tales foi se ajoelhando e sugando a água que escorria pela barriga de Alceu, lambeu com especial atenção o fim do abdômen, até cheirar com desejos os pêlos pubianos do menino e engolir-lhe o pênis tugido. Alceu gemeu alto e Tales reforçou a sucção, extraindo mais gemidos e logo Alceu percebeu que quanto mais gemia, mais o menino caprichava no que fazia, com um talento quase inato. Curioso, Alceu o levantou, beijou-lhe a boca e perguntou:&lt;br /&gt;- Já fizeste isto antes?&lt;br /&gt;- Não! Nunca! Mas desejava intensamente.&lt;br /&gt;- Notei... - ironizou Alceu, antes de beijar-lhe e empurrar-lhe de bruços sobre a pedra, continuando a falar - agora vou te mostrar outra coisa que você com certeza estava com muita vontade de fazer - e o possuiu, matando a vontade que consumia ambos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-2882062760854115415?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/2882062760854115415/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=2882062760854115415&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2882062760854115415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/2882062760854115415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/02/ny-iii.html' title='NY - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-588506859171503176</id><published>2008-02-08T13:44:00.000-03:00</published><updated>2008-02-08T14:05:37.571-03:00</updated><title type='text'>NY - II</title><content type='html'>Alceu conheceu Tales no primeiro dia da primavera. O vento quente roçava-lhe a nuca, enquanto o céu mais anil do que nunca contrastava com o verde das campinas cobertas por narcisos e anêmonas em botão. Era o primeiro dia de Irenais de ambos, e os dois eunomotai de Artemidoro foram reunidos em apenas um pelotão de Irenais e seus dois líderes passaram a trabalhar juntos: Heleno, líder do antigo eunomotai dos Corujas, e Tales, líder do antigo pelotão das Águias, ambos da sissítia Pinheiros. Inicialmente seriam trinta e dois meninos, contudo com algumas perdas, comuns entre as aulas espartanas, restaram apenas vinte e cinco bravos meninos.&lt;br /&gt;Tales e Heleno foram apresentados pelo novo paidomonos: Téssalo. Alceu logo se interessou pelo novo líder, que se posicionava de pé ao lado do professor, parecendo um jovem Ares. Usava o cabelo preso por uma fita que servia-lhe de diadema, mantendo os cachos castanhos bem escuros, que alcançavam-lhe o ombro, distante do rosto do jovem. Rosto extrememente belo, com olhos de amêndoa e nariz gracioso, mas a boca, que mantinha-se rosa e delicada, era o que mais chamava atenção. Moreno, de tez tostada pelo sol, tinha a mesma estatura de Heleno, mas era mais forte que este, com músculos definidos que rasgavam-lhe a pele de menino, e as costas largas que marcavam a cintura estreita. Ele costumava nadar. Todo dia, antes de tocar o sinal para estar de pé, Tales corria até o rio Eurotas e nadava contra a correnteza bravia até o sol tocar-lhe a pele. Era o melhor nadador de toda Egogué.&lt;br /&gt;Na cazerna, enquanto o almoço era servido por jovens paidós, pois os Irenais alimentavam-se primeiro que os meninos e portanto podiam também comer mais do que estes, os Irenai Pinheiros sentaram-se na sua nova mesa. Como de costume, Heleno, Alceu e Iolau sentaram-se juntos, mas Tales se aproximou. Conversava basicamente com Heleno sobre a expectativa daquele novo ano e decisões práticas de divisão dos grupos para as tarefas às quais eles seriam responsáveis, além das aulas, contudo Alceu não ouvia nada da conversa entre os dois meninos pois ocupava-se com tal empenho em admirar as feições do "jovem Ares" - como ele o imaginava - que nem notou quando um outro iren veio buscar Iolau a mesa, dizendo que o paidonomos o chamava. Alceu tinha os olhos apenas para Tales, o que este notou e também Heleno, já não tão inocente quanto antes. Alceu, no entanto, não se preocupava. Qual o mal? Já eram Irenais, agora era lícito àqueles meninos amarem-se uns aos outros, ou a outros homens, era inclusive durante aquele período que muitos guerreiros conheciam o seu companheiro de Philolacon, o pelotão que guardava os reis de Esparta, composto por trezentos homens, sendo que estes formavam cento e cinquenta casais de amantes, abrindo mão do direito de casar com uma mulher, e permanecendo com aquele companheiro até a morte arrancar-lhe do campo-de-batalha.&lt;br /&gt;E Alceu já pensava nisso, apesar dos seus dezesseis anos: ele não sentia a menor inclinação para o casamento. E ele sabia que isso seria facilmente aceito por sua família e cidade se ele fosse bom o bastante para ascender o Philolacon, junto com seu amante, pois, lembrava ele, que a honra ou a desgraça quando se escolhe um companheiro é divida igualmente pelos dois, então para ascender assim, era necessária uma escolha acertada, e Tales parecia ser dotado das qualidades necessárias, e então se o menino quisesse, tudo poderia acontecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-588506859171503176?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/588506859171503176/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=588506859171503176&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/588506859171503176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/588506859171503176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/02/ny-ii.html' title='NY - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-5838019294689461617</id><published>2008-02-03T17:36:00.000-03:00</published><updated>2008-02-03T17:59:56.343-03:00</updated><title type='text'>NY - I</title><content type='html'>Aquele último ano fora especialmente dificil no treinamento de Irenai para Alceu. Deitado sobre o próprio braço, suado e cansado, tendo o corpo adormecido de Heleno ao seu lado, ele lembrava como asos poucos tornara-se homem. Agora, aos vinte anos, seu corpo atestava isso. Os músculos salientes e poderosos do peitoral cuja própria fibra era visível sobre a pele macia e cor de mel; os braços que agora já pareciam troncos de jovens árvores fortes e viris; as coxas e as nádegas roliças e firmes que rendera a ele grandes prêmios como o mais rápido entre os Irenais, nos últimos anos; também a barriga, estreita e definida como poucos possuíam, que com o conjunto garantiam a ele muitos olhares, músicas louvando a sua beleza e até presentes em sua honra, aos quais ele aceitava numa mistura de orgulho e embaraço.&lt;br /&gt;No entanto, ele sabia que parte do destaque que ele obtera advinha do seu companheiro, Heleno. Como para o filho de Crátes era natural ser o melhor, Alceu como estava ao seu lado se esforçava para conseguir alcançá-lo ou até mesmo superá-lo. Assim, com uma competição saudável que se formou entre eles quando Iolau se afastou e restaram apenas os dois amigos, que foram eleitos líderes de pelotão no fim do primeiro ano como Irenai.&lt;br /&gt;Alceu lembrava como ser líder de pelotão o surpreendeu e assustou. O cargo já era de Heleno desde o primeiro ano, mas ele nunca imaginou que o paidomonos o escolheria para dividir a liderança do pelotão da mesma forma que dois reis governam Esparta ao mesmo tempo. Ele lembrava perfeitamente das palavras de apoio consolador que o amigo lhe dirigira aquando:&lt;br /&gt;- Não te preocupes. Sei que eles não escolheriam outro melhor. Serás um grande líder.