KHY - V
Sem entender, Alceu observava agora Alcmeon que marchara ao seu lado. Eles chegaram a Tégea onde acamparam próximo o sumidouro do rio Zanovistas, o qual se perdia por entre as pedras de calcário e seguia seu curso por baixo da cidade. O exército espartano defendia Tégea já, e se preparava para atacar as torres de observação em Mitikas que guardavam a passagem pelo vale e o bosque de Pélagos. Foi sem entender que ele ergueu sua espada e não tinha mais Heleno protegendo sua retaguarda e sim Alcmeon ao seu lado, bradando com a força, mas não com tanta destreza a lâmina.
A batalha aconteceu em campos de trigo que haviam sido colhidos alguns meses antes, poucas sementes ainda estalavam sob os pés dos soldados, abandonadas por escravos desatentos. Dos campos era possível ver o monte Alesion a distância, uma escarpa íngrime e de difícil acesso. Àquela altura, os eleanos já marchavam para ajudar seus aliados mantineus, os espartanos sabiam que se estes chegassem e eles não tivessem ainda vencido as torres de Mitikas, a superioridade numérica dos seus inimigos, somado ao ambiente natural que se impunha a eles, o vale e o bosque, seriam um tremendo revés a campanha. Por isso, mesmo sem Alceu entender nada, eles nem chegaram a armar o acampamento. Atacaram as torres.
Eram quatro torres, dispostas lateralmente a distância segura uma das outras. Ocupavam toda extensão do vale, duas ao sopé das montanhas, uma protegendo o vale, outra protegendo a margem do rio. Os carvalhos do bosque ficavam-lhe ao fundo, emoldurando uma paisagem que transpirava perigo. Temendo então isto, Ágis, o jovem rei, enquanto esperava reforços de Esparta comandados por Plestoanax, ordenou que os guerreiros escavassem fossos e erguessem diques, tentando desviar o rumo do rio que sumia tentre pedras, inundando a planície.
A represa foi construida rápidamente, e a água ligeira daquele deus-rio logo encheu o reservatório, contudo, antes que a água fosse liberada e tomasse conta de toda planície, mantineus atacaram os espartanos. Desceram pelas montanhas gritando, sem formação, ouvia-se apenas seus uivos e tilintar das armas de metal chovando-se. Escudos e espadas. Por trás das torres, partiram carros de guerra todos com apenas um cavalo, seus arqueiros foram os primeiros a atacar os espartanos. As flechas ergueram-se para o céu e caíram como uma tempestade sobre o exército espartano, contudo, organizados, com escudos lado a lado, nenhum se feriu, porém, alguns soldados do exército inimigo, aqueles mais corajosos ou tão covardes que se tornam afoitos, aqueles que já alcançavam os espartanos e tinham seu rosto transformado pelos gritos que não conseguiam mas ser ouvidos pelos espartanos, estes foram atingidos pelas setas em suas costas desprotegidas e caíram com suas vidas ceifadas.
Foi quando Ágis gritou do meio do exército e todos, sem exceção, ouviram:
- Espartanos, bons no corpo-a-corpo, lembrai a fibra de homens que sois. Não é desonra morrer lutando pela pátria, salvando nossas esposas, filhos e amantes que esperam nosso retorno em casa. Vexame, espartanos! Agora é hora de morrer ou salvar-se e expulsar da Hélade este mal que ameaça ardê-la.