&lt;br /&gt;- Espero! Suspirou ele, com seu medo adolescente.&lt;br /&gt;Adolescente mesmo, apenas aos dezesseis anos, ele e Heleno tornaram-se líderes de um grupo de vinte e cinco meninos, da mesma sissítia de que quando eram crianças,  todos ex-alunos de Artemidoro e por isso mantiveram o seu nome de Pinheiros. E, naquele ano, duas coisas o marcaram. Não! Não duas coisas. E sim, duas pessoas. Tales, o primeiro, e o próprio Heleno. E agora, deitado naquela cama, em uma noite quente da primavera espartana, de seu ultimo ano como Irenai, Alceu lembrava-se de tudo que acontecera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-5838019294689461617?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/5838019294689461617/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=5838019294689461617&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5838019294689461617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/5838019294689461617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/02/ny-i.html' title='NY - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-7834694659309920580</id><published>2008-01-30T11:48:00.000-03:00</published><updated>2008-01-30T12:36:33.780-03:00</updated><title type='text'>MY - VI</title><content type='html'>Era uma tarde de jogo. Novamente os homens da casa se sentava, acompanhados de um bom vinho, algum queijo e Alcebiades. Discutiam entre movimentos de tabuleiro as chances de Pericles tornar-se governante por mais alguns anos, estendendo sua tirania, de Atenas. Alcebiades, o velho, contava noticias, apesar dos espartanos nao gostarem do jovem Alcebiades estar presente e escutar o velho contando-lhes aquelas novidades. Porem o jovem menino nao estava atento a conversa deles, procurava no patio o novo brinquedo com que estava fascinado. Foi quando ele surgiu, vestido com uma tunica curta que mostrava-lhe as coxas roliças, e o menino apenas ouviu o que se chamava Alceu dizer:&lt;br /&gt;- Pai, vamos as cavalariças.&lt;br /&gt;Amintas concordou, entre a fala do padrinho do menino ateniense. E os tres meninos, Iolau, Alceu e Heleno, correram para as cavalariças. Alcebiades os viu se afastar e um calor acendeu-lhe o coraçao e ele se levantou.&lt;br /&gt;- Com licença, senhor Amintas, sera que eu poderia cavalgar um pouco tambem?&lt;br /&gt;- Claro! Por mim! Concordou Amintas.&lt;br /&gt;Alcebiades questionou o padrinho e este disse:&lt;br /&gt;- Claro, meu filho, far-te-a bem andar com aqueles que tem-lhes a mesma idade.&lt;br /&gt;Ele correu, entao, seguindo os meninos. Tao apressado que esqueceu de devolver o manto que Artemidoro usava, levando-o consigo, e tambem sem ouvir o ultimo comentario dito por Diogenes quando ele se levantou.&lt;br /&gt;- Nao e perigoso contar estas historias sobre um possivel tirano na frente deste menino?&lt;br /&gt;- Foi ele mesmo que me contou. Nao duvido, inclusive, que este que vos temem tanto ja nao tenha despejado seu prazer no meio daquelas coxas e contado o que vos contei entre gemidos.&lt;br /&gt;Alcebiades nao ouviu nada disso porque ele correu como jamais correra em toda sua vida e ao subir a ultima colina, viu que apenas dois cavalos sairam da cavalariça. Ela parou, desestimulado. Achando que um deles era Heleno, contudo uma força o impeliu a continuar.&lt;br /&gt;- Se nao for Heleno que ficara para tras, o outro pode me ajudar a conseguir um cavalo e me levar para onde esta Heleno. Se for o atleta, eu sei que ele me ajudara, ja notei-lhe os olhsares devoradores, agora se for aquele cantorzinho...&lt;br /&gt;No meio deste pensamento ele chegou as portas das cavalariças, e se deparou com Heleno de costas para ele, com uma pata do cavalo presa a suas pernas, meio curvado para frente. A visao daquelas nadegas rijas e das coxas fortes prendendo o animal, das costas definidas arqueadas daquela forma, o fizeram perder o folego por um segundo, o que ele, para nao admitir, culpou a corrida. Mas, quando ele tentou falar algo, e sua voz falhou, e ele tambem percebeu suas maos tremendo, Alcebiades se preocupou:&lt;br /&gt;- Afrodite, deusa honrada, qual dos teus filhos lançaste contra mim, oh, piedosa! Imeros, o arqueiro certeiro, teu filho mais velho, cuja chama queima rapido? Ou Eros, teu filho mais novo, cuja chama e eterna? Tende piedade!&lt;br /&gt;Ele entao respirou fundo e falou:&lt;br /&gt;- Nao costumo montar. Voces fazem muito isso por aqui, nao e? Heleno, seu nome, nao?&lt;br /&gt;Contudo, nenhuma reposta foi ouvida. Alcebiades, irritado, tentou continuar:&lt;br /&gt;- Atenas e uma cidade grande. Nao temos muitos cavalos na nossa propriedade na cidade, apesar que nossa casa de campo tem um haras consideravel.&lt;br /&gt;Nenhuma reaçao esboçada, novamente. O menino ateniense contudo nao pretendia desistir. Pensou entao que poderia contar vantagens sobre os animais que possuia, talvez isso atraisse a atençao do menino loiro a sua frente.&lt;br /&gt;- Prefiro os carros, o meu tem dois grandes garanhoes tracios. Sao os mais rapido de toda Atenas.&lt;br /&gt;Desta vez, um olhar de soslaio o alcançou, Alcebiades entao tentou sua cartada final:&lt;br /&gt;- Eu poderia montar com voce?&lt;br /&gt;- Temos mais dois cavalos. Sabe sela-los?&lt;br /&gt;- Eu gostaria de montar com voce.&lt;br /&gt;Heleno entao ficou de pe, encarava-o, vermelho. Alcebiades nao sabia se de vergonha ou raiva. Mas mesmo assim ele se aproximou, e enquanto se aproximava notava o membro do menino espartano enrijecendo e quando chegou perto o bastante, segurou-o firme.&lt;br /&gt;- Eu... eu... nos nao podemos fazer isso. Gaguejou Heleno.&lt;br /&gt;- Nao? Riu Alcebiades.&lt;br /&gt;- Nao! Nao temos idade para isso.&lt;br /&gt;- E ha idade?&lt;br /&gt;- Pelas leis de Esparta...&lt;br /&gt;- Estamos em Melos - respondeu impaciente Alcebiades - e eu nao sou espartano.&lt;br /&gt;E se ajoelhou entre as pernas do menino. Sorvendo-lhe com a habilidade que os diversos amantes que passaram em sua vida lhe deixaram. Ele se concentrava, mas nao deixava de admirar a expressao de prazer que arrancava do menino loiro em pe, a sua frente. Segurava-o pelas coxas e puxava-o pelos gluteos, enquanto ele apenas apoiava-se em sua cabeça como se estivesse prestes a desfalecer. Ate o menino loiro explodir em sua boca, e Alcebiades levantar-se, lambendo os labios, feliz por ter vencido, e dizer:&lt;br /&gt;- Quer mais?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-7834694659309920580?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/7834694659309920580/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=7834694659309920580&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/7834694659309920580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/7834694659309920580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/01/my-vi.html' title='MY - VI'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-1394806406535609208</id><published>2008-01-25T17:23:00.000-03:00</published><updated>2008-01-25T18:06:31.936-03:00</updated><title type='text'>MY - V</title><content type='html'>Alcebíades decidiu que queria ter Heleno. Seria uma coisa nova. Nunca experimentada por ele antes: um menino de sua idade. Até ali, Alcebíades se dedicava a seduzir homens mais velhos que ele, como era comum em Atenas. Dizia a boa conduta na maior cidade da Grécia que os meninos amavam os homens mais velhos, pois estes ajudar-lhes-ia a formar seu próprio caráter. A pederastia ali tinha um valor educadional. E Alcebíades acreditava nisso, por dois motivos: primeiro, porque se sujeitando a esta regra era mais fácil ele satisfazer o fogo que consumia desde quando descobrira o poder que ele tinha sobre os homens, ao ser levado, com orgulho, pelo pai para o ginásio e ver no outro dia sua casa se encher com presentes; e, em segundo lugar, pelos próprios presentes que apenas homens mais velhos poderiam conceder-lhe, presentes que orgulhavam e&lt;br /&gt;enriqueciam sua família ainda mais.&lt;br /&gt;Mas Heleno? O que Heleno, aquele garoto impúbere, poderia oferecer-lhe? Da mesma idade, Heleno não acrescentaria-lhe em nada a sua sabedoria, e muito menos os dracmas que seu pai contava em casa ao vender a última armadura que Ptolomeu trouxe-lhe de Tebas como maior prova do seu prestimoso carinho. Contudo, Heleno parecia-lhe um desafio. Por mais que agora ele observasse o garoto, este parecia apenas mais tímido em se aproximar. Alcebíades começou a considerá-lo uma prova de honra.&lt;br /&gt;Pensava ele:&lt;br /&gt;- Eu que tenho todos os homens e mulheres de Atenas aos meus pés com apenas um sorriso. Eu que homens desistestem de suas famílias e mulheres mancham seus sobrenomes para ter-me eu suas camas. Não posso ser desprezado por esse menino!&lt;br /&gt;Heleno, no entanto, não demonstrava intenção alguma de se aproximar do menino ateniense, apesar dos olhares lânguidos, de seus lábios umedecidos com saliva, de seu sorriso de madrepérola. Alcebíades simplesemnte não entendia.&lt;br /&gt;- Ele espera que eu me rebaixe e o procure?&lt;br /&gt;E com isso se enfurecia:&lt;br /&gt;- Qualquer homem - pensava ele - em Atenas traria o ouro da Pérsia para ter um sorriso meu, quem esse garoto pensa que é?&lt;br /&gt;Alcebíades resolveu então, após muito relutar, segui-lo. Dar-lhe uma oportunidade para se aproximar, fingindo casualidade. Ele então se esgueirava pela casa, tentando surpreendê-lo, mas o menino sempre estava entre aqueles amigos que agora pareciam para ele cada vez mais irrtantes. Aquele lânguido cantor, de cabelos oleosos e pele pálida. Ou o jovem atleta de corpo escultural (sim, Alcebíades notara) e de olhar triste, como se faltasse-lhe parte da alma. Soube os nomes, ao ouvir conversas entre eles: Iolau, o cantor, Alceu , o atleta. Ele também passou a odiá-los secretamente, pois ninguém ficava entre Alcebíades e aquilo que ele desejava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-1394806406535609208?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/1394806406535609208/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=1394806406535609208&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1394806406535609208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1394806406535609208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/01/my-v.html' title='MY - V'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-1451918899408671049</id><published>2008-01-22T13:04:00.000-03:00</published><updated>2008-01-22T13:22:09.358-03:00</updated><title type='text'>MY - IV</title><content type='html'>Melos era uma ilha pacata. Muitas famílias a ocupavam no inverno. As praias lotavam de jovens alunos da Efebia que reencontravam-se com seus pais após um longo ano, contudo, além da programação nas vilas, não havia nada mais o que fazer. A ilha entediava Alcebíades. O menino, acostumado a noitadas em tavernas e no bairro das prostitutas de Atenas, acompanhado de amantes ou amigos; às vezes, amantes amigos, ou, às vezes, nenhum dos dois, agora tinha que contentar com dias de jogos, poesia e música no jardim da aprazível vila da família de Alceu e noites tórridas na cama com seu novo amante de estação, Artemidoro, que ele chamava entre os lençóis de "meu paidomonos", cheio de ironia e provocação, ainda por causa da primeira conversa que tiveram.&lt;br /&gt;Em um destas tardes de jogos, sentado no colo de Artemidoro, brincando com os anéis dos cabelos do professor enquanto este enfiava-lhe a mão por entre as nádegas que o menino descobriu um novo jogo, entre uma taça de vinho e outra que os homens da casa, exatamente por provocação do menino ateniense bebiam a maneira trácia, isto é, puro, sem misturá-lo com água, pois o menino tinha dito que era assim que seus amigos tomavam no Pandemos, o maior prostíbulo de sua cidade natal.&lt;br /&gt;Ele notou que o menino loiro que andava pela casa o evitava sempre que podia. Que sempre que seus olhos se encontravam o menino tinha a pele rubra e seus olhos lançavam-se ao chão como se procurassem a caverna pelo qual Hades surgiu para raptar Perséfone. Com isso ele começou a notar o menino. Notou-lhe as belas feições, os olhos claros e os aneis dourados como os de Hélios, o sol. Notou também a pele trigueira sobre os músculos fortes e definidos, principalmente no peito e nas coxas, apesar dos braços prometerem um futuro Herácles. Notou-lhe também as nádegas carnudas e a barriga estreita, mas sem muitas divisões, diferente da dele. Virou-se então para Artemidoro e perguntou:&lt;br /&gt;- Como se chama aquele menino?&lt;br /&gt;Embriagado pelo vinho, o professor não estranhou a pergunta, apenas rebateu:&lt;br /&gt;- Que menino?&lt;br /&gt;- O loiro como Afrodite.&lt;br /&gt;- Ah, falas de Heleno! Um excelente aluno! Será um grande soldado um dia!&lt;br /&gt;- Como foi o pai... - completou Amintas que acompanhava o diálogo sentado do outro lado da mesa em que o tabuleiro fora colocado, ladeado por Diógenes, a direita, e Alcebíades, o padrinho, a esquerda.&lt;br /&gt;- Sim! Como foi o pai. Concordou Artemidoro e a conversa logo se voltou para as aventuras vividas por Amintas e Crátes, pai de Heleno, quando estes serviam juntos no exército espartano. O que, como não atraía em nada a atenção do macebo ateniense, este fingia escutar, enquanto seus olhos seguiam Heleno aonde este pudesse estar, e pensava:&lt;br /&gt;- Agora sim, um novo brinquedinho para quebrar: Heleno!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-1451918899408671049?