Os espartanos gritaram com seu ânimo inflamado. Não obstante, não se jogaram sobre as hordes de mantineus que avançavam sobre eles e explodiam em seus escudos, esperaram e o detiveram mantendo-se protegidos acima do dique que haviam construído. Foi quando outros soldados, liderados por Artemidoro, romperam a represa. A água gelada do Zanovistas desceu como uma torrente, ondas avançaram sobre os matineus e seus poucos aliados. Pegos de surpresas, muitos soldados não conseguiram nem se mover, afogaram-se em segundos, outros emergiram uma vez e foram atingidos por arqueiros espartanos que os aguardavam, muitos fugiram, retornaram, corriam de volta as torres, tentando escapar a água, mas o carros vinham em sua direção, foram atropelados pelos cavalos que não conseguiram parar, pisoteados foram encontrados rápido pelas aguas que subiam. Apavorados, os cavalos começaram a derrubar seus condutores, e quando a água os alcançava e tentava submergi-los, esmagavam com seus casos os guerreiros que emergiam da frialdade úmida do Zanovistas.
Em questão de instantes, a vaga alcançou o sopé das quatro torres e começou a crescer, espartanos então a nado, com o escudo preso as costas e a espada entredentes, chegaram ao sopé das torres e quase imediatamente começara a subir nas duas centrais, escalando as pedras que as constituiam. Setas choviam sobre eles, dos vigias das torres atacadas e também das outras que estavam mais distantes, porém estas atingiam normalmente seus escudos, e poucos foram atingidos em suas coxas e braços, porém, mesmo feridos terminaram a escalada e se puseram a lutar com os guerreiros de lá, derrubando-os de seus postos e conquistando as torres. Alceu estava no topo da terceira torre, junto a Alcmeon, quando olhou em volta e viu que o sangue tingia de um suave vermelho a água em torno das torres quando elas foram finalmente tomadas. Pertenciam agora a Esparta.
- Batalha vencida! Arfou Alcmeon.
- Não devias comemorar. Falou Alceu.
- Comemoro cada vitória, Alceu, cada uma. - E puxou-o para si, beijando-lhe a boca com volúpia – cada vitória é única. Um presente que Ares e Nicky nos concedem! Seria uma ofensa a todos os deuses não comemorar cada uma delas.
Alceu sorriu e viu adiante os soldados fechando com cuidado o desvio, devolvendo o rio ao seu lugar, quando virou a esquerda reconheceu Heleno, coberto de sangue, em outra torre, olhando para ele, e aí percebeu que o sangue fluia da ombro do jovem loiro. E uma dor lancinante cortou-lhe o coração. O homem que ele amava esta ferido. Ele agarrou-se a um pedaço de madeira que seriva de parapeito. E gritou:
- Heleno!!!
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A batalha aconteceu em campos de trigo que haviam sido colhidos alguns meses antes, poucas sementes ainda estalavam sob os pés dos soldados, abandonadas por escravos desatentos. Dos campos era possível ver o monte Alesion a distância, uma escarpa íngrime e de difícil acesso. Àquela altura, os eleanos já marchavam para ajudar seus aliados mantineus, os espartanos sabiam que se estes chegassem e eles não tivessem ainda vencido as torres de Mitikas, a superioridade numérica dos seus inimigos, somado ao ambiente natural que se impunha a eles, o vale e o bosque, seriam um tremendo revés a campanha. Por isso, mesmo sem Alceu entender nada, eles nem chegaram a armar o acampamento. Atacaram as torres.
Eram quatro torres, dispostas lateralmente a distância segura uma das outras. Ocupavam toda extensão do vale, duas ao sopé das montanhas, uma protegendo o vale, outra protegendo a margem do rio. Os carvalhos do bosque ficavam-lhe ao fundo, emoldurando uma paisagem que transpirava perigo. Temendo então isto, Ágis, o jovem rei, enquanto esperava reforços de Esparta comandados por Plestoanax, ordenou que os guerreiros escavassem fossos e erguessem diques, tentando desviar o rumo do rio que sumia tentre pedras, inundando a planície.