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/1451918899408671049/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=1451918899408671049&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1451918899408671049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1451918899408671049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/01/my-iv.html' title='MY - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-7338113221740768564</id><published>2008-01-09T18:41:00.000-03:00</published><updated>2008-01-09T18:49:21.840-03:00</updated><title type='text'>MY - III</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/R4VAf0iGXzI/AAAAAAAAANg/4ihKAIExPTM/s1600-h/mh-afroditemelos2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/R4VAf0iGXzI/AAAAAAAAANg/4ihKAIExPTM/s400/mh-afroditemelos2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153596264017190706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia amanheceu claro, com um céu límpido, quase sem nuvens. O celeste banhava o mar grego. Alcebíades acordou preguiçoso, apesar do sol alto e brilhante. Ouvi-a na porta do seu quarto a voz de Artemidoro, reclamando que ele ainda não acordara, falava que ele os atrasara e agora chegaria por demais tarde a ilha de Melos, o padrinho do menino tentava contornar a situação dizendo que o acordaria em instantes, mas o paidomonos tomara a dianteira e já tencionava ir acordar-lhe ele mesmo. Alcebíades sorriu malicioso quando o viu empurrar a porta. Rapidamente, o menino arrancou a túnica que cobria-lhe e afastou as cobertas, deitando de bruços e expondo suas nádegas firmes e as coxas roliças. Artemidoro entrava falando. Reclamava, mandava-o acordar, e de repente, silenciou. Alcebíades, fingindo dormir, mas se encheu de orgulho. Logo, coçou os olhos, e se levantou, ficando propositalmente de quatro sobre a cama, em direção ao guerreiro espartano. Artemidoro continuou em silêncio. Paralisado.&lt;br /&gt;- Pelo jeito, às vezes, os homens que se calam perante os meninos. Riu Alcebíades.&lt;br /&gt;Artemidoro se irritou. Realmente ele achou que impertinência daquele menino deveria ser castigada com chibatadas até o sangue ensopar a terra como se fazia em Esparta. Saiu do quarto resmungando que Alcebídades deveria estar no navio em instantes ou eles partiriam sem ele. O menino ainda comentou que ele não se atreveria a abandoná-lo. E riu.&lt;br /&gt;- Esquece tu que meu pai que paga esta viagem, espartano?&lt;br /&gt;Artemidoro quiz voltar e puxar-lhe pelo ombro e ali mesmo aplicar-lhe um corretivo. O pulso já fechado, que pretendia explodir no rosto daquele menino atrevido, no entanto foi detido pela mão de Alcebíades, o velhos, padrinho do menino, que segurou o braço do professor espartano e retirou-o do quarto.&lt;br /&gt;- Veste-te, Alcebíades! Hora de partir!&lt;br /&gt;Logo estava no navio, com um sorriso aberto, para o professor espartano que quando o percebia olhando para ele, rapidamente fechava o rosto num gesto óbvio de antipatia. Contudo, agora, naquela luz clara do dia, Artemidoro não conseguia deixar de observar com que perfeição os deuses dotaram o menino ateniense. Os olhos negros faiscantes, como os cabelos castanhos que caiam em cachos rendondos sobre os ombros, contrastavam com a pele em tom de trigo, queimada pelo sol, e que se rasgava em músculos delineados: um peitoral saliente, uma barriga estreita e em braços que começavam a demonstrar força. As nádegas firmes e redondas, comberta por uma penugem dourada, que encerravam pernas fortes e musculosas também não escaparam as atenções do professor.&lt;br /&gt;E é claro que o menino notou toda essa avaliação que o professor fez mesmo com toda a irritação que sentia. E isso, essa raiva misturada com desejo, atiçou no jovem o desejo de ser possuído por aquele grande homem, e a partir desse desejo começou a cercá-lo. Contudo o menino não era nada discreto, não fingia que estava olhando outra coisa, ele parava e mirava seus olhos nos braços poderosos de Artemidoro ou no seu peito rijo, e deixava que o professor notasse seu interesse. Este ficava visivelmente incomodado. Olhava para o outro lado. Tentava fingir que não percebia. Mas Alcebíades insistia mais. Chegava a seguí-lo, apesar que parava ao longe, vendo-o conversar com os marinheiros. Quando o professor se virava, contudo, ele não fingia observar o mar, não disfarçava o que fazia ali. Ele não queria disfarçar. Os marinheiros inclusive já riam das investidas do menino. E Artemidoro se irritava cada vez mais.&lt;br /&gt;Até que Alcebíades, nestas perseguições, encontrou Artemidoro numa sala, dentro do navio. O professor se irritou, definitivamente e puxou-o pelo braço, falando:&lt;br /&gt;- Garoto, o que você quer?&lt;br /&gt;Alcebíades só sorriu, e passou suas coxas nas coxas do professor, respirando fundo como se tentasse sentir o cheiro do corpo do guerreiro, ficando inebriado por aquele cheiro de pele junto com o do manto azul que ele usava. Era um manto amarrado apenas no ombro, que terminava-lhe antes da cintura, junto com o manto apenas sandálias de tiras finas, amarradas até sua canela. Artemidoro deu um passo para trás, se afastando do menino, e coçou a cabeça, falando:&lt;br /&gt;- Você é muito atrevido, sabia?&lt;br /&gt;Alcebíades novamente apenas sorriu. Mas dessa vez empurrou o professor, forçando-o a sentar sobre alguns sacos de trigo e cevada que estavam jogados no chão. Sentou-se então no colo deste, e tocou os lábios daquele homem com os seus de menino. O professor tentou resistir-lhe, segurou seu rosto, mas o olhar cálido o convidava. Artemidoro então aproximou seus lábios dos lábios róseos do menino trigueiro e enquanto beijava-o, suas mãos rapidamente se colocaram sob a túnica do menino, agarrando-lhe as nádegas com sofreguidão, enquanto o menino vasculhava-lhe o peito e a barriga com as mãos por baixo do manto. Sem dizer muitas palavras, Artemidoro guiou o menino, e com delicadeza fez-lhe sentar em seu membro que rapidamente se colocou a postos, o menino mal gemeu, mas logo fez Artemidoro explodir em gemidos.&lt;br /&gt;- Menino, quem és tu?&lt;br /&gt;- Alcebíades, filho de Clícias. Disse o menino, arrumando a túnica verde, tentando esconder as nádegas que o professor deixara a mostra.&lt;br /&gt;Artemidoro sorriu:&lt;br /&gt;- Teu padrinho me contou o porquê de tua viagem. Não achas que teus pais irritar-se-ão com isso?&lt;br /&gt;- Apenas se souberem, ou se tu irdes atrás de mim em Atenas. Mas acho que este risco não corro, ou corro?&lt;br /&gt;O professor fez cara de quem não entendia o que ele estava dizendo, Alcebíades então continuou:&lt;br /&gt;- Saí de Atenas porque aquela ligação não me era mais útil. Ptolomeu me cansara. E os atenienses cansaram de ver-me com ele. Passar um tempo na casa de tua família, em Melos, ajudar-me-á a fazê-los esquecer dos meus últimos casos. - e nesta hora ele arrumos os cachos colocando-os atrás da orelha - Posso fazer o que quiser na ilha, ou neste barco, basta deixar que nada disso chegue aos ouvidos de meus compatriotas. Assim, quando eu voltar, serei novamente o príncipe daqueles salões, podendo escolher aquele que mais me apetecer. Sem aqueles olhares de repúdio às minhas aventuras.&lt;br /&gt;Artemidoro sinceramente não entendeu a lógica do menino. Não entendia porque aquele menino deveria se envergonhar de sua ligação com adultos. Mas ele não percebia que o problema não era o menino se ligar a um homem adulto, era a quantidade de homens com quem Alcebíades tinha relações, o menino notou isso e para concluir, falou:&lt;br /&gt;- Não te preocupas, apenas aproveita-me! Aproveita aquilo que quero te dar.&lt;br /&gt;E puxou as mãos do professor colocando-as sobre suas nádegas, deixando o professor escorrer suas mãos até suas coxas sem pêlos.&lt;br /&gt;O navio navegou por algumas horas, mas ainda era manhã quando da proa no navio, com Artemidoro ao seu lado, Alcebíades viu o cais da ilha de Melos. Este não passava de uma ponta de pedra que avançava mar a dentro. Alta, ficava quase da altura dos navios. Estes apenas lançavam âncora e amarravam cordas em estacas firmemente presas ao chão de pedra. Do navio estendia-se uma tábua de madeira para o promotório pedregoso e por ela passavam os passageiros. Chegando, Artemirdoro ainda o agarrou no barco e beijou-lhe e logo se dirigiu para desembar, lá, fora o primeiro a descer.&lt;br /&gt;Logo após o professor, segurando-lhe o braço, Alcebíades desceu. Ele olhou em volta e viu uma cidade muito pequena em torno do porto. A baixo do porto acenavam para Artemidoro dois poderosos homens, com certeza guerreiros espartanos, o professor acenou-lhe efusivamente, e os homens se aproximaram. Quando eles chegaram próximos, Alcebíades, o padrinho, alcançou o menino e o seu amigo espartano.&lt;br /&gt;- Vens para morar em Melos, Alcebíades? Por que tantas malas, camarada?&lt;br /&gt;Alcebíades sorriu:&lt;br /&gt;- Este menino atenienses que não sai de casa sem levar metade dela consigo. Ainda enfio-lhe garganta abaixo o que significa frugalidade.&lt;br /&gt;E riram todos. Inclusive Alcebíades.&lt;br /&gt;- Ele se chama Alcebíades, também. Alcebíades, filho de Clínias, seu pai deu-lhe meu nome por causa de nossa profunda amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem: Afrodite de Melos (ou Vênus de Milo, nome romano), Alexandre, século I, Museu do Louvre, França.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-7338113221740768564?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/7338113221740768564/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=7338113221740768564&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/7338113221740768564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/7338113221740768564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/01/my-iii.html' title='MY - III'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/R4VAf0iGXzI/AAAAAAAAANg/4ihKAIExPTM/s72-c/mh-afroditemelos2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4271874108355697522</id><published>2008-01-03T01:22:00.000-03:00</published><updated>2008-01-03T01:30:33.335-03:00</updated><title type='text'>MY - II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/R3xkEkiGXyI/AAAAAAAAANY/xx1M5l7yB0I/s1600-h/200px-Exekias_Dionysos_Staatliche_Antikensammlungen_2044.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/R3xkEkiGXyI/AAAAAAAAANY/xx1M5l7yB0I/s400/200px-Exekias_Dionysos_Staatliche_Antikensammlungen_2044.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5151102103493959458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;No carro, a caminho do Pireu, seguindo a muralha de pedras que liga a península a cidade de Atenas, margeando o mar Egeu, Alcebíades olhava distraído para o mar que quebrava suas ondas nas praias de pedra da costa.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Em um carro vinha ele, sozinho, juntamente com um escravo que conduzia o carro; em outro, a frente, seu pai e seu padrinho, Alcebíades, num carro também guiado por um escravo e, atrás deles, seguia outro carro, em que o escravo trazia a bagagem que o menino levaria na viagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;No porto, o embarque foi rápido, e logo o menino estava na proa do barco, enrolado a uma túnica de lã tingida de rubro, com seus cabelos expostos a maresia, vendo o barco singrar o oceano enquanto imaginava o reino de Possêidon que se estendia abaixo daquela cortina de água. O navio era uma enorme embarcação com dois mastros de velas quadradas, negras, onde estava pintado em dourado o rosto da Medusa. Não tinha remos, apenas singrava conforme o desejo dos ventos, trazendo uma tripulação de dezoito marinheiros. Homens robustos e fortes, que cheiravam a mar, como Alcebíades imaginava que deveria ser o cheiro dos cabelos de Possêidon. Mas nenhum daqueles homens o interessara. Alcebíades tinha um gosto muito particular por homens. Gostava daqueles que demonstravam trato, educação e superioridade, não gostava de homens comuns, como aqueles dezoito que o cercavam, mesmo reconhecendo que alguns eram bonitos, mesmo notando os olhares que eles o lançavam, mas ele era atraído por homens superiores a ele. Homens com os quais ele poderia aprender.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Alcebíades navegou até a Haliesis, nas portas do golfo de Argos, observando o mar. Os delfins de Anfitrite, o gado de Triton, acompanharam o barco enquanto eles passavam pela ilha de Egina. Alcebíades correu para vê-los quando os marinheiros riam com os saltos dos animais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Por que nos seguem?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Um velho marinheiro, enquanto puxava a segunda a vela, estendia-a com força, evitando o vento que soprava de volta a Atenas, respondeu sorrindo, quase sem dentes:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Protegem-nos, menino. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- De quem?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Sereias!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Alcebíades sentiu um arrepio subir-lhe pela coluna. Ouvira muitas estórias de mortes tenebrosas causadas pelas belas vozes das filhas do rio Arquelôo e da musa Melpômene que castigadas por Afrodite agora não podiam mais sentir os prazeres do amor e, por isso, se dedicavam a matar homens e devorar-lhes a carne. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- As sereias não atacam quem os delfins se afeiçoam. Encerrou sabiamente o marinheiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Haliesis foi a primeira parada na viagem. No entanto, Alcebíades viu-lhe apenas o porto. Meio dia de viagem apenas para cruzar o lago ateniense de Saronia entre a Ática e a primeira ponta do Peloponeso. A viagem tinha rendido, comentou um marinheiro, saltando a terra e agradecendo aos deuses do vento: Bóreas, o vento norte, e Histro, o vento oeste. Alcebíades, no entanto não estava tão feliz naquele porto. Tudo fedia a peixe e mariscos. Algas boiavam na água verde do Mediterrâneo. Estivadores carregavam caixas e prostitutas circulavam entre eles. Alcebíades reparou bastante numa delas. Era uma mulher morena de cabelos volumosos. Usava jóias (pulseiras, um colar e brincos) que deviam ser caros. Mas seu vestido curto e decotado estava puído e o menino ainda notara-lhe que estava rasgado. Ela segurava o rasgo na lateral quando cruzava o braço. Mas exibia as pernas, belas pernas, claras, delicadas, que atraíam os olhares daqueles homens rudes. Inclusive, um deles desceu de um barco e caminhou diretamente para ela. Alcebíades sorriu, inclusive, ironicamente ao ver-lhe discutir o preço, dar-lhe três moedas e leva-la dali. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;O navio aportou por apenas algumas horas, pararam para reabastecer as reservas de água, e logo partiram atravessando o golfo para o cabo de Malea, na ponta sul do Peloponeso, onde pernoitariam para que assim que Hélios erguesse o carro do sol novamente do mar, onde ele dividia a cama com Tétis – a mãe do grandioso Aquiles –, o navio ateniense alcançasse a ilha de Melos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Em Malea, Alcebíades finalmente desembarcou. Desceu usando um capuz cinza que escondia seu rosto, por sobre a túnica negra com bordados brancos, presa nos dois ombros por fechos de prata. Foi com ele do porto até a hospedaria que seu padrinho o levara. O sol deitava-se no mar, lançando aquela penumbra do pôr-do-sol pelas ruas apertadas daquela cidade que não passava de uma vila de pescadores. Observando aquela cidade minúscula e puxando seu manto para que este não se emporcalhasse com o esterco de asnos que encontrava-se úmido ainda pelas ruelas que eles cruzavam, Alcebíades cada vez mais achava que tinha sido uma péssima idéia deixar uma cidade como Atenas e abandonar os banquetes aos quais ele era convidado, às tardes no ginásio em que ele usava seu belo corpo para seduzir os respeitáveis homens da cidade ou a academia ouvindo os filó&lt;span style="display: none;"&gt;sio ou na academia ouvindo os fil os banquetes que ele era convidado, as tardes no gino sol se erguesse novamente sobre o mar q&lt;/span&gt;sofos discursarem sobre a banalidade da vida humana e da perfeição dos deuses. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;No entanto, no fim da terceira ruela que o menino se deparou, Alcebíades, o velho, trouxe-o para uma pequena taverna, cuja entrada baixa forçava o pedagogo espartano a abaixar-se para poder passar na porta. Mesas retangulares e bancos baixos, se espalhavam pelo salão, que do lado oposto tinha uma grande escada que levava aos andares superiores onde ficava a hospedaria, o vinho era servido em grandes crateras de cerâmica com água e as pessoas falavam alto contando histórias de pescador. O padrinho de Alcebíades sentou numa mesa iluminada, não muito distante da porta, sentou-se na cabeceira, e seu afilhado sentou a direita, num banco mole, de uma madeira úmida. Alcebíades demonstrava todo seu tédio quando um jovem escravo trouxe queijo, carne de carneiro e azeite para a mesa a pedido do padrinho. Ele apoiava o queixo nos pulsos e soprava um cacho de seu cabelo castanho que insistia em cair-lhe sobre os olhos. Duas rodadas de vinho foram servidas. Alcebíades, no entanto, mal tocava aquele vinho fraco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Que vinho ruim - reclamava - parece à água que lavam o trigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Para meu gosto, está excelente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Tu e tuas frugalidades, padrinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Alcebíades, o velho, então riu profusamente. E o menino então ouviu atrás dele:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Que boa notícia, traze-lhe a Fama, para rires deste maneira, camarada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Levantando-se rápido da mesa, o padrinho respondeu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Artemidoro! Homem! Que bom que chegaste!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;E o homem jogou uma pesada mochila na mesa, balançando o copo de Alcebiades, que segurou a taça e lançou um olhar de desaprovação sobre o recém chegado que, no entanto, se desfez quando seus olhos o encontraram. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Artemidoro! Bom homem!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;E os homens se abraçavam forte. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Quanto tempo que não te vejo, Alcebíades. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;E os ouvidos do menino se encharcaram com a voz macia e masculina do professor. Alcebíades o olhava encantado. Cada movimento do seu corpo enquanto falava com o padrinho. Os gestos expansivos. Os abraços fortes. A mão que apalpava os biceps do amigo distante enquanto falavam-se. O cabelo que balançava e os olhos que faíscavam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Este é meu afilhado. Alcebíades, filho de Clínias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Ao ver a mão do seu padrinho estendendo-se em direção a ele, Alcebíades voltou-se ao seu copo. Quando Artemidoro o viu, então parecia que ele não havia movido-lhe um músculo para ver o professor que sorriu para o menino. Este, mantendo um ar altivo, apenas cumprimentou-lhe com um arquear de sobrancelhas, e voltou a girar, entediado, o vinho dentro da taça, disfarçando a mão que tremia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Belo rapaz, tens aqui - comentou simpático, Artemidoro - parece ter as fibras rijas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- É sim, um belo rapaz, o melhor dos atenienses. Disse o padrinho e Alcebíades sorriu, assentindo o elogio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Artemidoro então deu a volta na mesa e puxou um banco, sentando-se quase na frente de Alcebíades, à esquerda do padrinho do menino. Os amigos começaram a conversar sobre Esparta e a vida que levavam, e Alcebíades, apesar do medo de sua voz demonstrar a excitação que sentia, começou aos poucos a participar da conversa, o que fez com que Artemidoro estranhasse um pouco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Por que, em Esparta, meninos como você não devem ficar interrompendo a conversa de homens. Comentou o paidomonos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Mas em Atenas os homens discussam para os meninos, esperam que eles perguntem. Replicou Alcebíades, o menino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;Artemidoro então olhou incrédulo para o amigo, que com um gesto bonachão confirmou o que o menino contava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Os meninos seguem os filósofos pela academia, perguntando a eles sobre as coisas. Não é difícil encontrá-los em discussões acaloradas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Com os meninos?! Assustou-se Artemidoro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Sim. Riu Alcebíades, o velho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;- Mas o que os meninos sabem para discutir com estes tais filósofos? Não viveram nada! Deviam calar, aprender e obedecer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem: Dionísio no Seu Barco, Exéquias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;                 Vaso de Figuras Negras. Século V. Museu da Provença, Itália.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-4271874108355697522?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/4271874108355697522/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=4271874108355697522&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4271874108355697522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4271874108355697522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2008/01/my-ii.html' title='MY - II'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/R3xkEkiGXyI/AAAAAAAAANY/xx1M5l7yB0I/s72-c/200px-Exekias_Dionysos_Staatliche_Antikensammlungen_2044.