A represa foi construida rápidamente, e a água ligeira daquele deus-rio logo encheu o reservatório, contudo, antes que a água fosse liberada e tomasse conta de toda planície, mantineus atacaram os espartanos. Desceram pelas montanhas gritando, sem formação, ouvia-se apenas seus uivos e tilintar das armas de metal chovando-se. Escudos e espadas. Por trás das torres, partiram carros de guerra todos com apenas um cavalo, seus arqueiros foram os primeiros a atacar os espartanos. As flechas ergueram-se para o céu e caíram como uma tempestade sobre o exército espartano, contudo, organizados, com escudos lado a lado, nenhum se feriu, porém, alguns soldados do exército inimigo, aqueles mais corajosos ou tão covardes que se tornam afoitos, aqueles que já alcançavam os espartanos e tinham seu rosto transformado pelos gritos que não conseguiam mas ser ouvidos pelos espartanos, estes foram atingidos pelas setas em suas costas desprotegidas e caíram com suas vidas ceifadas.
Foi quando Ágis gritou do meio do exército e todos, sem exceção, ouviram:
- Espartanos, bons no corpo-a-corpo, lembrai a fibra de homens que sois. Não é desonra morrer lutando pela pátria, salvando nossas esposas, filhos e amantes que esperam nosso retorno em casa. Vexame, espartanos! Agora é hora de morrer ou salvar-se e expulsar da Hélade este mal que ameaça ardê-la.
Os espartanos gritaram com seu ânimo inflamado. Não obstante, não se jogaram sobre as hordes de mantineus que avançavam sobre eles e explodiam em seus escudos, esperaram e o detiveram mantendo-se protegidos acima do dique que haviam construído. Foi quando outros soldados, liderados por Artemidoro, romperam a represa. A água gelada do Zanovistas desceu como uma torrente, ondas avançaram sobre os matineus e seus poucos aliados. Pegos de surpresas, muitos soldados não conseguiram nem se mover, afogaram-se em segundos, outros emergiram uma vez e foram atingidos por arqueiros espartanos que os aguardavam, muitos fugiram, retornaram, corriam de volta as torres, tentando escapar a água, mas o carros vinham em sua direção, foram atropelados pelos cavalos que não conseguiram parar, pisoteados foram encontrados rápido pelas aguas que subiam. Apavorados, os cavalos começaram a derrubar seus condutores, e quando a água os alcançava e tentava submergi-los, esmagavam com seus casos os guerreiros que emergiam da frialdade úmida do Zanovistas.
Em questão de instantes, a vaga alcançou o sopé das quatro torres e começou a crescer, espartanos então a nado, com o escudo preso as costas e a espada entredentes, chegaram ao sopé das torres e quase imediatamente começara a subir nas duas centrais, escalando as pedras que as constituiam. Setas choviam sobre eles, dos vigias das torres atacadas e também das outras que estavam mais distantes, porém estas atingiam normalmente seus escudos, e poucos foram atingidos em suas coxas e braços, porém, mesmo feridos terminaram a escalada e se puseram a lutar com os guerreiros de lá, derrubando-os de seus postos e conquistando as torres. Alceu estava no topo da terceira torre, junto a Alcmeon, quando olhou em volta e viu que o sangue tingia de um suave vermelho a água em torno das torres quando elas foram finalmente tomadas. Pertenciam agora a Esparta.
- Batalha vencida! Arfou Alcmeon.
- Não devias comemorar. Falou Alceu.
- Comemoro cada vitória, Alceu, cada uma. - E puxou-o para si, beijando-lhe a boca com volúpia – cada vitória é única. Um presente que Ares e Nicky nos concedem! Seria uma ofensa a todos os deuses não comemorar cada uma delas.
Alceu sorriu e viu adiante os soldados fechando com cuidado o desvio, devolvendo o rio ao seu lugar, quando virou a esquerda reconheceu Heleno, coberto de sangue, em outra torre, olhando para ele, e aí percebeu que o sangue fluia da ombro do jovem loiro. E uma dor lancinante cortou-lhe o coração. O homem que ele amava esta ferido. Ele agarrou-se a um pedaço de madeira que seriva de parapeito. E gritou:
- Heleno!!!