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4785361969079389911</id><published>2007-12-21T13:48:00.000-03:00</published><updated>2007-12-29T13:38:06.575-03:00</updated><title type='text'>MY - I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/R3Z1oEiGXsI/AAAAAAAAAMk/mghl5cIdZxg/s1600-h/pederastia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/R3Z1oEiGXsI/AAAAAAAAAMk/mghl5cIdZxg/s400/pederastia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149432555216723650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;           &lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;O dia amanhecia preguiçoso na casa de campo de Ptolomeu, Hélios encontrara Alcebíades desnudo, com seu corpo dourado e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt; perfeito, jogado entre lençóis e fronhas daquela rica vila do dono de uma grande tropa de navios, que também estava deitado ao seu lado, também nu. Ptolomeu era casado, muito bem casado, tinha 38 anos, e dois filhos varões pequenos ainda, de 9 e 7 anos. Mas desde que conhecera Alcebíades no ginásio, ou melhor, desde que Alcebíades decidira possuir seu coração, Ptolomeu abandonou todas as suas tarefas primevas para saciar os caprichos do jovem. &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;Os dias do jovem senhor, de corpo talhado a formão, e de anos de exercícios banhados a óleo no mesmo ginásio que agora era freqüentado por seu amado, abandonara tudo quando Alcebíades aceitou-lhe o primeiro presente, uma túnica bordada com fios púrpura. Inclusive, naquele mesmo dia, Ptolomeu doou uma coroa de louros feita em outro para o templo de Apolo como prometera no primeiro dia que vira o jovem lutando no ginásio. &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;Mas o que Ptolomeu não sabia é que Alcebíades também o tinha visto naquele dia. Tinha visto e desejado. Mas também percebera facilmente o efeito que causara, e decidira então jogar um pouco com o pobre Ptolomeu, fazê-lo suar para conquistá-lo. “Assim ele dar-me-á o devido valor”, pensava. &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;Ptolomeu sofreu por quase um ano até sentir os lábios de Alcebíades junto aos seus. O menino demorou seis meses para aceitar-lhe o primeiro presente, apesar de tantos outros que ele já havia trazido, como manda a tradição. Nisto, Ptolomeu já apelara a todos os deuses. Mas, certo dia, Alcebíades finalmente decidiu-lhe demonstrar algum apreço. E aceitou. Logo outros vieram. Escudos, vasos com a inscrição “Alcebíades, o belo”, jóias, cavalos, carros. E também convites para viagens. Eubéia, Cyclades, Lesbos, Mitilene, e mais distante, Egito. O que aos poucos começou a incomodar a rica família de Alcebíades. O menino não se incomodava, até gostava do falatório sobre seu nome, mas seu pai, Clínias, não queria mais vê-lo ligado ao dono de navios. &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;Então, naquela manhã, Alcebíades estava deitado de bruços. Suas nádegas firmes e douradas destacavam-se da maciez do linho que cobria o colchão de feno, as costas largas e definidas eram acariciadas pela mão áspera do antigo marinheiro. O menino então falou:&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Ptolomeu, viajarei com meu padrinho no inverno.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Alguns dias?&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Não, querido, toda a estação.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;Ptolomeu se alterou. Ficou sem ar. Não sabia o que dizer.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Então acho que está tudo terminado entre nós. Continuou friamente Alcebíades. &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Acabou? Por quê? Não te dou tudo que queres?&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Da-me, com certeza, querido…&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Então, por quê? Quando retornares desta viagem podemos…&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Ontem meu pai me fez perceber – interrompeu o menino, num tom como se comentasse sobre o tempo, sem mover um músculo, sem demonstrar nenhum sentimento – que nossa ligação, por tanto tempo, não é vantajosa para mim. &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Teu pai?!? Vantajosa?!? Gritou Ptolomeu, levantando-se nu.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Sim – continuou como se não notasse a reação do amante – e viajar com meu padrinho vai fazer com que a cidade esqueça de nós dois. &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- Mas… - disse Ptolomeu ajoelhando-se – não posso viver sem ti.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;Alcebíades sorriu ironicamente e apenas comentou, como se falasse para si mesmo:&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:130%;"&gt;- E tu acreditavas que isto deveria durar para sempre? Por favor!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem: cratera de figuras vermelhas do século V a.C. (Museu de Atenas)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:16;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-4785361969079389911?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/4785361969079389911/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=4785361969079389911&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4785361969079389911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/4785361969079389911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2007/12/my-i.html' title='MY - I'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AyKr-Pi9azE/R3Z1oEiGXsI/AAAAAAAAAMk/mghl5cIdZxg/s72-c/pederastia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-1932424887384605851</id><published>2007-12-20T01:39:00.000-03:00</published><updated>2007-12-20T01:45:31.113-03:00</updated><title type='text'>LAMBDA - IV</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Heleno continuava com vergonha de Alcebíades. Mesmo depois de tudo que acontecera entre eles, o menino ainda se ruborizava na presença do ateniense e, agora, suas febres, sobretudo à noite, só pioravam. E agora ele não precisava mais nem vê-lo. Bastava lembrar do gosto de sua boca e do calor de sua carne, de como o menino gostava de ser possuído, de como ele sentia prazer em provocar o membro rijo de Heleno até este explodir em suas entranhas, do sorriso de prazer que o menino moreno abria quando suado e cansado Heleno virava-se para o lado, que a febre cobria o corpo do menino espartano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;À noite, normalmente que isso acontecia, e toda noite Heleno jurava que pararia com aquilo. Pedia força aos deuses, implorava que eles afastassem aquele menino dele, afinal naquele momento, ele dormia nos braços de Artemidoro, o professor de Heleno, mas bastava Hélios aparecer no céu com seus cavalos de crinas douradas e cascos de bronze, e Alcebíades aparecer sorridente, que Heleno desistia das promessas feitas aos deuses e, muitas vezes, até, ele ouviu a própria Afrodite rindo dele, como quem se gabava: “Não tens como fugir a mim”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;O menino, no início, respirava fundo tentando não ceder às investidas do jovem mortal tão belo quanto um deus. Heleno imaginava inclusive que em qualquer noite eles acordariam e Alcebíades haveria sumido, raptado por algum deus ou deusa que tivesse se apaixonado por ele. Este era o pesadelo mais comum que o menino espartano estava a ter naquelas noites. Ele acordava assustado, tremendo, suado. Algumas vezes até se levantou e foi ao quarto de Artemidoro para confirmar que o menino ateniense dormia e o via aninhado nos braços fortes do paidomonos, tranqüilo e em paz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Além disso, Alcebíades o cercara. Tornara-se amigo de Alceu, que Heleno notara que lançava-lhe olhares de cobiça e por isso o convidava sempre para estar com eles, e de Iolau, que parecia o único inabalado com a presença de Alcebíades em toda a vila. Então os quatro meninos começaram a explorar a ilha juntos, mas Alcebíades sempre conseguia momentos para ficar a sós com Heleno. E quando o menino se via sozinho com aquele jovem deus tão mortal quanto ele no quarto dos meninos, nas cavalariças, nos jardins, na sala da lareira, na praia, nas campinas, Heleno já estava rendido. Rendido e queimando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Tu és lindo. Murmurou Heleno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Ele estava deitado sobre o antebraço, na grama, observando o corpo perfeito de Alcebíades, que apenas sorriu assentindo. Até que Heleno continuou a beijar-lhe o peito e a barriga, provocando cócegas no menino com pele cor de trigo. Alcebíades então sentou sobre o colo de Heleno, passeava suas mãos pelo peito rijo e crescente do menino loiro, enquanto este acariciava os músculos definidos da barriga do outro. Este rebolava o quadril, tentando atiçar o menino, e Heleno sorria com desejo, e em pouco tempo Alcebíades conseguiu seu intento e tinha Heleno dentro de si, vibrando. Heleno então sentou, puxou o corpo do menino contra si, que enroscou as pernas no tórax dele, que procurava avidamente sua boca. Até explodirem juntos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37657478-1932424887384605851?l=pseudea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pseudea.blogspot.com/feeds/1932424887384605851/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37657478&amp;postID=1932424887384605851&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1932424887384605851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37657478/posts/default/1932424887384605851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pseudea.blogspot.com/2007/12/lambda-iv.html' title='LAMBDA - IV'/><author><name>FOXX</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-rclZcSSfTvg/TkCl5918imI/AAAAAAAABPs/s2CT6TR8Uns/s220/perfil.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37657478.post-4197819081435886023</id><published>2007-12-15T11:56:00.000-03:00</published><updated>2007-12-15T12:00:31.182-03:00</updated><title type='text'>LAMBDA - III</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;A vida de Heleno tornara-se um inferno. Ver Alcebíades começara a provocar-lhe rubores, calores por todo corpo e, às vezes, quando o menino olhava-o provocante sobre o ombro do professor, aquela mesma febre que o assolara no quarto, voltava-lhe por entre as pernas e tomava-lhe o corpo. Alcebíades começara a perceber, e sorria maliciosamente, todavia Heleno fugia assim que sentia seu rosto rubro, ou os calores percorrerem-lhe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Mas, naquele dia, no jardim da casa, Artemidoro jogava um jogo de tabuleiro com Alcebíades, seu amigo, e Amintas, enquanto bebiam vinho. Alcebíades, o menino, estava sentado em sua coxa esquerda e enquanto o professor apalpava-lhe as nádegas, o menino confessava-lhe indecências ao pé do ouvido. Heleno, Alceu e Iolau passaram em direção as cavalariças. Iam montar. Heleno, no entanto, não deixou de olhar para o menino apenas com o cantinho do olho, o que não escapou da percepção de Alcebíades, o que novamente fez o menino loiro ficar ainda mais envergonhado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Nas cavalariças, Alceu e Iolau montaram seus animais primeiro. Heleno também montou, mas percebeu que o animal mancava, desceu do cavalo e olhou o casco, em que encontrou uma pedra presa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Tem uma pedra, deve estar incomodando, vou tirar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Certo! Encontra a gente na praia? Falou Alceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Heleno acentiu e eles saíram cavalgando. Heleno tirou então sua túnica para não suja-la e pôs-se ao serviço, puxando a pata do garanhão negro e segurando-a entre suas pernas, para com um formão remover a pedra. Enquanto ele fazia isso, ouviu uma voz atrás de si que o fez congelar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Não costumo montar. Vocês fazem muito isso aqui, não é? Heleno, seu nome, não?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Heleno não conseguia responder. Alcebíades não se importou. Heleno até imaginou que ele gostou, porque da porta, onde apoiara seu ombro e de braços cruzados, observando o menino espartano, ele continuou o monólogo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Atenas é uma cidade grande. Não temos muitos cavalos na anossa propriedade na cidade, apesar de que nossa casa de campo tem um haras considerável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Heleno continuava fingindo estar ocupado demais com sua tarefa para poder responder, enquanto Alcebíades continuava falando:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Prefiro os carros, o meu tem dois grandes garanhões trácios. São os mais rápidos de toda Atenas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Juntando uma coragem surpreendente, Heleno olhou para trás e viu aquele menino digno dos deuses, parado, de braços cruzados, apenas com o manto azul que Artemidoro usava quando chegou a ilha, o que ficava muito maior que ele, e escondia seu corpo, o que deixou Heleno aliviado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Eu poderia montar com você?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Heleno, prestando atenção ao que fazia, teve que responder. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Temos mais dois cavalos. Sabe sela-los? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Alcebíades, no entanto, respondeu já tocando na coxa de Heleno que segurava a pata do cavalo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Eu gostaria de montar com você. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;Heleno saltou e ficou de pé. Nu, notou Alcebíades analisando seu corpo, deixando-o vermelho, mas tudo piorou quando o menino ateniense largou a túnica do professor que caiu no chão, revelando aquele corpo que Heleno achava perfumado com ambrósia. A febre tomou o corpo de Heleno, e seu membro vibrou ficando em riste, crescendo aos poucos, o que fez Alcebíades sorrir. Sorriu e estendeu a mão para tocá-lo. O calor da mão do menino fez com que a febre alcançasse rapidamente seu ponto culminante, e as têmporas de Heleno agora latejavam, como seu membro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Eu... eu... nós não podemos fazer isso. Gaguejou Heleno. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Não? Riu Alcebíades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt; font-family: Garamond;"&gt;- Não! Não temos idade para isso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;
